Sob a sombra do dragão

12 de fevereiro de 2025/ Hollow Area, Rulid

>Ponto de vista do Aidan<



Ao ouvir as palavras de Alice, os jogadores começaram a gritar em uma euforia gigantesca. Aparentemente isso não acontece muito por aqui. Alice caminhou até o meio da praça e desembainhou sua espada, que era toda dourada. Ouvi alguns "OWW" quando ela retirou a espada da bainha.

— Philia, você vai primeiro já que já lhe adicionei na minha lista de amigos — disse Alice encarando minha parceira.

— Nós não podemos nem escolher quem irá primeiro?! — questionou Philia.

— Vai ser mais rápido assim — Alice suspirou. — Vamos logo com isso! — disse Alice abrindo o menu.

O sistema de duelos aqui na Hollow Area, assim como basicamente tudo, era diferente de Aincrad. Para desafiar alguém para um duelo, você precisa ter o jogador na sua lista de amigos. Ao clicar no nome no jogador, aparecem as opções de enviar mensagem, localizar, e desafiar.

Quando se se escolhe a opção "To Challenge", as opções de duelos aparecem; duelo normal e modo HP, e a opção que todos em SAO usavam, o modo de um acerto; que como o nome já dizia, a luta acabava assim que um dos duelistas fizesse o primeiro acerto.

— Vamos começar! — disse Philia desembainhando sua espada. — Fique de olho no padrão de luta dela — ela sussurrou. Eu acenei com a cabeça.

Eu andei até onde Eugeo estava. Ele fazia uma cara de desaprovação o tempo inteiro. Depois que as duas estavam no centro da praça, um cronometro surgiu flutuando entre as duas, que assumiram suas posições de ataque. O cronometro marcava inicialmente 60 segundos, agora estava em 53.

— Sinto muito por isso — o galã suspirou ao meu lado. — A Alice pode ser imprevisível às vezes — ele disse encarando a cavaleira de prata.

— Não tem problema — disse tentando consolar o galã. — É compreensível que ela faça isso, já que vocês tiveram problemas com jogadores vermelhos.

— S-sim...

Olhei para o cronometro que já estava na contagem final. 10, 09, 08... comecei a sentir a preção emanando das duas. Philia estava claramente tensa com isso, ao contrario de Alice, que estava com um olhar sério e concentrado. 05, 04, 03, 02, 01, 00. As duas então avançaram ferozmente uma contra a outra.

Logo de cara Philia ativou uma sword skill. A Vertical Square, Skill para usuários de espadas com quatro acertos, dos quais Alice conseguiu defender. Ambas cruzaram espadas e segundos depois se afastaram. Alice desferiu um golpe horizontal em arco, do qual Philia esquivou saltando para trás.

Os jogadores que assistiam estavam loucos gritando. Alguns torciam por Philia e outros por Alice. Eugeo estava ao meu lado de braços cruzados com um olhar tenso no rosto.

Olhei de volta para o combate que se seguia na Praça de Rulid. Alice desferiu um golpe diagonal de baixo para cima, que Philia defendeu girando sua espada defendendo com o lado serrilhado da lâmina. Alice ergueu seu pé direito e desferiu um golpe na barriga de minha parceira, fazendo-a voar alguns metros. — Philia! — gritei ao vê-la ser arremessada uns quatro metros para trás.

Sem dar chance para Philia, Alice correu em direção a ela e saltou no ar. Seu corpo girou enquanto sua espada emitia um brilho azul.

Philia rolou para a direita. A espada de Alice bateu ferozmente contra o chão fazendo a poeira levantar. Não conseguimos mais ver nada, tudo que chegava a nós eram os barulhos das espadas das duas se chocando ferozmente.

De repente ouvimos um som como a batida de um tambor e logo depois sinos agudos, o que indicava que a luta havia terminado. Todos ficaram em silêncio. Não podíamos ver nada além da poeira, que quando abaixou vimos Philia se levantando meio zonza e Alice de pé não muito longe dela.

Ao verem sua lider de pé vitoriosa, os jogadores vibraram em gritos eufóricos.

— Ela é boa! — disse Eugeo ao meu lado.

— Ela?

— Sim, sua parceira. Ela luta muito bem — de fato o galã está certo. Philia é uma ótima lutadora, eu ainda não consegui vencê-la em um duelo. Tenho certeza que a Alice vai lavar o chão com a minha cara...

Alice ajudou Philia a se levantar e as duas trocaram algumas palavras antes de Philia vir andando até onde eu estava.

— Ótima luta!

— Sim, você é muito boa!

— Você realmente foi bem — eu a elogiei quando ela chegou perto o suficiente para me ouvir.

— Obrigada — ela disse coçando a parte de trás da cabeça.

