Capítulo 01

— Vamos! Empurre! — Novamente a mulher coloca força, grita e empurra. Mas a o procedimento parecia estar complicando-se.

— Vamos, minha vida! Pela nossa menina. Você consegue! — Seu marido segura a mão de sua esposa, a incentivando. Alyna novamente faz força, empurrando sua bebê.

     Seu próximo grito foi estridente. A dor de uma criança saindo de si tão brutal que a mulher alucina com uma gigantesca e gloriosa lua de sangue atrás de uma floresta em chamas. A floresta refletia nos olhos de vermelho de um homem abrindo-se em uma escuridão sem fim. Alyna teve a leve impressão de ouvir barulhos de correntes e o uivo de um lobo antes de escutar seu bebê chorar.

— Aline… — O nome menina já havia sido decidido e é a única palavra que deixa os lábios da mãe antes de ser engolida por um desmaio.

      Ela estava cansada. Foi o parto foi um procedimento complicado, mas bem sucedido. No dia seguinte, Alyna ainda dormia.

— Mamãe! — Ela teve a impressão de ouvir uma voz chamando por ela, mas quando ela se vira, algo a ataca. Tinha dentes afiados e olhos vermelhos. O rosnado feroz da fera a faz despertar e encarar o teto branco do hospital.

     Mas seu sonho ainda permanecia em sua mente. Ela ficou encarando o teto e, quando se concentra, tem a impressão de escutar um rosnado. Mas era apenas a porta do quarto sendo aberta por seu marido.

— Alguém quer te conhecer. — Ele sorri e, em seus braços e olha para seus braços, onde encontra-se uma manta branca.

     A linda bebê estava entre elas. Alyna não conteve as lágrimas ao olhar para sua filha. A criança estava acordada e se mexia, mas não havia sequer aberto seus olhos ainda. A pele delicadamente rosada e clara dava um ar de vulnerável. O calor concentrado de seu corpinho junto de sua mãe tirava sorrisos bobos.

— Aline… — Sussurra a mãe, emocionada. — Obrigada, meu amor. Por me dar esse presente.

— Eu quem agradeço, minha vida. — Ele beija a testa de sua mulher. — Mas nossa menina ainda terá que passar por alguns exames especiais.

— Por quê? — Alyna o encara.

— Ela nasceu com uma marca estranha. Os médicos acreditam que pode ser uma infeção ou, talvez, uma doença na pele.

— Que marca? — A mulher estava preocupada.

— Hm… — Seu marido coloca a criação de lado no colo de sua mãe e destampa as costas do bebê, revelando um machucado. Sua pele está aberta em carne viva, havia bolhas e era vermelho.

— Ohh meu deus! — Alyna sente até mesmo vontade de vomitar. Seja lá o que fosse, não tinha um cheiro agradável. Tinha a forma de uma meia lua.

     O contato de sua pele com o ar logo incomoda a pequena Aline que começa a chorar. Sua mãe instintivamente logo tenta acalmá-la, embora estivesse preocupada.

     Seja lá o que fosse aquilo, nunca deixaria de amar sua filha. Seu país cuidaria dela e a amariam sua primogênita sem qualquer mudança até a sua morte.

      E esse amor não acabou. Aline ficou dois meses no hospital até que os médicos constaram que a marca não havia mais risco a saúde dela. Ela iria para casa mas, todo mês deveria voltar para exames.

      E assim ela seguiu sua vida e cresceu. Demorou até que a pequena abrisse seus olhos, revelando majestosos verdes azulados. Era uma menina muito bonita para sua idade. Havia um tanto clara, cabelos castanhos e olhos claros. Sempre foi uma menina esperta e inteligente.

      Aline era agitada. Uma autêntica aventureira. Queria correr antes de aprender a andar. E não demorou até que aprendesse ambos. Era a alegria da casa e a preferida de sua avó.

      A família era feliz. Aline tinha um encanto incomum e chamava atenção com seu jeitinho alegre. Mas como toda criança, chega a vez de ir para a escola pela primeira vez. Quando Aline completou 6 anos de idade, fez drama para não sair de casa.

     Seu desespero era tanto para não sair da casa que ela correu para o quarto, fechou a porta e procurou onde se esconder. Tentou ficar embaixo da cama, mas não cabia ali em baixo. O espaço era convenientemente muito apertado.

