Cap 7 Vai viver

Carol

Chegamos agora aqui em Búzios, quase 22 horass. Vou tomar um banho e dormir, pois já sei que Maria vai pular cedo da cama amanhã. Parece peixe, adora água.

Depois de me virar varias vezes na cama desisto. Decido ir me sentar no banco da Praça aqui em frente, Carla me viu levantar.

(Carla.)

— Vai aonde prima?

— Perdi o sono prima, vou sentar um pouco na praça, ver o movimento.

— Vou com Você.

Com esse calor, isso está bem movimentado mesmo. Me sento olhando para o nada. Ohar parado e mente trabalhando.

— Está pensando nele né prima?

— Estou sim, até hoje me pergunto se agi corretamente.

— Prima, já faz tanto tempo, volte a sonhar, fazer planos.

— Amanhã vai fazer 12 anos que eu perdi a capacidade de sonhar Carla.

— A Maria está crescendo e já está percebendo que tem alguma coisa errada.

— Por que? Ela te perguntou alguma coisa?

— Queria saber o que ele disse, quando você contou à ele que estava grávida.

— O que você respondeu? Ela não quer falar sobre isso comigo. Ela sabe que ele não sabia, quando vi a revolta dela na quarta-feira tentei conversar.

— Ela é sua filha, não tem que tentar tem que falar.

— Falar o que Carla? Que quando me arrependi na manhã seguinte ele estava rumo ao aeroporto, saindo do País sem olhar para trás e que o pai dele disse a verdade.

— Diz isso a ela então. Conta que foi você que deixou ele ir e que no final o dinheiro venceu.

— Não consigo, dói demais.

— Ela disse que se um dia ele aparecer, ela fica com o pai Toni.

— Não sei por que ela pensa que eu voltaria para ele, ou que ele iria me querer de volta. Ou que um dia ele vai aparecer.

— Tem mais, hoje enquanto você estava no banho, me perguntou se eu conhecia um amigo seu que você não via a muito tempo. Falou que tinha certeza que você estava falando do Eduardo.

— Não sei por que esse ódio dela agora, ele nunca fez falta na vida dela.

— Ela está entrando na adolescência, época dos rebeldes sem causa.

— Tenho que ter paciência, ela é meu mundo.

— Só sei Carol, que se ele aparecesse agora séria um problemão.

— Ah Carla! Depois de tanto tempo ele ia aparecer logo agora, já estamos 8 anos fora do Rio, só viemos aqui há passeio e mesmo assim estamos bem longe de Copacabana.

— Aqui é ponto turístico.

— Eu sei, por isso mesmo nunca venho em feriados prolongados e também, ele nem deve ter voltado mais para o Brasil.

— Será?

— Se voltou, deve passar férias em Ibiza, Miami.

— Você sabe que ela é herdeira dele não sabe?

— herdeira nada, ele deve ter uns 300 filhos espalhados por ai.

— Tá. mas se o encontrasse. O que você  faria?

— Nada, Ele nem deve se lembrar que eu existo e com certeza não me reconheceria, mudei muito. Ele gostava do meu corpinho, nesse aqui ele nem tocaria. — Falei terminando com uma gargalhada.

— Boba.

— Boba não Carla. É a verdade.

— Bem que você estava precisando ser pegada de jeito.

— Pode ter certeza que eu me pego de jeito. — Respondi novamente com uma gargalhada.

— Porra Prima, você está casada há 11 anos com o Toni e só lembro de você sair uma vez com aquele Bombeiro gato.

— Mesmo assim foi horrível, na hora travei parecia até que eu era uma boneca inflável — Gargalhei. — E o louco ainda me ligou na manhã seguinte, querendo marcar para a próxima semana.

— Eu lembro — sorriu. — Ele ficou te ligando o mês inteiro, o Quim teve que virar macho e botar ele pra correr.

— Falando em Quim, tenho notado ele tristinho ultimamente, chamei ele para conversar mas ele não se abriu.

— Aquele lá, parece que só veio ao mundo para ajudar os outros.

Ficamos em silêncio e ao longe escuto uma musica do Lucas Lucco, e naquele momento senti um aperto no peito e meus olhos se encheram, senti um arrepio, deve estar esfriando.
Fico me perguntando quando isso vai passar quando esse vazio vai me deixar?

— Só o tempo... — Falo em voz alta.

— Mas quanto tempo Carol? Vai viver prima.

