Elfos de Lindon - Parte II
20 de março de 2025/ Hollow Area, Lindon
>Ponto de vista do Aidan<
Lindon é uma vila muito maior que Brii, mas é muito parecida com Rulid. Depois de escoltarmos Quinella até aqui, Eugeo enviou uma mensagem para Alice com a localização da vila, pois o chefe da vila e pai de Quinella, Klaus, desejava fazer uma festa para nos agradecer por ter salvado sua filha.
Uma coisa interessante sobre Lindon é que todos os NPCs com exceção de Quinella são elfos, entretanto ela que é uma meia-élfa. Sua mãe morreu no ataque do Lich King, há um mês.
Depois de dar uma volta pela cidade junto com Eugeo, Lira, Tenji e Philia, nós ficamos esperando os outros fora da vila. Estávamos sentados na grama sob a sombra de uma grande árvore, bem, eu estou deitado.
— O que vocês acham? — perguntou Tenji.
— Seja mais específico — disse Eugeo. Ele estava sentado com as costas escoradas no tronco da árvore.
— Sobre essa quest... — Tenji respondeu pensativo. — Acham que isso nos levará até o boss?
— Acho que sim... isso tudo é muito específico, sabe? — disse Lira. — Obviamente entramos nesta quest assim que chegamos a este território.
— Talvez a própria Hollow Area seja uma grande quest... — disse. — É provável que estamos nessa quest desde o momento que chagamos aqui. Smaug disse que enfrentaríamos mais quatro chefões antes de sair da Hollow Area.
— Aidan tem razão — disse Eugeo. — O dragão também disse que enfrentaríamos mais um boss com IA avançada. Estamos apenas sendo manipulados — ele rosnou.
— Pensar nisso vai apenas nos deixar mais frustrados — disse. — Por hora vamos apenas seguir o roteiro que o Cardinal preparou para nós... — suspirei.
— Eles chegaram — disse Philia se levantado. Me sentei e olhei para a saída do túnel. Nosso grupo caminhava para fora do túnel com Alice vindo na frente deles.
Depois de uns cinco minutos Alice e os outros finalmente nos alcançaram. Enquanto caminhávamos para Lindon explicamos tudo que havia acontecido, Alice ouviu tudo em silêncio mantendo um semblante sério o tempo todo. E ao chegar à vila os elfos nos receberam com aplausos animados. Quinella veio até nós e nos guiou até a casa de seu pai, bem apenas eu, Philia, Eugeo, Tenji, Lira e Alice; os outros ficaram na festa que os elfos haviam preparado.
Na casa do pai de Quinella, Klaus, fomos até uma grande mesa de jantar e nos sentamos lá.
— Bem... — o elfo começou a falar. — Mais uma vez gostaria de lhes agradecer por salvarem minha amada filha. Tenho uma dívida eterna com vocês — ele curvou a cabeça. — Se eu puder fazer algo para lhes agradecer... farei tudo o que puder — ele levantou a cabeça e nos encarou.
— Nós precisamos de sua ajuda — disse Alice. — Nós queremos voltar para casa, mas não sabemos como.
— Vocês não são de Brii? — ele questionou erguendo uma sobrancelha.
— Viemos de uma vila depois das montanhas a nordeste daqui — Alice respondeu.
— De Rulid?! — ele quase gritou surpreso. — Mas como conseguiram passar pelo grande dragão?!
— Nós o matamos — disse Eugeo fazendo Klaus ficar boquiaberto.
— Não foi uma luta fácil — disse Alice. — Perdemos muitos de amigos naquela batalha.
— Mas... se vocês mataram o dragão, por que simplesmente não voltam para Rulid? — o elfo pergunta mais uma vez. A curiosidade brilhava em seus olhos. — Espere... não me diga que vocês...
— Nós viemos de Aincrad — disse. — Não sabemos como, nem por que estamos aqui. Nosso único objetivo é voltar para casa! — melhor ocultar que tudo isso é um jogo.
— Neste caso sua jornada será muito mais difícil... — o elfo disse num tom melancólico. — Só existe um jeito de vocês retornarem, que é crafitando um item chave que é guardado por três chefes espalhados pelo mundo.
— Três... — suspirei.
— O senhor tem a localização deles? — questionou Alice.
— Sim, mas de apenas um — ele respondeu. — Mas antes, digam-me, vocês tem certeza que querem passar por tais coisas?
Nós nos entre olhamos. De fato a batalha contra Smaug foi difícil e quase morremos, mas chegamos tão longe apenas para desistir?
