(03) a nossa distância não é tão longa (parte 1)
Yeji caminhava pelos corredores da escola com as mãos nos bolsos da jaqueta, a mochila batendo suavemente nas suas costas a cada passo. A música baixa nos fones de ouvido dava a ela um ritmo tranquilo, quase como uma fuga do caos diário. O barulho de conversas e risadas havia desaparecido já faz algum tempo, e os corredores estavam estranhamente vazios, com apenas alguns professores e monitores andando apressados de um lado para o outro, ajustando papéis ou fazendo anotações em suas pranchetas. A escola parecia mais silenciosa, quase abandonada.
Yeji passava distraída, o som abafado da sua música e o ritmo suave da caminhada em perfeita harmonia, até que, de repente, sentiu um puxão no braço.
Antes que pudesse reagir, a puxada foi forte o suficiente para fazer com que ela entrasse rapidamente em um dos laboratórios, as portas de vidro se fechando atrás dela com um clique baixo. O ambiente estava abafado e escuro, as cortinas fechadas e a luz apagada, apenas uma pequena fresta de luz vindo pela janela suja no canto da sala.
Ela estava prestes a protestar, mas, ao levantar os olhos, seus ombros relaxaram automaticamente ao reconhecer o cabelo loiro e os traços familiares. Lia. Ela estava ali, a olhando com uma expressão fria.
── Você... — Yeji começou, com a voz já cansada, mas não sem um leve tom de provocação ── Não pode simplesmente me deixar em paz depois de tudo?
Lia se encostou na bancada de vidro, com um sorriso que estava longe de ser amigável. Ela observava Yeji com aquela mesma intensidade que sempre a observou, mas agora havia algo mais sombrio nos seus olhos, algo que Yeji não conseguia ignorar.
— Eu? Deixar você em paz? — Lia se divertiu com o próprio comentário, mexendo as pontas dos cabelos loiros com desdém. — Você que não me deixa em paz depois de tudo, porra. O que você não entendeu de “me esquece”? Porque continua olhando para mim com esse olhar de… possessividade?
Yeji revirou os olhos, sentindo o peso das palavras pesar sobre ela. O rancor ainda estava ali, firme como uma parede construída no tempo que havia passado entre elas. A amizade, que já fora tão forte, agora estava quebrada, despedaçada pelo que nunca deveria ter acontecido. Ela se aproximou de Lia, observando o rosto dela como se tentasse ler algo que já sabia de cor.
── Você foi quem decidiu se afastar, Jisu. Não foi culpa minha. — A voz de Yeji soou mais baixa, mas o veneno nas palavras ainda estava lá. A distância entre elas parecia ser mais do que física, era uma fossa cavada pelos próprios sentimentos de Yeji. Lia bufou, cruzando os braços e se afastando um pouco. Ela olhou para o chão, como se tentasse se organizar antes de falar.
── Ah, claro, claro... sempre a culpa é minha, não é? — ela sorriu com cinismo, como se tivesse memórias dolorosas das palavras trocadas. ── Eu só sei que você me olhava como se fosse algo mais... — Lia fez uma pausa, levantando os olhos para fixar em Yeji, agora com um brilho de frustração em seu olhar. ── E eu? Eu não queria isso. Não era para ser assim. E agora? Olha só para você... ainda me olha do jeito que sempre olhou. Isso está começando a me incomodar.
Yeji ficou em silêncio por alguns segundos, o peso das palavras de Lia finalmente atingindo a sua consciência. Ela sentiu um nó na garganta, mas se manteve firme, sem querer demonstrar fraqueza.
── Eu... não posso fazer nada sobre o que você sente, Lia — Yeji murmurou, a voz um pouco mais suave do que queria. Ela sabia que estava falhando em esconder o que realmente pensava, mas também sabia que havia uma linha tênue entre o que sentia e o que desejava que nunca tivesse acontecido.
Lia não desceu do tom, ainda fixando os olhos em Yeji com aquela intensidade que sempre a desconcertou.
── Eu sei, eu sei... não vou pedir desculpas por você ter se apaixonado por mim, Yeji. — Lia deu de ombros. ── Mas... eu não aguento mais esse seu olhar. Toda vez que você me olha, é como se estivesse me devorando com os olhos. Eu não estou mais confortável com isso.
── Então você já ficou confortável com isso alguma vez? - Perguntou a ruiva, com um pingo de esperança.
── Nunca.
Yeji respirou fundo, querendo desviar o olhar, mas não conseguia. Era a verdade, e Lia tinha razão. A tensão entre elas não era apenas do passado, estava ali, no presente, em cada gesto, em cada palavra não dita.
