Sunset With You

Dobrando aquelas peças de roupa, os pensamentos de JinYoung estavam longe, tão longe quanto se podia ir a cinco anos atrás. Às vezes, agora com menos frequência, ele revisitava suas memórias e se perguntava se tudo podia ser diferente. Visitar o passado em lembranças, no entanto, não mudava a realidade atual.

— Vou sentir saudades, senhora Choi. — Ele ouviu, atrás de si, a voz da enfermeira que costumava cuidar da sua mãe. — Mas sempre que possível, irei visitá-la.

Nenhuma resposta, evidentemente.

JinYoung permaneceu em sua atividade, dobrando e pondo as roupas da mãe em malas. O outro lado do armário já estava vazio e pelo chão do quarto, caixas de papelão guardavam itens tanto de sua mãe quanto do padrasto. Tudo estava resolvido em relação a transferência de sua mãe para a casa de repouso e Choi tinha começado a dar andamento ao divórcio, ele estava se comprometendo a pagar a estadia dela até o fim de sua vida, ao invés do dinheiro que pagaria com o divórcio.

A JinYoung, Choi nada devia, já que ele não era seu pai, nem o adotou legalmente, não que JinYoung quisesse algo dele, pelo contrário, passou os últimos cinco anos achando que o devia. Choi JaeWon ficou ao seu lado e ao lado de sua mãe, mesmo sem previsão de uma recuperação para a esposa, ou sem responsabilidade legal por ele. Choi cuidou de JinYoung, lhe proporcionou boa educação, cuidou da esposa com amor. Era isso, amor. Uma vida de devoção, que finalmente tinha chegado ao fim.

Na verdade, JinYoung não achava que Choi tinha deixado de amá-la, caso contrário poderia muito bem apenas tê-los abandonado. Mas também, viver daquela forma não era vida. Faltava muito pouco para os vinte anos de JinYoung, ele tinha emprego e moradia fixa, então poderia continuar sozinho. Mas, ele não tinha certeza se queria isso.

— JinYoung. — Ele virou na direção da enfermeira, ela se aproximou dele, era uma mulher na casa dos cinquenta anos, muito querida, e gostava muito dele, tentou ajudá-lo, mas JinYoung era mais um caso psicológico. — Eu também vou vir visitá-lo às vezes, querido. — Embora Jin ouvisse perfeitamente bem, ela também fez sinais enquanto falava.

Ele sorriu com gratidão, levou uma mão até a testa e a outra na altura do diafragma e os afastou de si mesmo, agradecendo através dos sinais. A enfermeira foi quem lhe ensinou a língua de sinais, então com ela ele se esforçava mais pra se comunicar dessa forma.

— Esse é Zhang Yixing — Jay apresentou. — A AudVid vai trabalhar conosco em seu debut.

— É um prazer conhecê-lo, senhor Zhang — disse JaeBeom, reservando um sorriso de simples educação.

Ele teve que ter muito esforço para não medir o homem à sua frente, seria muito pouco educado e passaria uma má impressão sobre si. Mas ainda assim, ele não pôde deixar de fazer algumas observações. Yixing era um clássico homem de negócios, desde sua roupa social, até o penteado milimetricamente perfeito, ou ainda, sua postura formal. Mas de alguma forma, ele achou que isso combinava com seu amigo.

— Também é um prazer conhecê-lo, Lim. Vamos fazer com que esse debut seja memorável para ambos.

Na China, a AudVid tinha seu nome bem estabelecido, era claro que esse era um teste de todas as formas possíveis, tanto para a AOMG que investiria muitos recursos na sua apresentação como artista da empresa, quanto para a AudVid que precisava de um retorno positivo se quisesse se estabelecer no mercado sul-coreano.

Eles se sentaram e começaram a discutir os planos para esse projeto.

— Você tem certeza que quer ficar sozinho?

JinYoung deu de ombros, querer, ele não queria, mas aceitar a sugestão de Mark parecia um pouco egoísta.

"Vou ficar bem, hyung", ele digitou no celular e enviou a mensagem, seu desânimo era tão grande que ele não tinha vontade de escrever.

