Don't Worry

JinYoung acordou cedo na manhã seguinte a que teve a surpresa de ouvir pela primeira vez a canção de sua alma gêmea, um certo rapaz que chamava-se JaeBeom. No entanto, ao despertar perguntou-se se tudo não passara de um sonho, pois para si, apesar da possibilidade alta, ainda parecia bastante impossível.

6 de janeiro de 2021

Ouvi pela primeira vez minha alma gêmea, talvez seja aniversário dele...

Ele tem uma voz muito bela.

Park corou ao ler as anotações que fizera no caderninho preto na noite anterior, pois mesmo sendo uma completa verdade, sentiu-se tímido em ter sido tão sincero e, ainda mais, por ter gostado tanto daquela voz. Começou a escrever:

O nome dele é Lim JaeBeom.

Era realmente aniversário dele de vinte anos.

Ele é alguns meses mais velho do que eu apenas, será que gostaria de ser chamado de hyung?

A música que ele cantou era desconhecida pra mim, não deve ser famosa, mas era muito bonita...

Talvez eu devesse pesquisar sobre ele na internet??

Deixando o caderno preto de lado, JinYoung pegou o celular que estava carregando na escrivaninha, pesquisando o nome "Lim JaeBeom", no entanto, não fora uma pesquisa nada eficiente já que surgiram vários perfis diferentes de várias pessoas com o mesmo nome. Frustrado, Jin deixou o celular de lado e foi tomar um banho para iniciar de verdade o seu dia.

Atrasado, era assim que JaeBeom se encontrava; tinha uma reunião marcada em uma produtora de música, mas o alarme que usava havia descarregado as pilhas durante a noite, assim, quando amanheceu, não tocou para lhe acordar. Correndo pelas ruas movimentadas do centro de Seul, após ter saído do metrô, Jae chegava muito em cima da hora.

― Bom dia! ― exclamou entre ofegos para a recepcionista que lhe olhava com ar de riso. ― Tenho uma reunião com Park JaeBeom, para às... oito horas... ― Olhou em seu relógio no pulso, que marcava sete e cinquenta e sete.

― O senhor é? ― A recepcionista digitava algo no teclado do computador, conferindo a informação.

― Lim JaeBeom ― respondeu rapidamente, ganhando um leve risinho da moça.

― Sim, estou vendo aqui... Tome, para passar por aquele portão tem que colocar o cartão de visitante. A sala dele é no último andar, a última sala.

― Obrigado, obrigado!

― Um conselho: respira fundo no elevador e se acalma, o senhor Park não é nenhum monstro, não vai deixar de lhe ouvir por um atraso de poucos minutos. ― Lhe sorrindo com simplicidade, a mulher conseguiu que JaeBeom relaxasse um pouco.

― Certo, obrigado. ― Fazendo uma leve reverência, deu as costas para continuar o seu caminho.

Aquele horário em que JinYoung havia acordado, passava muito pouco das cinco horas da manhã, depois do banho e de se arrumar para o trabalho, saíra do quarto muito sorrateiro, sem fazer nenhum barulho que acordasse quem mais morava naquela casa. Atravessou o cômodo da sala, sem mesmo tomar o café da manhã, mesmo estando mais de uma hora adiantado para abrir a biblioteca municipal em que trabalhava, pois realmente não queria ver ninguém durante as primeiras horas do dia.

No entanto, enquanto ainda grava a chave na porta, seus ouvidos muito bem treinados, captaram passos pelo corredor que levava da sala aos quartos, e sabia que mesmo apressando-se, não conseguiria ir embora antes de ser detido.

― Pontual como sempre, JinYoung... Não vai tomar café antes de sair?

Respirando profundamente, o rapaz virou-se para o homem que escorava-se na parede, cruzando os braços enquanto lhe encarava. Não era uma postura imponente e o semblante cansado e sonolento ainda dava uma impressão calma para o momento. Park pegou do bolso seu caderno de anotações e, sabendo que deveria respondê-lo, pelo mínimo de educação que fosse, escreveu: "Preciso passar em um lugar, não terei tempo de comer".

