57 - SAMANTHA
Depois de sair da cafeteria, busquei Agatha na escola e a levei para andar no shopping e ouvi-la contar animadamente como fora sua noite na casa de Eleanor.
Assim que chegamos, levei um olhar super mortal de Peter.
Só queria dizer que foi muito bom andar naquela ferrari. Foi muito bom mesmo. Tipo MUITO bom mesmo.
Peter não falou comigo o resto do dia. Isso significava que eu era uma pessoa morta.
A noite finalmente chegou. Após o jantar, Marie foi colocar Agatha na cama. Antes que eu abrisse a boca para falar algo, Peter me mandou para o quarto.
Foi muito bom comer as comidas do mundo. Comer realmente é a melhor coisa no mundo. Mas, no céu tem pão?
Subi para o quarto, retirei meus tênis e fui até a sacada e encarei o céu.
Eu poderia fugir pela sacada.
Peter ainda não subiu para o quarto. Provavelmente está arrumando um jeito de me matar da forma mais dolorosa possível.
Olhei para baixo e suspirei.
Eu posso no mínimo quebrar umas três costelas. Nada de mais.
Passei uma perna pela grade da sacada.
A porta do quarto abriu.
Lascou-se!
— O que está fazendo? – ele perguntou. Retirei minha perna e me virei voltando para o quarto.
— Nada.
— Não é o que parece. - me encarou sério. Não sei se é de um jeito bom ou ruim mas que me arrepiou tudo.
— Mas não era nada.
— Você sabe que não deveria ter saindo com o meu carro sem minha permissão, não sabe? – começou.
— Sim.
— E mesmo assim saiu. – afirmou.
— Sim.
— Sabe que foi errado, não é?
— Talvez.
— Não se arrepende nem um pouco né?
— Não. Eu faria de novo. E de novo, e de novo. – ele se aproxima ficando cara a cara comigo. Nossas respirações batiam no rosto um do outro.
— Faria? – arqueou uma de suas perfeitas sobrancelhas.
— Sim. Seu carro está em perfeitas condições, se quiser pode ir até lá e ver.
— Não, muito obrigado. Prefiro ficar aqui e ver você. – me encarou com uma intensidade.
— Peter...– espalmo minhas mãos em seu peitoral coberto pela camisa branca. — acho que nós já brigamos o suficiente, não acha? Por que não partimos logo para a reconciliação e esquecemos o passado? – encarei na mesma intensidade.
— E por que eu deveria te ouvir?
— Porque eu estou pedindo? – pergunto depositando leves beijos por seu maxilar. — Ou porque você sente tanta falta de mim quanto eu sinto de você? – enlaço meus braços ao redor de seu pescoço lhe olhando nos olhos.
— Parabéns, você venceu. – disse antes de avançar em meus lábios e me puxar mais para sí para aprofundar o beijo.
Suas mãos estavam em meus quadris os apertando, enquanto minhas mãos já estavam em baixo de sua camisa arranhando seu abdômen.
A puxo para cima a retirando e jogando em qualquer canto do quarto. Ele fez o mesmo com a minha e voltou a me beijar. O empurrei na cama, o fazendo cair sentado. Me sentei em seu colo colocando as pernas cada uma ao lado de seu corpo.
O puxei mais para mim e mordi seu lábio inferior o ouvindo grunhir. Sorri e depositei alguns beijos em seu pescoço. Suas mãos foram para fecho do meu sutiã e o abriu, retirando o mesmo e jogando por sabe se lá onde.
Desceu suas mãos pelas minhas costas me deixando arrepiada. Mordi o lóbulo de sua orelha e o encarei. Me levantei ficando de frente para ele e terminei de me despir. Ele fez o mesmo, já despido ele me puxou colando nosso corpos e me beijou novamente, passando suas mãos por todo o meu corpo.
Com cuidado me deitou na cama e ficou por cima de mim, deixando suas mãos passearem por meu corpo.
Não demorou muito para que estivéssemos fundidos um no outro em perfeita sintonia e sincronização.
Enfim éramos um só.