— Mas não foi isso que eu perguntei. — Mark o olhou. — Estou falando sério, você pode ficar comigo no meu apartamento, ou eu posso vir para cá, tanto faz.

Para Mark, era evidentemente mais conveniente que ele permanecesse em seu apartamento, era mais perto do centro e da empresa, mas ele tinha um carro, então não se importaria de morar com JinYoung em seu bairro residencial. Para JinYoung, ficar em sua casa era mais conveniente já que ele conseguia ir para o trabalho andando, se fosse morar no centro com Mark, ele precisaria pegar ônibus ou metrô e embora ele conseguisse, não gostava muito de nenhum dos dois.

Mesmo assim, JinYoung não estava pensando no que melhor convinha a si mesmo, ele se sentia mal por achar que estava forçando o amigo a mudar a própria rotina, ou abrir mão da privacidade que tinha em morar sozinho, para estar com ele que já era um adulto, pelo menos o suficiente para cuidar de si mesmo.

"Não se preocupe, eu tenho certeza" enviou. Mark suspirou, era muito difícil lidar com JinYoung quando ele tomava uma decisão.

— Bom, se você precisar, Milo e eu ficaremos felizes em passar a noite.

JinYoung sorriu, acariciando a cabeça do cachorro que dormia no colo do dono.

Seu celular vibrou com uma nova mensagem e o nome "Sunrise" apareceu na tela, ele abriu o chat.

"JinYoung-ah"
"Vamos sair hoje?"
"Quero te levar em um lugar"

"Onde vamos?"

"É uma surpresa"

"E onde devemos nos encontrar?"

"Linha 7, Estação Ttukseom Resort"

JinYoung encolheu os ombros e Mark notou seus modos.

— O que houve?

"A linha 7 do metrô é muito movimentada?" mandou por mensagem.

— A Verde Oliva? Eu acho que sim, é a linha do Park Ttukseom Hangang. Por que?

"JaeBeom-hyung que se encontrar na estação"

— Vai ficar tudo bem, é domingo, com certeza vai ter bastante gente.

JinYoung assentiu.

"Tudo bem"
"Que horas devo estar aí?"

"Às 17h"

JinYoung olhou a hora, ele tinha pelo menos duas horas até às cinco da tarde.

— Quer que eu te leve até lá? — Mark ofereceu. JinYoung negou com um aceno.

"Eu consigo, obrigado" Ele pensou um pouco e depois voltou a digitar. "sobre o outro assunto, vou me sentir melhor se você puder ficar em casa comigo amanhã"

— Eu viria de qualquer forma, você pedindo ou não.

JinYoung só podia agradecer pela amizade de Mark.

— Onde vocês vão?

— Dar um passeio pela praia.

— E por lá não tem um lugar para comprar comida?

— É claro, mas não dá pra fazer um piquenique em um restaurante.

Jackson deu de ombros.

— Você sempre teve ideias estranhas. Então, o que vamos preparar?

— Você faz haemul pajeon melhor que ninguém, você faria para mim, não faria? — JaeBeom abriu um sorriso brilhante para o amigo.

— Me apresentar pro seu namoradinho? Não! Mas me obrigar a cozinhar para seu encontro romântico? Claro que sim... — Jackson foi resmungando, mas enquanto fazia isso, já buscava os ovos na geladeira para preparar a massa das panquecas. — O que você tem para o meu recheio de frutos do mar?

— Camarões e lula, eu já deixei tudo cortado pra você, na vasilha de tampa vermelha, primeira prateleira.

— Já vi... — Jackson continuou fuçando atrás de outros ingredientes. — O que você vai preparar?

— Mandu frito, de carne de porco e broto de feijão — respondeu orgulhosamente. — Mas já estão prontos. Comprei yaksik também, mais fácil do que fazer e eu não sei se ele gosta de doces...

— Era mais fácil ter perguntado.

— Provavelmente, mas esqueci e já comprei.

— Então, basicamente, só precisa das panquecas.

— Uhum.

