56 - EMILLY
Bônus
Assim que sai da cafeteria me dirigi até a empresa dos Miller.
Eu tinha que falar umas boas para Ryan, mas esse não era o momento.
Estacionei meu carro no estacionamento da empresa e entrei no grande edifício. Entrei no elevador e apertei para o penúltimo andar, onde fica a presidência da empresa.
As portas se abriram revelando a mesa da secretária. Jenna estava sentada lá digitando em seu computador. Fui até ela e ela subiu o olhar para mim torcendo o nariz. Ela não vai com a minha cara e eu muito menos com a dela. Um dia eu ainda pulo no pescoço dela.
— O que deseja senhora Jones? – ela perguntou. Ela sabe bem que eu odeio que ela me chame de senhora.
— Peter está na sala dele? – pergunto direta.
— Sim. – a ignorei e segui até a porta alta de madeira a ouvindo dizer que eu não posso entrar sem ser acionada. Simplesmente entrei na sala encontrando Peter e Ryan, que me encaram surpresos. — Senhor, eu tentei dizer que ela não poderia entrar sem ser acionada.
— Está tudo bem Jenna, pode se retirar. – lhe dei um sorrisinho e um aceno.
— Com licença. – fechou a porta com raiva. Voltei minha atenção para os dois.
— O que faz aqui? – Ryan pergunta se levantando e me encarando.
— Aquieta aí que eu não vim falar com você. – digo e encaro Peter. — Meu assunto é com o seu irmão.
— Comigo? – Peter questiona franzindo o cenho.
— Não, o Papa. – ironizo e ele revira os olhos. — Sim Peter, você.
— Sobre o que quer falar comigo? – encaro Ryan.
— Ele tem mesmo que ficar aqui? – perguntei a Peter.
— Nem que você me chutasse eu sairia daqui. – Ryan diz me encarando e cruzando os braços.
— Olha que isso não está tão longe de acontecer. – sorrio. — Mas tanto faz, é sobre a Samantha.
— O que ela aprontou agora? – Peter pergunta se arrumando em sua cadeira.
— Ela sempre apronta alguma. – Ryan diz.
— Ryan, tem uma esquina próxima. Vai dar uma volta por lá, quem sabe você ache alguém interessante por lá. – o encarei mortalmente.
— Por que você não vai? – perguntou. Suspirei e o ignorei voltando minha atenção para Peter.
— Ela não aprontou nada. Eu não vou te dizer o que tem que se dizer pois só ela tem que dizer. – os dois me encaram confusos.
— O que? – os dois perguntam em uníssono.
— Deixa quieto. Só quero te pedir uma coisa Peter, peço que você não machuque ou magoe a minha amiga. Ela é insegura, você não pode ser tão tapado a ponto de não perceber isso. – ele me encara sério. — Ela é insegura com tudo, só se faz de forte, mas na verdade não é. A qualquer momento ela pode jogar tudo para o alto e fugir para o Alasca e mudar o nome dela para Felícia.
— Eu nunca faria isso. – ele reponde.
— Não é o que está parecendo. O que você tem na cabeça para levar a Pilar para debaixo do mesmo teto que a sua namorada que no caso, ela odeia, e a sua filha que no caso, ela sequestrou? Fumou tijolo?
— Eu estou confuso. Quando eu iria imaginar que a Pilar iria aparecer e grávida?
— Você nem sabe se o filho é seu e já está mimando ela.
— Eu não estou mimando ela. Eu só estou com medo de fazer algo que acabe prejudicando essa criança e no final seja meu filho. E independente de qualquer coisa, essa criança não tem culpa dos erros da mãe.
— Isso eu tenho que concordar. – Ryan diz.
— Te perguntei alguma coisa? – pergunto a Ryan o fazendo bufar. — O fato é: Essa mulher já foi encher a cabeça da Samantha, dizendo que você só quer brincar com ela. E se dizer um 'te amo' é porque irá joga-la para escanteio.
