53 - SAMANTHA
Depois de expulsar Pilar de casa fomos buscar Agatha na casa de Eleanor. Parece que nem casa ela tem mais.
Assim que chegamos, subi junto a ela para ajuda-la a tomar banho e trocar a roupa.
— Mamãe, posso dormir na casa da Eli amanhã?
— Não sei, tem que ver com o seu pai primeiro. Por mim tudo bem mas temos que ver com ele primeiro.
— Tudo bem.
— E que coisa é essa entre vocês duas? Vocês não se desgrudam mais. – ela me sorri.
— Eu gosto da Eli. Ela é legal, e eu nunca tive amiguinhos. Ela é especial. – a olhei e sorri.
— Isso é bom. Espero que essa amizade dure por bastante tempo. Mas você está ciente de que com o tempo você vai conhecer outras amiguinhas né? E pode ser que elas te afastem um pouco da Els.
— Não! Eu não quero me afastar dela! – arregalou os olhinhos e me abraçou desesperada.
— Amor, não estou dizendo que vocês realmente vão se afastar. Espero que vocês continuem amigas por muito tempo mas, você vai conhecer novas pessoas, vai fazer amizades também e talvez isso possa afastar vocês, mas não é certo que isso aconteça. Vocês podem ter outras amizades e continuarem amigas.
— Mesmo?
— Mesmo. É tipo eu e a Emilly, ela tem a mim, mas também tem a Mia.
— Entendi. Mamãe, por que o papai está triste?
— Triste? – perguntei e ela assentiu. — Ele não está triste só... com alguns problemas.
— Que problemas? – me olhou curiosa.
— Você em breve vai saber ok? – ela assentiu. — E então, tem algum dever de casa para fazer?
— Não.
— Tem certeza?
— Sim. Eu e a Els terminamos primeiro que toda a sala. – sorriu orgulhosa.
— Que bom! É assim que eu gosto. – apertei de leve seu nariz a fazendo rir. — Eu vou descer, você vem?
— Depois. Eu vou ficar desenhando.
— Tudo bem. – lhe dei um beijinho na testa. — Qualquer coisa estarei lá em baixo tá?
— Tá bom. – pisquei para ela e sai do seu quarto. Desci as escadas e fui até a sala de estar não encontrando Peter. Descido ir até seu escritório. Abri e o encontrei concentrado no notebook. Entrei com cuidado e me sentei na cadeira em frente a sua mesa. — O que foi?
— Nada, por que? – continuou com os olhos no aparelho.
— Sei lá. Você está quieto e você quieto e para se preocupar. – ele soltou uma risadinha debochada.
— A agitada aqui é você.
— Ok. – suspirei escorregando na cadeira.
— Samantha, tenha um pouco de modos.
— Deixa eu consultar meu caderninho invisível de obrigações. – encarei a palma da minha mão. — Olha, aqui está dizendo que não sou obrigada.
— Quem escreveu esse caderninho mesmo? – finalmente me encarou.
— Oh! Eu mesma, a grande autora de O Famoso caderninho de Samantha. Muito prazer, quer um autógrafo? – sorrio para ele.
— Quero. – peguei uma folha e comecei a escrever. — Eu não disse onde. – o encarei e o vi sorrir.
— E onde quer que eu autógrafo senhor Miller. – arqueei uma de minhas sobrancelhas. Ele sorriu, se levantou e começou a abrir os botões de sua camisa.
De repente o ar ficou quente, não?
Ele rodeou sua mesa e se aproximou de mim se escorando na beirada da mesa, em seguida jogando sua camisa em qualquer lugar.
— Escolha o melhor lugar. – me levantei pegando uma caneta e ficando da sua altura e sorri.
— É para já! – digo começando a escrever em seu ombro. Em cada pedacinho do seu peitoral definido e maravilhoso, eu escrevia uma palavra ou desenho. Isso estava sendo bastante interessante.
— O que cada palavra aleatória quer dizer? – ele questinou.
— Calma, eu ainda não terminei. – digo escrevendo agora em suas costas.
— O que acha de tatuagens? – perguntou.
— Incríveis!
— Me surpreende você não ter nenhuma.
— Acho que cada tatuagem tem um significado especial, ou alguém especial. Até então achei algo que fosse especial e me desse coragem de fazer. Não que eu tenha medo, longe de mim.
— Entendo. – disse pensativo.
— Por que? Está pensando em fazer alguma?
— Quem sabe... – parei e o encarei.
— Você fumou?
— O que? Não!
— Bebeu?
— Não. – rolou os olhos.
— Cheirou algum pó ou algo do tipo?
— Não Samantha, parece que a única que fumou aqui foi você.
Qual é o problema de eu querer fazer uma tatuagem?
— Nenhum problema. Só estranho, tipo, você. Repito. Você, Peter Miller querer fazer uma tatuagem.
— Eu não disse que quero fazer.
— Disse a um minuto atrás. – ele bufa.
— Não quero mais também. Já acabou com isso?
— Ah não! Vai ficar bravinho agora? – apertei levemente seu rosto.
— Não enche. – afastou minhas mãos frustrado.
— Para de ser infantil um pouquinho que seja? Agatha consegue ser mais madura que você. – ele bufa novamente. — Pode bufar lindo, mas você sabe que eu não estou errada.
— Tá, você tem razão. – disse contragosto me fazendo rir.
— Eu sempre tenho.
— Sim, é verdade. – diz com desdém. — Já acabou com isso?