Jackson já estava bem melhor de humor, especialmente considerando que fazia uma semana desde que Yixing tinha entrado em contato consigo e se retratado um pouco, marcando um encontro, que eles ainda não tinham tido, mas pelo menos estava marcado e Jackson teria sua curiosidade sanada. Desde então ele tinha deixado aquela fase amarga de lado e voltado a ser o rapaz brincalhão que JaeBeom e Bambam amavam.

Respirando fundo, apertando a barra da camisa, JinYoung obrigou-se a entrar no metrô. Entre a maioria dos transportes, o metrô era o mais reconfortante, porque não tinha trânsito, a maior adversidade que ele podia encontrar era ser empurrado, mas sentir as outras pessoas também o confortava um pouco. Mesmo assim, não era exatamente fácil enfrentar o medo.

Como dito por Mark, a linha Verde Oliva estava cheia de pessoas, assim, JinYoung precisou ficar em pé, segurando em uma das barras, com várias pessoas ao seu redor. Ele queria muito fechar os olhos e só abri-los quando estivesse em sua estação. Mesmo cheio, no entanto, era um ambiente tranquilo, algumas pessoas focadas em seus próprios celulares, mas como era uma linha que levava a um ponto turístico, também tinha muitos casais e famílias. JinYoung tentou se concentrar nas pessoas, deixando que o tempo passasse até finalmente estar na estação do Parque.

Ele saiu do metrô com tanto alívio que parecia que estava saindo de um campo minado. JinYoung olhou para os lados, mas a estação estava lotada de gente, tanto das pessoas que tinham acabado de sair do metrô, quanto daquelas que estavam correndo para pegar o transporte. Ele caminhou um pouco até a parede mais próxima e se encostou nela, esperando que a estação esvaziasse um pouco com as pessoas subindo as escadas para o térreo onde podiam seguir para o Parque. Aos poucos, a estação foi esvaziando, JinYoung pegou o celular para ver as horas e mandar uma mensagem para JaeBeom, avisando que já tinha chegado, também para Mark, para não o deixar preocupado consigo.

— Aqui está você! — JinYoung levantou o rosto, avistando JaeBeom que se aproximava com um sorriso animado. JinYoung sorriu de volta, acenando. Lim estava com uma mochila pendurada em um ombro e no outro ombro a caixa de um violão.

"Eu já ia avisar", digitou, reparando que JaeBeom já estava com o celular em mãos e o seu chat aberto. "Estou curioso, vamos passear pelo Park Ttukseom Hangang?"

— Hm, não, na verdade não. — JinYoung franziu o cenho. — Bom, você logo vai saber, vamos andando rápido ou perderemos a hora.

JinYoung não poderia estar mais curioso, então acenou com concordância e os dois seguiram para a escadaria. Como era final da tarde, havia menos pessoas do que JinYoung esperava, apesar do Parque ser bem iluminado, as famílias já começavam a encerrar seus passeios. JaeBeom, no entanto, foi guiando-os pelo calçadão, em um silêncio bastante confortável, como JinYoung normalmente gostava.

Eles não precisaram muito para finalmente chegarem na areia ao redor do rio Han, o que surpreendeu um pouco JinYoung. O rio Han sempre foi muito famoso, muitas áreas de passeio ficavam ao redor, as pessoas gostavam de observá-lo da ponte do rio Han, ou à distância em um dos Parques que ficavam por perto, ele próprio nunca tinha chegado a ir para a área da praia.

— Vamos fazer um piquenique à beira rio — JaeBeom explicou.

JinYoung sorriu, mordiscando o lábio inferior levemente, esse era, definitivamente, um encontro romântico, JaeBeom nem precisava dizer. Eles ainda não tinham falado nada sobre um relacionamento, tinham acordado que por enquanto só iriam se conhecer, embora ambos também tenham deixado claro os sentimentos que começavam a nascer em cada um.

Andaram um pouco mais pela areia deserta, não era incomum que não se visse ninguém mais além deles, os rios e praias na Coreia não eram comumente frequentados durante a primavera, outono e inverno, além da população ser encorajada a visitar apenas durante o verão, todos os serviços, incluindo salva-vidas, não funcionam de setembro a junho, quando o verão se iniciava. Entrar no rio como banhista era proibido, embora fosse permitido pescaria em áreas designadas, passeios de lancha e caiaques. Nenhum dos dois tinha a intenção também, devido ao frio que fazia.