Estendeu o caderno na direção do homem, que desfez a postura e caminhou até ele, forçando um pouco as vistas para ver a letra que era maior do que as linhas do papel, sendo proposital, uma vez que tornara-se um costume. Ao ler, no entanto, o homem negou com a cabeça, soltando um som de 'tsc' rejeitando aquela desculpa esfarrapada.

― Bobagem, eu sei que não é verdade. Venha, vou preparar algo para você enquanto conversamos.

JinYoung recolheu para perto de si o caderno, mas antes que escrevesse qualquer desculpa, o homem já se encaminhava para a cozinha. Sem outra alternativa, seguiu o mais velho e sentou-se o observando começar a pegar algumas coisas para fazer a comida.

― Fui no seu quarto ontem a noite, mas você já estava dormindo ― o homem começou a falar como quem não queria nada, JinYoung odiava enrolação, preferia logo acabar com isso. ― Fico preocupado com você, JinYoung, já fazem cinco anos...

Rapidamente tratou de escrever: "Não quero falar sobre isso".

― Você precisa ver sua mãe ― disse diretamente.

JinYoung soltou um muxoxo quase inaudível, levantando-se. Era aquele olhar de Choi que tanto lhe sufocava. Dor, tinha muita dor e, para Park, também havia algum tipo de acusação. Ele não precisava de ninguém lhe acusando, ele mesmo já culpava-se por tudo. Voltou a escrever no caderno:

"Ela está melhor sem me ver, eu preciso ir, senhor Choi"

― JinYoung, não pode viver assim para sempre. Você não é mais um adolescente, é um homem! Já chega disso tudo. ― As palavras soaram duras e irritadas, fora mais forte que Choi.

Jin, entretanto, sentia-se pequeno demais e ameaçado. Não era como se o homem fosse lhe agredir, mas tais palavras lhe machucavam demais, e JinYoung não estava preparado. Nunca estaria. Sem escrever mais nada, recolheu o caderno e a caneta, partindo da cozinha quase que correndo, deixando que o padrasto falasse sozinho enquanto lhe chamava.

Seus passos eram apressados pela calçada, o coração estava disparado e não era pela quase correria, mas sim pelos pensamentos conturbados que carregava. Poderiam passar-se muitos mais anos e JinYoung continuaria a sentir-se dessa forma.

A biblioteca não ficava muito longe e trabalhava ali desde os dezesseis anos, por isso, ele mesmo tinha uma cópia da chave e não se importava nenhum pouco em chegar antes do horário e começar a limpar e organizar os livros nas prateleiras; os livros traziam uma espécie de conforto para Park, talvez porque eles conseguiam expressar tudo que era necessário para contar uma história, não precisava ser dito, era apenas escrito e lido e não precisava ser audível, mas todos tinham a chance de conhecer e contar uma história.

JaeBeom respirou fundo antes de abrir a porta da sala do CEO, estava nervoso, mas também confiante e feliz, pois confiava no próprio potencial e imaginava que nada muito ruim procederia dessa reunião. Sentado, não atrás de uma mesa de negócios, com pilhas de papéis a serem lidas ou um computador com documentos, Park JaeBeom mexia em um aparelho de mixagem.

— Bom dia... atrapalho? — perguntou Lim, com certa hesitação. O olhar do homem mais velho voltou-se para si e gentilmente sorriu para o recém chegado.

— De forma alguma. Def, não é? — Levantou-se, dando-lhe as boas vindas com um aperto de mão, conforme o visitante havia se aproximado.

— Isso mesmo.

— Sente-se, fique a vontade. — Apontando para as cadeiras da sala, Park voltou a sentar-se e Lim fez o mesmo. — Eu vi sua audição de canto e dança, você se saiu muito bem, foi trainee em uma grande empresa, não foi?

— Sim, passei quatro anos treinando lá.