— Já. – me afastei e sorri satisfeita com a minha obra de arte.
— Agora me explica. Não entendo Samanthanês. – lhe dei um tapa de leve em seu ombro.
— É uma ligação de fatos. Aqui, um búfalo. – apontei para o desenho em seu ombro. — É representado por você. Tem cara de mau, forma de bruto, mas é forte e luta com todas as forças para fazer as pessoas felizes. – o encarei. — Esse, é um livro. – apontei pra seu abdômen. — Representa a Agatha. Pela capa ela só parece uma criança ingênua e mimada. Mas quando você o abre, você se surpreende com sua história repleta de conteúdos maravilhosos que ela exala. – ele sorri. — Aqui. – apontei para um ponto em suas costas. — Uma rosa. Que me representa. Rosas podem ser bonitas e atraentes, porém, podem espetar e machucar. – o encarei. — Aqui, eu juntei todos eles em um só. – apontei para seu braço. — O búfalo e a rosa são apenas dois personagens do livro. A rosa e o búfalo só brigam. A rosa tenta espetar o búfalo, e o búfalo tenta despedaçar a rosa. Enquanto o livro, apenas continua a história de tentar junta-los.
– o encarei. Ele sorriu, um sorriso que me fez sorri também. Ele simplesmente me puxa e me abraça.
— Você não existe. – susurrou em meu ouvido.
— Existo sim. Estou aqui na sua frente, quase sendo sufocada. – e foi ai que ele me apertou mais forte ainda. — Peter!! – ele finalmente me solta. — Idiota. – o puxei selando nossos lábios e iniciamos um beijo intenso colando mais ainda nossos corpos. Lhe afastei levemente e encarei minha obra de arte em seu corpo. — Isso foi só um rascunho, pode ir para um estúdio de tatuagem e tatuar isso tudo.
— Talvez eu realmente faça isso. – ele diz ainda com os braços ao redor da minha cintura. — Você tem talento.
— Eu sei, talvez depois de terminar estilismo eu vire tatuadora.
— Faça isso. – lhe encarei com o cenho franzido.
— Está falando sério?
— Por que não estaria? Eu estou aqui para apoiar você e suas decisões. Se quer ser tatuadora, eu irei te apoiar. – minha boca se abriu em um lindo O e depois se curvou em um grande sorriso acompanhando de batidas frenéticas do meu coração.
Eu estou realmente apaixonada por Peter Miller.
— Eu te odeio tanto. – voltei a beija-lo tão intensamente quanto da última vez. Talvez eu esteja depositando todos os meus mais fortes sentimentos nesse beijo.
— Mamãe!! Papai!! – quebramos o beijo vendo Agatha entrar na sala. — Ops! – colocou as maozinhas na boca.
— Tudo bem, o que foi pequena? – perguntei meu afastando e me recompondo.
— É que... eu queria mostrar o meu desenho. – diz envergonhada.
— Ótimo. – Peter diz sorrindo. — Que desenho?
— Esse. – me entregou o papel.
— O que é isso? – perguntei.
— Eu, você, o papai e a Dora. – sorriu. — A tia Vick pediu para fazer um desenho da minha família. E eu fiz nós. Porque somos uma família. – eu encarei Peter e ele me encarou. Eu estava com lágrimas por todos os meus olhos. Como essa criança pode ser tão maravilhosa? Imediatamente me abaixei até ela e a abracei.
— Você é uma garotinha maravilhosa. Sabe disso não é? – a encarei.
— Você quem é maravilhosa, mamãe. – sorriu.
— E eu? Não mereço nenhum elogio não? – Peter perguntou já vestido com sua camisa. Peguei Agatha no colo e o encaramos.
— Papai, você também é maravilhoso. Você é lindo! – ela diz sorrindo.
— Isso sim é música para os meus ouvidos. – ele diz e da dois beijos nas bochechas fofas de Agatha. — E você Samantha? Acha o mesmo?
Ah eu vou te bater!
— Não, eu te acho bem feio. – os dois me olham como se eu tivesse acabado de falar uma loucura. — Mas olhando assim, você é bonitinho. – ele sorri negando com a cabeça.
— Nada mal! Agora vamos comer? Eu estou com fome. – Peter perguntou.
— Oh, me conte uma novidade. – digo e reviro os olhos. Ouvindo Peter me encher o saco e fazer Agatha rir saímos do seu escritório até a cozinha.
***
Acordei com um celular tocando. Coloquei meu travesseiro em cima da minha cabeça para tentar abafar o som, mas foi em vão.
— Alô. – escuto Peter atender. —Sim, sou eu... Tudo bem já estou indo até aí. Obrigado. – ele desliga. Tiro o travesseiro e o vejo se levantar.
— Quem era? O que aconteceu? – pergunto confusa.
— Pilar. Não sei bem o que aconteceu, ela passou mal e está no hospital. – me sento na cama e pego meu celular olhando a hora.
— São três horas da manhã. – digo. — E por que ela tinha que ligar para você?
— Nesse momento ela só tem a mim. – diz vestido sua roupa.
— Eu vou com você. – fiz menção de me levantar mas ele me interrompeu.
— Não. Fique, você tem aula. Eu resolvo isso.
— Tem certeza?
— Tenho. – pegou suas chaves e sua carteira, veio até mim me deu um beijo na testa e se foi.- Tchau.
— Tchau. – ele abre a porta e sai do quarto.
Era tudo o que eu estava precisando agora.
Suspirei e me joguei na cama.
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