Maldita hora que fui aquele Jantar, ou não. No final era tudo mentira mesmo. Lembro-me bem, passamos o domingo na cama, só saímos do chalé quando o taxi chegou. Também lembro que ainda fiquei super preocupada com o valor da corrida. E no final ele era podre de rico.

O único herdeiro de uma fortuna.
Durante o jantar, eu ainda estava nas nuvens. Entretanto, foi só ele sair para tomar banho pra me levar para casa, que meu mundinho de contos de fadas se perdeu, preferia mil vezes que ele fosse somente o atendente do bar, e que vivêssemos naquele chalé. O lado bom disso tudo é a minha preciosa.

Depois de meses sofrendo, meu sorriso só voltou quando colocaram ela no meu colo na maternidade, ali agradeci a Deus por ter me esquecido do último comprimido anticoncepcional na noite daquele domingo, e do resto da cartela.

Foi um mês do cão. Onde eu só chorava, nem comer eu conseguia. Perdi meu emprego e um tempo depois descobri que os vômitos e o sono sem fim, não eram só problema de fraqueza e depressão, era minha filha me chamando a razão. Mesmo em meio a dor eu nunca pensei em abrir mão do meu bebê.

Quando meu pai percebeu que não veria mais um centavo do meu bolso me pôs na rua. A única da família que não cortou os laços comigo foi a Carla.
Quando me mudei para Botafogo levei ela comigo, e hoje somos uma família de cinco.

Carla comprou seu apartamento ano passado, queria liberdade para as putarias dela sem expor Maria a um homem diferente em sua cama, todo final de semana.

Quando Maria Eduarda nasceu, virou o xodó de todos. Criada entre adultos modernos, amadureceu e ficou mimada. É difícil saber qual lado dela é mais evidente no momento.

Tão inteligente que esse ano já está no nono ano. É ano que vem vai cursar o segundo grau, isso às vezes me assusta, fico perdida. Hora ainda meu bebê, outra uma adolescente metida a rebelde. Tenho certeza que puxou a inteligência do pai.

— Acorda Carol. Vamos voltar para o hotel que amanhã o dia promete.

— Está animada mesmo.

— Claro! Amanhã vou ligar meu putometro e vou arrumar um preto tipo A, bem gostoso pra curtir à tarde e talvez à noite comigo

— Louca.

— Louca nada, vou arrumar um para você também.

— Me respeita que sou uma mulher casada. — falei sorrindo.

— Sei, depois desse "casamento" você morreu para vida, só vive para Maria e trabalho. Toni sempre disse que você não precisa trabalhar, ele já te dá uma mesada que você nunca usa.

— Tenho que guardar Carla, um dia o Toni se cansa desta situação e eu não quero ser um problema na vida dele.

— Você sabe que ele nunca vai abandonar a gente.

— Eu sei, mas um dia quero ter meu canto. — Falei com um sorriso no rosto.

— Carol, se você acha que vai ser mais feliz assim, vai agora.

— Não posso, nem por Maria, nem por Toni e menos ainda pelo Quim.

-Tenho certeza que o Toni vai entender, você pode morar perto. No meu prédio mesmo tem um apartamento vendendo, ela vai estar sempre junto do Toni.

— Se eu sair agora, o Quim vai ter que sair também.

— Nada, duvido! Você fica esperando o Toni te mandar ir, mas quem já cansou foi você.

— Não cansei nada Carla.

— Verdade você não cansou. Se acomodou! Vai viver Carol. Você só tem 30 anos, vai ser feliz mulher.

— Do meu jeito, eu sou.

— Você só é feliz no papel de mãe, esqueceu o seu lado mulher, vai esperar o quê? A Maria casar e você viver sozinha. Pensa nisso Carol.

Me calo uns minutos e depois respondo:

— Talvez você esteja certa Carol, amanhã vou conversar com o Toni, mas tudo vai depender da reação dele. Não posso esquecer que esse homem foi quem me apoiou quando tudo vinha à baixo na minha vida.

-Eu sei.

Levantamos e voltamos para o hotel. Para ficarmos melhor acomodados o Quim reservou um Chalé de 2 quartos, disse que era para Maria não ficar sozinha, quando caisemos na farra à noite.

Quando entro no quarto, Maria não está, vou ao outro quarto e ela está lá dormindo agarrada no Quim.

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Beijos da Aline💋

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