— E por que desistiu de permanecer lá? Não achou que tinha expectativas?

— Pelo contrário! — JaeBeom encheu-se de confiança, pois acreditava no próprio potencial. — Eu tinha uma proposta de me juntar à formação de um novo grupo.

— Então por que não aceitou?

— Acho que eu estava lá porque eu queria aprender, entende? Além disso, acredito que me encaixo na carreira solo e, eu quero ser Lim JaeBeom, quero ser defsoul também, eu quero ser um artista que as pessoas possam ouvir as minhas músicas, é por isso que eu estou aqui.

— Acho que estou entendendo... Suas músicas são realmente boas, eu vi que você tem muito potencial, JaeBeom, ainda tem o que aprender e pôr em prática, mas eu entendo que o que você precisa é de uma oportunidade.

— É exatamente o que penso. Eu queria uma empresa que trabalhasse comigo, que me cobre, mas que me dê liberdade criativa.

— Bem, não estamos montando nenhum grupo por agora, então você está com sorte, podemos começar a pensar em um novo solista para a AOMG.

JaeBeom passou uns segundo processando aquelas palavras, começando a entender que de fato estava recebendo a proposta de tornar-se um solista. O sorriso em seu rosto brilhou, seus olhos praticamente fecharam tamanha a felicidade.

— Eu... obrigado pela oportunidade.

— Agora começa o trabalho duro, JaeBeom — advertiu Park, recebendo do outro um riso animado.

— Ah, mas eu não esperava nada menos que isso. Eu quero começar o quanto antes.

— Gosto da sua empolgação, mas antes de começarmos o trabalho, temos toda uma papelada para ver. Precisamos esclarecer um contrato, você sabe.

O livro que estava em sua mão caiu no chão com o susto que JinYoung levou ao, de repente, ouvir a voz de JaeBeom cantando. Parou tudo que estava fazendo, pouco se importando com o olhar que recebera do estudante que estava sentado alguns metros de distância de si, afinal o barulho do livro havia chamado atenção.

Concentrando-se na letra da música, Park sentiu as bochechas começarem a esquentar quando percebeu que a letra não era nada romântica, mas tratava-se de uma música com apelo sexual. O rapaz olhou para os lados como se as pessoas ao seu redor pudessem ouvir aquilo, agindo como se fosse cúmplice de um crime.

"Por que ele está cantando isso? Quem ele pensa que eu sou?"

O pensamento não deixou de surgir. Se na noite passada Lim sabia o que estava fazendo, devia saber agora também, não passavam nem mesmo das dez horas da manhã e estava fazendo esse tipo de declarações para alguém que JaeBeom imaginava ser mais novo? De alguma forma JinYoung sentiu-se ofendido, mesmo que parte sua também conseguisse apreciar a voz melodiosa.

Não passou de uns dois trechos cantados e Jin se perguntou se isso deveria significar algo, se deveria levar a sério ou o outro estava brincando, cantando aleatoriamente, pois poderia acontecer, já que era um recém aniversariante, aliás, ainda era o aniversário da sua alma gêmea. Esquecendo-se brevemente do constrangimento da música, JinYoung sentiu a falta de poder presentear Lim. Óbvio, não se conheciam e ele sequer saberia o que deveria dar de presente, mas era uma pessoa prestativa e o sentimento era automático, já tinha presenteado outras pessoas que não conhecia direito, apenas porque era de sua personalidade.

— JinYoung-Ssi, não vai apanhar o livro do chão? — ouviu a voz da colega de trabalho e despertou de seus pensamentos.

Abaixou e pegou o objeto, um livro que algum estudante havia deixado em uma das mesas de estudo, era sobre pedagogia, algo que não despertava nenhum interesse no Park. Colocou de volta na prateleira correta e voltou para a mesa em que normalmente ficava passando o tempo. A biblioteca era municipal e por isso tinham muitos alunos do fundamental que iam estudar, ou alunos de faculdade para fazer pesquisas; ainda assim era um ambiente tranquilo.