— O que? – ele pergunta incrédulo. — Nunca!
— E ainda disse que é louca por você porque você disse que amava ela várias vezes.
— Isso é mentira! Eu nunca disse eu te amo para nenhuma mulher além de Elize, eu estou falando sério.
— Eu sei. Sei também que você tem sentimentos verdadeiros pela Samantha, e não seria idiota de desperdiçar isso. Mas ao mesmo tempo eu tenho medo de estar colocando minha mão no fogo por você e acabar me carbonizando inteira.
— Eu não vou machucar Samantha, não se preocupe. – diz me olhando.
— Me promete?
— Prometo. – suspirei.
— Eu espero que você esteja ciente de que está fazendo uma promessa para Emilly Savannah Jones e não para qualquer uma! Prometeu para mim, tem que cumprir. Principalmente quando envolve minha melhor amiga.
— Eu já disse que vou cumprir.
— Você não disse que iria, apenas prometeu. – Ryan diz.
— Olha, ele tem um cérebro. – ironizo e Ryan revira os olhos.
— Eu irei cumprir. Eu não quero machucar a Samantha e nem vou.
— Não quero me intrometer na sua vida amorosa com a Samantha, não me entenda mal por favor. Eu só me preocupo com ela, depois que eu a conheci tanta coisa mudou. Eu não consigo imaginar mais a minha vida sem ela, sei que você também tem esse pensamento e sentimento.
— Eu te entendo perfeitamente Emilly. – Peter diz antes de soltar um suspiro. — Eu gosto da Samantha de uma forma que eu realmente não sei explicar. Ela faz de tudo pela minha filha, por mim, por você, ela é independente, ela não leva desaforo para casa, ela é sem filtro. Eu me apaixonei pela pessoa mais maluca do mundo, que tira meu sono desde o dia que chegou na minha casa me desafiando. – fez uma pausa e sorriu e depois me encarou. — Não está nos meus planos machucar ou magoar ela, se isso algum dia acontecer eu acho que nunca vou me perdoar. – sorrio com sua sinceridade.
— Isso é bom. – digo. — Prova muito quem é Peter Miller, gosto disso. – enxego uma pequena lágrima nos meus olhos. — Seu vacilão, eu vim aqui te ameaçar de morte e você quase me faz chorar! – ralho e ele ri.
— Me desculpe?
— Desculpo, mas continuando, se eu fosse você, eu tatuava na testa essa frase que vou dizer. – ele me encara afirmando. — Se machucar a Samantha, eu vou te machucar. – o encaro ameaçadora. — Aproveita e coloca um tracinho do lado escrito 'Emilly Jones'.
— Vou lembrar disso. – ele diz me dando um sorriso irônico.
— Aproveitando meus pedidos. Será que dá para um de vocês fazer algo bom para o mundo?
— Tipo? – Ryan pergunta.
— Demitir aquela coisinha lá. – Ryan revirou os olhos novamente. — Ela não me passa confiança alguma, e se ela me chamar de senhora novamente, eu vou ser obrigada a fazer um buraco na testa dela.
— Ela não me deu nenhum motivo para demiti-la. Desculpe Emilly, mas realmente não dá. – Peter diz.
— Se eu jogar ela da janela, vai contar como motivo? – perguntei.
— Você é muito agressiva, não acha? – Peter pergunta.
— Eu sou um anjinho. – digo sorrindo.
— Com dois chifres e um rabinho. – Ryan diz.
— Quente. – digo encarando-o.
— O que?
— Te perguntou? – digo e ele bufa.
— Você é uma pessoa muito irritante, tipo a irritação em pessoa. – ele diz.
— Ryan, olhe para suas mãos. – ele franze o cenho e faz. — Abra e fecha. – ele faz. — Mudou alguma coisa?
— Não.
— Exatamente, é a minha vida depois da sua opinião. – sorri para ele.
— Idiota. – ele diz.
— Aprendi com o maior de todos.
— Já está até abrindo uma faculdade com o seu nome né? – ele pergunta.