Eles encontraram um lugar em uma distância considerável da margem do rio, onde não se molhariam. JaeBeom colocou a mochila no chão e tirou de dentro um lençol, os dois estenderam juntos na areia e depois JaeBeom tirou duas lamparinas de acampamento para iluminar o ambiente, já que faltava pouco para começar a escurecer e por ali não tinha nenhuma iluminação por perto.

— Eu espero que você goste do que eu trouxe, meu amigo Jackson me ajudou a preparar. — JaeBeom comentou, depois que eles sentaram no lençol e ele começou a retirar as vasilhas. JinYoung esperou calmamente que ele terminasse, para então pegar o celular e digitar:

"Não se preocupe com isso?" Se Jin fosse ser bem sincero, ele nem estava pensando em comida, embora quando JaeBeom abriu as tampas das vasilhas, os cheiros atraentes das comidas tenham lhe feito salivar. "Aliás, quem não gosta de haemul pajeon?"

— E o de Jackson é surreal de tão delicioso! — respondeu, após ler a mensagem.

"Você vai nos apresentar um dia? Eu poderia agradecer pessoalmente".

— Sabe que ele me cobrou isso novamente também? Eu vou apresentar vocês, agora ele está bem melhor sobre o assunto de almas gêmeas, então acho que vocês vão gostar de se conhecerem.

"Tenho certeza que sim".

JaeBeom tinha mencionado o amigo, especialmente porque precisava compartilhar com alguém a "coincidência" de que pouco tempo depois de Jackson e sua alma gêmea fazerem o primeiro contato, Yixing estava indo para a Coreia por causa do lançamento do seu primeiro álbum. Ele preferiu não contar a BamBam, pois sabia que o tailandês era péssimo guardando segredos, assim, foi mais seguro contar a JinYoung.

"Fiquei surpreso com o convite de última hora".

— No geral, meus horários estão cada vez mais apertados, mas me surgiu uma folga e eu tenho um bom motivo.

"Tem algo a ver com esse lugar em específico?"

— Hm, não exatamente, mas eu gosto muito daqui. E chegamos no horário perfeito. — Ele indicou com a cabeça o sol se pondo.

Era incrivelmente lindo, o céu tinha uma leve cobertura de nuvens, mas o sol ainda conseguia jogar uma luz alaranjada que ao tocar na massa de água, refletia uma mistura de laranja e amarelo, e como a água refletia tanto o céu como o brilho do sol, eles podiam vislumbrar um reflexo alaranjado e dourado. JinYoung suspendeu a respiração quando, após admirar a paisagem, virou na direção de Lim e o brilho do sol também tocava a tez dele, refletindo um brilho ainda mais belo.

"É realmente lindo!" e ele não precisava dizer se estava falando da paisagem ou do rapaz sentado ao seu lado.

— Também te chamei aqui por mais um motivo — falou enquanto tirava o violão da caixa. — As gravações das músicas do meu álbum vão começar, então eu preciso alertar você de que nos próximos dias eu precisarei repetir muitas e muitas vezes até finalizar tudo, isso pode ser um pouco perturbador.

JinYoung riu suavemente, assentindo.

"Eu já estava esperando por isso, hyung".

— Mas tem essa música em especial... Eu escolhi ela para ser a música title do álbum, o nome é Sunset With You... dessa vez eu gostaria de fazer diferente, queria cantar ela pra você de verdade, aqui, onde eu a escrevi.

JinYoung sentia o coração acelerado mesmo antes de ouvir a música, ele assentiu em concordância e esperou. JaeBeom dedilhou as cordas do violão e soltou um riso baixo, sem graça, era a primeira vez que ele se sentia tímido tocando e olha que ele já passou muito momentos vergonhosos, como sua primeira audição para a empresa que treinou por quatro anos, foi tudo meio desastroso, mas essa é uma história para outra hora.

Criando coragem, o dedilhado tornou-se mais consistente e logo uma melodia doce e suave podia ser identificada.

