67 - SAMANTHA
Acordei as sete da manhã.
Vesti uma calça jeans escura e uma camisa preta. All Star preto e desci. Entrei na sala de estar e me enjoei.
Não é o meu bebê é só o pai dele e essa Laura que não se desgrudam.
— E então? Preparados? – perguntei.
— Está tudo conforme o combinado. – o detetive diz.
— Tá. – sai e fui até a sala de jantar.
COMIDA
Me sentei e comecei a pegar tudo o que tinha. Tudo o que eu tenho direito.
— Alguém acordou com fome. – escuto Peter dizer.
— Fome é pouco. Parece que eu não como a anos. – digo.
— Ah, esqueci algo. – ele vai até a cozinha e eu dou de ombros continuando a comer. Logo ele volta e coloca um pote de Nutella na minha frente.
— Você comprou Nutella para mim? – perguntei.
— Claro. – ele responde. — Sei que você gosta.
— Eu amo! – digo abrindo pote. — Obrigada.
— Não me agradeça. Eu iria agradecer se você desistisse dessa ideia maluca. Você tem realmente certeza de que quer fazer isso? – ele pergunta e se senta a mesa.
— Tenho. – pego uma colher e a mergulho no pote de Nutella. — Você sabe que pela Agatha eu sou capaz de fazer qualquer coisa. – coloquei a colher na boca.
— Sei. – ele suspira. — Só estou preocupado.
— Não sei preocupe. Nós vamos conseguir. – pisquei para ele.
— Para Brian! Está me irritando! – Anna entrou na sala tampando os ouvidos e Brian logo atrás.
— Você poderia se machucar sabia? Você deveria ter descido as escadas devagar. – Brian diz.
— Brian, vê se coloca na sua cabeça. Gravidez não é doença. A médica aqui sou eu! – ela diz e se sente a mesa.
— Eu só me preocupo com você. – ele diz. Fiz merda! Para variar...
— Eu sei. Mas você está exagerando. – ela diz.
— Tudo bem. – ele suspirou e se sentou ao lado dela.
— Desculpe. Não fique chateado, só detesto quando você é grudento de mais. – ela diz apertando as bochechas dele.
Por que a vida é tão má comigo?
— Samantha. – Peter chama minha atenção. — Está tudo bem?
— Por que não estaria? – pergunto. — Vamos, temos que terminar de planejar as coisas. – me levantei e fui até a sala de estar com Peter logo atrás.
Conversamos por um longo tempo sobre como as coisas iriam acontecer, para que ninguém tivesse dúvidas.
Já no horário de ir, eu e Peter vestimos roupas iguais. Só um imbecil para achar que eu sou Peter, mas vamos que vamos.
Brian me abraçou até eu quase não ter ar. E tentou me amarrar com a Dora para eu não ir. Não rolou.
Sem muitas cerimônias de despedidas, saímos da casa em direção ao Central Park. Não nego que estou nervosa, mas nada vai fazer eu mudar de ideia.
Coloquei minha pulseira e a escondi com a blusa.
Em poucos minutos chegamos ao Central Park. Antes de cada um ir para seu "posto", Peter me puxou.
— Eu só quero dizer uma coisa, independentemente do que aconteça. – ele diz.
— Diz.
— Eu te amo. – o encarei e sorri fraco.
— Eu também te amo. – ele me abraçou. Isso está parecendo um Adeus e eu não estou gostando disso. — Vamos lá, logo eles vão chegar. – digo me soltando de seus braços.
— Sorte para nós.
— Sorte. – digo e me afasto. Coloco o capuz e ele também. Ele fica com a mochila em mãos e eu atrás da árvore. Alguns minutos um carro preto parou na frente de Peter. A porta de trás se abriu e Peter entrou no carro.
EU NÃO ACREDITO!
Ele me enganou! Ele fez exatamente ao contrário.
O carro deu partida, saindo em alta velocidade.
Eu não posso acreditar!
Sai de trás da árvore totalmente revoltada e me sentei em um dos bancos de lá. E se acontecer algo com Peter? E se ela obrigar ele a fugir com ela?
Um carro se aproximou. Era o detetive e sua tropa.
— Ei. – Brian sentou ao meu lado.
— O que faz aqui? – perguntei.
— Eu sabia que estaria aqui. – o encarei.
— O que?
— Acha mesmo que eu deixaria você se arriscar assim? Você é minha irmã, minha missão é te proteger.
— Você fez o Peter mudar de ideia? Foi você? – lhe dei alguns tapas.
— Não fiz ele mudar de ideia, e ele nunca teve o seu plano maluco em mente. Eu só por acaso, tentei convence-lo a mudar de ideia. Mas foi ai que ele disse que não deixaria você ir. E eu concordei com ele.
— Ele pode estar correndo perigo.
— E você não iria estar? Você e o bebê. – o encarei. — Sim eu já sei Samantha. E não foi fácil aceitar que aquele cara tirou sua pureza.
— Brian, eu não sou mais uma criança.
— Tanto faz. – ele bufou. — Eu estou aqui para te apoiar.