— Certo, sua vez! — ouvi voz de Alice soar na praça. Ao olhar para ela, eu a vi apontando a espada em minha direção.

— Cuidado. Ela é mais forte do que parece — Philia me alertou. Eu acenei com a cabeça e lhe lancei um olhar confiante – embora eu não esteja tão confiante assim.

Andei a até a praça. Ao chegar a uns quatro metros dela, Alice abriu o menu e me enviou a solicitação de amizade. Depois de aceitar, eu abri a lista de amigos e cliquei em seu nome. Logo depois enviei a solicitação de duelo, e obviamente ela escolheu a opção de um acerto. O cronometro então apareceu entre nós com o tempo de 60 segundos.

Retirei minha espada da bainha em minhas costas e assumi a posição inicial da skill "Sonic Leap".

Alice posicionou seu pé direito um pouco mais para frente e segurou o cabo da espada com as duas mãos enquanto a colocava para trás. O que ela pretende?

Senti o suor correr da minha testa e escorrer pelo meu corpo enquanto analisava a postura dela. Desviei o olhar para Philia, que estava ao lado de Eugeo. Mas meus olhos se encontraram com os de um jogador mais atrás deles. Estreitei os olhos e senti um arrepio subir por minha coluna. Morte me encarava com um sorriso em seu rosto totalmente pálido. Engoli seco ao ver aquilo.

Voltei a mim com o fim da contagem do cronometro e o alarme do inicio do duelo.

Sem nem pensar duas vezes, eu avencei com tudo contra Alice. A lâmina de minha espada brilhou em verde e desferi um golpe vertical, que foi defendido por ela, que desferiu um golpe diagonal de baixo para cima. O impacto das lâminas me fez recuar dois passos.

Alice veio com tudo e desferiu um golpe horizontal, que esquivei girando meu corpo enquanto dava um passo para trás. Após girar meu corpo, desferi um golpe diagonal, que ela apenas esquivou girando o corpo para o lado.

Sem perder mais tempo, saltei para trás e coloquei minha espada acima de minha cabeça horizontalmente. Vou acabar com isso usando a Typhoon! Olhei para Alice que havia assumido a posição inicial da Vertical Square. Não pude deixar de soltar um sorriso.

Eu então avancei ainda mantendo minha espada em sua posição. Quando vi Alice fazer começar a mover sua espada, eu comecei a mover a minha, que começou a brilhar em azul. Vi os olhos dela se arregalando e não pude deixar de sorrir.

Minha espada desceu e se encontrou com a dela. O choque das espadas a fez recuar um passo para trás, mas para o azar dela eu ainda tinha quatro movimentos.

Desferi o segundo, que ela conseguiu defender. O terceiro, que por pouco a acerta no peito; e por fim o quarto, que ela... ela desviou!?

Alice jogou seu corpo para esquerda enquanto girava. Minha espada não a acertou por pouco. Míseros dois centímetros roubaram minha vitória!?

Sua espada emitiu um brilho amarelo vivo enquanto se desfazia em pequenas pétalas em formato de +. As pétalas amarelas brilhantes vieram contra mim se chocando com força contra meu corpo, que caiu pesadamente sobre o chão.

As pétalas se untaram novamente formando a lâmina da espada, que vinha em minha direção. Fechei os olhos. Senti uma brisa bater em meu rosto e quando abri os olhos, a ponta da espada dela estava a milímetros do meu pescoço.

Encarei seus olhos azuis profundos, que olhavam no fundo dos meus olhos como se tocassem a minha alma. Um leve sorriso de canto de boca se formou em seu rosto e ela soltou um suspiro enquanto afastava sua espada do meu pescoço e a guardava em sua bainha.

Olhei para o cronometro acima de nós e não deixei de suspirar ao ver quanto tempo nossa luta durou. 01 minuto e 22 segundos.

Ela ergueu sua mão em minha direção. Segurei e ela me puxou colocando-me de pé. Os gritos e aplausos tomaram conta da praça. Olhei em volta e não vi Morte no meio dos jogadores. Senti a mão dela sobre meu ombro direito.

— Você é a segunda pessoa a me pressionar o bastante para eu usar a habilidade dessa espada! — ela disse batendo a esquerda no cabo da espada.

— O-obrigado... eu acho — disse meio sem graça.

Senti um leve soco no meu ombro direito, e ao olhar, Philia estava ao meu lado com um sorriso no rosto. — Foi quase hein? — ela disse enquanto ria.

— Sim... — disse o galã loiro parando ao lado de Alice. — Você está ficando mole, Alice! — ele disse olhando para o rosto levemente suado de Alice.

— Bem, chega disso! — disse Alice batendo as mãos. — Venham. Vamos tomar café da manhã.

(...)

