03

Mary Pov's

Nunca foi tão difícil dizer Desculpas a alguém como agora. Estou me sentindo horrível em relação ao tapa que dei em Rafael, mas eu não consigo ir lá e dizer "Oi Rafael, desculpe pelo o tapa eu estava meio alterada".

Minha cabeça está tão cheia de pensamentos, preocupações, tantas coisas.

Observo de longe, todos (menos eu)  tentando planejar uma forma de fuga dessa ilha.
Me levanto e vou até eles com passos lentos, para que os pensamentos se organizassem.

— Vamos procurar algo que nos tire daqui. — David diz.

— Não acho que acharemos algo do tipo aqui. — Camilla opina.

— O que acham de.... — paro quando percebo os olhares espantados, em cima de mim.

— Continue! — Alice grita.

— Ham.... e se procurarmos por um ponto que tenha sinal, acho que tenho alguma carga de bateria. Assim podemos chamar ajuda. — digo um pouco animada com a ideia.

— Faz sentido. — minhas amigas concordam.

— Podemos tentar! — Rafael diz sorrindo. — Mas só dará certo, se fizermos juntos.

— Verdade, é  como dizem. A união faz a força. — Alice diz batendo palmas.

— É... Olha, me desculpem meninos. Por desconfiarem de vocês, somos todos vítimas. Desculpas por gritar com vocês. — Karla diz realmente arrependida.

— É Desculpas — Alice, Camilla e eu falamos juntas.

— Tudo bem, somos culpados. Desculpas também. — Rafael diz passando uma das mãos no pescoço.

Nós aceitamos com sorrisos enormes, isso foi tão aliviante.

— Vamos começar de novo? — Camilla diz estendendo as mãos, e as outras em seguida.

— Vamos! — Eles respondem colocando suas mãos juntas as de Camilla. Me junto a eles.

— Um por todos e todos por um!!! — David grita quando levantamos as mãos para o alto.

Sorrimos e encarando  um ao outro, parecia que finalmente algo ia dar certo. Iríamos sair dessa ilha.

Mas eu ainda tinha que resolver algo.

— Rafael! será que poderíamos conversar? — falo envergonhada.

Ele apenas acena com a cabeça.   Com os olhares tensos em mim, me aproximo dele e digo baixinho.

— Me desculpe pelo o…... pelo o tapa que dei em você. Eu estava com raiva, ainda esse fato de  ainda estarmos  aqui, me deixou alterada. Eu sinto muito..... mas se você não me desculpar eu vou entender.

— Eu perdoo. Eu também não fui muito legal. — Ele diz fitando o chão. — A pesar que eu ainda não entendo.

— Não entende o que? — pergunto curiosa.

— Como você pode ser tão forte? — ele diz com um sorriso bonito.

— Sou bem mais que um rostinho bonito — Fiz uma brincadeira que o mesmo riu.

Pela a primeira vez em três dias nessa ilha, eu sorri de uma forma que não fosse forçado.
Talvez os meninos possam ser melhor do que imaginamos, eles podem ser legal.

(...)

— Vai ser difícil pois estamos aqui a mais dias que vocês e ainda não vimos nada. — Guilherme diz enquanto desvia de galhos no caminho.

Decidimos nos separar em dois grupos. Guilherme, eu, Rafael, Camilla, a procura de sinal.

Alice, Karla, David, Pedro e Lucas, ficaram na praia preparando algo para que possamos comer.

— Eu tenho fé!! — Camilla diz encostando-se em uma árvore. — Será que podemos parar para descansar? Acho que meu tornozelo não está cem por cento.— dá um sorriso amarelo.

— Tudo bem, vamos ver se aqui em cima dessa árvore da sinal. — Guilherme diz olhando para o alto da enorme árvore em que Camilla se encostava.

— Então quem vai subir? — pergunto.

— Dá última vez em que subi em uma árvore não deu muito certo. — Camilla diz fazendo careta.

— Eu vou. — Rafael se oferece.

