A Dama de Ferro - Parte I
23 de junho de 2025/ Aincrad - 22 ° andar, Coral
>Ponto de vista do Nautilus<
Meus olhos se abriram vagarosamente. A luz do sol entrava pela janela e o vento balançava a cortina branca. Olhei no relógio no canto superior direito que marcava sete horas. Me espreguicei ainda deitado na cama e me sentei.
Olhei para o lado esquerdo da cama só vi os lençóis bagunçados. Me sentei colocando meus pés descalços sobre o piso de pedra e um arrepio subiu pelas minhas pernas até minha espinha. Um suspiro deixou minha boca enquanto eu me colocava de pé. Caminhei até o espelho ao lado da cama e deslizei meu dedo indicador direito verticalmente para baixo. Ouvi um som de sino agudo e a janela branca do menu surgiu na minha frente. Deslizei meus dedos pela interface e cliquei em [equipamento] e selecionei minha armadura dos Cavaleiros do Juramento de Sangue. Uma luz branca tomou meu corpo e meu pijama composto de uma camisa de manga média na cor azul claro e minha calça branca foram substituídos pelo meu equipamento de batalha.
Eu então caminhei até a porta e segui pelo corredor seguindo o delicioso cheiro que emanava da cozinha. Passei rapidamente pela sala de estar composta apenas por dois sofás com um tapete vermelho sob uma mesa de centro com um abajur sobre. Passando pela sala segui para a cozinha, que ficava separada da sala por uma parede.
A cozinha era no estilo medieval bem simples. Um fogão de pedra fixado na parede com uma chaminé que subia até o teto, uma pia também de pedra que ficava ao lado do fogão, um armário cavado na parede a esquerda, e uma mesa de madeira no centro. A janela que ficava sobre a pia estava aberta.
Yuna estava cozinhando algo cheiroso no fogão. Ela vestia uma camisa amarela de mangas compridas arregaçadas até os cotovelos, uma saia branca que descia até os joelhos e botas de couro que subiam até suas canelas. Seu cabelo curto marrom chá estava amarrado num rabo de cavalo e ela cantarolava uma música.
— Bom dia — disse entrando na cozinha.
— Bom dia! — ela cantarolou sem se virar. — Você levantou cedo.
— Tenho que buscar uma encomenda antes de ir encontrar os outros... — suspirei. Puxei uma cadeira e me sentei. Meus olhos se fixaram nela que voltara a cantarolar. — E o que está preparando? Senti o cheiro lá do quarto...
— Estou testando algumas coisas — ela respondeu concentrada. — Quer provar? — ela então finalmente virou seu rosto em minha direção. — Huff!! — ela prendeu o riso. — Nautilus, acho que esta camisa é meio... como posso dizer? Feminina...
— Hã?... — eu então olhei para minha camisa. — Hã-... o quê?! — arfei ao ver que estava vestindo uma das camisas dela, que começou a rir exageradamente alto enquanto eu abria o menu e trocava de camisa. — Acho... que você precisa prestar mais atenção nos seus itens... — ela disse entre as risadas.
— E você na panela no forno. Este cheiro não é de algo que está queimando? — sorri cinicamente.
— Meus bolinhos! — ela rapidamente se virou para o forno, equipou suas luvas de pegar coisas quentes e retirou a forma com os bolinhos queimados, colocando-a sobre a mesa. — Droga... — ela suspirou desapontada.
— Bem, nem todos queimaram... — sorri.
— É... — ela suspirou desanimada. De repente um sorriso maligno se formou em seus lábios. Ela então empurrou a forma para mim. Olhei para ela com uma sobrancelha erguida. — Eles darão um buff de força e agilidade. Por que não prova um e testa?
— N-Não está falando sério...
— Fiz vários para distribuir para os jogadores que lutarão contra o boss... mas se o buff não der certo, eu passarei vergonha — ela fez beicinho.
— Ok... certo... — hesitantemente peguei um bolinho, o levei até minha boca e o mordi. Rapidamente senti o gosto amargo da parte queimada.
— Como está? — ela apoiou as mãos na mesa e de inclinou para frente ansiosa pela minha resposta.
— E-Está bom... — tentei fazer um sorriso, mas falhei. Yuna então começou a rir e quantos caia pesadamente sobre a cadeira de madeira. — Q-Qual a graça?
— Não acredito que você caiu nessa... — ela disse entre as risadas. — Este era só seu café da manhã... — ela continuo a rir.
— Então seria uma pena desperdiça-los! — disse. Eu então rapidamente peguei quatro bolinhos e comecei a come-los.
— E-Ei, espere! Não coma isso, vai te fazer mau! — ignorando-a eu continuei a comer. — N-Nautilus!
https://youtu.be/8fX9Hwf9rhU
(...)
— Não acredito que você realmente os comeu... — disse Yuna emburrada. — Se você passar mal no meio da batalha não será culpa minha. — ela cruzou os braços e fez beicinho.
— Há, há... eu vou ficar bem — dei um empurrãozinho de leve em sem ombro.
— Se você está dizendo...