— Com o seu logotipo em baixo. – digo.
— Bem interessante essa dicussão de vocês mas eu tenho trabalho a fazer, não sei se vocês conhecem essa palavra ou o significado dela. – Peter diz intervindo.
— Bem, já dei o meu aviso. Tenho que ir, tenho mais o que fazer. Tchau Peter. – dou meia volta e saio da sala.
— Emilly, espera! – Ryan me chamou. Me virei e o encarei.
— O que foi? Veio discutir mais um pouco? – perguntei.
— Não. Eu quero falar sobre nós dois. – ele diz.
— Não achou alguém melhor que eu?
— Se você facilitasse sendo menos egoísta. – soltei uma risada sem humor.
— Facilitar? Você quem está sendo egoísta pensando apenas em você e esquecendo que eu também tenho o meu lado. – suspirei. — Eu não estou preparada para ter um filho agora. Isso não quer dizer que eu não queira ter um familiar com você. – o encarei. — Ryan eu te amo. Te amo como eu nunca amei ninguém, pois a única pessoa que eu amei na minha vida foi eu mesma. Então sinta- se honrado. – soltei de uma vez.
Ele me encara por um tempo e depois começa a rir. Revirei os olhos e cruzei os braços.
— Des... culpa... – continuou a rir.
— Já acabou, Ryan? – o encaro com desdém.
— Me desculpa. Você sabe que quando eu estou nervoso eu começo a rir. – suspirou. — Eu também te amo muito Emilly. – se aproximou de mim colocando suas mãos em meu rosto. — Desculpa por ser um idiota.
— Isso já não é novidade.
— É, eu sei. Estou perdoado? – coloquei meus braços envolta de seu pescoço e sorrio.
— Deixa eu pensar. – sorri novamente e lhe dou uma joelhada no meio das pernas. — Isso é por me fazer chorar, fazer eu gastar meu rímel, quase alagar o meu quarto e por você falar idiotisses. – digo vendo ele fazer uma expressão de dor. — Agora sim está perdoado, amor. – lhe dei um selinho o vendo se ajoelhar no chão.
— Está... louca? Não pensa nos seus filhos? – ele pergunta já vermelho.
— Oh, senhor Ryan! – Jenna se aproxima. — O senhor precisa de algo?
— Se tocar nele você pode se considerar morta. – digo a encarando ameaçadora.
— Ele está com dor, e por sua culpa! – reponde como se eu fosse maluca.
Mas eu sou.
— Isso é meio óbvio, não? – pergunto. — Se continuar aqui ele não vai ser o único a sentir dor. – ela faz uma cara de raiva e volta para sua mesa pisando duro.
— Eu preciso de gelo. – Ryan suspira se levantando devagar e com as mãos no meio das pernas.
— Vem gatinho, eu te ajudo com isso. – ele se apoiou em meus ombros e começamos andar até sua sala.
— Você tem sérios problemas, continua assim e eu te interno!
— Me interna e aí você quem vai perder.
— Posso achar outra.
— Te jogo uma praga e você nunca mais usará seu preciso brinquedinho. – avisei.
— É exatamente o que eu disse, que eu nunca te internaria amor. – tentou me beijar mas tampei sua boca.
— Já entendi. Vamos logo, você é pesado. – digo enquanto entravamos em sua sala.
— Por que você resolveu vir dar esse aviso para Peter? – perguntou enquanto se sentava em sua cadeira.
— Porque não quero ver minha melhor amiga sofrendo. Samantha é mais que uma amiga, é uma irmã. Eu quero o bem dela, e se for preciso arrancar o pescoço do seu irmão, eu vou.
— Amo seu lado sentimental. – ele sorriu.
— E eu amo você caladinho. – sorrio.
— Onde está meu gelo? Ainda dói. – fez careta.
— Vou buscar. Fique quietinho aí bonequinho de plástico. Eu já volto. – lhe mando um beijo no ar e saio de sua sala.
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