      Mas ela não desistiu. Com esforço, subiu em cima da cama de seus pais e ficou tentou ver onde poderia se esconder. Ela olha para o guarda roupa e desespera-se quando escuta seu pai batendo na porta e chamando por ela.

     Seus pés se enroscam no tecido da cama e ela cai. Seu medo de ir ao chão a faz gritar e seu pai entra apressado no quarto. Mas não encontra sua filha.

— Aline? — Ele a chama. Mas a menina não responde.

     Então ele a procura. Mesmo sabendo que ela não caberia, ele olha embaixo da cama, atrás dos móveis e, finalmente olha para o guarda roupa.

— Hm… menina levada. — Ele brinca ao se aproximar do guarda-roupa, lentamente como um predador, fazendo suspende. Ele toca no guarda-roupa. — Onde será que a princesa se escondeu? — Ele abre o guarda roupa. — Te peguei!

     Aline não estava dentro do guarda roupa.

— Ué!

— Alisson! — Alyna, sua esposa aparece na porta. — Vamos nos atrasar. Cadê a Aline?

— Não sei. — Ele olha com cara de bobo para sua esposa.

— Como não sabe?

— Não sei.

— Mas é uma anta mesmo! — Aline ri, atraindo a atenção de seus pais. Mas eles não a vê. — Aline?

     A pequena tampa sua boca para não rir. Era uma situação engraçada para a pequena.

— Aline, vou comprar sorvete. Você quer? — Alyna sorri, sabendo que não demoraria até a pequena aventureira aparecer.

— Quero! — Como esperado, a menina se manifesta e é encontrada, mas de forma inesperada.

— Mas o quê?! — Seu pai afasta dois passos tentando entender como sua filha foi parar em cima do guarda roupa sendo que mal consegue subir na cama.

     Sua mãe arregala os olhos, tentando entender a mesma questão.

— Como subiu aí? — Alyna pergunta.

— Num sei. — Responde.

— Consegue descer? — Seu pai pergunta e ela nega. — Pule! Eu te pego.

— Tá louco! — Alyna bate na cabeça de Alisson que reclama. — Se ela se machucar, eu mato você!

— Vou pegar uma escada. — O homem decide não contradizer sua esposa e sai apressado do quarto decidido a encontrar uma escada. Aline, em cima do guarda roupa, sorri com a situação.

     É apenas uma criança de 6 anos que não entende o desespero de seus pais e, muito menos entende como chegou até ali. Ela só sabe que está ali, assim como seus pais.

     Ninguém imagina que, quando ela caiu e gritou, seu grito não foi apenas ouvido por seu pai. Outra coisa também ouviu…

     E mesmo a quilômetros de distância, teve influência sobre a menina que foi parar em cima do guarda roupa, deitada de bruços com suas costas quase encostando no teto.

     Quando seu pai retornou com uma escada e a tirou de cima do guarda roupa, a pequena simplesmente esqueceu o sorvete e correu. Não queria ir a escola.

     Mas logo seu pai a pega no colo, deixando a menina emburrada. Não tarda até ela começar a chorar quando sai pela porta. Seu pai a manda ficar quieta com rigidez e ela obedece, chorando em silêncio abraçada a ele.

     Sua mãe carrega sua mochila e encara a garotinha com dor no coração. Alyna odeia se separar de sua garotinha birrenta. Mal acreditava que o tempo havia passado tão rápido e ela estava indo para a escola.

— Pai… — Aline chama com sua doce voz chorona, atraindo atenção de seus pais.

     Ela aponta para um brinquedo na loja mais próxima. Era um grande lobo de pelúcia branco. Alyna tinha uma queda incomum por lobos. Tudo que lembrasse o mesmo, encantava ela. E com aquele brinquedo de pelúcia não foi diferente. Ela o queria e já tinha escolhido até o nome.

  Neide…

     Sua mãe sorri acolhedoramente para ela e diz:

— Na volta a gente compra, pode ser? — Aline fica emburrada, mas não discorda ou faz drama.

      Ela apenas fica calada e se permite ser levada para a escola. Se for uma boa menina, ela espera ganhar sorvete a noite. Mas ao chegar na escola e ser deixada a mãos de estranhos a fez entrar em desespero. Aline implorou para não ficar e ir embora com sua mãe.