Nós caminhávamos pela rua de terra batida de Coral, o principal assentamento do solo, localizado na costa sul de um lago gigante no meio do solo. É uma vila pequena a ponto de poder até ser chamado de aldeia.
O andar consiste principalmente de várias florestas de coníferas profundas, planícies de grama e vários lagos que pontilham a paisagem. As florestas e lagos juntos ocupam a maior parte da área do solo, existindo um enorme lago, com um diâmetro de cerca de 1 km, no meio do solo e o labirinto do solo estando situado na costa norte do enorme lago. O terreno do piso é montanhoso e acidentado com diferentes áreas do piso sendo conectadas por passarelas de madeira elevadas. O piso possui uma bela vista da paisagem.
Yuna e eu caminhávamos em direção ao portal de teletransporte. Ela usava um capuz branco com uma túnica vermelha escura. No entanto, sua vestimenta principal era um vestido de uma peça em azul royal vivo com babados e fivela dourados, indicando a raridade e o alto valor de defesa de sua armadura de tecido. Sua roupa foi complementada com uma capa e alaúde brancos puros, um chapéu com penas brancas puras em sua cabeça e uma adaga em sua cintura direita. E como eu ela participará da batalha, mas como suporte.
Ela recentemente descobriu que consegue dar buffs de força, agilidade, defesa, e vários outros enquanto canta e toca. Ela descobriu isso a uma semana enquanto ensaiava em casa assim me dando um buff de força. Ela ficou muito empolgada com isso e disse que ajudaria na batalha. Eu não gosto dela nas linhas de frente, mas pelo que sabemos será uma batalha difícil, sem contar que podemos ser emboscados logo após a raid. Tê-la conosco será de grande ajuda, mas se a vida dela estiver em perigo eu não hesitarei em protegê-la ao invés dos outros.
— Nautilus? — sua voz me trouxe dos meus pensamentos. — O que foi? Você ficou calado de repente.
— Não é nada... só estava pensando — respondi tentando disfarçar minha preocupação.
Ela suspirou insatisfeita com a resposta e entrelaçou seu braço esquerdo ao meu braço direito. — Seu bobo, vai ficar tudo bem.
— Sim. Vai sim.
Aincrad - 61 ° andar, Selmburg
As ruas de Selmburg estavam cheias e animadas. Muitos dos ferreiros e vendedores de itens estavam aqui para prestar seus serviços e ajudar a vanguarda, além de ganhar alguns trocados. Yuna caminhava ao meu lado e ocasionalmente éramos parados por alguns de seus fãs, mas seguimos caminhando até a loja de Lisbeth.
Ao entrarmos esperamos um pouco e logo ela apareceu abrindo a porta atrás do balcão. Seu uniforme de ferreira se parece mais com o uniforme de uma garçonete: um top vermelho escuro com mangas bufantes e uma saia da mesma cor, combinada com um avental branco puro em cima, bem como uma fita vermelha em cima do peito.. — Oh, você veio cedo — ela disse surpresa.
— Eu vim no horário marcado... — bufei. Yuna me bateu com o cotovelo fazendo Lisbeth segurar o riso. — E-Então, terminou as espadas?
— Sim, claro! — ela disse abrindo o menu. (Descrição do menu abrindo). Duas espadas prata com pequenas "veias" verdes percorrendo a lâmina com uma leve curva na ponta da lâmina. — As batizei de Brotherhood Sword, as lâminas gêmeas.
— São lindas... — disse surpreso. — Quanto custou? — perguntei abrindo o menu.
— Você pode me pagar quando voltar da raid — ela disse sorrindo gentilmente.
— Bem... neste caso obrigado — disse estendendo minha mão direita para ela, que a segurou firmemente mantendo seu sorriso.
— Liz! — um grito ecoou vindo da oficina.
— Opa... tenho que resolver isso — ela soltou minha mão e correu até a porta.
— Essa é a... Asuka? — disse surpreso.
— S-Sim... estou fazendo alguns ajustes no equipamento dela... — ela sorriu sem graça.
— Bem... então até mais tarde... — disse coçando a cabeça.
Lisbeth assentiu e voltou correndo para oficina deixando Yuna e eu na loja. Nós nos entre olhamos em silêncio e saímos. Normalmente ela estaria lotada de clientes, ainda mais em um dia como hoje. Mas como há vários ferreiros e vendedores espalhados por Selmburg hoje ela decidiu só aqueles que haviam marcado com antecedência. Entretanto me surpreendi ao ver que ela e Asuka estão se dando bem. Fico feliz com isso.
>Ponto de vista da Lio<
Encarei meu reflexo no espelho. A luz da manhã entrava pela janela do meu quarto fazendo a cortina balançar. Encarei minha armadura verde esmeralda com um suspiro. "Será que estamos prontos? Depois que você sair desta casa não haverá mais volta", a voz em minha mente martelava. — Agora não há mais volta... — murmurei dando as costas ao meu reflexo e passei pela porta.
Caminhei pelo corredor, desci as escadas e passei pela sala até a porta.
