68 - SAMANTHA
Dois dias.
Dois dias que não passam.
Dois malditos dias.
Depois de Elize ter atirado em Peter, eu não tive forças para acabar com ela. Ela foi levada para um hospital psiquiatra.
Peter foi trazido para o hospital e passou por uma cirurgia demorada. Ele está bem, mas não acordou ainda. Na mesma noite eu acabei desmaiando e fui trazida para cá também. Segundo os médicos eu estou desidratada e anêmica. Era para eu estar no meu quarto de hospital em observação, mas minha ansiedade em ver Peter acordado é maior.
Não que eu não me importe com meu filho. Não consigo ficar parada em uma cama de hospital com uma agulha enfiada no meu braço.
Agatha está traumatizada. E isso me machuca muito. Mas de agora em diante, não vou deixar que nada aconteça com ela. Eu estou aqui para protege-la.
Anna e Brian já voltaram para o Brasil. Anna mandou eu me cuidar direito, ou ela iria vir até aqui me dar uns tapas. Brian fez todo aquele drama. Mas foi sem arrumar confusão.
Agora estou eu aqui, nesse quarto de hospital, encarando o nada. Por enquanto ninguém veio até aqui me procurar. Ou são lerdos de mais ou realmente não estão dando a mínima. É meio óbvio que eu estaria aqui.
Me levantei e encarei Peter. É tão ruim ve-lo assim. Peguei em sua mão e alisei seu rosto com a outra.
A porta se abre sem eu perceber e Laura entra.
— Como ele está? – ela pergunta.
— Na mesma. – digo a vendo se aproximar.
— É tão ruim ve-lo dessa maneira. – ela diz. — Ele é tão cheio de vida, ele não merece isso.
— Sim. – respondi apenas.
— Samantha, acredito que você não tenha tido uma boa impressão sobre mim.
— Por que eu teria? Você não é nenhuma impressora para passar boa impressão, muito menos para mim. – ela ri.
— Sobre eu e Peter. Nós somos amigos e em momento algum eu pensei em ter alguma coisa com ele e ele o mesmo. Eu sempre soube que ele te amava e nunca iria deixar de te amar. Eu só o apoiei.
— Tudo bem, não se preocupe com isso.
— Me preocupo sim. Vocês foram feitos uma para o outro, e eu queria que soubesse que não estou aqui para atrapalhar. – a encarei.
— Eu já disse, está tudo bem.
— Eu confio em você. – ela pega minhas mãos. — Você é uma grande mulher. E desejo tudo de bom para vocês.
— Obrigada. – sorrio.
— E me desculpe por isso. Me sinto culpada por ter indicando Wendy, ou Elize para ir falar com Peter.
— Aquela mulher é maluca. De uma forma ou outra ela iria atrás dele. Não se preocupe.
— Obrigada. Eu tenho que ir agora. Melhoras para o Peter.
— Quando ele acordar digo que esteve aqui.
— Tudo bem, até mais.
— Até. – ela acena para mim e sai do quarto. Volto minha atenção para Peter e passo minhas mãos por seu rosto. — Você é um imbecil sabia? Ama me fazer sofrer, não é mesmo? Sinto tanto sua falta. De você me tirando do sério, chamando minha atenção o tempo inteiro. Dando ordens, discutindo comigo por eu ser muito chata. Ver você assim, paradão me deixa mal. Eu só queria que as coisas fossem diferentes. – e acá estou querendo alagar o quarto novamente. — Você deve estar cansado de me ouvir dizer isso, até Deus deve estar. Nem iria me surpreender se um raio caísse na minha cabeça agora. – eu ri e enxuguei minhas lágrimas. — Mas eu tenho que dizer quantas vezes eu achar que é necessário. Eu te amo, e se te deixei foi por nós e nossa família. – encarei sua mão. — Você é especial para mim, e eu faria qualquer coisa para te ver feliz. – acabei por deixar minhas lágrimas tomarem conta de mim.
— Eu também. – rapidamente encarei Peter. Ele estava acordado. Eu finalmente podia ver aqueles olhos verdes. Eu sorri e o abracei.
— Você acordou! – digo.
— Não, estou sonhando em 3D. – ironizou e lhe dei um tapa no ombro recebendo uma careta de dor vinda dele.
— Oh! Me desculpa, foi força do hábito.
— Eu sei. – sorriu. Oh como eu senti saudades desse sorriso. — Eu ouvi tudo o que disse.
— Tudo? – perguntei.
