As Catacumbas Horrendas
>Ponto de vista do Aidan<
A taverna estava agitada. Um mês se havia se passado desde nossa batalha contra o primeiro boss da Hollow Area, Smaug. Todos discutiam entre si nossa situação atual de não conseguir encontrar o próximo chefão, e isso está frustrando todos.
O mapa que recebemos como uma das recompensas de Smaug foi um mapa da próxima área. Uma área que em sua maioria é composta por uma grande floresta e muitas montanhas, onde várias das dungeons ficam. Entretanto, o nosso mapa só corresponde a 1/4 de todo que já exploramos até agora. A cada nova dungeon que encontramos uma nova parte do mapa é atualizada, mas parece que isso nunca acaba...
— Tch, eu digo e repito! Estamos presos aqui para sempre! — um dos jogadores urrou ao bater o caneco de cerveja contra a mesa de madeira enquanto se levantava. — Este lugar é um bug, não tem como sairmos!
São apenas 14 horas e ele já está bêbado... mas ele tem um ponto. Parece que esse lugar não tem fim.
— Alguém devia fazer alguma coisa... — murmurou Philia ao meu lado. Ela está usando um moletom azul com uma blusa por baixo, uma saia amarela na altura dos joelhos e sapatos brsncos.
uma camisa preta e uma meia jaqueta cinza; um short preto que vai até suas coxas e botas de couro marrons.
Estávamos sentados numa grande mesa retangular próximos a porta. Eugeo e Alice estão sentados na nossa frente. Mais para esquerda estão mais quatro outros jogadores.
— É... alguém, né? — Eugeo deu de ombros enquanto levava sua caneca até a boca ele olhou para mim com um olhar provocativo. Ele está usando uma túnica azul claro com textura irregular, fios costurados à mão em punhos e um corte em forma de V no peito, amarrado com um cordão marrom claro.
— É... alguém como nosso visse líder, por exemplo — resmunguei chutando a canela do galã loiro, que me encarou com seus grande olhos verdes esmeralda.
— Francamente... — suspirou Alice, a líder de toda guilda. — Já chega! Sente-se no seu lugar e pare de falar idiotices! — ela urrou. O jogador rapidamente se calou e relutantemente se sentou. Alice se sentou em silêncio e voltou a comer seu almoço.
Ela está usando seu clássico vestido azul. Seus longos cabelos dourados amarrados em uma trança descendo da parte de trás de sua cabeça. Ela também usava uma renda branca em volta da testa.
— Mas ele está um pouco certo — disse Philia. — Já faz um mês que estamos mapeando e parece que o território só aumenta.
— Provavelmente precisamos desbloquear uma quest secreta para encontrar o salão do boss... — Alice falou pensativa.
— Talvez eu encontre algo na próxima dungeon — disse. — Aparentemente só falta ela das novas que encontramos. Depois que a limpar e pegar próximo mapa, talvez o salão apareça na área seguinte.
— Tem um "se" gigantesco aí — disse Eugeo. — Quem mais vai com você?
— Por enquanto só eu. Vou recrutar depois do almoço.
— Eu vou com você — disse Philia. — Eugeo, você vem também?
— Ahn?! — ele ficou vermelho. — Claro, por que não?
— Hm! — sorri maliciosamente.
— O quê foi? — ele questionou levemente irritado.
— Eu não disse nada... — dei de ombros ainda sorrindo. Uma veia pulsou em sua testa e acho que o vi tentar se levantar, mas Alice o cutucou com o cotovelo fazendo-o desistir; ele apenas bufou em silêncio.
Ao fim do almoço chamei mais dois jogadores para o grupo, formando assim cinco membros na party. Segui para a pousada e subi as escadas do pequeno saguão até meu quarto.
Ao entrar caminhei até a cama e deslizei os dedos indicador e médio no ar desenhando um G e cliquei no centro do desenho, abrindo assim o novo menu, que fora atualizado assim que adentramos o novo território. Estatísticas, depósito de itens, personagem, amigos e mapa; essas eram as opções disponíveis. Cliquei em [depósito de itens] e equipei minha malha de couro de dragão, um peitoral de aço, uma manopla para mão esquerda, luvas, e minha espada, [Lâmina do Abismo], que dropou do mine boss Perseguidor da Morte. Ao equipar tudo me levantei enquanto me espreguiçava caminhei de volta até a porta.