"No meu tempo livre
Eu viajo com você
A luz do Sol quente
Brilha sobre nós
Na areia
Escrevemos nossos nomes
Preenchendo o coração
Um do outro
No momento em que o Sol se põe
Me prometa a eternidade
Sim"

JaeBeom cantou a primeira parte da música olhando para o trabalho de suas mãos nas cordas, mas então ele finalmente olhou para JinYoung. Park o encarava fixamente, os olhos brilhantes com o resplendor do brilho fraco do sol.

"Oh, oh
Eu só vejo o pôr do Sol com você
Oh, oh
Eu só vejo o pôr do Sol com você"

JinYoung sorriu, com a letra da canção que fazia todo o sentido. Ele também via o pôr do sol em JaeBeom, não apenas agora, nesse momento, de forma literal. Mas, desde que JaeBeom entrou em sua vida, ele era aquela fresta de luz, toda a esperança que restava antes de toda a escuridão no peito de JinYoung se apossar do seu ser. Ele era a promessa de que assim como o sol ia, também voltava no dia seguinte.

"Com você o dia todo
Conversamos sobre isso e aquilo
No meio da conversa
Eu posso sentir o amor em seus olhos"

Essa música, diferente das outras que ele escreveu em um curto período de tempo e foi fazendo ajustes junto dos produtores da gravadora, ele começou a escrever essa depois do segundo encontro com JinYoung na biblioteca, quando eles começaram a conversar desde coisas bobas até algumas preocupações mais reais e profundas. Eles ainda tinham muito caminho pela frente, mas JaeBeom, como sempre tinha sido desde o início, fazia questão de deixar seus sentimentos fluírem através de suas letras.

"No papel
Coloque nossa história
Hoje, nossas memórias
Estão sob o luar e a galáxia
Sonhando um com o outro
Sim"

JaeBeom tinha experimentado todo tipo de emoções quando cantava para JinYoung, desde a primeira música que escreveu para sua alma gêmea antes mesmo de saber quem ele era, ele sentiu ansiedade, alegria, euforia, expectativa; mas também, em outras músicas, ele experimentou frustração, tristeza, irritação; cada música era sincera e provavelmente nem todas elas entrariam naquela coletânea de músicas, mas essa, ele derramava todo o seu coração nela.

"Oh, oh
Eu só vejo o pôr do Sol com você
Oh, oh
Eu só vejo o pôr do Sol com você
Oh, oh
Eu só vejo o pôr do Sol com você
Oh, oh
Eu só vejo o pôr do Sol com você"

Sem que pudesse controlar, os olhos de JinYoung estavam marejados. O sol tinha se posto de uma vez, muito longe, ofuscado pelos prédios que estavam além do rio, apenas as lamparinas podiam iluminá-los e o brilho nos olhos de Park podia ser visto. Ele suspirou e até o seu suspiro soou tremido. JaeBeom tocava as últimas notas da melodia, mas seus olhos nunca mais se desviaram do de JinYoung.

Ouvir JaeBeom ao vivo era totalmente diferente de ouvi-lo em sua cabeça; Ouvi-lo ali, com o toque do violão, era lindo, encantador, fazia parecer que ele estava diante de um artista, com a voz mais bela do mundo e cantando diretamente para ele; por outro lado, ouvi-lo em sua cabeça era algo mais íntimo, algo só seu, algo que ninguém mais poderia ter além dele. Pela primeira vez, em cinco anos, ele quis dizer algo.

"É a música mais linda que já ouvi", escreveu, no entanto.

JaeBeom deixou o violão na caixa quando o celular o notificou da mensagem, ele sorriu timidamente ao ler.

— Que bom que você gostou, é sua, afinal.

"É um presente lindo e mais do que eu mereço, sinceramente."

— Ninguém precisa ser merecedor de um presente, só precisa aceitá-lo.

"Obrigado", ele encolheu os ombros, tinha tanto mais a dizer, queria que JaeBeom realmente soubesse como ele se sentia, JaeBeom era muito bom se expressando através de suas músicas, mas JinYoung, por outro lado, não sabia como fazer o mesmo.