A taverna estava barulhenta. Conversas paralelas se misturavam a música que um NPC que tocava no piano. Eu estava sentado em uma mesa perto do balcão com Eugeo, Philia, Alice e mais cinco jogadores.

Conversávamos sobre a ida ao salão do boss, aquela torre branca no fim do vale. Nós não iremos lutar, vamos apenas observar; procurar por pontos fracos que pudessem ser explorados, Alice enfatizou isso várias vezes durante o café da manhã.

— Alice, por favor! Temos que aproveitar o momento! — disse um dos jogadores sentados à mesa conosco. Ele era alto e magro, sua arma era provavelmente um arco e flecha, já que havia uma aljava em suas costas. Cabelos vermelhos e olhos castanhos claros. — Dragões são criaturas noturnas! Se atacarmos agora ele não terá chance!

— Quantas vezes terei que dizer?! — disse Alice já cansada dessa conversa. Ela estava levemente irritada. — Mesmo ele sendo uma criatura noturna, isso não significa que ele não irá reagir se atacarmos!

— Esse não é o problema — disse Eugeo, o galã. Ele também estava de saco cheio disso. — Mesmo se ele não atacar, ou mesmo se nós atacarmos, quem garante que o sistema da Hollow Area vai contar isso como vitória?

— O que quer dizer? — perguntou o jogador ruivo.

— Se matarmos o boss enquanto ele dorme– se é que ele está dormindo... não temos certeza se ele vai mesmo morrer, ou se nossa vitória vai valer. Por isso temos que ir a noite, que é quando temos certeza que ele vai morrer–

— Certeza?! — questionou o um jogador ao lado de Eugeo. Cabelos verdes, olhos azuis e voz rachada. — Entre os jogadores presos aqui na Hollow Area, apenas vinte podem lutar. Os outros são ferreiros, cozinheiros ou tem medo de morrer!

— Vinte e dois — disse Alice olhando para mim e Philia.

— Dois a mais não muda o fato de que somos poucos! — disse o jogador de cabelo verde. — As batalhas em Aincrad têm entre quarenta a sessenta jogadores lutando. Mesmo sendo fortes, esse dois não vão fazer muita diferença.

— Eu tenho uma ideia — disse levantando a mão. Os outros pararam de discutir e olharam para mim. — Em vez de um grupo grande de... quatro ou cinco jogadores; já que é apenas para observar, eu e mais um iremos — ao ouvirem minhas palavras, alguns levantaram uma sobrancelha, outros franziram a testa, e outros apenas me encararam calados com um olhar de "quem você acha que é?! Acabou de chegar e já está se achando!".

— Eu vou com ele — disse o galã loiro. — Se ele for sozinho, pode trazer informações repedidas. — ouvi Alice suspirar.

— Certo — ela disse seriamente. — Mas tomem cuidado.

— Tomaremos — disse Eugeo.

Depois do café da manhã, eu e o galã fomos comprar algumas poções e equipamentos para mim, já que tirando a espada que consegui do Death Training, todo meu equipamento estava avariado. Comprei um peitoral de aço, ombreiras de ferro, alguns equipamentos de couro. Eugeo comprou poções e alguns mantimentos, já que aparentemente chegaríamos a torre branca quase na hora do almoço.

— Está pronto? — ele perguntou depois de fechar o menu.

— Sim, vamos — disse depois de conferir o equipamento.

(...)

Saímos pelo portão norte de Rulid. A torre branca ficava ao norte, e um pouco longe, e no caminho nós lutamos contra alguns monstros. A maioria deles eram pequenos dragões com pouco mais de um metro, voadores e terrestres; mas não cuspiam fogo.

Acabamos parando na beira de um rio para almoçar. Ele havia comprado alguns pedaços de torta e refrescos, e depois de um tempo nós estávamos andando novamente.

— Já estamos chegando? — perguntei.

— Sim, quase! Já é a terceira vez que você pergunta isso — disse o galã se virando e depois voltando a olhar para frente. Andávamos por uma trilha no meio de uma floresta fechada. Olhando para cima, não podíamos ver o céu, pois as copas das árvores o cobriam.

— Posso fazer uma pergunta? — disse tentando cortar o silêncio.

— Sim, já estamos chegando — ele respondeu num suspiro.

— N-não era isso...

— Bem, então pode.

— Você e Alice são próximos?

— Ah, então era isso? — ele disso sorrindo um pouco envergonhado. — Bem... nós somos irmãos.

— Ah... entendi.

— Não somos muito parecidos, não é?

— Bem–

— Espere! — ele disse levantando a mão para que parássemos de andar.

— O que foi?

— Cuidad–! — ele disse sacando sua espada. Girando seu corpo para direita enquanto desferia um golpe vertical, ele cortou ao meio um dragão de pouco mais de um metro de altura.

