Eclipse - Pt1

— Park JinYoung, como ousa roubar Milo de mim?

Parecendo emburrado, mas não estando de fato, Mark se jogou em cima do amigo, deitado na cama. JinYoung soltou um muxoxo que parecia uma reclamação, mas se moveu um pouco mais para o lado, dando espaço para que o americano se aconchegasse ali. Milo levantou a cabeça, estava deitado na cama de JinYoung, aos seus pés. Ele sempre dormiu com Mark, eram grudados um no outro, mas desde que Mark praticamente se mudou para a casa do amigo, Milo sempre acabava no quarto de JinYoung, lhe fazendo companhia.

— Se você quer ficar com ele, vai ter que ficar comigo também, acho um absurdo você dar mais carinho a ele do que a mim.

JinYoung riu, achando inacreditável que o amigo fosse ter ciúmes do próprio cachorro. O coreano levou uma mão ao cabelo do amigo e começou a fazer um cafuné, carinho esse que sabia que o americano não resistia e era engraçado como cachorro e dono gostavam igualmente do mesmo agrado, JinYoung pensou.

Fazia uma semana desde a partida da mãe de JinYoung para o asilo, Mark não o deixou desde então, ainda que eles tenham conversado de antemão e Jin inicialmente tenha recusado a proposta do amigo, no fim das contas, a presença de Mark fazia completa diferença, ele e Milo eram ótimas companhias.

— Vocês vão sair amanhã? — Mark olhou para o rosto do amigo, acompanhando enquanto JinYoung assentiu de forma simplória, mas vencendo sobre a preguiça, ele pegou o celular para digitar:

"Vou conhecer o melhor amigo dele também, levarei os dois ao abrigo"

— Eu gostaria de acompanhar, mas infelizmente, tem essa campanha e eu não posso desmarcar.

"Tudo bem, YuGyeom disse que vai aparecer por lá com um dos amigos dele"

— Sabe o que vocês poderiam fazer? Depois do almoço, podiam ir ao estúdio de fotografia.

"Mas JaeBeom ainda vai estar comigo"

— Não tem problema, podem ir todos vocês, meu empresário consegue facilmente.

"YuGyeom vai adorar isso, ele vive se gabando para os amigos"

"Outro dia, ele foi na biblioteca estudar"

"Balela"

"Passou a maior parte do tempo mostrando suas fotos para os amigos"

Mark riu, o ego estava realmente nas alturas, mas em geral, ele não era o tipo que ficava se gabando por ser modelo.

— Ele parece que fica mais empolgado do que eu.

"Ah, ele com certeza fica"

JinYoung riu também, ele foi alvo muitas vezes de YuGyeom, tendo que ouvi-lo sem parar sobre como "Mark-hyung é tão lindo" ou "Mark-hyung é tão estiloso", às vezes "eu tenho tanta sorte de ser alma gêmea do homem mais lindo do mundo" e junto com isso, ele sempre apontava as provas com sites e revistas que tinham elegido o modelo Mark Tuan como "O Sorriso Mais Bonito Da Coreia" e estava em uma ótima posição em "Artistas Mais Bonitos Da Coreia".

— Falando nisso, eu assisti ao MV de JaeBeom e li no Naver¹ que ele está tendo números impressionantes.

JinYoung sorriu, assentindo, ele também tinha pesquisado, na verdade, ele praticamente conferiu de hora em hora para ver o aumento de visualizações e ouvintes das músicas, sem contar que, embora ele já tivesse ouvido todas as músicas do álbum com antecedência, ele não cansava de continuar ouvindo nas plataformas digitais.

"Estou feliz por ele, ele estava incrível!"

Francamente, agora ele podia entender como YuGyeom se sentia orgulhoso e altivo por ter uma alma gêmea como Mark, JinYoung sentia o mesmo por JaeBeom.

— Isso que estou detectando em você é um sinal de nervosismo? — Apontou, com um sorriso de lado, levemente debochado.

— Claro que não, alguma vez na vida você já me viu nervoso? Não responda! — emendou rapidamente, quando viu o outro abrindo a boca, pronto para listar todas as vezes que o viu nervoso.

— Sinceramente, você não tem motivo para ficar nervoso, você vai gostar dele e ele vai gostar de você.

— Como eu disse, não estou nervoso, JaeBeom.