JinYoung amava ler, a biblioteca era um lugar bastante óbvio e confortável, já que tinha de tudo para alimentar o seu vício, entretanto, não era por isso que trabalhava ali. Muitos anos em silêncio lhe fizera aprender a apreciar isso como ninguém. Jin não gostava de pessoas conversando consigo ou entre si, mesmo que por vezes fosse bastante curioso e quisesse saber mais sobre as pessoas ao seu redor, ele não falava, portanto não era assim tão interessante tantas pessoas falando o tempo inteiro perto de si. Aprendera, no entanto, a ser um exímio ouvinte.

— Você parece distraído, JinYoung-Ssi... — ouviu novamente a voz da garota que trabalhava consigo, Shin Ye-Eun. — Aconteceu algo?

"Não é nada", escreveu no bloco de anotações, virando para Ye. A garota sorriu negando com a cabeça, trabalhavam juntos a mais de um ano e mesmo que não fossem como melhores amigos, conheciam um pouco um do outro e sabiam identificar certas coisas.

— Você sabe que pode compartilhar comigo. — JinYoung assentiu, mas ainda assim permaneceu recluso.

Não sabia como falar sobre o que acontecera na noite anterior e mesmo que quisesse falar com alguém, não seria a com colega de trabalho, estimava muito a garota, mas sempre teve a impressão de que ela tinha um interesse por si e não queria magoá-la.

A manhã passou voando e pela tarde JaeBeom já se sentia como parte da AOMG, pois haviam acertado o contrato e Park havia lhe apresentado algumas pessoas com quem trabalharia, até mesmo tinha tido a oportunidade de cantar um trecho de uma música do próprio Jay Park, enquanto testava alguns equipamentos, quase como se fosse a sua primeira vez em uma produtora. Tudo estava insanamente saindo de forma perfeita.

Enquanto cantava, sequer lhe ocorreu que outra pessoa estava lhe ouvindo, pois a excitação de experimentar os equipamentos havia lhe tomado por completo e, ainda por cima, Jay Park e Dominic estavam ali lhe ouvindo e JaeBeom sinceramente era fã dos dois.

O dia foi, nas melhores palavras que poderia escolher: simplesmente incrível. Quando chegou em casa, no final da tarde, sentiu-se com a sensação de realização. As coisas estavam começando a andar na direção certa, às vezes JaeBeom perguntava-se se não estava investindo tempo de vida em algo que nunca realizaria, mas agora tudo parecia estar andando nos trilhos.

Tinha assinado um contrato com a AOMG e a empresa começaria o processo de lhe preparar para um debut. Claro, haviam muitas etapas: decidir o estilo musical que iria dar o pontapé em sua carreira; nem mesmo um nome artístico havia imaginado, pois na antiga empresa lhe chamavam de JB, mas ele não gostava tanto assim então até isso ainda precisava ser decidido.

De repente, Lim sentiu uma imensa vontade de compartilhar as realizações do seu dia com alguém. Poderia ligar para os seus pais, o que provavelmente faria, bem como ligar para o melhor amigo, no entanto, não era exatamente para eles que desejava contar em primeira mão o que tinha lhe acontecido. Havia alguém, cujo ele sequer conhecia, que fez com que um sorriso bobinho dançasse em seus lábios, e as bochechas marcadas ficassem rosadas ao imaginar que tal pessoa ficaria feliz por si.

Andou até sua mesa de trabalho e lá, procurou entre muitos papéis, a partitura de uma música que havia escrito a pouco tempo. Ao encontrar, recolheu o papel e seu violão, sentando-se no sofá da minúscula sala e pôs-se a tocar. Sabia muito bem que o som ambiente de violão ou qualquer instrumento não seria ouvido por sua alma gêmea, mas isso lhe dava um pouco mais de confiança.

Yeah yeah yeah

Não não não não não não não não

JinYoung parou o copo na metade do caminho de levá-lo aos lábios, de repente, o chocolate quente pareceu pouquíssimo interessante se comparado a voz doce em sua cabeça. Era apenas uma introdução de alguma música, mas ele ficou completamente atento para saber que tipo de canção ouviria dessa vez.