     Mas todos devem frequentar a escola mais cedo ou mais tarde e por mais que ela fizesse birra, Aline teve que ficar, com a promessa que ganharia sorvete e o lobo. E assim, ela aguardou, dentro da escola, com medo.

     Mas seu jeito doce e alegre de ser logo a fez fazer amizades com criança de sua idade. Aline havia até esquecido de que iria embora da escola ao brincar e fazer algumas atividades. Mas a menina não exitou ao ir embora quando sua mãe chegou.

      Aline fez questão de cobrar seu sorvete de flocos e logo seu lobo de pelúcia quando passaram pela cidade. A menina mal conseguia andar. O brinquedo era quase de seu tamanho. Alyna não perdeu a oportunidade de tirar fotos de sua filha.

      Sua boca lambuzada de sorvete. Ela brincando na areia de um parquinho perto e ela com o urso. Seu pai estava com ela, assim como sua mãe. Mas a melhor foto foi a dos três juntos que tiraram na ponte da cidade.

      Mal sabiam que seriam a última foto em família postada na internet.

     Quando a noite caiu e eles voltaram para a casa, uma noite de terror os aguardavam. O bairro que moravam estava estranhamente quieto como se não houvesse ninguém pelas redondezas. O motivo estava na casa em que moram. A família unida e feliz que morava em copacabana no Rio de Janeiro estava morta.

     A sala estava suja de sangue. Os móveis e revirados e destruídos. Mas o pior estava na cozinha. Aline gritou ao ver o corpo de seus avós com a garganta cortada. O ataque foi silencioso e o sangue ainda escorria do pescoço dos idosos, esguichando e pulsando.

     Sua mãe Alyna só teve tempo de tapar os olhos da menina antes da cabeça de seu pai ser estourada e seu cérebro sujar sua esposa. O grito de sua mãe apavora a criança que se encolhe, chorando de medo. Aline chega até mesmo a tremer.

— Só vou dizer uma vez. — Um homem vestindo roupas negras e encapuzado surge dentre os corredores que levam aos quarto da casa. Em suas mãos havia uma arma de fogo. — Entregue a menina!

     Alyna se desesperou. Não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que deveria proteger sua garotinha. Ela olhou para os olhos claro se sua filha e disse:

— Corre… — Aline se espantou. — CORRE! — Aline não pensou duas vezes antes de correr. O homem aponta arma para a criança e sem exitar, atira.

     Mas o tiro acertou sua mãe quando jogou-se contra a arma. Seu peito ardia e queimava de uma forma tão intensa que ela nem gritava de dor. Antes da escuridão a dominar por completo, ela vê sua filha sendo cercada por mais homens.

  Deus…

      Aqueles homens não estavam de brincadeira. O lugar havia sido evacuado para apenas uma missão. Eles pretendiam executar com perfeição e não exitam em pegar e apontar uma arma de fogo para Aline, uma criança de 6 anos.

— Alvo encontrado. Alvo eliminado. — O homem posiciona-se no gatinho.

     Ele não exista.

     Mas não houve tempo de puxá-lo.

     Um estrondo é ouvido em direção da porta que voa, acertando dois três homens. O muro é destruído e da poeira, um par de olhos é visto. Não é necessário muito para os homens identificar o ser e atirarem contra ele.

     Mas as balas não penetram na pele e apenas aumentam a raiva da criatura. Vendo que as balas não surtiram efeito, as armas são apontadas para a criança que agarra seu lobo de pelúcia, tentando se esconder completamente amedrontada.

     Mas quando o gatilho é puxado, uma capa preta a cobre, mas não impede que um tiro de raspão pegue em seu ombro e a brutalidade com que é protegida a faça perder a consciência.

     Foi melhor assim.

     O olhar do homem que a protegeu permaneceu sério. Ele recebia os tiros a queima roupa enquanto analisava a face da criança desmaiada. Mas quando a munição acabou, ele atacou. E não estava sozinho.

     Da poeira levantado pela destruição, feras saltaram e atacaram sem dó ou piedade, rasgando e estraçalhando quem aparecesse em sua frente.

     Nem mesmo o pedido de reforços e o helicóptero impediu o massacre causado naquele local. A casa logo se incendiou junto com qualquer vestígio do que tenha acontecido.