— Sim. Você não precisa me pedir perdão. Eu te entendo. – passou as mãos em meu rosto. — E eu também faria qualquer coisa para te ver feliz. – sorri e lhe dei um beijo. Não era um beijo que envolvia línguas, mas sim um beijo que transportava tudo o que eu estava sentindo. Eu só precisava conectar nossos lábios. — Eu te amo. – ele diz assim que quebro o beijo e o encaro.
— Eu também te amo. – sorri. — Agora eu preciso chamar os médicos. – tento sair mas ele me puxa.
— Não vai.
— Eu preciso ir. Ou eu estarei mais ferrada do que já estou.
— O que você andou aprontando?
— Bem... eu fugi do meu quarto eu estou aqui. Devem estar me procurando. Ou não.
— Como assim fugiu? Não me diz que você foi internada por maluquice. – acabei rindo.
— Não, depois eu explico.Vou chamar os médicos. – lhe dei um selinho e sai do quarto. Vi o Dr. Andersen, o médico que está cuidado de Peter vir em minha direção e o chamei. — Ei!
— Senhorita Campbell, estão loucos a sua procura. – ele diz. — Não pode sair assim do quarto. Não era nem mesmo para a senhorita estar em pé. – revirei os olhos.
— Eu só vim visitar o Peter, e tenho boas notícias. O Peter acordou.
— Acordou? Por que não disse logo? – ele diz indo em direção ao quarto.
— Talvez porque você não parava de falar. – digo o seguindo. Ele abre a porta do quarto em vai examinar Peter.
— Como vai Peter? Como se sente? – Andersen pergunta.
— Muito bem. – Peter diz.
— Mesmo? Não sente nenhuma dor ou desconforto?
— Não. Nenhuma dorzinha. – Peter sorriu e cerrei os olhos.
— Você está mentindo não é? – Andersen perguntou.
— É, eu estou. – Peter diz.
— Peter, você sabe que tem que ser bem franco comigo sobre o que está sentindo, assim eu posso te liberar.
— O que eu estou sentindo? – Peter pergunta e Andersen assente. — Sinto que amo a minha namorada mais que tudo. – diz me encarando.
— Ah, o amor é lindo. – Andersen diz. — Mas você continuará aqui se não me dizer o que sente. – Peter revirou os olhos.
— Ok. Eu só sinto um incômodo na barriga. Como se um dos anões da branca de neve tivesse abrido uma mina aqui. – soltei uma risada.
— O tiro atingiu seu cérebro e te deixou mais retardado do que de costume? – perguntei.
— Não tanto quanto você me deixa. – ele diz.
— Bem... – o médico nos interrompe. — Isso é por conta da cirurgia para retirar a bala. A bala não chegou a ir tão fundo, mas chegou perto.
— Certo. Agora já posso ir embora? Olha, já consigo até me levantar. – tentou mas Andersen o impediu.
— Nem pensar! Você tem que ficar de repouso. – Andersen diz e Peter bufa. De onde ele tirou essa teimosia toda?
— Nem pense em se levantar dessa cama Peter! – digo o olhando ameaçadora.
— Pelo que eu sei, você também deveria estar deitada em repouso, mas você está aqui. Estamos quites. – piscou para mim.
— Só porque tomou um tiro já está se achando né? – perguntei. — Depois leva outro não sabe o por que.
— E quem vai me dar um? Você? – me encarou desafiador.
— Me provoca mais um pouco e aí você vai saber. – digo.
— Certo. Vocês são um casal meio... fora do normal. Como eu preciso da minha vida, vou preserva-la. Cada um no seu quarto. Samantha, você para o seu, e Peter, nem pense em levantar o dedo mindinho dessa cama. – Andersen diz.
— Eu estou bem. Não preciso ficar naquele quarto assistindo desenhos mitológicos. Se eu quisesse voltava para escola. – digo.
— Samantha, pare de discutir e vai. – Peter diz.
— Vou lembrar disso. – digo apontando para ele.
— Vamos Samantha. – Andersen diz. — E Peter, vou pedir para Sabrina vir te ajudar com o banho. – o encarei.
— O que? Quem é Sabrina? – questiono.
— É uma de nossas enfermeiras, e não se preocupe. Elas são todas profissionais.
— Por mim está tudo ótimo! – Peter diz me sorrindo com provocação.
— Nem pense nisso ou irei mandar te sedarem. – o Dr. Diz me guiando para fora do quarto.
— Isso é muito injusto! Eu me sinto muito bem, sabia?
— Sim, eu sei. – ele diz me levando para o meu quarto. Entramos e eu me deitei. — Descanse. Isso não é só por você, mas pelo bebê também. Vou pedir para trazerem sua comida.