Ao abri-la, do lado de fora Flint me esperava encostado na parede de braços cruzados. Ele virou a cabeça para esquerda e me encarou. — Não parece que você dormiu bem... — ele me cumprimentando.
— E nem você — dei de ombros e fechei a porta. Em Aincrad não precisamos trancar as portas, já que elas só podem ser abertas se o dono da casa abri-las. — Vem, todos já devem estar esperando — ele assentiu e seguiu pela rua ao meu lado.
As ruas de Selmburg estavam quase completamente vazias e enquanto caminhávamos por elas observei atentamente por algum jogador que estivesse agindo de forma estranha, mas obviamente não encontrei nada.
Flint e eu então seguimos nosso caminho até a praça do portal de teletransporte. Ao nos aproximar vi Nautilus e Yuna, que assim que nos viram acenaram para nós.
— Achei que iria convence-la a não ir... — disse para Nautilus.
— Ela é mais teimosa do que parece... — ele bufou insatisfeito.
— Ei, não fale de mim como se eu não estivesse aqui! — Yuna resmungou dando um soco no umbro dele.
— Há, há, há... — Flint riu. — Bem, de qualquer forma vai ser bom tê-la conosco. Soube que agora os bardos podem dar buffs... — ele colocou os braços na cintura. — Virá mais algum com você?
— Hoje será apenas eu, mas prometo não atrapalhar! — ela disse fitando seu olhar em mim.
— Tenho certeza que você ficará bem. Nautilus é bem... super protetor quando se trata de você — ela se virou para Nautilus com um sorriso sugestivo.
— É-É melhor nós irmos, não é? — ele disse tentando esconder suas bochechas coradas se virando para o portal.
Caminhamos para o centro da estrutura e dissemos ao mesmo tempo: "teleportar: Zuran!". Com este comando uma luz azul claro tomou nossos corpos envolvendo-nos em um pilar de luz. Ao abrir nossos olhos estávamos diante de 83 jogadores.
A vila de Zuran fica a um quilômetro e meio da torre do boss. É um vilarejo pequeno com cerca de quarenta casas. Este é simplesmente um lugar para descansar antes de seguir para a grande torre que se elevava até o piso do andar 78.
Nautilus, Yuna e Flint saíram da base de pedra do portal de teletransporte e se juntaram aos outros jogadores, que mantinham seus olhares em mim.
— Vamos nos apressar! — disse alto. Saí da estrutura do portal e passei pelos jogadores, que abriam caminho e seguiam atrás de mim.
(...)
O andar 77 consiste em várias ilhas flutuantes de interligadas por pontes de pedra e madeira. Algumas com pequenas florestas, outras com espaços a abertos na qual alguns monstros nascem.
A ilha na qual Zuran está localizada, além de ser a maior ilha também é a mesma onde está a grande torre que liga este andar ao próximo com uma floresta densa cortada por uma estrada de pedra.
A torre está localizada na extremidade sul da Ilha em uma clareira em formato de meia lua com um raio com cerca de cinquenta metros.
— É isso... chegamos — suspirou Flint.
Ao contrário das torres dos antares anteriores, esta não possui um labirinto. Ao entrarmos haverá um grande e largo corredor com uma porta dupla no fim dele. Atrás desta porta a uma sala onde o mine boss protege a entrada para a sala do boss.
Um suspiro deixou meus lábios e dei um passo a frente, indo em direção a entrada da torre.
La dentro nossos passos ecoavam. Havia um espaço de quinze metros de uma parede para a outra e vinte do chão até o teto. As tochas fixadas nas paredes com cerca de cinco metros entre uma e outra. E a nossa frente a grande porta dupla com desenhos em ato relevo de uma armadura com traços femininos empunhando uma massa. "Vai ficar tudo bem!", eu gritava para eu mesma internamente. Parei de andar e me virei para o grande grupo de jogadores.
— Pessoal... — disse tentando não transparecer meu nervosismo. — Sei que estão com medo, eu também estou. Este último mês tem sido difícil, mas não podemos pensar nisto agora! Foquem na batalha, aprendam o padrão de ataque deles e vamos mostrar quem nós somos! — gritei erguendo meu machado de duas mãos com apenas uma.
Eles urraram e gritaram enquanto alguns batiam as espadas nos escudos. Olhei para Flint, Nautilus e Yuna. Eles me fitavam com um olhar confiante. Eu então sorri e me virei para a porta dupla.
Dei dois passos para frente e coloquei minha mão esquerda sobre a porta, que facilmente se abriu fazendo um som semelhante ao de uma pedra pesada sedo arrastada pelo chão.
Nós rapidamente entramos na sala. Estava escuro... a luz que entrava pela porta parecia ser engolida pela escuridão da sala e tudo ficou silêncio.
— N-Não... está acontecendo nada... — algum dos jogadores perto de mim murmurou.
De repente passos pesados começaram a ecoar nasala junto com algo de metal sendo arrastado pelo chão. Uma a uma as tochas nasparedes circulares da sala ascenderam revelando o mine boss. Uma armaduraenferrujada e robusta com cerca de três metros de altura arrastando sua enormelança pelo piso de pedra, <Infamous Guardian>.
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