     A única coisa que as câmeras de segurança das redondezas gravaram era o homem carregando a pequena criança suja de sangue. Não demorou até as autoridades especiais e o corpo de bombeiro chegarem, mas apenas uma unidade especialmente separada do FBI tinha ciência do ocorrido. Apenas um único fato era emitente: A crianças jamais seria vista novamente.

    E tudo era apenas o começo…

      O frio estava forte na montanha. O monte Elbrus é a maior elevação montanhosa na Europa. Sendo próximo a fronteira da Geórgia, num tempo avassalador não é muito apropriado escala-lo, ainda com equipamentos delicados.

       Mas Aysha tinha que continuar. O estratovulcão abrigava uma caverna interesse em seu meio onde peculiares achados foram encontrados atiçando sua curiosidade e forçando a mulher a agasalhar-se com os mais aquecidos mantos e finas peles de animais para encarar a natureza que parecia querer impedi-la.

      A neve estava quase em seu joelho. A jornada estava ficando arriscada e o peso de passar por aquela floresta já estava cansando os homens que vinham com ela. Mesmo com o impulso e a curiosidade roendo cada uma de suas células, não houve muitas escolhas. 

— Já vai escurecer! — A Rússia demorava para anoitecer. Já eram 20h.

— Estamos atrasados! — Rebate a mulher. Um dos homens que estava com ela pragueja.

— Ainda estará lá quando amanhecer. O que está morto não pode morrer mas nós sim se não nós abrigamos. — A mulher parou de andar. Esfregou suas mãos tirando o gelo que acumulou-se entre as densas camadas de lã e olhou para os homens, derrotada.

  O que está morto não pode morrer…

      Mesmo contra as reclamações de seu corpo, ela ajudou a montar a tenda rapidamente enquanto a fogueira era feita. Assim como buscava entender a biologia de um corpo já muito esquecido, ela entendia a sua própria carne. Adora dormir. Quem não gosta? Quanto mais cedo comer, mais seu corpo terá energia para terminar a escalada.

       Mas tinha uma intuição peculiar com esse achado. Sua mente vagava as possibilidades de sua própria carteira enquanto a curiosidade a consumia. Aysha estava empolgada. A fome e o frio do rigoroso inverno Russo não a impediria.

       Dimitri, seu superior também estava curioso, todavia tinha mais lógica. É uma grande honra trabalhar com um prestigiado Paleontólogo Russo. O homem em seus mais de quarenta anos tinha seu charme e sempre fazia questão que a impulsiva e curiosa Aysha o acompanhasse ao redor do mundo. Mas deve confessar que nunca a viu tão empolgada com esse achado.

      Ela relia os arquivos. Parecia querer saber até o segundo que foi achado. Comia por consciência, mas duvidava que tinha fome. Por fim, a mulher guardou os papéis e jogou a mochila, frustrada.

— Tenha calma, Aysha. A noite não dura para sempre. Logo amanhecerá. — Falou rouco, tentando se aquecer no fogo da chama acesa. — Nunca a vi tão empolgada com um achado.

— Tenho um sentimento estranho em relação a esse. — Ela forçou sua garganta e tossiu. Precisa aquecer-se mais para não ficar resfriada. Ela aproxima-se da fogueira. — É peculiar a localização.

      É necessário um clima e ambiente, sobre uma terra apropriada para a natureza enterrar ossos e, com o tempo, transformá-los em fósseis. Um ambiente tão agressivo como esse chama a atenção. Que tipo de fósseis seria feito em um lugar assim?

— A caverna foi achada recentemente. Durante seu estudo foi descoberto restos de um animal não identificado. — Aysha se encolhe com o frio. — Estamos aqui para tomarmos posse antes de Tânia.

       A mulher pragreja. Tânia é a ex mulher de Dimitri. Uma paleontóloga que sempre atrapalha Aysha, uma amante da biologia que compunha os antigos seres vivos do planeta.

       Jamais esqueceria de quando era criança. Uma trapaceira criança curiosa feliz que vivia no interior de São Paulo no Brasil. Ganhou amor por seres antigos através dos famosos filmes de Jurassic Park. Seu sonho era criar um parque dos dinossauros e já planeja sua vida com isso. Seria uma grande cientista, todavia, sua obsessão pela franquia a levou até os livros na sua pré adolescência.