── Então o que você quer de mim? — Yeji perguntou, a voz já mais fria, a sensação de estar presa em algo que não conseguia controlar era cada vez mais forte. Ela não sabia mais o que fazer com o que sentia.
Lia deu um sorriso, dessa vez mais sério, como se estivesse tomando uma decisão que já havia sido pensada por muito tempo.
── Quero que a gente se encontre fora da escola. Sem essas... tensões. Quero conversar sobre tudo isso, sem precisar fingir que está tudo bem. Porque, honestamente? Não está.
Yeji a olhou, silenciosa por um momento, antes de finalmente acenar com a cabeça.
── Ok, a gente pode marcar depois. Quando você quiser.
── Até.
Yeji a observou enquanto Lia saía do laboratório, seus passos ecoando pela sala vazia. Por um momento, tudo parecia suspenso, como se o tempo tivesse parado para que elas se entendessem, mas o desconforto ainda estava ali, como um fio invisível ligando-as.
[...]
Após a conversa tensa com a Lia, saí da sala de aula e fui direto para o corredor. A sensação de desconforto ainda estava ali, me acompanhando como uma sombra. As vozes e risadas dos outros alunos pareciam distantes, como se eu estivesse em um mundo paralelo onde as coisas não faziam tanto sentido. Eu só queria sair daquele lugar, respirar um pouco de ar fresco, longe das complicações.
Quando cheguei na porta da escola, a luz do sol me atingiu com força, mas até isso parecia reconfortante de alguma forma. Aquele calor do começo da tarde tinha algo de acolhedor, como um alívio depois de uma manhã abafada. Eu precisava de um pouco de calma, e lá estavam meus amigos, esperando por mim no ponto de encontro. Hyunjin estava encostado no portão, com os braços cruzados enquanto arrumava o cabelo loiro. Beomgyu estava jogado no banco, mexendo no celular, e Chaeryeong, como sempre, estava com seus fones de ouvido, mas me olhando de vez em quando.
Quando me viram, seus rostos mudaram de expressão, algo como um "Ah, Yeji está aqui, ótimo!" — uma espécie de consolo silencioso. Eles não precisavam saber o que tinha acontecido, e acho que nem queriam saber.
Hyunjin foi o primeiro a quebrar o silêncio, como se estivesse ansioso para dizer algo.
── E aí, Yeji, o que vai fazer depois da escola? Tá afim de sair? — perguntou, com aquele tom despreocupado, como se fosse só uma pergunta qualquer.
Eu tentei parecer normal, apesar do turbilhão mental que ainda me dominava. Respirei fundo e balancei a cabeça.
── Acho que não. Tenho algo para fazer, vou me encontrar com alguém. — Não queria entrar em muitos detalhes, e a ideia de falar mais sobre isso parecia esquisita demais no momento. Beomgyu, que estava sempre atento, levantou uma sobrancelha, claramente curioso.
── Ah, é? Você tá saindo com alguém? — ele perguntou, com aquele olhar de quem adoraria saber todos os detalhes.
Soltei uma risada rápida, tentando desviar da situação.
── Talvez, quem sabe? — Dei de ombros. Não era como se eu fosse dar essa informação de graça. Chaeryeong, que até então estava imersa na música, tirou um dos fones e se aproximou de mim com um sorriso travesso.
── Hum, quem é esse “alguém”? — Ela parecia se divertir com o mistério, e estava óbvio que ela não ia deixar passar essa oportunidade de perguntar.
Eu revirei os olhos, rindo com eles, quando, de repente, um garoto de óculos passou apressado por nós, meio desequilibrado. Ele estava correndo, provavelmente tentando alcançar alguém, e então, num movimento desengonçado, tropeçou. Vi o que ia acontecer antes mesmo de ele cair. De repente, tudo desacelerou e, com um reflexo rápido, estiquei o braço e segurei seus ombros, evitando que ele se estatelasse no chão.
── Ei, você tá bem? — perguntei, puxando-o para cima com uma facilidade e força que nem eu mesma entendia direito. Ele me olhou com os olhos arregalados, um pouco atordoado, mas ainda de pé. O garoto ajeitou os óculos e deu uma risadinha nervosa, ainda um pouco fora de si.
── Uau, obrigado. Eu… não sei como você fez isso, mas valeu! — Ele parecia meio sem graça, mas agradecido. Seu olhar parecia procurar algum sinal de que tudo estava bem. Eu só sorri, achando engraçado como ele parecia tão surpreso com algo tão simples. Ele se afastou, ainda se recuperando do susto, e seguiu seu caminho apressado.
