60 - PETER
Acordei sentindo mais uma vez um vazio. Não só dentro de mim como no espaço da cama ao meu lado.
Eu já tinha me acostumado com a presença dela. Quando eu dizia que não saberia viver novamemte sem ela, eu não estava brincando.
Me levantei e fui até o banheiro. Me despi e entrei de baixo do chuveiro deixando a água quente cair sobre meus ombros.
Deixei que os pensamentos invadissem a minha mente.
Alguns longos minutos depois, sai do banho. Me sequei e fui até meu closet, que agora era ocupado apenas por minhas roupas. Peguei uma camisa branca e uma calça de moletom cinza.
Nem ferrando eu vou para a empresa hoje, não tenho cabeça e nem ânimo.
Arrumei a cama e sai do quarto encontrando Marie no corredor.
— Bom dia, Marie. Agatha já acordou?
— Bom dia senhor. Ela já está acordada, porém não se sente bem. – franzi o cenho.
— O que ela tem?
— Ela está com um pouco de febre, e diz se sentir enjoada. Eu dei um remédio para ela.
— Tudo bem. Eu vou ve-la. – digo e sigo entrando em seu quarto a vendo encolhida em sua cama. — Agatha? O que há? – me sentei em sua cama.
— Eu me sinto mal, e Marie disse que estou com febre. – coloquei a mão em sua testa vendo que sua temperatura realmente está alta. — Papai, eu quero a mamãe.
— Filha, você a ouviu. Ela disse que irá voltar, não se preocupe.
— E se ela não voltar? E se ela fazer o que a minha outra mamãe fez? – vi seus olhos encherem de lágrimas e partiu meu coração mais ainda. A puxei para o meu colo e a abracei.
— Ela não vai, ela é diferente. Não esqueça que ela disse para você ligar para ela quando você quisesse. – ela assentiu. — Descanse um pouco, vou pedir para o Dr. Morgan vir te consultar e depois eu te ajudo a ligar. Ok?
— Tá bom. – a coloquei na cama novamente. Logo Marie adentra no quarto com uma xícara de chá.
— Senhor, a senhorita Pilar está lá em baixo e deseja falar com o senhor.
Desejo paz no mundo e nem por isso tenho.
— Tudo bem, obrigado. Pode ligar para o Dr. Morgan para mim? Quero que ele consulte Agatha.
— Claro, farei isso imediatamente. – garantiu.
— Toma direitinho o chá, tá bom? Papai já volta. – ela assentiu e dei um beijo em sua testa. Sai do quarto e desci as escadas e não encontrei Pilar. Fui até a sala de estar e ela também não estava. Resolvi sair da casa e a encontrei no jardim com um homem desconhecido. Os dois discutiam.
— Senhor. – Jack aparece. — Eu só deixei ele entrar pois Pilar disse que o conhecia.
— Tá, tudo bem.
— E o detetive Grayson e mais dois policiais estão entrando. – franzi o cenho.
— Tudo bem. – ele se afastou.
O que Grayson queria depois de tanto tempo?
Enquanto este não chegava, me aproximei um pouco de Pilar e do tal desconhecido dando para ouvir a conversa.
— Como você me achou?! – ela pergunta alterada. — Você tem algum tipo de problema? Eu já disse que não quero mais nada com você!
— E quem disse que eu quero? – o homem pergunta debochado. — A única coisa que eu quero, é os meus direitos.
— Que direitos? Você só pode ter fumado alguma droga! – ela riu sem humor.
— Meus direitos como pai. Sabemos perfeitamente que esse filho que você carrega é meu!
— Quem te iludiu com isso? Esse filho é do Peter. Agora sai daqui e me deixa em paz! – ele a puxou pelo braço e a encarou.
— Você sabe que eu tenho provas. Você não pode me impedir de criar nem de acompanhar o meu filho. – ele diz.
— Você pode até ser o pai, mas não tem dinheiro para nos sustentar. Você não tem dinheiro nem para arrumar um advogado. Sai daqui! – ele a solta e começa a rir.
— Pois saiba que eu tenho dinheiro o suficiente para não só contratar um advogado, como tenho para sustentar o meu filho, não você.
— Pouco me importa, eu já tenho o que eu preciso. Peter Miller. Ele acredita que essa criança é dele e vai continuar acreditando. É a minha palavra contra a sua, então não perca o seu tempo tentando provar o contrário. Peter nunca vai cair na sua. – sorriu para ele.
Eu estava pronto para interagir, mas Grayson e mais dois policiais se aproximaram.
— Finalmente te encontrei, senhorita Monteary. – Grayson sorriu a pegando de surpresa.
— O-o que faz aqui? – perguntou trêmula.
— Vim aqui dizer que a senhorita está presa. – sorriu mostrando o mandato em mãos. — Presa pelo sequestro de Agatha Miller.
— Isso é um absurdo! – ela exclama nervosa.
— Eu também acho, como pode ser tão cara de pau? – ele questionou rindo. — Vamos lá, algemem-a. – ordenou e os homens o fizeram.
— Isso só pode ser um engano! Me soltem! – se debateu. — Chamem o Peter, isso é um engano!
— Ai é que você se engana. – eu digo a fazendo se assustar.
— P-Peter... diz que é um engano! Eu não fiz nada disso!
— Poupe o meu tempo tentando se explicar.
— Peter, eu carrego seu filho aqui dentro! Não pode fazer isso comigo! – diz ainda se debatendo em desespero.