— Bom, vamos comer? — JaeBeom ofereceu, pegando seus jeotgarak para se servir.

JinYoung deixou de lado os sentimentos que borbulhavam e assentiu, começando a se servir também. Ele escreveu mensagens elogiando as comidas, dando ênfase em "esse é realmente o melhor haemul pajeon que já comi na vida", e JaeBeom fez uma pequena demonstração de ciúmes perguntando se ele tinha gostado mais do haemul pajeon ou do mandu, o que era muito evidente qual deveria ser a resposta correta, e JinYoung foi habilidoso ao escrever "o mandu dá de dez a zero em qualquer comida que eu faça", o que era verdade, mas não o comprometia em mentir.

A noite foi chegando junto com um vento gelado, a desculpa perfeita para lentamente, sem demonstrar muita pretensão, os dois fossem se aproximando um do outro, até que estivessem com os braços encostados um no outro e isso parecia estranhamente tão íntimo e tão certo. Parecia um pouco bobo para JinYoung que os dois agissem como adolescentes, mas quando se é jovem e nunca se permitiu viver paixões adolescentes, você experimenta todas as mesmas coisas e não é fácil fugir de um clichê.

"Obrigado pelo convite, hyung, eu amei sua música e amei assistir o pôr do sol com você", escreveu.

— Eu queria estar aqui com você. — JaeBeom segurou a mão dele e os olhos de JinYoung encararam aquele aperto e os dedos entrelaçados tão perfeitamente. Ele sorriu, virando o rosto na direção de JaeBeom.

As palavras se formaram em sua mente, mas não desceram para sua garganta, fazia tantos anos que JinYoung nada dizia, que lhe pareceu que ele não sabia mais fazer isso. Ele ergueu a outra mão, na altura do rosto de JaeBeom, tocando carinhosamente a bochecha do rapaz. Ele queria perguntar, saber se poderia. Mas seus olhos falaram por si ao encarar com tanto desejo os lábios do outro e JaeBeom não precisou de palavras para entender.

Pareceu uma eternidade enquanto os rostos se aproximavam, a respiração quente de JaeBeom tocou o seu rosto, misturado ao vento frio da praia, e isso pareceu atraí-lo ainda mais. Quando sentiu os lábios de Lim contra os seus, fechou os olhos e permitiu a si mesmo submergir naquela sensação. Sensação de borboletas no estômago, sensação de mãos suando frio, sensação de que nada jamais foi tão certo quanto esse momento.

Era fantástico e real ao mesmo tempo. Os lábios de ambos se tocavam com expectativa, sentindo a maciez, ao mesmo tempo que a inexperiência de ambos os privou de tornar o contato ainda mais profundo. Então quando se separaram, seus olhos voltaram a se conectar e se comunicar de uma forma única. JaeBeom realmente deveria ser sua alma gêmea, porque o entendia sem que precisasse dizer alguma coisa. JinYoung sorriu e abaixou a cabeça, encostando a testa no ombro de JaeBeom, tentando esconder o quão bobo e apaixonado ele estava.

Quando JinYoung fechou a porta da sala de sua casa, ainda se sentia flutuando nas nuvens, a volta para casa não pareceu tão aterrorizante, enquanto o metrô fazia o seu trabalho, ele ainda estava pensando no calor do abraço de Lim e na textura dos lábios que ele tocou uma única vez.

Mas, quando ele olhou para sala, e o vazio lhe atingiu, ele acordou para a realidade.

— JinYoung-Ah? — A enfermeira surgiu, pelo corredor que dava aos quartos. Ele acenou para ela que aproveitou para dar uma olhada em seu relogio de pulso. — Pontual como sempre. Bem, ela já está tomada banho e já jantou, daqui a pouco deve dormir. — Ela se aproximou dele, era uma mulher pequena, mas sua expressão sempre transmitia conforto. Deu uma leve batidinha no ombro dele. — Acho que agora nos despedimos de verdade.

Não era da natureza coreana que em seus modos eles demonstrassem afeto com toques físico, o toque em seu ombro significava muito, ele sabia e apreciava. Pegando o celular, ele rapidamente digitou:

"Obrigado por tudo, enfermeira-nim, e me desculpe também".