Entrego meu telefone o único com  bateria. Rafael sobe com habilidade, alcançando os galhos pouco a pouco até que estivesse alto o bastante.

— Uau! Uau! Olha só isso. — Camilla diz olhando maliciosa para o garoto na árvore. Encaro sorrindo minha amiga. — Oh santo Deus, pra que tudo isso? Que homem incrível!!

— Gostou? — Guilherme perguntou sorrindo logo recebendo um olhar interrogativo das duas garotas.

— Se gostei? Há eu estou quase cega com tamanha beleza. — Ela suspira.

— É, mas se eu fosse você ficaria longe dele. —  Guilherme diz enquanto observa o amigo.

— Por que diz isso? Não acho que ele vai me matar ou algo do tipo, por ter dito o quanto ele é bonito.

— Ele não, mais a namorada dele com certeza. Larissa é muito ciumenta quando quer. — O loiro diz de uma maneira divertida arrancando um sorriso meu. Então rimos os dois.

— Qual é a graça? Ele tem namorada. Porque os únicos homens que parecem prestar, já tem alguém? — Camilla diz frustrada sentando em um toco velho.

— Eu estou aqui, livre. — Guilherme se gaba.

Eu e Camilla rimos.

— Qual a graça? — pergunta o loiro.

— Você não presta e acha que presta. — minha amiga diz em meio aos risos.

— Ha, Ha, Ha, você ainda não me conhece calanga. — Guilherme diz com um sorriso de lado, arrancando uma careta da minha amiga pelo apelido.

— Eu já disse pra parar de me chamar assim, seu idiota!

Nessa situação eu apenas ria, esses doi viviam nos "tapas", não suportavam um ao outro. Era até engraçado vê-los brigando.

Somos interrompidos quando Rafael aparece descendo da árvore.

— Você conseguiu? — pergunto esperançosa.

— Não  — ele diz cabisbaixo. — Mas eu vi algo mais a frente que parece um abrigo ou uma casa, não sei ao certo.— Fala com um certo ânimo.

— Será que tem mais alguém aqui? —  a cacheada se aproxima.

— Acho que sim. Então, o que vocês acham?

— Devemos ir até lá.

Guilherme diz certo. Será mesmo que temos chance de sair dessa ilha? Será que essas pessoas podem nos ajudar?

(...)

Alice Pov's

— Eu quero água de verdade. Não aguento mais água de coco. — Karla diz quando se senta ao meu lado, na rodinha de pessoas.

— Eu tambèm, mas é  o que temos. — David diz.

— Também não aguento mais comer goiaba e manga, queria tanto uma pizza agora. — A mesma faz um bico enquanto prende seus fios lisos.

— Vamos pescar?! — Lucas diz como se tivesse a melhor ideia de todas. E realmente parecia ser.

— Isso é demais!! Podemos assar. — David diz colocando -se de pé.

— Tá,  mais como vamos pescar sem a vara, linha e anzol? — pergunto desanimada.

— Improviso bebê.— David sorrir colocando as mãos na cintura.

— Vamos logo, vamos fazer uma surpresa quando os outros chegarem. — Karla diz animada.

Fomos até as nossas malas e fizemos uma "rede", depois os meninos pegaram algo que fosse de comer.

— Qual o plano? — Pedro pergunta pela a primeira vez.

— Vamos jogar a rede na parte rasa e jogamos os farelos de biscoitos para atrair os peixes. E depois é só os fiar. — Lucas diz orgulhoso.

— Acho que isso não vai dar certo. — Pedro diz com convicção.

— Mas nem tentamos. Vamos! — Karla diz.

— Podem ir, vou apenas observar de longe.

—  Você é  quem sabe, na hora de comer não reclame. — Digo seguindo David e Lucas.

Antes de sair, Karla mostra a língua a Pedro que arqueia as sobrancelhas, e logo me seguindo também.
Quando chegamos ao mar, colocamos em prática o plano de pesca.