É claro que Jackson Wang, aspirante a advogado corporativo, não ficaria nervoso em conhecer um simples bibliotecário. É claro... mas talvez... bem, talvez ele estivesse um pouco inseguro, especialmente porque ele não foi um grande apoiador no início de tudo. O problema nunca foi JinYoung em si e ele esperava ter a oportunidade de dizer isso ao Park, só precisava que o outro não tivesse nenhuma aversão a si e lhe desse a chance de se explicar.

— Nós já estamos chegando?

— Uhum, não fica muito mais longe.

— Então, é assim que ele costuma passar o final de semana?

— Quase todos.

— Acho que você tem razão, ninguém que passa o final de semana em abrigos de animais pode ser tão ruim.

— Sim, ele vai adorar você também. — JaeBeom riu, apertando a bochecha do chinês, antes de ter sua mão retirada com um tapa não muito forte.

— O que você está insinuando?

— Chegamos! — JaeBeom falou, ainda mais animado, fugindo da resposta, embora soubesse que Jackson continuaria emburrado mais um tempinho. — E aquele ali, é ele.

JinYoung já estava na calçada, vestia uma calça jeans simples e um suéter de lã rosa, na concepção de JaeBeom, ele estava muito fofo. Para JinYoung, no entanto, o que via era muito diferente, Lim estava usando calças mais folgadas em um verde escuro, sua camisa era branca sem nenhum desenho, mas por cima estava uma segunda camisa de botões toda aberta, dando um ar casual, seu cabelo dessa vez estava preso em um pequeno coque, foi a primeira vez que JinYoung viu o rosto dele sem as mechas caindo pela face e achou que isso também combinava muito com ele.

Um aceno e um sorriso largo foi a recepção inicial, sendo social e gentil com Jackson, mas em seguida muito mais caloroso com JaeBeom ao abraçá-lo, sorrindo com timidez quando o cantor aproveitou a oportunidade para deixar um beijo em sua bochecha.

— JinYoung, esse é meu amigo, Jackson. Jack, esse é JinYoung.

— O famoso JinYoung, finalmente... — Jackson sorriu amistoso. — É bom finalmente conhecê-lo.

JinYoung tirou do bolso seu caderninho preto, Jackson já estava informado de que JinYoung não falava e que sempre escrevia fosse no caderninho ou em seu celular.

"Fico feliz em conhecê-lo, JaeBeom-hyung falou muito bem de você"

Jackson lançou um olhar rápido ao amigo, ele não esperava que JaeBeom sequer fosse falar de si, dada sua resistência sobre ele conhecer JinYoung.

— Eu diria para não acreditar em tudo que ele fala sobre mim, mas já que ele falou bem, então é tudo verdade — falou, com bom humor, muito bem recebido por JinYoung que riu silenciosamente, mas parecia sincero.

"Ele também me avisou que você poderia ser um tanto convencido", escreveu.

— Se eu me lembro bem, eu usei a palavra "muito" antes do convencido — JaeBeom respondeu e Jackson lhe deu um leve empurrão com o ombro.

— Mas então, estamos aqui para cuidar dos animais? — Jackson perguntou e Park assentiu.

"JaeBeom disse que você também ama animais, e eu não podia faltar hoje, então uni o útil ao agradável e por hoje, vocês vão ser voluntários comigo".

Jackson leu e assentiu, não pôde deixar de pensar que conversar com alguém dessa maneira era muito pouco eficiente, silenciosamente, decidiu que, se JinYoung iria fazer parte da vida de JaeBeom e, consequentemente, da dele, o mínimo que poderia fazer era aprender a língua de sinais para se comunicar mais confortavelmente e de maneira mais rápida, talvez isso também deixasse JinYoung mais confortável, afinal, esse era o mundo dele.

Eles seguiram para dentro, então pelo portão de grade que separava a pequena chácara e caminharam o curto caminho de terra até a casa central, onde já dava para ouvir as risadas de YuGyeom e JeongGuk, seu melhor amigo, eles conversavam animadamente com TaeYeon.

— Estou tentando convencer minha mãe a me deixar adotar um cachorro, mas ela vive dizendo que não sou responsável suficiente para isso — JeongGuk reclamou.

— Sua mãe tem razão quando fala que é uma grande responsabilidade e não dá pra fugir disso, mas existem responsabilidades que só aprendemos na prática — respondeu a veterinária. — Ah, JinYoung-ssi, seus outros amigos chegaram? Quem são esses? — A mulher sorriu, respectivamente.

— JaeBeom e Jackson, é um prazer conhecê-la — JaeBeom respondeu.