— Você não tem pelo que se desculpar comigo, criança. Mas escute, JinYoung-Ah... — Os olhos dela refletiram a preocupação que ela sentia por ele. — Você não deve ficar preso a essa casa sozinho, não deve mesmo, criança. Você é jovem e não está morto, precisa viver.

Metade dos problemas de JinYoung era justamente o fato de estar vivo e não achar que o merecia. Ele ficou tenso ouvindo as palavras dela e recuou, mas ela segurou em seu ombro.

— Não seja cabeça dura. Eu sei que algo tem acontecido com você e seja lá o que for, tem lhe feito bem. Mas eu sei que pode lhe causar medo e que você pode achar que não merece, mas está errado, você merece sim.

Ele permaneceu quieto e ela sabia que seria assim. Com nada mais a acrescentar, a enfermeira pegou sua bolsa e partiu.

— Você tá radiante que está cegando os meus olhos.

— Estou mesmo feliz, não posso negar.

— Então me conta os detalhes de ontem.

— Hm, eu precisaria de mais tempo e eu já estou quase atrasado... de novo.

Enquanto falava, conferia as partituras e se o seu caderno de composição estava na mochila. A segunda-feira tinha chegado trazendo muitas emoções, tanto pelas lembranças da noite anterior, quanto porque ele iria gravar a música title do seu álbum e depois disso começariam as preparações para o conceito. Essa parte criativa era totalmente nova e ele se sentia ansioso para sentar com a equipe, falar de cenários, figurinos e a publicidade que usariam.

— Então teremos muitas coisas para conversar quando você voltar, porque eu vou me encontrar com Yixing hoje.

JaeBeom parou e ergueu o olhar, surpreso com a notícia, mas logo um sorriso apareceu em seu rosto.

— Sério? Então finalmente vão se conhecer... Que horas vão se encontrar? Quer... Companhia?

— Eu acho que você vai estar muito ocupado pra isso, e de qualquer forma, ele é uma figura pública, a menos que tenha mentido sobre isso, não deve ser um perigo, eu o denunciaria para o primeiro jornal que encontrasse. — JaeBeom riu, ele sabia que Jackson realmente faria isso, se precisasse. — E vou encontrá-lo em um local de minha escolha, nós iremos jantar juntos.

— Tudo bem, eu... hm... desejo boa sorte.

— Não sei se é de sorte que eu preciso, mas obrigado.

— Eu vou indo e você... — Inclinou a cabeça, olhando pro amigo. — Tem a chave, é só trancar quando sair... Aproveite e abra um sachê pra Nora, por favor. — Se brincasse, Jackson vivia mais ali do que no próprio apartamento, se não fosse minúsculo, com um único quarto, seria mais vantajoso pagar um único aluguel e morarem juntos.

— Seja bem-vinda, senhora Choi, ao seu novo lar. — Uma enfermeira sorridente os recepcionou.

JinYoung olhou ao redor, o quarto todo pintado em um tom de bege, móveis claros, a janela tinha uma cortina branca, mas estava aberta e entrava bastante claridade e vento; não tinha muita coisa também, uma cama de solteiro alta, um guarda-roupa de duas portas, uma mesa ao lado da cama da mesma altura, uma poltrona que provavelmente deveria servir para deixá-la sentada perto da janela se quisessem deixá-la ver o jardim e mais duas cadeiras, provavelmente para as visitas. Não era um lugar ruim, mas JinYoung ainda se sentia um monstro deixando-a ali.

Além da enfermeira, um enfermeiro também estava ali, ele se aproximou para pegá-la no colo, mas JinYoung fez um movimento com as mãos negando e ele próprio a pegou, não sabia quando faria isso de novo, então pelo menos dessa vez, ele queria se dispor. Levou-a da cadeira de rodas até a cama e a arrumou de modo que achou que ela estava confortável. Ao se afastar, seus olhos se conectaram com os dela e ele não pôde conter as lágrimas. Queria dizer que sentia muito, que a amava e que estava fazendo isso porque acreditava que era o melhor para ela, pessoas profissionais fariam um trabalho melhor do que ele que mal conseguia olhá-la nos olhos sem todos os arrependimentos possíveis.