— Não quero aquela comida sem graça.
— E o que você quer? – ele pergunta.
— Um hambúrguer seria legal. – ele riu.
— Quantos anos você tem? Doze? – bufei. — Nem nos seus sonhos. Você tem que se alimentar bem. Vou pedir para te colocarem o souro de novo.
— Ah não! – reclamei.
— Ah sim. – sorriu e saiu da sala.
— Idiota! – resmunguei.
Horas mais tarde, eu já tinha dormido metade do dia. Já era por volta da meia noite.
Horário em que o hospital não tem tanto movimento.
Me levantei e retirei o souro e peguei meu travesseiro saíndo do quarto logo em seguida.
Olhei para todos os lados e sai correndo para o quarto de Peter.
Quando adentrei, ele estava dormindo. Eu acho.
Aproximei meu travesseiro de seu rosto lentamente e no mesmo momento ele abre os olhos levando um susto.
— AAH!! – ele gritou e eu comecei a gargalhar. — Está louca? – colocou a mão sobre o peito.
— Eu sou louca. – digo.
— Pensei que iria me matar.
— Mas eu ia mesmo. – digo.
— E iria me matar por que exatamente? Por eu só ter aceitado a ajuda da Sabrina?
— "Por eu só ter aceitado a ajuda da Sabrina?" – o imitei. — Foi sim, seu idiota! – lhe dei travesseiradas ignorando seu gemido de dor. — Para você aprender a parar de ser idiota. – dei uma travesseirada em seu rosto.
— Ai. – ele reclamou e fez uma careta. — Ok entendi, para de ser ciumenta. Não aconteceu nada.
— Da próxima eu pego essa cama e empurro corredor a fora. – digo.
— Você veio aqui só para tentar me matar ou o que?
— Eu vim para de amor e carinho. Se não quiser é só falar que eu vou embora.
— Claro que quero. – me puxou. — Tem certeza que curou sua agressividade?
— Você me irrita.
— Ah, pois bem. Vou ficar quietinho.
— Não! Fala, briga, me irrita mas por favor, não deixe de me perturbar. Esses dois dias foram a treva para mim, te ver nessa cama sem falar ou se mexer.
— Tudo bem. Eu vou te perturbar bastante de agora em diante.
— Ótimo. – digo.
— Por que está tendo que tomar souro? – encarou meu braço. — Você disse que me explicaria.
— Eu explico. Calma aí. – digo e me deito com ele. — Não te machuquei, né?
— Não. – ele me puxa mais para sí. — E Agatha? Ela está bem?
— Ela está traumatizada com tudo isso. Eu só queria ficar com ela, mas não pude. Emilly e Ryan ficaram com ela e depois a mãe da Eleanor foi busca-la.
— Eu me sinto tão culpado por tudo que tem acontecido com ela. Porque na verdade, é tudo culpa minha.
— E é mesmo.
— Eu não cuidei dela como deveria e deu nisso.
— Ei, agora eu eu estou aqui. E nós dois vamos cuidar dela como nunca.
— Você não vai mais embora, né?
— Claro que não. Meu lugar é aqui. Com vocês, minha família. – ele sorriu. — Principalmente agora que teremos um novo membro na família. – sorrio. É agora ou nunca.
— Não me diz que você adotou um bode. – levantei minha cabeça e o encarei.
— O que? Não. Se bem que não é má ideia.
— Dora é muito nova para namorar. – ele diz e eu sorrio mais largo.
— Own que bonitinho. – apertei suas bochechas. — Mas não é um bode.
— É o que então? – me arrumei e o encarei.
— Um bebê.
— O que? – questiona confuso.
— Eu estou grávida. – Por um momento ele ficou sem reação.
— Vamos ter um bebê?
— Acho que é isso que acontece com pessoas grávidas, elas geralmente têm bebês.
— Me belisca.
— O que?
— Me belisca para ver se não estou sonhando.
— Com todo amor e prazer. – lhe dei um beliscão.
— AI! – ele geme. — Vamos ter um bebê!
— Foi o que disse. O tiro afetou seu ouvido também? – ele sorriu e me apertou fortemente contra seus braços. — Peter está me sufocando!
— Eu sinto que vou desmaiar.
— Desmaia e eu te jogo dessa cama sem dó nem piedade.
— E vai deixar seus filhos sem pai?
— Continua com isso e você vai ter a resposta. – ele sorri me beija.
— Foi a melhor notícia que eu poderia ouvir nesse momento. – ele sorriu novamente. — Ter um filho com você é tudo que eu mais quero no mundo. – foi a minha vez de sorrir. — Eu não posso acreditar!