— Sim! — Alice respondeu com confiante.
— Ela fala por todos vocês?
— Sim! — respondemos ao mesmo tempo.
— Vocês tem coragem, admito — ele disse aparentemente orgulhoso. — Então nós os ajudaremos. Nas batalhas, na forja de armas, no que precisarem! Nós estamos cansados de viver sob o domínio desses monstros.
— Obrigada — Alice curvou a cabeça, assim como nós.
— Não, sou eu que agradeço — ele disse feliz. — Parece que o destino uniu nossos caminhos.
— Então que seja uma parceria duradoura — disse Alice estendendo a mão direita para ele com um sorriso orgulhoso no rosto.
— Sim! — ele apertou a mão dela. — Então que seja! Vamos festejar nossa união... e as batalhas que logo chegarão!
Ele então nos guiou até a porta para nos juntarmos a festa. Enquanto passávamos pelos vários elfos amontoados na frente da casa de Klaus, Alice segurou meu braço.
— Aidan... precisamos conversar — ela disse seriamente.
(...)
Enquanto todos festejavam perto da casa de Klaus, Alice e eu caminhamos em silencio até a parte mais deserta da vila. Nos sentamos num banco que ficava sob a sombra de uma arvore em uma rua. Ela permaneceu em silêncio todo o caminho... isso está me deixando louco!
— Aidan — ela finalmente quebrou o silêncio.
— S-Sim! — disse nervoso.
— Sabe, eu achei que fossemos amigos! — ela disse irritada. — E amigos não aguardam segredos que podem nos matar.
— Mas... do quê está falando?
— Da Strea, Aidan. Sua amiga IA que lhe deu informações sobre boa parte das dungeons que você explorou! — ela está mesmo irritada...
— Por que acha que ela é uma IA?
— Ela não tem um cursor sobre a cabeça, age de forma imprevisível, chama os NPCs de NPCs, sabe sobre o Sistema Cardinal, e sabe que estamos presos num jogo a dois anos.
— Como acha que eu deveria contar isso? "Olha, essa é uma IA que do nada veio conversar comigo enquanto eu estava numa dungeon e vem me dado informações sobre esse território da Hollow Area".
— Bem... — ele fez beicinho enquanto encarava o chão. — Falando assim até parece besteira... mas e se ela for um mine boss ou algo assim?! Você estava nos colocando em risco mantendo uma informação como esta em segredo!
— Eu sei, eu sei. Me desculpe por isso. Eu ia contar... — desviei o olhar enquanto coçava o cabelo. — Mas não agora...
— Francamente... — ela bufou. — Mas então, o que acha dessa situação? Podemos mesmo aceitar a ajuda dos elfos?
— N-Não vejo motivos para não aceitarmos... — ela mudou de assunto bem rápido... — Com eles do nosso lado talvez as coisas fiquem mais fáceis.
— Ou mais difíceis — ela voltou a falar num tom sério. — Se a missão está nos dando reforço, é porquê os chefes a partir daqui serão muito fortes.
— Ou ainda somos fracos demais para os padrões da Hollow Area... — disse.
(...)
Depois da festa todos nós nos organizamos em vários grupos para explorar a área. Passamos o resto do dia nisso, e ao voltar para a vila umas 18 horas, o ícone de repente saltou em meu campo de visão. Uma mensagem da Strea. Eu então cliquei em [abrir mensagem].
"Preciso falar com você!", estava escrito. Talvez fosse melhor apenas ignora-la, meu contato com ela quase causou uma briga entre Alice e eu... "É sobre o chefe. Eu sei o que é e onde está!", ela completou enviando mais uma mensagem.
— Ahrf... — suspirei. "Está bem. Onde te encontro?", digitei.
"Estou do lado de fora de Lindon. Há cinquenta metros da entrada principal", ela respondeu.
— Certo... então vamos lá... — comecei a caminhar até a entrada principal da vila tentando não parecer suspeito.
— Onde vai? — ouvi a voz de Eugeo.
— Ah, eu... — ah, merda! O que vou responder?! — Vou... dar mais uma olhada na área... — que desculpa ruim!
— Hmm... — ele me encarou desconfiado. — Não vá muito longe. Você sabe que é perigoso a noite.
— C-Certo...
Ele então se virou e seguiu com os outros até a taverna. Meus ombros relaxaram e um suspiro de alivio deixou minha boca. Não acredito que ele caiu nessa...