Andei pelo corredor até as escadas e as desci. Passei pelo saguão e fui em direção a porta. Um vento frio soprou levantando as folhas caídas no chão e levando-as ao céu. Aincrad flutuava acima de nós. O grande castelo que aprisiona 4000 jogadores. Com um suspiro comecei a caminhar até a praça, onde o grupo de incursão me esperava.
Brii é uma vila um pouco menor que Rulid. Fica localizada numa vasta planície com poucas árvores. Ao norte fica a entrada para a vasta floresta na qual passamos o mês explorando, ao sul fica uma plantação de trigo, a leste uma cadeia de altas montanhas e a oeste um grande lago.
Enquanto caminhava pelas ruas de Brii eu observava os NPCs viverem suas vidas cotidianas. Alguns caminhavam até a taverna, outros abriam suas lojas, alguns conversavam entre si. É incrível como eles agem tão naturalmente... me pergunto como as Ias estarão daqui a algum tempo...
De repente o ícone de mensagens saltou em meu campo de visão. Parei de caminhar e cliquei em [abrir mensagem], era uma mensagem de alguém que não gosto de conversar. Um suspiro deixou meus lábios enquanto eu a lia.
"Precisamos conversar, me encontre no lugar de sempre no mesmo horário", estava escrito.
— Eu tenho mais o que fazer... — suspirei. Mas se ela está chamando, então deve ser algo importante. Fechei a janela de mensagem e caminhei em direção a praça.
Ao chegar lá, vi o grupo. Eugeo e Philia conversavam com os outros dois membros, Tenji, usuário lança. Cabelos castanhos escuros e vestido em uma malha de couro de dragão; e Lira, usuária de florete. Seus cabelos loiros balançavam ao vento enquanto sua armadura prateada brilhava sob o sol.
Eugeo usava sua armadura elegante branca azulada e prateada com uma capa azul. Philia usa um casaco azul sobre um top tubular que tem vários tons de azul, uma proteção de braço em seu braço direito, shorts pretos que mostram a coxa e mais pretas na altura da coxa. Ela tem pendendo do lado esquerdo de seu cinto espada curta chamada [Sword Breaker], que é dentada de um lado da lâmina e rata do outro.
— Cheguei — disse ao me aproximar.
— Na hora certa — disse Tenji.
— Para onde vamos? — questionou Lira.
— Conto no caminho — respondi.
(...)
Caminhávamos em fila pela trilha que seguia pela floresta até as montanhas. Agora são 15h15min. Tenji seguia na frente junto comigo. Philia e Lira vinham no meio e Eugeo na retaguarda. Já fazia algum tempo que havíamos saído de Brii.
Nós estamos indo rumo a uma dungeon nas montanhas, encontrei esse lugar dois dias atrás. Não fui muito fundo, é perigoso seguir sozinho por um lugar desconhecido, mas pelo pouco que vi àquele lugar é perigoso.
Abri o menu e deslizei meu dedo indicador pela interface até a opção [mapa], ao clicar nela a janela do mapa surgiu por cima da janela do menu. — Estamos perto — disse. — Só mais alguns metros.
— Vamos precisar escalar a montanha? — questionou Tenji.
— Não. A entrada fica na base dela — respondi enquanto clicava no [X] no canto superior direito na janela do mapa, fechando-a.
— Que bom... — ele suspirou aparentemente aliviado.
— Ei, o quê é isso? Não me diga que tem medo de altura? — o galã loiro zombou.
— Não vem com essa, loirinho! — Tenji rosnou. — Dano por queda é fatal dependendo da altura. E pelo que vi no mapa essa montanha tem mais que oitenta metros!
— Sem contar que esse território têm muitos wyverns — disse Lira — Lutar contra um deles já é problemático em terra, quem dirá num terreno alto e irregular como uma trilha na montanha...
— Entendi, entendi... vocês não têm senso de humor... — Eugeo suspirou.
Continuamos andando por mais algum tempo até finalmente chegar até a entrada da dungeon. Parecia um templo grego esculpido na base da montanha. Vinhas tomavam suas colunas e se elevavam até o teto, que ficava a uns vinte metros do chão.
Dei o primeiro passo e comecei a subir a escadaria até a grande porta que devia ter uns dez metros de altura e quinze de largura.
Ao pisar no piso frio e empoeirado do templo as tochas fixadas às paredes de pedra se ascenderam. Nos entre olhamos apreensivos. Encarei o corredor sinistro novamente e desembainhei minha espada da bainha em minha cintura. Eugeo, Lira e Philia fizeram o mesmo e começamos a caminhar para dentro da dungeon.