— Eu também não. – ele ri e depois fica sério.
— Então é por isso que está no hospital. O que aconteceu? É algo com bebê? Algum problema sério?
— Não, não. Se acalma Peter. – digo rindo. — Está tudo bem. É que no dia que tudo aconteceu, eu fiquei muito nervosa. Fora que um maldito tinha me empurrado contra a parede. MAS, eu estou bem. Só estou um pouco desidratada e anêmica.
— Sabe que agora eu vou pegar no seu pé não é?
— Ah, eu sei.
— Quando vai sair?
— Amanhã pela manhã.
— Certo. – beijou o topo da minha cabeça. — Então era por isso que você estava toda sensível, chorando por tudo. – apertou minhas bochechas. —Que coisinha fofa.
— Para Peter! Não é fofo.
— É sim, um bebezinho.
— Ridículo! – ele sorri e logo depois soltou um bocejo. — Você está com sono, vamos dormir.
— Tá bom. – me deu um selinho. — Boa noite.
— Boa noite.
Alguns minutos depois caímos em um sono profundo.
***
No dia seguinte acordei por volta das oito com o médico me expulsando do quarto de Peter e dando graças a Deus por me dar alta.
Emilly e Ryan vieram para Ryan ficar um pouco com Peter e Emilly me levar para casa.
— Eu não aguentava mais ficar aqui, é um saco! – digo após sair do banheiro vestida com minhas roupas.
— Eu posso imaginar. – Emily sorri. — Vamos indo nessa?
— Vamos, vou me despedir de Peter.
— Ele acabou de ir fazer exames, vai demorar a voltar. – Emilly diz me mostrando a mensagem de Ryan.
— Ah, não acredito! – resmungo. — Vamos nessa. – saímos do quarto e caminhamos até o elevador. Emilly e eu conversamos até chegar ao estacionamento. Assim que nos colocamos para fora dei de cara com a última figura loira que eu imaginava ver. — É um pesadelo, né? – ela me sorri se aproxima.
— Não me onfenda dessa forma. – ela diz parando em minha frente.
— Mãe, o que faz aqui?
— Fiquei sabendo o que houve e vim correndo. Como se sente?
— Como eu deveria me sentir numa situação dessas? – a encaro.
— Só perguntei por educação. – diz se fazendo de ofendida.
— Bem, acho que vou indo nessa. – Emilly diz me sorrindo. — Foi um prazer, Beatriz.
— O prazer foi meu, querida. – as duas se despedem com beijinhos.
— Calma, isso tudo foi um plano de vocês duas? – questionei minha mãe.
— Talvez. – sorriu. — Vamos? – afirmei e a segui. — Cheguei no Brasil e Anna e seu irmão me contaram o que houve, não perdi tempo em vim direto para cá. – diz me ajudando a entrar em um carro preto.
— Que milagre. – debochei.
— Samantha, eu não sou um monstro. Não é como se eu não me preocupasse com você e seu irmão. – não respondi e desviei o olhar para a janela. Ela ligou o carro e nos guiou para fora do hospital. Foi então que vi um acúmulo de pessoas na frente do hospital.
— Que gente toda é aquela?
— Seu namorado é um grande empresário, a mídia amou a história e veio correndo. Você está em vários sites de fofoca.
— Isso é sério? – a questionei perplexa.
— Sim.
— Meu Deus! – ela ri.
— Minha filha é uma heroína. – sorriu orgulhosa.
— Por que veio? Você raramente se importa com o que acontece comigo.
— Isso é mentira! Eu me importo sim, me desculpe se não venho correndo com freqüência. Mas eu me importo sim, querendo ou não vocês são meus filhos e eu amo vocês. – parou no semáforo.
— Tá, entendi.
— Peter é um grande homem, felizmente você puxou meu bom gosto para homens.
— Conheceu Peter? – a encarei incrédula.
— Sim, estava proibida por acaso? – abri minha boca perplexa.
— Falaram sobre o que?
— Sobre minha filha, talvez?
— Mãe!
— O que? Não podia? – não respondi. Ela voltou a colocar o carro em movimento. — Eu realmente gostei dele, ele é um bom moço.
— Sim, é.
— Samantha, eu sei que errei, não vou negar em nem vou me ajoelhar no chão fazendo cara de arrependida pois o universo não vai sentir pena de mim e voltar a trinta anos atrás e consertar tudo. – começou. — Me arrependo? Sim, muito. Mas agora não tem volta, e eu realmente entendo que tenha raiva de mim. Mãe nenhuma abandona seu filho dessa forma.
