Cap 16 Colo de mãe

Chego ao Rio praticamente na hora da minha reunião.
Entro na sala e meu pai esta lá.

O quê será que ele veio fazer aqui? Sei que ele é o acionista majoritário, mas ele se aposentou. Ele está na cadeira da presidência.

— Boa noite senhores! Pai, a quê devo a honra?

— Boa noite Carlos Eduardo! Chamei vocês aqui para comunicar que estou me desligando totalmente da empresa. Estou lhe passando 25% das minhas ações, tornando você o acionista majoritário filho. Sei que o André não pôde vir, mandei um e-mail o comunicando da minha decisão.

Ele me entrega uns papéis, leio todos atentamente e assino. Resolvemos outros assuntos e encerramos a reunião.

— Sua mãe me falou que você vai jantar lá em casa hoje, posso voltar com você? — O que ele está querendo?

— Pode sim.

Depois do que aconteceu, nunca mais fomos o mesmo. Fomos para a garagem, pego meu carro que deixei aqui na quinta à noite, e seguimos para Copacabana. No caminho ele começa...

— E ai filho! Como vai o casamento?

— Bem.

— Ela está em São Paulo com você?

— SNão.

-Sabe Edu, quando me casei com sua mãe, nós não nos amávamos, porém a convivência resolveu tudo.

— Sei.

— Quando você nasceu eu passei a beijar o chão que sua mãe pisava, porque ela me deu o melhor presente que um homem pode ter.

— Bom pra você.

— Você nunca vai me perdoar não é mesmo?

— Isso nao faz mais diferença, agora me deixa dirigir e em casa falamos.

Eu sempre perco a paciência quando ele fala nesse assunto, e dirigir nervoso não é prudente.

— Oi mãe! Cheguei.

— Meu príncipe! — Fala me beijando e eu fico rindo. Até meu pai sorri, ela é mais baixa que eu, então fica na pontinha dos pés agarrada no meu pescoço.

— estou com saudade mãe.

— Esta nada. Se não fosse essa reunião, você nem viria aqui me ver.

— Mãe eu vim aqui na quinta eu e André jantamos com você.

— Está queimadinho em, como foi lá na praia?

— Foi ótimo! — Respondo sem conter o sorriso.

— Vai tomar um banho para jantarmos. Você deve estar morrendo de fome.

Quando volto, já estão à mesa me aguardando.

— Filho como vai Kamila? — pergunta ela, assim que me sento.

— Ela está bem mãe, está em Paris.

— Filho, você sabe que te amo muito e quero morrer em paz.

— Que papo é esse mãe, você está doente? — Pergunto preocupado.

— Não, Deus e mais. Quero dizer que já passou da hora de você ser feliz.

— Eu sou mãe, não se preocupe.

— Divórcio não mata filho. —Falou meu pai.

Ele falou isso por que Kamila e depressiva.

— Eu sei que não mata, mas para ela pode ser problemático. — falei sem dar muita atenção.

— E por isso você vai viver infeliz pra sempre? — Insiste ele.

— Não é culpa dela se eu for infeliz.

— Você só se casou com ela para me punir. — Continua ele.

— Não, eu me casei com ela por que ela não tinha mais ninguém.

— Agora ela vive cheia de amigas, você pode encontrar e amar outra mulher, se casar na igreja e ter filhos. Ser feliz.

— Perdi a fome. Desculpa mãe, vou me deitar. — Só não fui para minha casa porque eu tinha falado com a minha mãe que eu iria dormir aqui.

Abro a porta do meu quarto e me jogo na cama, colocando minha cabeça embaixo do travesseiro. Ele está certo em quase tudo menos na parte de amar e ser feliz. Eu sei que quando Carol teve aquele bebê ela me liberou da minha promessa, só que eu não quis e não quero ter filho com ninguém, eu quero com ela.

Batem na porta e sei que é minha mãe.

— Entra mãe.

Ela senta em minha cama e tira o travesseiro do meu rosto, puxando minha cabeça pro seu colo.

— Vem no colo de mãe.

Eu vou, mas não falo nada. Tenho receio dela falar pro meu pai e ele pagar para a Carol sumir de novo.

— Você precisa ser feliz filho. Se você não ama a Kamila, deixe ela livre para ser feliz também.

— Mãe, sempre deixei ela livre. Somos amigos, ela não vai porque não quer.

— Talvez ela ache que não é isso que você realmente quer.

— Pode ser, quando ela voltar vou conversar com ela.

— Tirando isso, o que você tem? Antes que diga nada, eu te conheço.

Suspiro e ela continua...

— Você conheceu alguém Edu?

— Não mãe. Eu reencontrei alguém.

— Foi ela? — Alisa meus cabelos.

— Foi.

— Como se sentiu?

— Ainda não sei. Ela continua casada e tem uma filha que se chama Maria Também.

O nome da minha mãe é Maria do Socorro e do meu pai e Carlos.

— Sinto muito filho. Já se passaram 12 anos, ela deve amar o marido, casamentos hoje em dia não duram.

— Ela não ama. Tenho certeza.

— Você falou com ela?

— Pouco, ela estava em Búzios com a família.

— Que coisa isso acontecer exatamente 12 anos depois.

— A senhora ainda lembra a data?

— Claro! Todo ano, nesta mesma data você sofre. São no mínimo 3 dias de luto. Esse ano pedi para o André te tirar de casa, mas não imaginava o que você poderia encontrá-la.

— Eu não sei o que fazer, mas eu quero ela de volta. Não sei como farei, mas ela é minha.

Ela suspira.