— Se é para me apoiar, por que não deixou eu ir?
— Porque era a sua vida e a do bebê que você carrega que estava em jogo. Não poderia arriscar. Eu tenho muito para ensinar para o meu sobrinho.
— Olha bem o que você vai ensinar para ele. – eu digo. — Ou ela.
— Ou eles. – Brian diz e eu lhe dou um empurrão.
— Está louco menino? – digo e depois solto uma risada.
— Ei gente! Conseguimos a localização! – o detetive gritou. Eu e Brian fomos até ele que estava com um Ipad em mãos. — É em uma fábrica abandonada, a alguns minutos daqui.
— Como conseguiram? – perguntei.
— Peter trocou as pulseiras. – o detetive disse e olhei para meu pulso. Mas como?
— Não acredito! – digo chocada. — Então vamos! – digo. — Brian, tente me impedir!
— Tudo bem. Eu vou ligar para a Anna. – ele diz pegando o celular.
— Não vai ser preciso. – Anna diz se aproximando junto a Emilly e Ryan. — Vamos nessa! – Eu a encarei e sorri. Entramos nos carros e partimos.
Em alguns minutos chegamos na fábrica. Não tinha nenhum sinal de polícia. Encarei o detetive que estava confuso como eu.
— Não entendo, era para eles estarem aqui.
— Eles não estão, mas eu estou. – digo e saio do carro.
— Samantha, é melhor tomar cuidado. – o detetive diz.
— Tentarei. – Não esperei ele responder, apenas segui para a entrada da fábrica.
Entrei com cuidado. Ouvi alguns passos e corri atrás de uma máquina velha para me esconder. Vi dois homens passarem. Com cuidado sai de trás da máquina e segui onde o ouvia algumas vozes. Me escondi atrás de uma parede e chequei o que era.
Agatha estava amarrada e uma cadeira enquanto chorava. Peter também. A diferença é que no lugar de lágrimas, ele tinha raiva nos olhos.
Uma mulher loira, estava em pé encarando os dois.
Elize.
— Você achou mesmo que eu iria te deixar em paz? – ela pergunta. — Não. Não mesmo!
— E por que? Pensei que a sua carreira era mais importante. – ele diz.
— Peter essa é a chance de nós sermos felizes. – ela diz.
— Você está completamente louca! Você desperdiçou a chance de sermos felizes a cinco anos atrás.
— Peter, você está me obrigando a fazer o que eu não quero! – ela diz. — Eu quero ficar com a minha filha.
— Sua filha? – ele riu sem humor. — Agatha nunca foi a sua filha.
— Eu coloquei ela no mundo.
— Mas a abandonou!
— E não me arrependo! – ela quase grita. Essa mulher só pode ser louca. — Sabe realmente por que eu voltei? Porque eu quero você de volta. Quem sabe podemos viver de onde paramos. Eu você, e até a Alice.
— O nome dela é Agatha! Agatha! Você nem se quer sabe o nome dela. Pega a sua grana e some da nossa vida. Eu não te quero.
— Se você não me querer, você não vai querer mais ninguém. – ela diz. — Ou você acha que vou deixar você ficar com qualquer uma?
— Qualquer uma não, linda. – digo me aproximando. Ela se vira no mesmo momento e Peter fica sem reação alguma. — Eu não sou você.
— Quem é você? – ela pergunta.
— Mamãe!! – Agatha gritou fazendo meu coração se partir.
— Mamãe? – ela pergunta. — Então você quem está se metendo com a minha família?
— Família? Que você abandonou? – soltei uma risada sem humor. — Aceita que você perdeu e some daqui.
— Quem você pensa que é? – ela pergunta e no mesmo momento dois outros homens aparecem me segurando pelos braços. — Você não vai roubar o meu lugar tão facilmente.
— Um lugar que nunca foi seu! Que você nunca ocupou! – digo tentando me soltar daqueles imbecis. — Você acha que é tão fácil assim? Você voltar e recuperar o que realmente nunca foi seu? Você estragou isso. Você não é digna de ter Peter e Agatha como família.
— Se o problema é a garota. A leve, realmente não vai fazer falta. – ela diz com desprezo. — Me arrependo de ter a colocado nesse mundo. E isso é culpa sua. – vai até Peter apertando seu rosto com suas unhas. — Se não tivesse me obrigado a seguir com a gravidez, nada disso estaria acontecendo. Nós seríamos felizes.
— Cala a boca!! – ele gritou tentando se soltar.
— Eu voltei para demonstrar o meu desprezo por vocês dois! – apontou para Agatha e Peter. — Mas especialmente por você. – se abaixou até Agatha e eu tentei me soltar mais uma vez. — Você destruiu a minha vida. Você me obrigou a deixar o homem que eu amava. – Agatha chorou.
— Você é uma bruxa! – Agatha gritou.
— Você saiu de dentro de mim, se sou uma bruxa, você também será. – Elize diz sorrindo.
— Se você dizer mais alguma coisa para Agatha, eu acabo com você! – Peter diz entre dentes e Elize sorri.