— Ela ficará bem, senhor Park — disse a enfermeira, provavelmente já acostumada com cenas emotivas. Ele assentiu. — Bem, vocês podem ficar mais um tempo, como já tinha sido dito anteriormente, podem vir visitar a qualquer dia da semana, mas existe um horário para as visitas... — A enfermeira continuou falando, mas JinYoung deixou de dar atenção.

Ele segurou a mão de sua mãe, nenhum dos dois podia dizer qualquer coisa e mesmo se pudessem, nada parecia ser digno de ser dito. Jin se inclinou e beijou a testa da sua mãe. Era a decisão certa, ele precisava se convencer disso.

— JinYoung, eu te levo para casa — disse Choi, em partes porque de fato precisava ir, mas principalmente porque queria amenizar a dor do garoto e o conhecendo como conhecia, ele sabia que pelo tempo que ficasse, JinYoung continuaria se martirizando.

E o caminho do asilo até a casa foi longo e silencioso, frio e doloroso. Quando o carro parou na frente, JinYoung não abriu a porta, ao invés disso, ele pegou o caderno e caneta e escreveu:

"Obrigado".

Choi olhou e seus olhos não puderam deixar de encher de lágrimas também.

— Ficará tudo bem... — Ele levou a mão até a cabeça de JinYoung, acariciando a cabeça dele em um gesto de conforto. — Ficará tudo bem... você pode me procurar se precisar.

Ele se arrependia, se arrependia por ter sido um adolescente tão difícil, por ter resistido tanto a JaeWon e sua mãe terem um relacionamento, por ser apegado a um pai que foi embora e nunca mais voltou. Tudo poderia ter sido diferente se ele tivesse os aceitado, se ele não tivesse dificultado tanto para todos. Essa culpa o seguia e o seguiria talvez por toda a vida.

Quando ele saiu do carro e olhou para a porta de casa, ele sentiu como se precisasse atravessar um chão em brasa. Encheu o peito de ar e seguiu, embora sua vontade fosse a de sentar na calçada e esperar até que não pudesse mais, já que não havia nada a ser esperado, dali em diante era apenas ele. Finalmente, abrindo a porta, para encontrar uma sala vazia em uma casa vazia, foi surpreendido, no entanto, por uma bola de pêlos branca, pulando, com a língua para fora e o rabo abanando.

— Bem-vindo de volta para casa — disse Mark, sentado no sofá, o esperando, com um sorriso pequeno, mas verdadeiro.

Ele não precisou dizer mais nada, apenas abriu os braços como um convite e JinYoung sequer considerou recusar, flutuando até o amigo e se permitindo ser acolhido em um abraço mais que necessário, porque, felizmente, Mark não era coreano e sabia como um abraço podia fazer toda a diferença.

"Com você o dia todo
Conversamos sobre isso e aquilo
No meio da conversa
Eu posso sentir o amor em seus olhos
No papel
Coloque nossa história
Hoje, nossas memórias
Estão sob o luar e a galáxia
Sonhando um com o outro
Sim"

JinYoung sabia que nesse momento JaeBeom deveria estar gravando sua música, mas dentro do seu coração, ele também sabia que aquelas palavras diziam o que ele precisava ouvir.

Ele só precisava ficar sozinho se escolhesse ficar.


Olá meus amores!!
Uma pequena notinha de agradecimento aqui...
Essa história está sendo postada em outras duas plataformas também, onde majoritariamente quem acompanha são fãs do GOT7 e/ou de JJ Project. Porém, quando passei a postar aqui por causa do D&T, eu não estava com grandes expectativas e um pouco temerosa se pessoas que não conhecia os artistas iriam curtir a história. Mas tem sido uma surpresa positiva ler os comentários de vocês e ver que muitos têm apreciado de verdade.
Obrigado!! Fico realmente muito feliz com o carinho que estão tendo com a história.
No mais, escutem as músicas, modéstia a parte, pois sou fã, elas são muito boas.

Até o próximo!!

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