3 minutos, nada.

5 minutos, nada

10 minutos, nada.

Acontece que Pedro estava certo. Não deu certo o plano, nem se quer um peixe.

Voltamos para a praia com os rostos decepcionados por não termos sucesso no plano, encontrando um sorriso irritante nos lábios de Pedro.

— Eu disse que não daria certo. — se gaba.

— Sim, por isso você é um idiota é mais idiota ainda por não ter sequer ajudado. — Digo furiosa.

— Você podia ter ajudado. — David diz desanimado sentando na areia.

— Vocês não pediram minha ajuda.

— O quê?  Você queria… — sou interrompida.

— Até parece, você pelo menos tem um plano melhor? — Karla pergunta.

— Tenho.

— Desembucha logo cara! — David exclama arrancando um sorriso de ambos presentes na praia.

— Ok, poderíamos fazer uma espécie de rede com cipós. — Pedro gesticula com as mãos enquanto fala.

— Tipo os que o Tarzan usa nos filmes? — David pergunta animado.                                 

— Sim, esses tipos de cipó e firme é até usado como cordas para os escoteiros. — Pedro diz encarando a floresta.

— Não é um plano tão ruim. — Lucas diz.

— Melhor que o seu! — Karla diz. — E aí, vamos começar? — diz logo após dá um salto animada.

— Tá vamos pegar o cipós depois montamos as redes. Peguem os cipós verdes, eles são mais firmes. — Pedro diz seguindo rumo às árvores. — Vocês não vem?

Logo nos damos contas de que ainda estávamos no mesmo lugar. Seguimos o garoto para a floresta que não parece segura, mas estamos com tanta fome que o perigo maior eme é o monstro em minha barriga.

Observo Lucas mas a frente, penso que essa é a primeira vez que eu o vi falar desde que chegamos a ilha. Ele parece ser tão na dele, tão calado.

Acho que essa ilha está o moldando aos poucos, e com o tempo estará moldando a todos nós.

(...)

Mary Pov's

Estávamos a poucos passos da pequena casinha improvisada com palhas e troncos finos de árvores velhas.

— Será que tem alguém aqui? Camilla sussurra ao nos aproximarmos da casa.

— Vamos bater pra ver. — Rafael diz.

Guilherme toma a frente dando três batucadas na porta, mas ninguém atendeu. Então decidimos entrar a porta estava aberta, a casa era ajeitada e simples, tudo era improvisado.

— Será uma casa abandonada? — pergunto.

— Não,  está tudo muito organizado e limpo. — Rafael diz enquanto observa cada detalhe da casa.

— Vamos voltar e contar aos outros.

Digo certa. É  estranho, mais talvez essa seja nossa única alternativa para sair dessa ilha.

(...)

— PERA AÍ VAI QUEIMAR O NEGÓCIO — escutamos a voz da Karla gritando com alguém. Mas eles não estavam brigando e sim rindo um dos outros — AI PAREM DE RIR, VAMOS FICAR SEM COMIDA E A CULPA VAI SER DE VOCÊS.

— Ei calma tá vendo já tiramos da fogueira. — David diz com as mãos no braços da menor e mostrando para ela a fogueira.

Olhei para o que eles estavam assando e era um peixe e tinha, vamos dizer, que uma rede com outros como este. Nós aproximamos enquanto eles riam da cara da Karla, e a mesma acena para nós assim que nos aproximamos.

— Nossa nem demorou assim — Alice diz num tom de surpresa.

— Isso significa que conseguiram? — David os encara.

— Não — Rafael disse meio decepcionado.

— Mas achamos alguma coisa — Camilla diz mas animada, conseguindo mais atenção ainda deles.

— Tem uma casinha a alguns quilômetros daqui — digo apontando para a floresta.

— Pera significa que não estamos sozinhos nessa ilha? — Karla se anima.

— Calma ai pequena — Guilherme diz rindo da mesma que faz uma careta pelo jeito que ele a chamou. — Não vimos ninguém, mas a casa tava muito organizada para ser abandonada.