Voltei para os meus amigos, que estavam observando a cena com os olhos arregalados. Hyunjin, que havia assistido tudo, gargalhou.
── Caralho, Yeji, foi como se você tivesse super poderes ou algo assim — disse ele, rindo, provavelmente pensando em algo exagerado. ── Espero que você me pegue desse jeito quando eu cair.
Eu dei de ombros, mantendo a pose tranquila.
── Você sabe que eu tenho reflexos rápidos, só isso.
── Aham… sei. - o outro Hwang riu, sabendo que eu estava blefando.
Beomgyu ainda olhava para mim com uma expressão intrigada, e Chaeryeong apenas balançou a cabeça, sem conseguir esconder o sorriso. O clima, pelo menos, estava mais leve agora, mas dentro de mim, as coisas ainda estavam meio bagunçadas. Eu só queria que o dia acabasse logo.
[...]
Após alguns dias da minha conversa com Lia no laboratório, entrei no grande salão onde iríamos almoçar e me sentei ao lado de Hyunjin, Chaeryeong e alguns outros garotos amigos do outro Hwang, dos quais eu não fazia a menor ideia de quem eram. Comecei a observar as mesas ao redor, tentando encontrar a mesa onde Lia estava.
Do outro lado do salão, lá estava ela.
E, para piorar, estava nos braços de Sunghoon. Merda! Essa menina não entende que ele a traiu na própria festa de aniversário!?
── Em que você está pensando, Yeji? - perguntou Chaeryeong, colocando sua maçã na mesa.
── Na aula de física. - menti, sem pensar muito.
── Ah… - murmurou ela, sem desconfiar. ── Fiquei sabendo que você está namorando. Conta esse babado direito.
── Como!? - falei, incrédula, quase engasgando com o sanduíche.
Se as pessoas estão falando isso de mim, minhas chances com a Jisu vão por água abaixo.
── Quem contou isso a vocês?
── O moleque do primeiro ano, aquele que faz parte do jornal da escola... - Beomgyu apontou para o garoto que estava na fila do almoço. ── Ele nos encontrou pelos corredores e soltou a fofoca.
── Pois saibam que o jornal da escola está inventando mentira, então.
── Não brinca! - Chaeryeong disse, rindo. ── Não aguento mais ver você sofrendo pelos cantos por causa de certa pessoa.
── Yeji, você não tinha dito que ia sair com a menina do seu prédio? - perguntou Hyunjin.
── Falei. - menti novamente, dando de ombros. ── Mas não criem expectativas. Se for para ficar com ela, vai ser só por um momento. Come e some, sabe como é.
Todos suspiraram juntos, como se já estivessem cansados de me ver enrolando nesse assunto. Mas, sinceramente, por que eles se importam tanto com quem eu namoro?
Eles deviam cuidar da vida amorosa deles e deixar a minha para mim mesma, oras.
Enquanto terminava meu almoço e trocava algumas ideias sobre o dia com meus amigos, senti uma vibração no bolso esquerdo da jaqueta. Deveria ser meu celular, então olhei rapidamente.
Ao desbloquear o dispositivo, eu vi uma mensagem de Lia, e então eu a encarei, procurando um negócio coerente para falar com ela. Ao encontrá-la do outro lado do salão, vi ela me encarando com uma expressão meio impaciente. Ela apontava disfarçadamente para o celular, como se estivesse me pedindo atenção.
Suspirei e decidi respondê-la.
[Jisu] O almoço está acabando. Devemos nos encontrar onde?
[Você] Talvez atrás da escola?
[Jisu] Não! Vão pensar que estou ficando contigo.
[Você] Ah, ok. Cafeteria?
[Jisu] Sim. A cafeteria que fica a dois quarteirões
do seu prédio. Tudo bem?
[Você] Sem problemas. Em uma hora após as aulas estarei lá.
[Jisu] Certo.
Por que eu estava tão ansiosa para a nossa conversa? Eu me sentia como uma adolescente do nono ano, ansiando por qualquer interação com o paquera da escola. Mas, no fundo, eu deveria ficar feliz, pois o momento que esperei a semana inteira estava quase acontecendo: minha conversa com Jisu.
Continuei conversando com meus amigos e, de vez em quando, lançava olhares para a mesa de Jisu. Lá estava ela, rindo alegremente com Sunghoon e seus amigos, sem parecer estar numa situação deplorável como a minha: uma paixão não-correspondente. Pior ainda, uma paixão que queimava dentro de mim desde o ensino fundamental!