Eu então comecei a caminhar até a entrada principal. Ao chegar lá olhei em volta e vi Strea sob uma arvore com mais alguém, aparentemente uma garota. Respirei fundo e segui até lá. A baixa luminosidade do fim do dia não ajudava a descobrir quem estava ao lado de Strea, que ao perceber eu me aproximando ergueu o braço esquerdo e acenou animadamente. E ao me aproximar o suficiente percebi que quem estava ao lado de Strea... era a Alice usando sua elegante armadura prateada.
— O que está fazendo aqui?! — perguntei a Alice.
— Pelos boss — ela respondeu friamente.
— Não seria seguro se fossemos apenas eu e você, Aidan — disse Strea. — Bem, vamos logo — ela disse caminhando na frente. Alice e eu nos encaramos por alguns segundos e seguimos atrás dela.
(...)
A luz prata da lua iluminava nosso caminho com facilidade, já que esta noite a lua está cheia. Nós caminhávamos pela vasta planície com poucas árvores em fila. Strea na frente, depois Alice e por último eu. Acho que Alice está irritada comigo, ela não disse nenhuma palavra desde que saímos de Lindon, o que já faz um tempo.
A nossa frente estavam algumas montanhas pequenas, que são muito menores que a cadeia de montanhas na qual ficam as Catacumbas Horrendas, com cerca de menos da metade do tamanho, já que se eu olhar para direita posso ver a enorme cadeia de montanhas.
— Já estamos chegando? — perguntei.
— Está vendo aquelas montanhas a nossa frente? É ali — Strea respondeu. — Mas não se preocupe, não vamos enfrenta-lo.
— Claro que não! — resmunguei. — Estamos em três. Precisaríamos de no mínimo uns vinte jogadores para fazer uma raid.
— Certo, certo — ela suspirou.
Continuamos caminhando em silêncio por mais alguns minutos. Ao chegar lá a entrada da dungeon era igual as Catacumbas Horrendas, entretanto não havia uma longa escadaria, apenas alguns poucos degraus. Strea começou a subir as escadas, Alice e eu nos entre olhamos e seguimos atrás dela.
Strea então abriu o menu e retirou de seu depósito de itens uma espada longa de duas mãos, a ponta da lâmina formava um arco. A espada era quase do tamanho dela com bordas prateadas. Mas aparentemente os status de <força> dela são bem elevados, já que ela consegue segurar a espada com apenas uma mão.
Depois de subirmos as escadas nos deparamos com um longo corredor muito semelhante ao das Catacumbas Horrendas, mas as tochas deste tinham chamas azuladas. A uns trinta metros da entrada estava uma grande porta dupla com quase o mesmo tamanho do corredor, que por sua vez tinha uns 15 metros de largura e 20 de altura.
Ao nos aproximarmos da grande porta percebi vários desenhos em alto relevo entalhados nela. Desenhos de uma criatura semelhante a grande lobo devorando um grupo de humanos e elfos.
— Vocês estão prontos? — Strea perguntou seriamente.
— Sim... — disse desembainhando minha espada, assim como Alice.
Strea respirou fundo e colocou sua mão direita sobre uma das portas e facilmente as abriu. Um vento frio soprou lá de dentro fazendo a luz das tochas oscilar. Chamas azuis se acenderam no chão seguindo um fluxo espiral. Uma silhueta animalesca com duas vezes o tamanho de uma árvore surgiu na escuridão. Seus olhos vermelhos se acenderam. A luz das chamas na sala finalmente ficou forte o bastante para iluminar claramente o próximo boss. Um grande lobo negro; <Fenrir>, seu nome surgiu acima de sua cabeça junto com 4 barras de vida.
— Ah, merda... — balbuciei.
O grande lobo então rugiu causando um efeito de atordoamento em mim, me fazendo cair de joelhos. Olhei para o lado e vi Alice caída de joelhos também. Ferir então explodiu em uma fumaça negra, que veio voando em nossa direção e rapidamente nos alcançou, se materializando em forma de lobo de novo. Sua enorme boca então se abriu vindo em nossa direção. Senti algo me segurando pelo braço esquerdo, era Strea. Ela saltou para trás levando eu e Alice.
A investida de Fenrir por pouco não nos matou e durante sua investida sua cabeça saiu passou pelas portas do salão do até o corredor. Se não fosse por Strea estaríamos mortos agora.
O grande lobo então recolheu sua cabeça de volta para a sala enquanto nos encarava rosnando. As portas então começaram a se fechar. Nunca senti isso antes. Vi minha vida passar diante dos meus olhos...— Então é isso que teremos que enfrentar? — questionei. As postas então se fecharam tapando a visão do boss e nossa coragem.
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