— Jiny, está tudo bem? — Ouviu a voz do melhor amigo em contraste com a de sua alma gêmea, mas não soube como reagir.

É um pouco cedo demais agora

Eu ainda tenho muitas coisas a dizer, baby

História sobre apenas nós dois, o som mais profundo

Está enchendo esse espaço

"Mark, tem acontecido uma coisa", escreveu no papel, mostrando ao amigo que logo lhe olhou com preocupação evidente.

— É a sua mãe? Não me diga que ela... — JinYoung o interrompeu negando veementemente com a cabeça.

As mãos tremeram enquanto escrevia, o coração batendo descompassado e agora não sabia se era pela voz de JaeBeom ou o assunto que quase fora trazido à tona. Mostrou o papel ao amigo:

"Não é nada disso, não se preocupe", recolheu o papel apenas para dar continuidade na escrita e posteriormente voltar a virar a página ao outro. "Desde a madrugada de hoje, tenho ouvido minha alma gêmea cantar", desabafou de uma vez.

Mark leu aquelas palavras não em sua mente, mas deixando que o som de sua voz fosse ouvida por JinYoung e isso lhe fez sentir, mais do que nunca, o quanto tudo estava sendo real.

Saiba agora saiba agora

Eu quero ver seu rosto um pouco mais

Sei, sei, sei, sei

Segurando as mãos um do outro

Pare o tempo baby

Mark sorriu, um sorriso que Park conhecia muito bem, era uma mistura de diversão e felicidade genuína. Tuan já passara por isso, era mais velho que JinYoung, tinha vinte e um anos, portanto, ele mesmo já havia cantado para a sua alma gêmea e, ainda fazia isso, com mais frequência do que admitiria.

— Oh, então Park JinYoung finalmente começou a ouvir sua alma gêmea? Como se sente com isso?

Enquanto Mark sorria, Park claramente não parecia compartilhar tal felicidade e Tuan até percebeu isso, o que tinha nos olhos de JinYoung nada mais era que preocupação. Ainda assim, o estrangeiro sabia que com o coreano, para ter alguma boa informação, precisava primeiro comer pelas beiradas.

Não se preocupe ainda

Eu quero ligar para você

Do final das pontas dos dedos até os dedos dos pés

Por um instante, o mais novo se perdeu entre a pergunta do amigo e a canção de sua alma gêmea. Pegou o papel e caneta, pondo-se a escrever:

"Estou assustado!!!!", frisou as exclamações, arrancando uma pequena risada do que lia.

— Você não precisa ficar assustado com isso, quero dizer, ainda não pude ouvir o Yug cantar exclusivamente em minha cabeça, mas ele disse que não foi assim tão assustador.

A alma gêmea de Mark, um coreano chamado Kim YuGyeom, ainda tinha seus dezessete anos. Quando Mark cantou a primeira vez para si o, na época ainda um garoto, ficou bastante excitado e louco para responder a Tuan. Claro que não deu para cantar de volta, mas Mark tratou de cantar seu número de celular e esperou pacientemente que o outro lhe respondesse, o que aconteceu ainda no mesmo dia.

— Vocês já se falaram por mensagem?

JinYoung tratou de escrever enquanto ouvia JaeBeom.

Não se preocupe ainda

Mesmo que o dia esteja brilhante lá fora

Não vamos nos separar por causa de outra garota

Eu ficarei ao seu lado

"Ele não me passou o número dele como você fez com o Gyeom", mostrou o papel.

Jin ainda estava dividido entre responder Mark ou parar absolutamente tudo para focar apenas naquela música. As palavras eram totalmente compreensíveis, mas não a informação contida. Havia algo naquela letra que o deixava totalmente intrigado. Sentia, apenas sentia que aquela letra não era qualquer música, mas algo que o outro realmente estava tentando lhe dizer.