Enquanto Jisu se levantava da mesa do refeitório, segurando os braços de Sunghoon, meu coração afundava em ciúmes e ódio. Ela parecia tão feliz ao lado dele, enquanto eu sofria em silêncio. Eu queria estar lá, segurando suas mãos macias, podendo chamá-la de minha namorada.
── Vamos, querida? - perguntou Chaeryeong, se levantando da mesa.
── Claro - murmurei.
Jisu e Sunghoon saíram do refeitório, seguidos pelos olhares invejosos de muitos. Eu os observava, meu coração apertado de dor.
Hyunjin percebeu minha expressão e se aproximou.
── Você está bem, Yeji? - perguntou ele, preocupado.
Respirei fundo, tentando controlar minhas emoções.
── Vou sair um pouco, Hyunjin. Preciso espairecer.
── Onde você vai? Se quiser, passe lá em casa depois. - Ele perguntou, com um olhar de preocupação.
── Vou encontrar aquela menina… a do prédio. - Respondi rapidamente, claramente nervosa com a situação.
── Ah, entendi. - murmurou ele. ── Você anda a encontrando demais, não acha? Cuidado pra não se apaixonar, Yeji!
── Qualquer coisa, me envie uma mensagem! Eu posso te ajudar com garotas. - Beomgyu disse, rindo.
── Não, eu que vou ajudá-la! - Hyunjin respondeu.
── Engraçadinhos! Todos sabem que quem vai me ajudar com isso é a Chaeryeong! - ri, abraçando ela.
Enquanto falávamos sobre a tal garota imaginária, vi Jisu saindo pela porta principal. Ela estava sozinha, com roupas simples, mas elegantes. Não eram nem muito decotadas nem tão justas ao seu corpo. Ela usava um cropped branco bem colado, um blazer cinza que a deixava incrivelmente linda, além de uma saia cinza também. Seus coturnos eram baixos, e seus cabelos platinados caíam sobre seus ombros com leves ondulações, sendo que duas presilhas mantinham uma mecha atrás da cabeça.
Ela estava simplesmente deslumbrante naquela roupa.
Por mais que eu quisesse tocá-la novamente, abraçá-la, ter algum tipo de conexão com ela, parecia que algo havia mudado. Não fisicamente, mas dentro de Jisu.
Ela poderia ter deixado de ser aquela garotinha frágil e manipulável — como quando conheceu Sunghoon — para se tornar alguém mais inteligente e fria. Ou talvez ela estivesse apenas interpretando um papel dentro da escola; eu a via rindo feliz no refeitório, mas, quando pisava fora do colégio, uma feição séria tomava conta de seu rosto.
Enquanto observava Jisu sair pela porta principal da escola, meu coração apertou ao vê-la se aproximar do meu grupo de amigos. Seu olhar sério encontrou o meu por um breve momento antes de ela acelerar o passo, decidida. Jisu continuou andando rapidamente até alcançar um táxi na rua. Ela disse algo para o motorista e entrou no carro, fechando a porta com firmeza.
Virei-me para meus amigos, sentindo um nó se formar na minha garganta.
── Preciso ir. - murmurei, incapaz de encarar a expressão curiosa em seus rostos.
── Até segunda-feira, então? - falou Hyunjin.
── Sim. - Respondi rapidamente, tentando disfarçar minha agitação.
Despedi-me rapidamente do grupo e saí da escola, caminhando rapidamente pelas ruas movimentadas de Nova York. Meu coração estava pesado com uma mistura de tristeza e raiva. Eu não entendia o que estava acontecendo com Jisu, e isso só aumentava minha frustração.
[...]
Yeji caminhava calmamente pelas ruas movimentadas de Nova York, com o som dos carros e das conversas se misturando no ar. Ela usava um moletom simples, os cabelos ruivos caindo de forma bagunçada sobre seus ombros. A cidade parecia estar sempre em movimento, mas naquele momento, ela se sentia distante de tudo aquilo. Seus pensamentos estavam longe, preocupados com as mudanças estranhas que aconteciam com ela desde aquele dia.
Ela decidiu cortar caminho por um beco vazio, procurando algum espaço de tranquilidade em meio àquela agitação toda. O beco era estreito, as paredes cobertas por grafites coloridos e sujos, o cheiro de lixo se espalhando pelo ar. Mas, para Yeji, o lugar parecia mais calmo, mais seguro, longe do olhar de estranhos. Ela não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas sentia algo diferente em seu corpo. Como se tivesse algo novo, algo poderoso, esperando para ser descoberto.