— Pera vocês tão dizendo que nesse fim de mundo pode ter mas alguém além de nós? — Lucas perguntou surpreso.

— Não... Na verdade sim — Rafael responde.

— Que doido — David solta um suspiro.

— Tá mas agora a pergunta é quem são eles e podemos confiar neles? — Pedro pergunta chamando atenção dos demais.

— Ele fala — a Camilla diz baixo, mas para si, mesmo assim escutei e comecei a rir.

Ponho a mão no rosto para disfarçar o que dá certo por um tempo.

— Calma gente — Karla levanta — se tem alguém nessa ilha eles devem saber como sair dela!

— Verdade — todos concordam.

— Então o que estamos esperando? — Karla diz com um olhar esperançoso. — Temos que ir até lá para ver quem são e como saímos dessa merda de ilha.

— Karla tem razão — Alice diz e todos concordam.

— Mas calma gente — Camilla anda até perto da fogueira onde o peixe está assando e senta lá — Olha vamos comer deixa a gente descansar um pouco e depois vamos.

Todos encaram a cacheada que pega um pedaço do peixe e come, fazendo uma cara de surpresa e fechando os olhos.

— Cara isso tá muito bom — ela diz com os olhos brilhando.

— Sempre trago tempero vai que têm algum imprevisto — Lucas diz e todos vão até lá para pegar um pedaço.

— Cara realmente isso tá muito bom — Guilherme diz com cara de surpreso — Porque escondeu seu dom culinário todos esses anos.

— Não escondi.

— Fala sério Lucas dividimos o mesmo apartamento — David reclama — e eu que sempre tenho que cozinhar ou na verdade sua irmã.

— Mano vamos nos casar? — Camilla brinca.

— Não você não me ama — ele diz rindo dela.

— Amo sim, claro que amo — ela fingiu uma cara de choro.

— Ai não vem com essa — ele aponta rindo — Você está só me iludindo.

— Como você ousa duvidar do meu amor… — ela morde mas um pedaço do peixe — hum… por… esse peixe. — todos começam a rir da cara dela — Eu tenho uma coisa para confessar para você — ela diz chegando perto do mesmo que segura o riso.

— Fale

— Eu gosto de você — ela diz olhando para o peixe.

— A legal também gosto de você — ele diz para ela sem graça, não esperava essas “declaração”. Ela o encarou confusa.

— Não estava falando com você, tava falando com o peixe — ela diz e o mesmo balança a cabeça — Mas obrigada pela declaração repentina. — ela se sentando de novo no mesmo lugar. — A e eu quero um divórcio.

— Mas nós não casamos — ele diz rindo.

— Verdade então estou livre para casar com esse peixe — ela diz fazendo todos rirem que nem hienas.

— Amiga você tá parecendo bêbado — Alice diz.

— Você sabe que eu sou bem pior bebada Alice — ela dá uma piscada para a mesma.

O que é verdade, Camilla bêbada e uma coisa que ninguém deveria presenciar, por isso quase não deixamos ela beber e elas também não me deixam beber porque dizem que eu chego a quase no mesmo ponto, até parece.

— Vocês não são normais — David diz rindo e jogando o corpo para trás com a mão na barriga

— Vai dizer que você é? — Karla aponta para ele. — Há vai você parece ser o que mas é provável de fazer besteira.

— Se isso era para ser uma ofensa acredite ele vai aceitar como elogio — Rafael diz rindo.

— Exatamente — David fala colocando um pedaço de peixe na boca. — Porque se você diz isso significa que prestou atenção em mim — o mesmo se gaba. E eu dei uma risada.

— Na verdade não é por isso — Lucas finalmente se senta conosco.

— É ele não é só a pessoas mas provável como ele é a pessoa que mas faz besteira nesse mundo — Rafael diz rindo, da realização do amigo.