       Foi apenas questão de tempo até saber que Paleontologia é o estudo que busca entender a biologia dos antigos ecossistema do mundo. Pouco antes de perder sua família, ser adotada por Russos e mudar seu nome de Aline para Aysha, um ano depois ela já era apaixonada por seres antigos.

      Queria tocar os ossos de um Tiranossauro, imaginar um Gato-Dente-de-Sabre atacando suas presas e saber da extinção dos antigos lobos. Com uma nova família com um considerável império, sua faculdade de Paleontologia foi iniciada aos 19 anos, após terminar o Ensino Médio. Passou mais do que o tempo necessário estudando e, agora, com seus quase 28 anos, ainda se sente aquela criança apaixonada por dinossauros.

       Mas a vida não dá-lhe muitas oportunidades. Acredita ter sorte em ter dinheiro, dona de uma beleza admirável e, como orientador, um prestigiado Paleontólogo. Não teve a oportunidade de escavar um lendário T-Rex, mas já pode montar um Dente-de-Sabre e estudar a pré história. Seu conhecimento é insaciável, mesmo com Tânia sempre querendo atrapalhar sua vida.

       Ela não queria perder esse achado para a mulher. Por ela, sairia durante a noite. É algo novo! Inesperado! O terreno pertence a ela!

      Ou melhor, o terreno deve pertencer a Dimitri. Só assim ela poderia ao menos, futilmente saciar a sede de mais conhecimento por esse achado.

       Assim, quando o dia amanheceu, Aysha já estava de pé. Sonhou com o achado. Tinha um sentimento incomum e mal podia esperar para escalar a montanha.

       Ah, como cansa! Na primeira hora ela já queria voltar a dormir. Mas precisava chegar ao topo. Lembrar-se de Tânia e do achado a fazia seguir na frente do grupo que não passava de dez homens, sendo dois, guarda florestais.

       Na parte da tarde, após horas enfrentando o frio e a presença da neve em seus joelhos, junto com risco de uma avalanche, finalmente eles chegam na caverna.

      É um buraco escondido com uma considerável queda. Precisarão de profissionais experientes para descer em segurança até a entrada onde foram engolidos pela escuridão do ambiente sonoro. Qualquer som ecoava, dando a entender que o espaço é considerável. O frio já não era tão intenso.

      Aysha podia sentir sua traquéia fechar-se com o nervosismo que deixava todo seu corpo inquieto, mas também hesitante. Aquela caverna tinha um ar estranho. Ela sentia-se familiarizada com o ambiente e assustadoramente atraída pelo perigo. Estava tão hipnotizado que só percebe o abismo a sua frente quando Dimitri a pega pelo braço e a tira violentamente da ponta.

— Cuidado! — O coração da mulher dispara e ela fecha os olhos, tentando recompor-se. Ela descobre sua boca do aconchegante cachecol para respirar, dando ao homem a visão perfeita de sua boca perfeitamente rosada assim.

— Desculpe. — Pede segurando no bíceps de seu superior.

— Vamos. — O homem a orienta com a mão na cintura, garantindo que ela sua estranha lerdeza não a faça cometer um acidental suicídio.

      Os homens que vinham atrás olham para o abismo, vendo o quão afiado são as formações rochosas abaixo.

      Logo, eles descem mais pelos corredores e passagens até um buraco escuro ser visto. Apenas um pequeno ponto de luz ficava abaixo.

— 50 metros ou mais.

— Como um animal passou por isso? — Um dos ajudantes de Paleontologia pergunta.

— Talvez seja aéreo. — Responde Yure, pensativo.

— Um ninho, talvez? — Questiona Ivanildo, trazendo arrepio a espinha de Aysha.

  Um ninho?

— Parece mais uma toca. — Sua voz ecoa pelas paredes no debate entre seus companheiros. Dimitri aproxima-se com o equipamento apropriado para descer e ajoelha-se próximo as suas pernas, enlaçando o cinto entre elas e colocando como se fosse uma calça.

— Temos certeza que é mamífero. Não passa da pré história. — Ivanildo, um loiro de proximidade trinta anos faz uma careta pensativa.

— Pode ser um achado significativo. É por isso que está tão animada Aysha? Será que encontrou seu dinossauro mais recente? — Ele brinca com mulher que ergue a mão estendendo-a como se fosse entregar-lhe algo. O homem olha desconfiado mas Aysha parece não estar brincando.