Assim que andamos quinze metros no corredor a mensagem do sistema surgiu flutuando em meu campo de visão, <Welcome To The Horrendous Catacombs>. Abri o menu novamente e cliquei na opção [mapa] mais uma vez, cliquei em [gerar novo mapa]. A janela do mine mapa apareceu por cima da janela do menu e começou a registrar por onde havíamos passado. Eu então cliquei no [-] no canto superior direito, minimizando o mine mapa.
Hollow Area, Vila Brii
>Ponto de vista da Alice<
Eu observava o mapa do território tentando encontrar alguma justificativa para ainda não termos encontrado o salão do boss. Eu estava na taverna sentada na mesma mesa em que almocei mais cedo. Passei a manhã inteira andando por aí atrás do salão do boss, mas talvez precisemos mesmo desbloquear uma quest secreta para chegar até ele... nos primeiros andares de Aincrad teve aquela quest dos elfos que se estendeu até o 9° andar, então pode ser algo semelhante aqui também. Mas parece que quanto mais exploramos, mais áreas do território aparecem... se isso continuar assim nunca sairemos daqui.
— Alice — uma voz masculina, porem ainda rachada me chamou. Levantei o rosto e vi um garoto cabelos verdes e equipado com uma malha de couro, calça preta e botas marrons e uma espada média pendia em seu cinto. — Eu trouxe os dados do nosso mapa — ele parecia ofegante.
— Ah, sim obrigada — sorri para ele, deixando-o corado. Ele rapidamente abriu o menu e transferiu os dados do mapa da área que ele e seu grupo exploraram. Abri o menu também e anexei seu mapa de área ao mapa do território. Só haviam mais florestas e dungeons nele. Um suspiro desgostoso deixou meus lábios. — Mais uma vez nada foi encontrado...
— Sim... sinto muito — ele suspirou.
— Não tem problema — forcei um sorriso. Eu então reparei que ele estava sozinho. — Onde estão os outros membros da guilda?
— Eles me enviaram na frente. A esta hora já devem estar quase chegando.
— Entendi. Bem, obrigada pelo esforço — ele sorriu e caminhou em direção ao balcão, o garçom NPC o atendeu.
Voltei meu olhar para o mapa do território. Com essa área explorada, agora só falta a área que Aidan foi...
Hollow Area, Catacumbas Horrendas
>Ponto de vista do Aidan<
Me impulsionei para frente e golpeei verticalmente a criatura em minha frente, o <Cursed LV.32>. Seu corpo era humanoide. Usava uma armadura de couro e sua arma era um talwar. Acima de sua cabeça flutuava sua barra de vida, que já havia caído mais da metade.
Estamos na parte mais baixa das Catacumbas Horrendas. Como a entrada da dungeon fica na base da montanha achei que subiríamos, mas estamos descendo cada vez mais. Corredores lotados de salas, armadilhas e monstros foi tudo que encontramos.
Meu golpe o acertou o <Cursed> em cheio cortando-o verticalmente. Ele foi jogado para trás enquanto seu corpo explodia em polígonos brilhantes. Uma janela flutuante apareceu em minha frente, <You Defeated The Damned. +150 XP, +50 Gold>.
Olhei em volta e vi os outros finalizando seus oponentes. Philia e Lira "trocaram" e ativaram suas habilidades de espada, Lira golpeou uma serie de estocadas contra o mostro que lutava contra Philia, e Philia fez uma finta enquanto também ativava uma habilidade, ambos os monstros explodiram em polígonos brilhantes.
Eugeo usou a [Vertical Square]. Sua espada brilhou em azul e ele desferiu quatro golpes contra o <Cursed>, golpeando horizontalmente sua barriga enquanto passava por ele. Depois fez uma finta e golpeou horizontalmente mais uma vez. O <Cursed> girou seu corpo para trás e golpeou diagonalmente. Eugeo fez mais uma finta e desferiu o terceiro golpe da habilidade para bloquear o golpe do <Cursed>. Eugeo então desferiu um golpe vertical contra a cabaça do monstro, que explodiu em polígonos brilhantes.
— Parece que limpamos essa área... — Tenji suspirou enquanto se apoiava em sua lança.
— Ainda falta muito para chegarmos a sala do chefe? — perguntou Philia ofegante.
— Como eu vou saber? A cada área que passamos, mais uma aparece — arfei ofegante.
— Vamos fazer uma pausa — disse Eugeo. — Temos cerca de vinte minutos até os monstros renascerem — assenti com a cabeça. Todos pareceram gostar da ideia do galã loiro e se sentaram.