— Sou TaeYeon, trabalho aqui como veterinária voluntária e supervisora. Hoje o senhor Oh estava bastante indisposto, então seremos apenas nós. Vocês têm perguntas antes de começarmos? — TaeYeon era falante e empolgante, sorria de uma forma que transmitia entusiasmo a todos e era fácil se deixar levar.

Todos eles se entreolharam, as perguntas eram muitas, na verdade, tirando JinYoung, nenhum deles tinha trabalhado em algum abrigo de animais antes.

— Bem, sim, eu tenho — Jackson foi o primeiro a se pronunciar: — Nunca fiz esse tipo de trabalho voluntário, não sei por onde começa e nem por onde termina.

— Claro, claro, isso depende muito do dia, mas em geral nós limpamos os locais, fazemos algumas atividades com os animais, alimentamos, e hoje é dia de banho para alguns deles, vai ser um dia bem cheio.

JinYoung riu, ele tinha certeza que a noona estava aproveitando o fato de ter mais pessoas ali para trabalhar e acrescentando tarefas que na verdade levaria bastante tempo para apenas eles dois executarem.

— Eu quero trabalhar com os cachorros! — YuGyeom pediu rapidamente, como se fosse uma competição.

— Ah, eu também! — JeongGuk se prontificou.

— Se estamos escolhendo, eu gostaria de cuidar dos gatos — JaeBeom acrescentou.

— Hm, eu fico em qualquer área... O que estiver precisando. — Jackson deu de ombros.

JinYoung e TaeYeon trocaram um olhar e JinYoung riu antes mesmo de TaeYeon responder:

— Ótimo, tenho o lugar perfeito para você.

Não parecia trabalho para YuGyeom e JeongGuk, pelo contrário, os dois estavam se divertindo muito. Não muito no início quando tiveram que limpar o canil, tirar os excrementos e lavar o chão, mas depois, quando foram dar banho nos cachorros, os dois passaram a se divertir, fazendo muita lambança e brincando muito com os cães.

Por outro lado, Jackson não teve exatamente a mesma sorte. Muito esperta, TaeYeon o designou para os adoráveis coelhos, adoráveis nos primeiros segundos, pensou o chinês, pois depois ele só conseguia pensar em como aqueles animais lindos e fofos podiam ser, na verdade, uns diabretes. Os coelhos em sua maioria eram filhotes ainda, sendo bastante enérgicos, correndo para todos os lados, impedindo-o de conseguir pegá-los, além disso, Jackson jurou nunca ter sentido um cheiro tão forte e desagradavel quanto o da urina daquela espécie de animal. O trabalho não estava sendo nada fácil.

JaeBeom e JinYoung, no entanto, pareciam bem com os gatos. Lim já estava acostumado, ele contou a JinYoung que além de Nora, ele tinha outros quatro gatos e acrescentou que não via a hora de levá-los para seu apartamento, que só não tinha feito isso porque desde a sua mudança, não conseguiu retornar para sua cidade para visitar os pais e buscar os animais. A vida como artista estava muito corrida e, até então, ele também não tinha o melhor salário de todos, isso poderia mudar se sua música fizesse sucesso, mas ele ainda não podia contar com isso.

JinYoung trabalhava e reservava um tempo para admirar como JaeBeom era amável e cuidadoso com os felinos, ele podia ouvir alguns resmungos vindo da ala ao lado onde Jackson parecia estar dando o sangue para pegar um coelho fujão, mas JaeBeom era dócil e não reclamou nenhuma vez pelo cheiro forte que ficava no gatil, embora não estivesse tão sujo porque os animais não ficavam presos o dia inteiro.

— Você tem algum animal de estimação, JinYoung-Ah? — JaeBeom perguntou, embora achasse que a resposta era negativa, caso contrário o assunto teria surgido.

"Não, mas eu gosto muito do Bam Ee, um pastor alemão que vive aqui no abrigo", escreveu.

— Um pastor alemão? Hm, eu não poderia imaginar, mas acho que combina com você. Você nunca pensou em adotá-lo?

JinYoung franziu o cenho e negou com um aceno.

"Eu não poderia, minha mãe é alérgica. E agora, Mark está ficando lá em casa e ele tem o Milo, não sei se daria conta de dois cachorros, mal me acostumei com um".

— Ter um animal é realmente uma grande responsabilidade, você sabe disso, já que trabalha aqui, de certa forma, todos eles o têm.