      Quando sua mão estende-se, a mulher ergue o dedo do meio e diz:

— Enfia no cu! — Logo depois ela se lança no abismo, descendo conforme as instruções que já conhecia perfeitamente.

— Brasileiras… — O homem revira os olhos antes de ter o equipamento de Aysha subido, já vazio.

       Aysha teve que esperar seu superior, Dimitri. Assim, junto da mulher, seguiu para as mesas onde alguns homens usavam um computador de alta tecnologia para entender o artefato. Assim que a mulher foi identificada com um crachá apropriado, eles finalmente tiveram acesso às ilimitadas fronteiras de conhecimento que tudo aquilo poderia dar-lhes.

      A primeira pergunta de Aysha foi:

— Qual o resultado do teste de carbono? — Ela precisava confirmar.

— Início da Pré-História. É um mamífero. — Disse um dos pesquisadores enquanto a mulher tirava todo seu equipamento nas costas.

— Onde acharam? — O homem vira um folha da prancheta, relendo para garantir que não irá errar uma palavra. Aysha tira seu casaco e estava tirando as densas luvas de lã quando foi respondia.

— Foi detectado por nossos sensores de raio-x na entrada do túnel principal durante o escaneamento da caverna. — Ele mostra o buraco iluminado por lâmpadas improvisadas. Aysha coloca sua luva de plástico e pega uma pequena maleta na mochila.

— Foi encontrado outros? — Ela precisava saber disso. Encarou o homem com sede conhecimento como se ele tivesse a respostas de todas as suas malditas lacunas.

— Não progredimos com o escaneamento.

— Quero ver. — O homem assente e a orienta até uma mesa coberta com uma lona preta. O zíper é aberto dando a Aysha a excitação de um achado provavelmente inédita. Seus olhos tremem e ela soa como uma criança nervosa ou uma adulta desespero.

      Ela suspira ao ver os ossos esparramados pela mesa. Pelo menos 50% do ser poderia ser montado.

— Isso pertence a espinha. — Ela passa a mão, sem tocar, acima de um osso, intensificando-o. Os ossos que compõe uma espinha são únicos. Com sua experiência, ela fica em êxtase pelo tamanho.

— Enorme. — Diz assustado o homem. Um único fragmento da espinha era o tamanho completo da palma de sua mão. Isso faz Aysha pensar nos restantes dos ossos. São todos pequenos. Alguns estraçalhados e quebrados.

— Amenos que seja de um animal diferente e não encontrado, esse esqueleto não está completo. Está quebrado e não vejo ossos de membros da perna ou braço. — Ela estende a mão, escolhendo os ossos. Ela volta a hesitar quando ia pegar em um. Parece ter uma energia incomum que afeta todo seu corpo. Como se matasse a cada toque.

— Tudo bem? — Ela fecha os olhos.

  O que está morto não pode morrer.

      Ele pega o osso e afirma:

— Sim. — Ela respira fundo e, com as mãos trêmulas, pega outro. Ela montava um quebra cabeça e, assim, monta a estrutura de um único osso da costela.

— A maior parte, senão todas, deve pertencer a um único animal. Mas o esqueleto não está completo. Nem 30% está completo. — Ela analisa cada fragmento, mantendo uma distância em que pudesse respirar. — Apenas espinha e costela. Não faz sentido. Mesmo que fosse morto, deveria ter suas pernas e braços, pois uma cobra não é.

      Ela dá a volta na mesa, analisando a infraestrutura íntima dos restos mortais de um ser, possivelmente, grande. Até que algo achatado chama sua atenção. Ela analisa bem. É grande. O mais largo dos ossos, quebrado como uma tampa. Aysha não tem coragem de tocá-lo. É como se o animal pudesse pular em cima dela e ferozmente a estraçalhar a mesma medida que os olhos estão.

— O que está morto não pode morrer… — Ela sussurra para si mesma, tentando trazendo sua mente para a realidade.

      Até que todo seu corpo arrepia-se ao reconhecer uma curvatura. Era a ponta de um crânio que a consome na escuridão de onde deveria haver os olhos. E lá, ela escuta um rosnado feroz de um lobo e um vermelho intenso de olhos consumirem-na. Todo seu corpo fica tenso com a ilusão do crânio levantar-se, sem oportunidade para que ela processe o que vê, atacá-la com um rugido onde tudo que a humana vê é a escuridão do abismo de sua boca.

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