Saquei minha espada e ficamos de costas um para o outro. De repente algo segurou o pé esquerdo de Eugeo e ele foi puxado mata adentro — Eugeo! — gritei.

Corri tentando segui-lo, mas meu pé escorregou em algum musgo e rolei morro abaixo – eu nem sabia que estávamos sobre um morro. Depois de capotar por alguns poucos minutos, senti meu corpo bater fortemente contra um chão de pedra.

Me levantei. Eu estava no que parecia ser uma grande arena de pedra branca circular. Olhando em volta, havia algumas colunas espalhadas pelas extremidades do local. — Onde eu... — parei de falar ao ouvir um som de... bater e asas?! Um mine boss?!

Corri e me escondi atrás de uma vasta coluna. Vi a sombra da criatura passar pelo lugar que eu estava. Era grande, muito grande. Uns vinte metros de altura talvez.

Senti o enorme corpo da criatura cair pesadamente sobre o chão de pedra. Ouvi ela inspirando e logo depois soltando o ar. Ouvi um momento de silêncio que foi cortado abruptamente.

"Eu sinto seu cheiro. Eu sinto seu ar. Ouso sua respiração."

O que?! Ele... ele falou?! — "Onde você está?" — sua voz era potente e fazia meu corpo tremer e meus ouvidos vibrarem com o grave de sua voz. — "Vamos, não seja tímido. Venha para luz!" — olhei em volta e não vi nenhum lugar capaz de me esconder. Que droga! Acho que não tenho escolha.

"Ah! Aí está você" — ele disse ao me ver saindo de trás da coluna.

— Eu não vim para lutar — disse tentando manter a calma. — Caí aqui por acidente.

Ele aproximou sua enorme cabeça para mais perto de mim. E o vendo mais de perto, posso sem duvida dizer que ele é imenso em todos os sentidos possíveis da palavra. Um dragão com escamas alaranjadas. Espinhos atrás de sua cabeça, que faziam lembrar uma coroa. Azas enormes presas as suas enormes patas dianteiras.

"Não precisa ficar tão nervoso. Se eu quisesse lhe matar, eu já teria o feito".

— Isso é... reconfortante... — agora prestando um pouco mais de atenção, posso ver seu nome acima de sua cabeça. <Smaug>. — O que você é?

"Sou o primeiro boss da Hollow Area" — é isso que vamos ter que enfrentar?!

— O-o primeiro...? — disse engolindo seco. — Espere, você pode falar assim tão livremente comigo? E como pode fazer isso? Algum tipo de IA?

"A Hollow Area, assim como Aincrad, é regida, controlada e supervisionada por um único e gigantesco sistema, o Sistema Cardinal..." — ele começou a explicar. — "Desenhado para operar sem intervenção humana. Ele regula e balanceia SAO e a Hollow Area de acordo com o que acha melhor. Desde monstros e inteligência artificial dos NPC's, até as taxas em itens e dinheiro. Tudo é controlado pelos processos que o programa executa..."

— Todos os boses são como você?

"Não, apenas eu e mais um. Mas não direi qual, embora seja fácil adivinhar" — ele disse.

— Por que está me dizendo isso?

"Não tenho ninguém para conversar" — ele deu de ombros. — "Mas nosso tempo está acabando. Se quiser perguntar alguma coisa a hora é agora."

— O que é a Hollow Area e como posso voltar para Aincrad?

"Oh, você é bem direto. O Sistema Cardinal tem um sistema que governa as missões automaticamente independente do controle do GM. Pela rede, ele reúne informações sobre tradições e lendas do mundo, e usa ou rearranja os termos dos padrões das histórias para gerar uma quantidade infinita de missões. Ou seja, tudo isso foi gerado pelo Sistema Cardinal. Sobre como voltar para Aincrad, você precisa concluir as especificações da Missão do Retorno."

— Vencendo os outros boses.

"Sim."

— Quantos são?

"Cinco contando comigo. Mas não sei quem, ou o que eles são."

— Cinco...

"Nosso tempo acabou. Tenho que voltar para torre antes que o Sistema Cardinal perceba que estou fazendo algo fora da minha programação. Da próxima vez que nós nos virmos seremos inimigos, mas até lá, diga-me seu nome."

— Aidan. Meu nome é Aidan.

"Aidan. Foi um prazer conversar com você mesmo que tenha sido quase um monologo." — ele então afastou sua enorme cabeça. Pude ver algum tipo de buraco sob seu ombro esquerdo – se é que aquilo era um ombro. — "Adeus Aidan" — ele disse antes de se virar. Ele então saltou enquanto batia as asas e assim alçou voou em direção à torre branca.

— Como vamos vencer um boss com uma IA tão avançada?

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