— Edu, ninguém é obrigado a gostar de nós, deixe essa moça em paz, você não tem o direito de destruir a vida dela meu filho.

— Não é em destruir que estou pensando.

— Ela era apenas uma menina meu filho.

— Mas agora ela é uma mulher e que mulherão mãe.

— Ah meu filho! Pense bem, não vá fazer besteira.

— Eu estou pensando. Quando Kamila voltar no final do mês, vou falar com ela sobre nossa separação — muda de assunto.
— Porque meu pai me passou as ações?

— Ele construiu tudo aquilo para você, quando eu engravidei, ele era mestre de obras e estava acabando a faculdade de administração. Com o seu nascimento, nasceu a Garcia construções e depois os shoppings, ele apenas lhe entregou o que já era seu.

— Não tinha necessidade.

— O sonho dele era um dia te dar de presente de casamento — falou com pesar. —  vocês eram tão amigos e hoje não conseguem ficar nem no mesmo ambiente por mais de dez mim.

— Sei que a culpa não foi apenas dele, o que me doeu foi ver a cara de satisfação  dele ao me contar.

— Mas ele não queria que você viajasse mais, ele te implorou para ficar. Você não sabe, mas ele passou mais de um mês procurando por ela meu filho. Ele foi a Teresópolis falar com a sua ex babá e ela levou o levou na casa da tal tia da Carol, só que a mulher tinha morrido dois dias antes dele chegar e lá não ficou nenhum parente dela.

— Por que você nunca me contou isso?

— Porque descobri recentemente, foi quando sua bá, ficou doente e fui visitá-la no hospital.

— Onde ele está mãe?

— Deixei ele na sala.

— Eu vou falar com ele, não conte por favor que eu a encontrei.

— Tudo bem príncipe.

Desço as escadas, ele está em frente a janela com um copo de Whisky na mão.

— Pai. — Ele se vira.

— Oi filho.

Não falo nada, apenas o abraço forte e juntos choramos. Ele errou, mas senti muito a falta dele todos esses anos.

— Tenho que te contar uma coisa. — Fala entre lagrimas

— Não precisa pai, eu já sei de tudo, vamos esquecer isso de uma vez.

— Mails meu filho...

— Não. Esquece. Vou me separar, quero ser feliz pai.

Ele volta a me abraçar e chora.

Fico mais uns minutos e volto para o meu quarto. Minha mãe já saiu. Lavo meu rosto com um único pensamento: — É Carol, se prepara porque agora você vai ser minha.

Carol

Não sei quando vou me encontrar com  Kadu, não sei nem como vou falar com ele. Estou andado distraídamente e esbarro em alguém.

— Desculpa!

— Carol?

Levanto o olhar, e nossa! que gato

— Oi.

— Não se lembra de mim não é? Mudei um pouco, mas nem tanto.

Caramba! É o Luciano. O tal bombeiro. Gente o que é isso? De volta para o passado? Só pode.

— Me desculpa, estava distraída e não prestei atenção, tudo bem Luciano?

— Tudo sim, que surpresa boa. Aceita tomar um café comigo? — convidou apontando para a cafeteria do outro lado da rua.

— Se não for demorar?

Entramos e eu pedi um capuccino e um pedaço de torta. Na correria da mudança não comi nada hoje.

— Como você está Carol?

— Estou bem! E você, já casou?

— Casei e separei.

— Nossa! — fiquei surpresa.

— Tem seis anos que não nos vemos.

— Isso tudo?

— Posso te perguntar uma coisa?

— Pode sim. -autorizo.

— O que eu fiz de errado, por que você não quis mais me ver?

— Não teve nada haver com você. Eu tinha uma espécie de bloqueio. Você foi super atencioso e carinhoso comigo, mas eu não conseguia relaxar, estava com a minha auto estima em baixa.

— Eu percebi Carol, e o tempo todo eu tentei melhorar isso, eu tentei te ver, achei que com o tempo você iria se soltar e ficar mais segura, à vontade.

— Você me assusto,  isso sim  — gargalhei. — Eu pensava, esse cara é louco, eu sou gorda, uma bosta na cama e ele não desiste.

— Primeiro, você não é gorda, é  gostosa. Segundo, você não foi uma bosta na cama, você estava nervosa e tímida demais, tínhamos que ter criado mais intimidade, mas você estava com pressa. Terceiro, eu estava gostando de você e da sua companhia. O tempo todo ali, eu via uma mulher querendo se libertar para a vida. Entretanto, no fim eu falhei com você. Eu realmente gostava de você Carol.

— Eu também gostava dos nossos papos e dos beijos. Mas realmente não estava preparada para o sexo.

— Você conseguiu esquecê-lo?

— Quem?

— Seu coração e seu corpo tinham dono.

— Não sei ao certo ainda. —Gargalhei nervosa.

— Cara de sorte esse, queria te ver outras vezes, e desta vez apenas como amigos mesmo.

— Se for assim, por mim tudo bem.

— Me passa seu numero?

Trocamos os números.

— Tenho que ir, estou de mudança e na correria, você não estava na cidade?

-Não, fiquei um tempo na Bahia, mas agora estou de volta.

— Foi ótimo te ver, desculpa por eu ter sido tão problemática.

— Que nada, eu que fui um idiota. Gostei de te reencontrar.

— Eu também.Tchau! Vou te ligar e se eu demorar, me ligue.

Beijo o rosto dele e ele me abraça. Percebo que perdi um belo homem, eu era tão burra e travada. A rejeição e o aumento de peso, só intensificaram tudo isso, mas fazer o quê né? Tenho que resolver de uma vez à minha vida.

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Beijos da Aline 💋.

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