— Oh, entendi... então ele não percebeu que você já pode ouvi-lo?

JinYoung suspirou, deitando a cabeça na mesa. Aliás, os dois amigos estavam em uma cafeteria perto da biblioteca, pois quase todos os dias batiam ponto ali depois do trabalho, se encontrando para um cafezinho e ficarem na companhia um do outro, fossem ou não conversar.

Eu preciso de você mais, eu preciso de você mais

Eu quero você mais

Eu preciso de você mais, eu preciso de você mais

Eu não me canso nunca mais

Diga-me seu sussurro amor em meus ouvidos olhe para mim agora

Park arregalou os olhos ao ouvir aquela parte da música, quase como se sentisse JaeBeom lhe pedindo para que abrisse a boca e falasse qualquer coisa. Sentiu-se imensamente pressionado, mesmo que isso não fosse o que Lim estivesse fazendo. Voltou a escrever para Mark.

"Ele sabe, cantou assim que completou vinte anos. Cantou o nome dele e disse mais algumas coisas, mas não me passou o contato."

— Ele vai fazer isso, mais cedo ou mais tarde, a menos que ele não tenha um celular, nem redes sociais e viva em uma caverna. — Brincou. Estava mais que evidente que JinYoung estava perturbado. — Jiny, o que está acontecendo? Você não deveria estar feliz?

JinYoung levantou a cabeça, olhando pra Mark com súplica, o que preocupou ainda mais Tuan.

"Eu não sei explicar o que estou sentindo, Mark, mas não é bom", escreveu.

Algo em você

Aja como cada um de nós se sente

Você é meu

Honestamente, você também sabe disso

Não há nada para se preocupar mais baby

Porque somos iguais

— Como assim? Acha que ele é uma pessoa ruim?

"Não, pelo contrário."

— Então não entendo, Jiny, o que há de errado?

JinYoung segurou a respiração ouvindo a canção de JaeBeom ao mesmo tempo que se perguntava o que havia de errado.

"Eu sou o que há de errado", escreveu por fim.

— Yah, não diga esse tipo de bobagem! — ralhou Mark, chateado com o que lia.

"Você não entende", suspirou pela quinquagésima vez.

Não se preocupe ainda

Eu quero ligar para você

Do final da ponta dos dedos até os dedos dos pés

"Me sinto sufocando, Mark", mostrou o papel, mas logo recolheu para continuar a escrever: "Ele parece doce, canta coisas que me deixa sem fôlego, é profundo, como se ele fosse um lago do qual eu não sei até onde posso caminhar e onde exatamente posso começar a afundar. É complexo demais para mim", de repente, começava a escrever sem parar, tentando não apenas fazer Mark entender, mas ele próprio.

Mark lia com preocupação, vendo o quanto o outro escrevia exasperado e como de fato ele parecia estar se sufocando com tudo aquilo.

"E ELE NÃO PARA!", escreveu em letras grandes, como se quisesse mostrar seu desespero.

Não se preocupe ainda

Mesmo que o dia esteja brilhante lá fora

Não vamos nos separar por causa de outra garota

Eu ficarei ao seu lado

E parou.

A voz de JaeBeom deixou de ser ouvida e JinYoung arregalou os olhos, olhando para os lados como se Lim estivesse ali e tivesse lido, sentindo-se ofendido e parado. Era, no entanto, apenas o final da música.

— O que foi? — indagou Mark ao ver o leve desespero do amigo.

"Ele parou de cantar", escreveu rapidamente. Mark sorriu pequenino.

— E, mesmo depois de tudo que você escreveu, me parece que no fundo você queria voltar a escutar.

JinYoung olhou-o sem nenhuma expressão, perplexo com a audácia do amigo em lhe dizer algo do tipo. Mas era a mais profunda verdade, Jin sentiu imediatamente a falta daquela voz lhe dizendo aquelas coisas bonitas. Voltou a escrever.

"Eu não consigo entendê-lo", expressou.