Ao chegarmos em nosso limite total, seu corpo caiu sobre o meu me cobrindo por inteira. Segundos mais tarde Peter rolou para o lado e focou no teto assim como eu, esperando nossas respirações se normalizar.
— Samantha... posso dizer uma coisa?
— Diz.
— Eu...
— Você? – o encarei.
— Não sei. – suspirou.
— Você ia dizer algo, diz.
— Eu te amo! – o encarei e soltei uma risada.
— Nossa, Peter. Por causa de uma transa e você já está assim?
— Eu estou falando sério Samantha. Eu te amo! – o encarei novamente vendo sua expressão séria.
Parece que o mundo se deslocou e saiu rolando universo a fora.
Eu ouvi o que penso que ouvi?
Eu devo estar delirando.
— O que disse? – perguntei.
— Eu te amo! – ele repetiu. — Amo mais do que pensei que amaria. – rolei na cama ficando em cima dele e o encarei.
— Me ama? Me ama mesmo?
— Amo. Você me conquistou com seu jeito louco e desequilibrado de ser. Fez eu conhecer seu mundo, suas fraquezas, seus objetivos, seus sonhos. Eu detestava as pessoas que não fossem igual mim, que não tivessem a mesma educação que eu ou que agissem de outra forma. Eu me apaixonei exatamente pela pessoa que é totalmente oposta à mim. Você fez eu perder esse preconceito. Você derreteu o gelo que eu tinha dentro de mim de uma forma que não consigo explicar. – eu só posso estar sonhando. — Você é a única mulher que eu amo. Não acredite no que a Pilar disse. Eu nunca disse nada do tipo nem para ela nem para outra mulher, juro pelo que você quiser.
— Nem mesmo a defunta? – ele suspira.
— Sim. – confessou. — Mas é passado, ela me machucou. Tudo o que eu sentia por ela acabou no minuto em que ela saiu por aquela porta.
— Isso é muito para eu processar. – digo me sentando na cama e ele fazendo o mesmo. — Como sabe sobre o que Pilar me disse?
— Emilly me contou, e nem pense em brigar com ela.
Brigar eu não sei, mas arranhar a cara dela talvez.
— Eu resolvi te dizer isso agora pois tive medo de te perder, perder por absurdos que aquela louca diz. Eu não queria dizer assim, era para ser algo mais romântico. – coçou a nunca frustrado e eu sorri.
— Eu também te amo Peter. – Eu disse isso em voz alta? O vejo sorrir. — Também te amo. Jurei nunca me apaixonar, que isso não aconteceria mas aconteceu. Mas já dizia Justin Bieber, "Never say never". – cantarolei rindo. — Eu não sei como lidar com esse sentimento que acaba comigo de todas as formas, que me deixa confusa, me deixa fraca, me deixa sensível. Mas, é algo bom. Bem lá no fundo eu sinto que é bom. Anna me disse uma vez que o amor a gente não escolhe quando, nem como e nem o porquê. Ele simplesmente chega arrasando com tudo. – sorrio. — Ela estava certinha. – ele sorri e em seguida me beija.
— Eu simplesmente não consigo mais ficar sem você. – ele diz.
— Nem eu, e isso me dá um profundo medo. – digo deitando minha cabeça em seu peito sentindo um carinho em minhas costas. — Posso dizer em voz alta que eu te amo Peter Miller, por favor não me decepcione.
— Eu também te amo Samantha Campbell, farei de tudo para que me ame cada vez mais. – beijou o topo da minha cabeça. Me aconcheguei mais em seus braços.
Apenas deixei que o sono me levasse.
***
Acordei com uma forte preguiça.
Olhei para o lado e Peter não estava.
Me levantei com cuidado, cobrindo meu corpo com meu roupão. Entrei no banheiro, o retirei, liguei o chuveiro e entrei de baixo.
Peter disse que me ama.
Eu disse que o amo.
Estou tão... aliviada. É como se eu tivesse retirado algo do meu peito.
Por outro lado, eu estou confusa. E aquela onda de insegurança me ataca novamente.