Escorei minhas costas na parede e deslizei até o chão e sentei. Encarei uma das tochas fixadas a parede enquanto meus ombros relaxaram. Eugeo então caminhou em minha direção e... se sentou ao meu lado? Ué? Mais como assim?!
— O que foi? — ele perguntou enquanto ajeitava as costas na parede.
— Nada... — olhei para outro canto do corredor. Philia, Lira e Tenji estavam sentados no chão com as costas encostadas na outra parede.
— Quanto será que falta para acabar? — ele perguntou enquanto abria o menu.
— Não sei... mas acho que estamos perto da sala do chefe. Percebeu que os monstros estão aparecendo cada vez mais em um numero maior?
— Sim... — ele suspirou. — Deve haver algum item de invocação com o chefe, ou o loot muito bom.
— Espero que tenha um mapa lá... não aguento mais essa rotina de speed run... — resmunguei.
— Há há há... verdade. Acho que consigo sentir minhas costas doerem... — ele se espreguiçou enquanto ria. Essa é a primeira vez que conversamos assim, é até estranho...
— Ah, só pode ser brincadeira! — ouvi Tenji reclamando. Ao olhar para frente vi uma luz branca circular emergir do chão, essa luz aparece quando os monstros então renascendo.
— Não passaram nem três minutos! — bufou Lira.
Eugeo e eu nos levantamos e desembainhamos nossas espadas. — Preparem se! — gritei.
(...)
— Mas que merda... — Tenji arfou cansado. Ele havia desferido uma estocada para frente usando uma habilidade contra um esqueleto de armadura, que desapareceu numa explosão de polígonos. Já faz algum tempo que estamos nisso. Estamos cansados e ficando sem poções de cura... — Quanto nós já descemos?
— Vamos ver... — arfei. Abri o menu e cliquei em [mapa]. Encarei o mapa que estava sendo gerado por um tempo. — Nós realmente estamos bem fundo... com essa são treze camadas.
— Espero que quando abrirmos aquela porta não tenha outra escadaria... — Lira suspirou.
— Bem... minha poções de cura já terminaram — disse Philia.
— É, as minhas também — Eugeo bufou.
— Ainda tenho vinte frascos — disse. — Quem mais está sem?
— Os meus acabaram de acabar — respondeu Tenji.
— Ainda tenho dez — disse Lira.
— Bem, é melhor a gente ir, os monstros podem renascer a qualquer momento — disse Eugeo começando a andar. Nos entre olhamos e seguimos atrás dele.
A nossa frente, a mais ou menos uns cem metros, estava uma grande porta dupla. Se não fossem pelas outras doze, acharíamos que seria o salão do boss. Mas provavelmente é apenas mais uma escadaria. Agora são 18h02min, já está de noite. Se continuarmos nesse ritmo só sairemos daqui amanhã.
Um suspiro deixou meus lábios enquanto eu caminhava. Olhando para as expressões de todos, posso dizer sem duvida que estão esgotados. Em Aincrad existem as áreas seguras em dungeons, lugares onde você pode descansar um pouco antes de seguir em frente. Mas aqui... já descemos doze níveis sem parar.
Seguimos em silencio até a porta dupla que tinha quase oito metros de altura. A altura do chão até o teto tinha uns onze metros. A passos largos e apressados nós finalmente chegamos até as portas.
— Espero que tenha um boss aí atrás... — bufou Lira.
— Vamos descobrir... — disse. Olhei para Eugeo e assentimos ao com a cabeça ao mesmo tempo. Colocamos as palmas de nossas mãos na porta e empurramos com toda a força que o atributo <força> permitia.
As portas pesadas então se abriram. Um vento gelado soprou para fora causando um arrepio em minhas costas. As luzes amareladas da grande sala circular se ascenderam e o cheiro de algo podre chegou ao meu nariz.
Quando as postas se abriram por completo vimos vários cadáveres de monstros e ossos espalhados pelo chão. Pilhas e pilhas de ouro e outros tesouros espalhados por toda a sala. E sentado num trono no fim da sala estava uma criatura esquelética envolvida por um manto negro. Um cajado apoiado na parede próximo ao seu trono. O boss da dungeon, < Lich King Oroborus LV.50>.
Ele ergueu sua mão direita enquanto um grunhido agudo e animalesco saia de sua boca. < Lich King Oroborus Is Using Necromancy>, a mensagem flutuante surgiu em cima da cabeça dele. Os corpos caídos dos monstros se levantaram enquanto seus corpos eram tomados por uma energia esverdeada.
— Ah, merda! — rosnei.
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