— É claro que não, vocês ainda não se conheceram.

"Não sei se quero conhecê-lo", escreveu.

— Isso sim é algo que não dá pra entender. — Cruzou os braços, acomodando-se melhor no assento estofado. — Quer fazer o favor de tentar me explicar?

O coreano parou um tempo, pensando em como responder a isso. Ele próprio não fazia ideia do que estava lhe segurando e lhe impedindo de querer conhecer JaeBeom, para si, era simplesmente muito esquisito ouvir alguém cantando e querer vorazmente conhecê-lo e se entregar de uma vez. Mas seu coração, de alguma forma, reagia assim, batendo mais forte, sentindo a falta da voz que na noite anterior havia lhe embalado em um sono tranquilo.

"É algo tão esquisito, Mark", começou a escrever, tentando organizar os pensamentos. "Quem é ele? Alguém que vale a pena conhecer? E se for uma má pessoa? E se me fizer algum mal? Não posso partir do pressuposto de que só porque é a minha alma gêmea ele é uma boa pessoa. Além disso..." JinYoung parou de escrever e começou a riscar com certa força, tentando cobrir as duas últimas palavras, no entanto, Mark puxou o caderno para si, lendo o conteúdo.

— [...] É uma boa pessoa... além disso... — Tuan murmurava baixinho o que lia, franzindo o cenho ao ler as palavras que o outro tentara esconder. — Além disso — repetiu — além disso o quê, Jin? — O olhou erguendo uma das sobrancelhas, de forma inquisitorial. Devolveu o caderno para que o mais novo lhe respondesse.

"Não é nada", escreveu.

— Tenho certeza que é alguma coisa, não vai passar papinha em mim, desembucha.

Park desviou o olhar para o próprio copo com o chocolate quente e fechou os olhos, lembrando das últimas palavras de JaeBeom na noite passada.

"Ele disse que iria cantar pra mim todos os dias até que eu cantasse de volta para ele... mas Mark, isso nunca vai acontecer", virou o papel para o outro.

Um silêncio estranho permeou entre os dois, Tuan pensava a respeito, tentando encontrar a melhor forma de dizer o que precisava ser dito, mas era realmente difícil, pois sabia que esse era um assunto delicado para Jin. Ainda assim, eram melhores amigos e se ele não tivesse coragem de dizer, ninguém mais o faria.

— Jiny... talvez esteja na hora de começar a falar novamente, não acha? — Automaticamente o coreano lhe olhou com raiva e mágoa.

"Não pedi sua opinião sobre isso", escreveu, querendo ser rude propositalmente. Mark, no entanto, não se sentiu em nada ofendido.

— Não preciso que peça ou não a minha opinião — revidou, revirando os olhos. — Eu estou te falando isso sinceramente, eu sei o quanto é difícil pra você e que um trauma não se resolve do dia para a noite, mas estou lhe dizendo, passou da hora de procurar uma ajuda e tentar destravar isso.

"Eu não vou voltar a falar, se ele quiser me conhecer e ficar comigo, vai ter que se contentar comigo como eu sou", suas palavras ainda eram ácidas, mas só fez com que Mark sorrisse e novamente erguesse uma sobrancelha.

— Então você não tem com o que se preocupar — retrucou em tom de quem tinha razão, deixando Jin estupefato.

"Você é insuportável!!!!", escreveu em letras grandes, grifando 'insuportável' para dar melhor ênfase, porém o outro apenas riu.

Tuan segurou a mão alheia, de forma leve e amiga, mesmo que Park ainda sustentasse a face emburrada.

— Olha, JinYoung, estou sendo sincero agora, eu realmente acho que você falar ou não, não vai interferir no que ele venha poder sentir por você. Você não precisa se privar de conhecer as pessoas simples e unicamente por não falar, isso não te diminui ou qualquer coisa parecida. Acho que você deveria sim dar uma chance de conhecê-lo. Estou falando de trocar mensagens, saber de quem se trata, não para simplesmente encontrá-lo, isso seria loucura total. Lembra como eu conheci o Yug? — JinYoung moveu a cabeça em afirmação. — Pois bem, eu acho que você pode fazer o mesmo que ele, no momento de realmente conhecê-lo, posso acompanhar você, sei que vai se sentir mais seguro.