Enquanto caminhava, sentiu uma pressão súbita em seu pulso. Antes que pudesse reagir, uma teia disparou de seu braço, acertando a parede do beco à sua frente. Yeji deu um salto para trás, assustada, os olhos arregalados. O que diabos foi isso?
Ela parou, tentando processar a situação, lembrando de todos os momentos estranhos que ocorreram desde o dia em que foi picada pela aranha tóxica. Sua força aumentara, sua agilidade estava absurda, e seus reflexos... ela mal podia acreditar no que podia fazer. Algo havia mudado nela, algo que ela ainda não entendia completamente.
Mas naquele instante, a curiosidade e o impulso falaram mais alto. Ela sentiu uma sensação crescente de que havia algo mais a ser descoberto, algo dentro dela que estava pedindo para ser explorado. Sem pensar muito, decidiu fazer algo arriscado. Algo que ela nunca imaginou que teria coragem de fazer, mas naquele momento parecia certo.
Yeji seguiu até um prédio próximo. Não era muito alto, mas ainda assim, o suficiente para testar seus novos limites. Ela entrou no edifício, subiu rapidamente as escadas até o terraço. O ar lá em cima estava frio, e ela sentia a brisa passando por seu rosto enquanto observava a vista da cidade. Por um momento, tudo parecia calmo novamente, até que ela pegou a mochila e retirou o moletom. Colocou o capuz, cobrindo seu rosto, e respirou fundo.
Olhou para o prédio ao lado. Ela não sabia exatamente o que estava fazendo, mas sentia que podia. Tudo o que precisava era se concentrar, imaginar o movimento em sua mente. Estendeu o braço, apontando o pulso em direção ao prédio. A teia disparou com uma força surpreendente, gruda-se na parede do outro prédio de forma firme. Yeji não pôde evitar um sorriso de surpresa e empolgação. Ela tinha feito isso! Ela realmente tinha feito isso!
Com o coração acelerado, ela respirou fundo, criando coragem para o próximo passo. Não tinha mais volta agora. Yeji deu um impulso e pulou para o outro prédio, o ar gelado batendo contra seu rosto enquanto ela se aproximava da parede de vidro. Seus dedos se prenderam imediatamente, e ela se gruda com facilidade, mais firme do que jamais imaginou ser possível. Ela se balança por um segundo, antes de mirar novamente para o outro prédio e lançar mais uma teia.
Ela sentiu o vento no rosto, a adrenalina tomando conta de seu corpo enquanto corria pelos prédios. Cada movimento parecia perfeito, os reflexos rápidos e certeiros, a sensação de liberdade a deixando mais viva do que nunca. Sua mente estava focada, mas a empolgação era incontrolável. Ela sentia a cidade abaixo dela, uma gigante de concreto e vidro, mas ali em cima, ela se sentia poderosa, quase invencível.
Ela foi saltando de prédio em prédio, indo cada vez mais rápido, indo em direção à sua casa. A rua estava cheia, mas ela se movia de forma ágil, se escondendo sempre que podia, tomando cuidado para não mostrar o rosto. O capuz estava baixo, mas seu cabelo ruivo, mesmo preso, às vezes escapava e ela sentia uma pontada de preocupação. Será que alguém a reconheceria? Mas naquele momento, ela não se importava. Ela estava curtindo o momento, sentindo-se mais viva do que nunca.
À medida que se aproximava de sua rua, seu coração batia mais rápido. Ela estava tão perto de sua casa, mas sabia que precisava voltar ao chão antes de qualquer coisa. Não poderia continuar por ali, arriscando que alguém visse seu rosto. Ela fez um último salto e desceu rapidamente, pousando suavemente no chão, como uma borboleta que finalmente pousava após um longo voo.
Yeji olhou ao redor, verificando se alguém a havia visto. Quando se certificou de que não, retirou o capuz, deixando seus cabelos ruivos caírem livremente. Ela andou rapidamente em direção ao seu apartamento, sentindo o peso da empolgação se dissolver enquanto voltava à realidade. Mas dentro dela, havia uma chama acesa. Algo dentro dela sabia que essa era apenas a primeira de muitas aventuras.
Ela olhou para trás, para o caminho que havia percorrido, antes de virar a esquina e desaparecer na rua. Agora, ela só precisava chegar em casa e tentar entender o que estava acontecendo com ela. Mas uma coisa estava clara: ela nunca mais seria a mesma.
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