JinYoung sorriu, nunca tinha pensado dessa forma, mas era bem verdade, o fato dele não levar um daqueles animais para casa não era por falta de amor, pelo contrário, ele estava comprometido o suficiente para não levá-los sabendo que não conseguia dar conta sozinho, mas trabalhando ali, fazia o que podia para que todos aqueles animais fossem cuidados e tratados.

"Venha um minutinho comigo" escreveu e depois segurou na mão de JaeBeom, o levando para fora na área aberta do abrigo.

A maioria dos animais estavam soltos nesse horário, alguns descansando no sol da manhã, outros brincando, alguns apenas andando por aí. JinYoung o levou, enfim, ao grande pastor alemão, que reconheceu seu cheiro bem antes deles se aproximarem e pulou nele, as patas frontais batendo na barriga de Jin, mas como não havia lama dessa vez, deixou apenas um leve rastro de poeira que sairia facilmente.

— Ah, isso me lembra o dia que nos conhecemos, esse foi o espertinho que te deixou coberto de lama?

JinYoung riu e assentiu.

— Você é Bam Ee? — perguntou, o cachorro muito esperto virou o rosto em sua direção, o focinho se mexendo e denunciando que ele estava o farejando. — Será que ele me deixa aproximar? — JinYoung assentiu.

Cautelosamente, JaeBeom estendeu a mão na direção do cachorro, o deixando sentir seu cheiro e se acostumar, decidindo se permitiria ou não a aproximação. O cachorro se afastou de JinYoung, voltando a ficar nas quatro patas e por espontaneidade se aproximou de Lim.

— Ah, você é um bom garoto! — disse, feliz, fazendo carinho na cabeça do animal que recebeu com alegria também, abanando o rabo. — Está explicado porque JinYoung gosta de você.

JaeBeom ergueu o olhar para JinYoung, que sorria assistindo a interação. Aos poucos eles descobriam coisas um sobre o outro e era muito bom, JinYoung estava permitindo que ele adentrasse em sua vida, mas ele ainda queria conhecer as partes mais sombrias daquele rapaz.

Chinyoungie, um dia você vai me contar o que aconteceu? — perguntou, incapaz de se conter. O sorriso de JinYoung foi sumindo e ele se sentiu na defensiva, pegando seu caderninho para escrever:

"Contar sobre o quê, hyung?" JaeBeom tentou não demonstrar frustração ao ler.

— O que aconteceu para você parar de falar.

Ele tinha certeza que JinYoung iria tentar fugir do assunto mais uma vez, embora ele tenha sido bem direto na pergunta. Jae só queria ler um sim ou um não, ele podia esperar o quanto fosse necessário, mas queria ter certeza de que JinYoung um dia confiaria a ele sua história.

O rapaz mais novo, no entanto, se aproximou e segurou a mão dele, interrompendo o carinho que Bam Ee recebia e o conduziu para que o seguisse mais uma vez. Na chácara tinha um local de descanso, muito usado nas visitações que não aconteciam mais com tanta frequência, mas o lugar continuava bem cuidado. Jin o puxou para que sentassem em um tronco de árvore que servia justamente para essa finalidade, e então pegou o caderno para começar a escrever, deixando que JaeBeom ao seu lado tivesse visão suficiente para que acompanhasse a leitura.

"Eu tinha quinze anos e era muito imaturo."

Ele fez uma pausa, deixando JaeBeom ler e tomando uns segundos pra pensar como continuar:

"Meu pai nos deixou um ano antes, mas naquela época, tentando me proteger, minha mãe não quis me contar. E então, de repente ela estava se casando novamente, eu não conseguia aceitar. Sabe, meus pais eram almas gêmeas, na minha cabeça naquela idade, eles deveriam apenas permanecer juntos mesmo se as coisas estivessem difíceis."

Outra pausa, dessa vez mais longa, JaeBeom se perguntou se ele estava desistindo de contar a história, então o encorajou com o toque em seu ombro.

— Está tudo bem, JinYoungie, no seu tempo. — O outro acenou e continuou:

"Estávamos no carro, ela estava me levando para a escola e dirigindo um pouco apressada demais porque estávamos atrasados. Discutimos do momento que saímos de casa até o ocorrido, eu estava sendo um idiota, falando sobre como ela trocou o meu pai pelo senhor Choi e ela se distraiu por um momento. Não era uma rua muito movimentada e era cedo, ninguém estava esperando que alguém alcoolizado fosse atravessar a rua."