Quando Mark fez vinte anos, YuGyeom tinha apenas dezesseis, foram conversando por mensagens, mas Tuan achou pouco apropriado a diferença de idades, já que era maior e o outro um adolescente. Portanto, no dia que decidiram realmente marcar para se encontrar, o estadunidense pediu que YuGyeom fosse acompanhado por seus pais ou algum adulto. Foi uma experiência constrangedora, mas totalmente digna e isso só fez com que a afeição da família do Kim crescesse em relação ao estrangeiro. A verdade é que Tuan e YuGyeom não namoravam ainda, mas tinham uma relação muito próxima e quanto mais se conheciam, mais tinham certeza de que o destino estava certo em conectá-los.

"Talvez esteja certo... Eu não sei o que vou fazer, mas vou pensar sobre isso, prometo."

— Eu só quero o melhor pra você e se ele não for uma boa pessoa, daremos um jeito nele. — Piscou com cumplicidade, fazendo Jin rir, mesmo que inaudível. — Agora eu preciso ir para casa, nos vemos amanhã?

"Sim, até amanhã"

Ambos se levantaram, um abraço carinhoso foi trocado entre eles e o mais velho foi até o caixa pagar a própria conta, Park, porém, voltou a sentar, pois não queria voltar para casa tão cedo. Já estava bem acostumado com isso, raramente voltava cedo, costumava ficar ali na cafeteria lendo um livro ou desenhando, as vezes, também ficava andando por aqui ou ali, só para ver o tempo passar, fotografando o que achava belo aos seus olhos, recordações do que via, mas que se não fosse através das imagens, nunca exporia.

Jin acomodou-se melhor no estofado e pegou o caderno de desenho, mesmo que nada muito interessante viesse à sua cabeça. Fechou os olhos e trouxe à memória a voz doce de JaeBeom e a letra da música. Queria desenhar algo que combinasse com isso, mas sentia-se inapto. Arriscou alguns rabiscos, sem ter certeza do que estava criando, no entanto, a voz que secretamente ansiava, fez-se presente em sua cabeça novamente.

"— Sou eu novamente..." — cantou Lim. "— Eu queria muito compartilhar uma coisa com você, por isso agora a pouco comecei a cantar." — Fez-se uma pausa, tal qual serviu para instigar a curiosidade de Park. "— Você provavelmente vai me ouvir cantando mais vezes do que o esperado. Eu estou começando uma carreira como cantor, então me desculpe desde já por talvez ficar insistentemente em sua cabeça."

JinYoung abriu a boca em uma exclamação muda, realmente sendo pego de surpresa com a notícia, sem saber exatamente como deveria reagir a tal. Se o que ele supostamente queria era ficar em silêncio, definitivamente nunca teria isso. Mesmo se não ficassem juntos, sempre ouviria JaeBeom, ou ao menos até a conexão ser desfeita, mas existia uma idade para isso também e obviamente não estavam nada perto.

"— Eu sei que você é mais novo, mas eu gostaria de conversar com você, de te conhecer, então por favor, se você se sentir à vontade, ligue para mim ou me mande uma mensagem..." os números passaram a serem cantados e JinYoung atrapalhou-se todo, mas JaeBeom repetiu-os um par de vezes, só por garantia.

JaeBeom se sentia nervoso, queria muito que sua alma gêmea lhe respondesse, queria poder ouvir a voz da pessoa também, ou ao menos ter algum tipo de contato. Lim era uma pessoa apaixonante. JinYoung, entretanto, apenas fechou o caderno preto, onde havia sim rabiscado o contato do mais velho, se levantou, pagou sua conta e partiu para casa.

Não, ele ainda não tinha confiança para responder Lim JaeBeom.

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