Por mais que eu esteja sendo idiota por me deixar levar por palavras venenosas de uma cobra, não posso deixar de me deixar insegura. É a primeira vez que tenho sentimentos por uma pessoa. É confuso, eu não sei lidar, não sei como agir. Parece que depois que a gente finalmente aceita os sentimentos e coloca eles para fora, as coisas ficam piores do que quando você fingia que eles não existiam.
Depois de tomar meu banho, sai do banheiro e enrolei a toalha em meu corpo e levei um susto. Para variar...
— O que faz aqui? – perguntei vendo Pilar. Que diabos essa mulher faz aqui? — Adiquiriu seus dotes de demônio e veio testar? Como entrou?
— A porta estava aberta e seus seguranças não tem ordens para me barrar. – sorriu.
— O que você quer?
— Abrir os seus olhos.
— Pilar, faz um favor. Pega o trem para o quinto dos infernos e vai dançar valsa com o diabo! Me deixa em paz! – digo pegando algumas roupas.
— Você sabia que Peter já teve diversos casos com secretarias? – perguntou ignorando o que eu disse.
— Não. Exatamente porque você disse "Teve". Passado, já estudou isso na escola?
— Quem disse que ficou no passado? – riu. — Não é o que me disseram.
— Então te informaram mal.
— Você não sabe. Já disse que Peter não é o príncipe encantado que você pensa. E pelo jeito vocês tiveram uma linda noite de amor. – sorriu olhando o quarto. — Ele deve estar sorrindo igual idiota.
— Pilar, me deixa em paz. Vai cuidar do seu filho, vai na Internet e procura: Tutorial de como ser mãe de verdade. Quem sabe você aprende?
— Quem avisa, amigo é.
— Não sou sua amiga. Vai avisar outro, e não me enche o saco!
— Não me surpreenderia se você o encontrasse aos beijos com outra. Ou até em situações a mais que beijos. – riu. — Ah eu iria rir muito. – não me aguentei e virei duas grandes e fortes bofetadas na cara dela e puxei pelos cabelos até a sacada.
— Você queria me ver louca? Pronto! Conseguiu! Estou a beira de te jogar dessa sacada e acabar com você. Era isso que você queria, não era? Pois conseguiu! – puxei mais seus cabelos. — Diferente de você, que não sabe nem planejar um sequestro, eu tenho mente. Se eu te jogar daqui eu posso fazer com que seja um suícidio e ainda posso fugir para qualquer lugar. Se você quer mesmo causar a minha ira, pense bem. Eu não brinco em serviço!
— M-me solta! Me solta Samantha! – pediu em um fio de voz.
— Quer mesmo que eu te solte? – a aproximei mais da sacada.
— Me deixa sair, por favor. – ela está tremendo.
— Por que eu deveria? Você ofendeu varias vezes minha filha, sequestrou ela e a traumatizou, está tentando acabar com o meu relacionamento. Por que eu deveria deixar você ir Pilar?
— V-você é a mocinha da história. Mocinhas não matam. – soltei uma risada.
— Quem te disse que eu sou a mocinha? Acho que a criadora desse drama não lhe informou mas, eu estou bem longe de ser a mocinha. Quer uma prova disso? – inclinei-a novamente na sacada.
— T-tudo bem. Desculpe, não vou voltar a te pertubar. A-agora me solte, por favor. – soltei um suspiro e a puxei para dentro do quarto.
— Vê se aprende, pouco me importa o que você diz Pilar. E eu já estou farta de você. Farta! Se você quer ver o circo pegar fogo para você pegar o lugar do palhaço, sinto muito. Está no lugar errado! Agora sai daqui antes que eu perca minha sanidade! – a empurrei para fora quarto batendo a porta em seguida.
Respirei fundo e soltei todo o ar que me prendia.
Seu reinado vai acabar rapidinho Pilar.
Sorri com o pensamento e mandei uma mensagem para o número que eu já tinha guardado na memória.
Irei a empresa do Peter para saber sobre o tal estágio. Nunca fui lá, mesmo. Essa é uma ótima oportunidade. Meu celular vibra mostrando uma nova mensagem. Assim que abro, sorrio.
Mas antes, tenho que me encontrar uma pessoa.
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