— Eu já sei a verdade, Pilar. Ouvi tudo da sua boca, então nem tente. Essa criança já tem um pai para protege-lo de suas garras e não sou eu. – encarei o rapaz ao seu lado. — Podem leva-la! – os dois homens afirmam a arrastando.
— Peter, não!! É tudo mentira! – grita mas nem dou ouvidos.
Grayson para em minha frente.
— Como conseguiu? – questionei. — Achei que o caso tinha sido encerrado por falta de provas.
— Sua namorada exigiu que reabrissem o caso. – sorriu. — Ela fez todo mundo trabalhar como se não houvesse amanhã e fazer do impossível o possível.
— Samantha quem fez isso? – questionei ainda em choque.
— Sim, uma mulher de ouro. – deu dois tapinhas em meu ombro. — Qualquer coisa eu entrarei em contato. Mas por agora, pode respirar aliviado. Até a próxima! – acenou e se afastou.
Samantha novamente me deixando sem exatamente o que dizer.
Adentrei a casa novamente e subi para o quarto de Agatha a encontrando sentada na cama.
— Papai já estou melhor. Agora liga para a mamãe. Por favor!
— Dr. Morgan ainda não chegou. – coloquei minha mão em seu rosto a sentindo quente. — E você ainda está com febre. – ela fez um beicinho.
— Senhor, liguei para Dr. Morgan e ele disse que não poderá vir neste momento. Mas disse que esses sintomas podem ser apenas emocional. – Marie me informa.
— Emocional? – ela afirma.
— Devido aos últimos acontecimentos. – afirmei.
— A febre abaixou bastante?
— Abaixou bem pouco senhor. – Agatha lhe da um olhar repreendedor. — O chá ajudou bastante.
— Tudo bem. – retirei meu celular do bolso.
— Vou pedir para Anne preparar uma sopa para Agatha. Se não houver nenhum problema, é claro.
— Pode sim, não se preocupe.
— Obrigada. Com licença. – ela se retirou do quarto e me sentei na cama ficando de frente para Agatha.
— É isso mesmo que você quer? – perguntei.
— Sim papai, agora liga logo. – suspirei e disquei o número de Samantha e coloquei no viva-voz. Por mais que eu não fosse falar com ela, eu precisava escutar sua voz.
— Olha, não vamos criar expectativas. Pode ser que ela não atenda ou...
— Alô. – ela atendeu. Meu corpo paralisou ao ouvir sua voz. — Peter? Gatinha? Alguém? – olhei para Agatha a incentivando a falar.
— Mamãe?
— Bebê! – Não posso ver, mas tenho certeza que ela sorriu. — Como está?
— Mal. – Agatha diz fazendo beicinho dramático.
— Por que, amor? O que houve? – posso sentir a preocupação em sua voz.
— Estou dodói mamãe. Eu estou me sentindo mal, eu não quero ficar sem você. – as lágrimas ocuparam seus olhos. — Volta, por favor!
— Amor... eu não posso voltar agora. Se eu pudesse eu realmente já estaria aí. Mas eu tenho certeza que seu pai e a Marie estão cuidando bem de você. Eu estou aqui, com meus pensamentos em você. Faça disso um remédio para te fazer mais forte.
— Tudo bem, mas promete não demorar muito para voltar.
— Eu prometo, e não esqueça que eu te amo.
— Eu também te amo. Mamãe você vai voltar logo, não é? – a escuto suspirar do outro lado.
— Claro que vou! Quando você menos esperar eu já vou ter voltado, tá bom?
— Tá bom.
— Er... gatinha, tem alguém com você? – Agatha me encara e eu aceno para ela negar.
— Sim, papai. Quer falar com ele? – Agatha sorri.
— Gatinha eu...
— Fala oi papai. – Eu continuei em silêncio. — Não seja mau educado. – suspirei.
— Olá, Samantha. – digo sentindo meu coração acelerar. Por que estou agindo como um adolescente?
— Olá, Peter. Por acaso está me evitando?
— E-eu? Claro que não! Por que faria isso?
— Não sei. Tudo bem?
— Indo. E você?
— Na medida do possível. – e voltamos ao silêncio incômodo. — Eu tenho que ir agora. Vou visitar Pedro. Eu ligo mais tarde para lhe dar boa noite, pode ser gatinha?
— Pode mamãe. – diz um pouco mais animada.
— Tchau, meu Anjo. Até mais,m tarde. E melhora hein! Não quero saber de você dodói.
— Tá bom mamãe. E você também.
— Tá bom minha linda. E... tchau Peter.
— Tchau, Samantha. – e assim ela desligou. — Agatha por que fez ao contrário do que eu pedi?
— Porque eu sei que você também dente falta dela papai. Eu só queria te ver feliz.
— Obrigado filha, mas não é bem assim que as coisas vão se resolver.
— É sim. É só você usar essa caixinha na sua cabeça. Ela vai te ajudar. – sorriu docemente e lhe dei um beijo em sua bochecha.
— Eu te amo.
— Também te amo papai.
— Eu vou ligar para o tio Ryan, você fica bem sozinha?
— Sim. Estou beeeem melhor. – sorrio novamente.
— Bom saber, logo eu volto. – lhe dei um beijo na testa e sai do quarto me encostando na porta logo em seguida e soltando um pesado suspiro.
Não era para as coisas ficarem estranhas entre nós, mas não é como se eu conseguisse ficar 100% com tudo isso.
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