— Sim, concordo.
— Eu estou orgulhosa de você. E não é orgulho por você construir uma família, pois você não se resume a apenas isso. Você é única, e isso é algo que eu admiro você. Eu nunca fui cem porcento com essa ideia do seu pai e do seu irmão em você ser normal, minha filha maluquinha é única. Não tem por que ser normal igual os outros. – sorrio.
— Por que está me dizendo isso agora?
— Porque passei um logo tempo sem dizer isso. Se não fosse para ter filhos doidinhos de pedra eu nem abria as pernas!
— Mãe! – a olhei incrédula.
— O que é? Estou mentindo? E acho que você não é mais uma criancinha.
— Sim mãe, mas não precisa ficar me fazendo imaginar certas coisas. Que nojo! – fiz uma careta.
— Eu sou sem filtro, desculpe. – sorrio. — Eu só quero tentar recuperar o tempo perdido. Mesmo sendo dificil, tenho que dizer que estou ficando velha.
— Você não está velha, mãe.
— Posso fazer o meu drama em paz?
— Certo, continue.
— O que eu quero dizer, é que depois que Matteo se foi os meus olhos se abriram. Eu perdi uma pessoa que eu amava tanto e não suportaria perder mais nenhuma outra. Quero estar do seu lado e do lado só seu irmão, quero estar por perto dos meus netos.
— Certo, mãe. Eu acho que entendi. – suspiro.
— Espero que realmente tenha entendido um pouco. – Ela para o carro em frente a um restaurante. — Vamos comer um pouco? Deve estar com fome.
— Na verdade, eu quero vomitar. – digo sentindo um forte enjôo.
— Está falando sério? – me encarou e eu afirmei. — Tudo bem, vamos. – descemos do carro e entramos no restaurante. — Com licença, onde é o banheiro?
— Lá atrás? – a recepcionista diz com o cenho franzido.
— Obrigada, vamos. – me puxou para a direção que a moça disse. Entramos no banheiro e eu fui de encontro com a privada. — Comeu o que hein? – minha mãe questiona segurando meus cabelos.
Assim que terminei de colocar as tripas para fora, fui até a pia lavar a boca e o rosto.
— Está melhor? – ela questiona preocupada.
— Mãe, eu estou grávida. – ela abre a boca em choque.
— G-grávida? – afirmo e sorrio. Ela coloca a mão sobre a boca e depois sorri largamente. — Meu Deus! Isso é... Me segura, eu vou desmaiar.
— Por favor não! – a seguro. Ela me sorri e me abraça forte.
— Eu estou tão feliz, querida. – se afastou e me encarou com as lágrimas nos olhos.
— Me dá um conselho de mãe, estou precisando. – peço com as lágrimas caindo.
— Seja para os seus filhos o que eu não pude ser para você e seu irmão. – enxugou minhas lágrimas. — Esteja sempre ao lado deles, dê amor e carinho e principalmente não os ensinem a escalar coisas. – franzi o cenho.
— Calma, foi você quem me ensinou a escalar as coisas? – a encarei e ela riu.
— Você tinha uns três anos, achei interessante te ensinar a escalar a estante. – coçou a nuca e eu gargalhei.
— Mamãe!
— Me chamou de mamãe. – arregalou os olhos. — Não me chama assim a um século, meu Deus eu preciso registrar esse momento. – diz pegando o celular na bolsa.
— Mãe, para! – rio e ela para me abraçando novamente. — Você pode por favor ficar ao meu lado? Seria muito importante para mim ter você. – ela se afasta e sorri.
— Mas é claro! Tenho muito o que ensinar para Agatha sobre o espaço, sabe bem que Brianna e Thomas não dão a mínima sobre meu amor pelos planetas. – sorrio.
— Aposto que ela vai amar! – sorrio.
— Já que você já vomitou até os neurônios, vamos comer para ter o que vomitar mais tarde?
— Vamos, eu realmente estou com fome.
— Então vamos. Sabia que na sua gravidez eu não comi quase nada? Você não deixava! Espero que seu bebê vingue a vó dele também. – riu maldosa enquanto saiamos do banheiro.
— Credo mãe!
— Credo nada, você me fez recusar sorvete. Você era um monstrinho.
— Meu bebê não vai fazer isso com a mamãe dele. – coloco minhas mãos sobre meu ventre.
— Ah ele vai, e eu vou rir muito. – sorriu.
Eu finalmente estou tendo algo que sempre desejei, mas o medo de saber até quando isso vai durar me deixa um pouco apavorada.
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