— Pois digo. – apertou o rosto de Agatha. — Você é um desperdício. – Antes que ela continuasse a dizer alguma coisa eu chutei um dos homens e lhe dei um soco. O outro tentou me segurar mas lhe dei uma joelhada no meio das pernas. Corri até Elize a puxei pelos cabelos a jogando longe.
— Você não vai dizer mais nada para MINHA filha! – acertei um tapa em seu rosto. — Minha! A única que é um desperdício aqui é você. Eu deveria era processar os seus pais também, se não fosse por eles nada disso estaria acontecendo. – ela rola ficando em cima de mim e me acerta um tapa.
— Você não é ninguém! Sua imbecil! Não se meta onde não é chamada. – acertou dois tapas em meu rosto. Ela se levantou e correu pegando um revólver. — Se você se aproximar, eu atirarei nela. – apontou para Agatha.
— Seja mulher e venha me enfrentar. – digo. — Ou a bonequinha tem medo de quebrar a unha?
— Eu estou avisando! – se aproximou de Agatha.
— As deixe Elize! Você já me tem, agora as deixe ir. – Peter diz.
— Tenho você? – o encarou. — Vai deixa-las e ir embora comigo?
— Vou. Só não as machuque. – ele diz. Quando ela tenta se aproximar dele eu a agarro e tento tirar a arma de suas mãos.
— Me solta, sua idiota! – ela tenta me empurrar.
Lhe dou um empurrão a fazendo cair e retiro a arma de sua mão jogando em qualquer lugar. A puxei pelos cabelos a fazendo ficar em pé e a empurrei com força contra uma máquina antiga.
— Isso é por dizer coisas feias para Agatha! – lhe empurrei para outra máquina a fazendo bater as costas na mesma. — Essa é por cogitar a ideia de machucar minha filha. – lhe dei um forte tapa na face. — E essa é por ser uma vadia! – lhe joguei para uma parede a fazendo cair no chão. — Nunca mais tente dizer um 'A' para a minha filha!
Um homem me agarra e me empurra contra outra parede com força.
Droga!
Quando ele se aproxima com uma arma apontada para mim e é acertado por um soco de Peter.
Outro homem aparece e acerta Peter com um soco. Tenta se aproximar de mim mas é acertado com um chute na cara.
Oi?
Olhei para a pessoa me assustei. Anna?
— Desde quando sabe lutar? – pergunto enquanto ela me ajuda a me levantar.
— Acha mesmo que da para viver nesse mundo sem aprender a se defender? A internet é um ótimo lugar. – piscou para mim.
Quando vi por mim Peter estava aos socos com um cara. Ryan com outro. Brian com outro. Emilly nas costas de um cara lhe puxando pelas narinas.
Olhei o local procurando Agatha.
Um homem a pegou no colo. Corri até ele e lhe dei uma rasteira e depois um soco, o deixando desacordado.
Peguei Agatha no colo e a abracei.
— Você está bem? – perguntei.
— Sim. – me abraçou mais forte.
Olhei para Peter o vendo acertar um soco na cara de outro homem e o fazendo cair.
A polícia finalmente chegou.
Acabou.
Todos eles estavam no chão.
Peter me olha com a respiração acelerada.
— Dessa vez não! – a voz de Elize é ouvida. Peter se vira para encara-la e um disparo é ouvido.
NÃO!
Peter me encara e depois cai no chão. E posso ver Elize toda trêmula e toda machucada, ensanguentada com uma arma em mãos.
Rapidamente coloquei Agatha no chão e corri até Peter.
— Peter! Peter! – me ajoelhei até seu corpo caído no chão. — Peter! Não faz isso comigo por favor. – seus olhos estão abertos e sua respiração falha e sua barriga começando a sangrar. Meu rosto já está completamente cheio de lágrimas. — Peter não me deixa! Você não pode fazer isso comigo. Temos muito o que fazer. – coloquei minhas mãos em seu rosto. Anna se aproxima e checa sua pulsação.
— Eles já estão vindo. – escuto o detetive dizer.
— Então chama de novo. – soltei um soluço vendo Anna fazer pressão contra seu ferimento. — Peter, amor por favor.
— Eu... – ele tenta. — te amo. – meu coração parece que foi atingido.
— Eu também te amo. Te amo. Te amo. Te amo! – encostei meus lábios nos seus. — E é por isso que você não pode me deixar.
— Não vou. Ou acha que eu vou deixar você aprontar com Deus e mundo? – ele sorri tentando se levantar mas Anna o impede.
— Me desculpa. – soltei um soluço. — Eu sou uma idiota.
— Shhh. – ele diz passando as mãos em meu rosto.
— Não faz shh para mim. – digo e ele sorri.
— Senti sua falta.
— Eu também. – digo.
— Me dá um beijo? – Eu sorri e encostei nossos lábios.
— Satisfeito? – perguntei e o encarei.
— Muito. – ele diz sorrindo e seus olhos se fecham.
— Não. – deitei minha cabeça em seu peito.
Ele não pode me deixar.
Ele não pode nos deixar!
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