— Que calúnia — ele levanta e finge que se ofendeu — Vocês depôs dizem ser meus amigos — todos começam a rir.

— Temos que ir — Alice chama até de todos olhando para o céu — Daqui a pouco escurece e vai ser mas difícil achar o caminho.

— Ah mas tá tão legal aqui — Camilla faz uma careta.

— Bem Alice tem razão realmente temos que ir — Guilhermina levanta e encara a todos. — Que foi?

— Incrível — David diz admirado não sei com o que.

Encaro as meninas perdidas em busca de respostas, mas elas estão com a mesma expressão.

— Vivemos para ver isso — Pedro fala admirado da mesma forma.

— Ele tá crescendo galera — Rafael concorda.

Gente o que eu perdi.

— Até parece maduro — Lucas com a mesma expressão que todos.

— Seus idiotas levantem logo e vamos — o Guilherme tenta parecer que está com raiva mas dá para ver que não está.

Apagamos a fogueira e saímos a procura da casa de madeira e palha.

Chegamos a pequena casa e ainda não havia ninguém. Como estávamos cansados e a noite já estava caindo, decidimos passar a noite alí.  A noite escura inundava o recinto que estávamos presentes, apenas algumas velas encontradas no pequeno móvel alí, iluminava o ar cheio de pessoas desconhecidas ao habitat.

Todos já haviam dormido em suas camas improvisadas. Eu era a única acordada, não sabia o porque mas ainda estava preocupada. Levantei  e fiquei sentada olhando pro nada.

— Também não consegui dormir? — Ouvi a voz de Guilherme.

— Não! — respondi baixinho.

— Acho que enquanto estivermos aqui, ninguém dormirá tranquilo.

Aceno concordando com ele. Guilherme estava sentado com os joelhos envoltos por seus braços fortes, seus olhos estavam de encontro com os meus. Sua beleza se realçava com a luz fraca das velas.

— Então como vocês se conheceram? Parecem bem próximos. — perguntei quebrando o silêncio. Não queria lembrar de que que ainda estamos na ilha.

Ele sorri e encara os amigos deitados.

— Lucas, Pedro, Rafael e eu nos conhecemos no tempo de escola. Éramos da mesma escola apenas Rafael era dois anos a nossa frente. Éramos terríveis, aprontamos todas.

— Isso é assustador. — Brincou arrancando um sorriso seu.

— Era incrível! Foram os tempos em que nada mais importava. Aí veio o ensino médio,  o terror de nossas vidas. E quando Rafael começou sua paixonite por Larissa. Ele foi o primeiro a amadurecer graças a ela. — Rimos.

— Então,  como conheceram David.

— Esse pirralho? Encontramos ele no lixão, literalmente. Ele tinha apenas 16 anos, estava procurando materiais para um trabalho da escola quando passamos e ele jogou uma lata na minha cabeça.— ri imaginando a cena, tentando me controlar para não acordar ninguém.

— Depois disso vocês não vivem mais sem mim! — David nos assusta revelando estar acordado.

Olho percebendo que ninguém dormia mais, todos prestavam atenção na conversa.

— Na verdade você vivia nos seguindo. — Lucas diz.

— História comovente. — Karla diz coçando os olhos.

— Então contem sua história, vamos ver se é  melhor. — David diz aborrecido.

— Nossa história é  meio... — Karla me olha esperando aprovação.

Nossa história não era uma história como a deles, era uma história conturbada cheia de defeitos causada por um passado conturbado.

— Tudo bem. — Eu disse dando um sorriso a ela. Apesar de tudo, era a melhor história de amor que eu conhecia, a história de amor entre quatro garotas.

— Então conte você, você estava quando tudo começou. — Ela diz me olhando engraçado.

— Ta. .. Eu tinha apenas 14 anos quando meus pais me deixaram em um orfanato, eu estava despedaçada por saber que minha família não me queria. Eu ficava isolada, não falava com ninguém, até que uma garota me ouviu chorando uma noite. Ela me disse que seria minha amiga que  não queria me ver chorando e que cuidaria de mim. — Sorrio me lembrando da cena.