JaeBeom só podia imaginar, mas JinYoung podia reviver aquela cena quantas vezes fosse possível. Na primeira vez tudo pareceu muito rápido para ele assimilar, mas quanto mais ele lembrava, melhor podia ver cada coisa em câmera lenta. Ele lembrava do rosto da sua mãe, decepcionado e incrédulo com o que ele tinha falado. Ele lembrava do arrependimento imediato. Lembrava que ela virou o rosto para a estrada para não encará-lo. Lembrava da exclamação de surpresa dela e de sentir o carro ser jogado com força para um lado. Lembrava de sentir seu corpo bater na porta ao seu lado, depois o solavanco junto com o impacto que o fez avançar para frente. E depois mais nada.

"O homem não foi atingido, ele fez o teste e o nível de álcool estava muito alto, mas ele não foi nem fichado. Minha mãe precisou de cirurgia, ficou em coma por cinco dias, mas quando acordou, ela não era mais ela."

JinYoung escusou-se a falar sobre seus próprios ferimentos, para si, isso não era tão relevante quanto o que aconteceu com a mãe.

— Eu sinto muito, JinYoung, de verdade.

"Meu pai sequer veio me visitar, ele mandou uma mensagem dois dias depois do acontecido e como eu respondi que estava bem, isso foi o suficiente para ele." Ele fez uma pausa, mas em seguida completou, findando a história: "Não falei mais desde então."

JaeBeom não respondeu de imediato, ele podia compreender agora, que o que impedia JinYoung de falar era a culpa das últimas coisas que disse a mãe, coisas que ele não podia retirar, porque palavras, depois de ditas, não podem se extinguir, elas perpetuam para sempre. Mas JaeBeom não era o tipo de pessoa que achava que culpas deviam ser carregadas por toda a vida.

— Eu realmente sinto muito, JinYoung, por sua mãe, por seu ex-padrasto, mas principalmente por você. — Ele segurou a mão de JinYoung que apoiava o caderno, fazendo assim o mais novo soltar o objeto. Mas Park não o olhou de volta, limitou-se apenas a ouvir. — Todas as pessoas dizem bobagens das quais se arrependem, ainda mais na fase da adolescência. Mas esse acidente não aconteceu porque você falou alguma bobagem, você sabe disso, não sabe?

Demorou alguns segundos antes que JinYoung meneasse positivamente com a cabeça. Ele ouviu isso muitas vezes dos psicólogos e psiquiatras pelos quais ele foi obrigado a passar. Nenhum deles o convenceu realmente disso.

— E sabe que ela te perdoaria pelo que disse, certo? — JinYoung o olhou com o cenho franzido. — Ela é sua mãe, JinYoung, ela é a pessoa que mais te ama nesse mundo, eu tenho certeza que ela iria lhe perdoar mesmo se estivesse tão magoada quanto você imagina que ela estava.

JinYoung negou com a cabeça e voltou a escrever, um pouco furiosamente demais, JaeBeom podia dizer pela marca da caneta pressionada com força no papel.

"Ninguém pode afirmar que ela me perdoaria ou que ela me perdoou pelo que eu disse. E agora, vivendo como ela vive, como poderia me perdoar? Eu roubei tudo dela, os anos de vida, o casamento dela, todos os sonhos e coisas que ela gostaria de realizar, eu destruí tudo!!!"

JaeBeom percebeu rapidamente que a conversa estava desandando, JinYoung começava a respirar pesado e em seguida estava quase hiperventilando. Lim nunca tinha visto alguém passando por tamanha ansiedade e ele não sabia ao certo o que fazer.

— Tudo bem, JinYoung-Ah, respire, respire fundo e solte o ar lentamente pela boca. — Sua outra mão foi para as costas do mais novo e ele começou uma massagem calma para cima e para baixo.

JinYoung desviou o olhar, mas seguiu aquela recomendação e aos poucos tudo foi melhorando.

— Me desculpe, acho que fui um pouco longe demais. Eu realmente não consigo mensurar como você se sente em relação a tudo isso. Obrigado por ter confiado em mim. — Ele beijou o dorso da mão de JinYoung, uma demonstração de cuidado e que estava ali para lhe dar força também.


Capítulo dividido em 2 por causa das regras do D&T, recomendo que leiam o próximo pois é a continuação desse.

Nota de rodapé:

Naaver¹: portal de busca da Coreia do Sul, mais usado que o Google pelos sul-coreanos.

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