— Qual o nome dela? — David pergunta concentrado em minhas palavras.

— Camilla,  ela era linda e ainda é, depois daquele dia não desgrudamos mais. Ela estava naquele orfanato desde que nasceu, passou todo aquele tempo lá e me ajudou a lidar com tudo aquilo. Nos tornamos melhores amigas.

— Inseparáveis — Camilla diz sorrindo.

Ninguém ousava interromper minhas palavras, os garotos pareciam interessados em ouvir todos os  detalhes. Continuei a história.

— Os anos passaram e ninguém queria adotar garotas com 15 anos, logo já estávamos com 18 e fomos expulsas do orfanato. Procuramos um emprego, alugamos um quartinho velho e ali seguimos com uma vida barata. Não tínhamos muito tempo o emprego de garçonetes ocupava todo nosso tempo.

— Sozinhas? Vocês viviam sozinhas? — David era o único a perguntar.

— Tínhamos uma a outra. — Camilla diz rapidamente.

— Depois de um tempo e algumas economias guardadas, conseguimos fazer um curso de administração foi onde conhecemos Alice, a garota que tinha uma queda pelo professor de contas do curso. — Rimos por lembrar dos suspiros quer Alice dava todas as vezes que o professor resolvia um problema.

— Ainda me lembro da sua voz marcante. — Alice diz sorrindo.

— Nossa amizade apenas crescia a cada dia, os pais de Alice tiveram que se mudar de cidade então ela passou a morar com a gente. Conhecemos Karla na lanchonete onde eu e Camilla trabalhávamos,  ela estava dormindo em uma das mesas, Camilla foi até ela e a acordou. O que a deixou com raiva. Depois disso passamos por um problema pessoal. — paro ao lembrar do momento doloroso.

— Tudo bem se não quiser continuar. — Pedro diz com cuidado.

— Tudo bem, era meu aniversário Karla tinha decidido morar com a gente, estamos organizando um passeio quando vi meu pai entrando pela porta da lanchonete. Ele me reconheceu me disse coisas horríveis, o que me deixou sem chão e naquela noite eu… — parei sentindo meus olhos embaçar com lágrimas.

— Ha meu Deus, vamos parar não continue. — Camilla  disse ao me abraçar.

— Eu não era eu naquele momento, eu era um vazio, me sentia um lixo. E tentei aliviar aquela dor que sentia com a morte.

— Você tentou se matar? — David ainda era o único a perguntar.

— Sim, eu ingeri muitos remédios que não devia e fiquei em coma um mês. Quando acordei percebi que eu não estava sozinha, que eu tinha tudo o que precisava ao meu lado, eu tinha minhas amigas, tinha uma família a qual se preocupava comigo que sempre estaria ao meu lado e que me ajudou a lidar com a dor. A partir daí  nunca nem ousamos nos separar. Moramos na mesma casa, trabalhamos no mesmo prédio e respiramos o mesmo ar. Elas são as coisas de mais valioso que eu tenho. — uma lágrima escorre no meu rosto, minhas amigas se jogam em cima de mim com um abraço em grupo.

— Somos o quarteto fantástico! — Karla diz.

Depois de me recompor e minhas amigas saírem de cima de mim, me sentei e sorri.

— Fico feliz por vocês. — Rafael diz.

— Essa é a história mais legal do mundo! — David diz fingindo chorar.

— Claro, as personagens são as melhores! — Alice diz.

— Você era mesmo apaixonada por seu professor?  — Pedro se pronunciou pela primeira vez na noite.

— Você não faz idéia um dia…

Apesar de nos conhecermos apenas a quatro dias parecíamos amigos, o ambiente descontraído me fez esquecer de que estávamos em uma ilha perdidos. Estávamos apenas sendo pessoas normais contando histórias.

Não sabia nós que isso estaria próximo de acabar e que a história estava apenas começando.
 

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