48 - SAMANTHA
Após andarmos pelo Casino todo e nos divertimos, resolvemos que seria hora de ir embora.
No caminho eu e Miller estávamos discutindo.
Ele acha que sou louca por achar que hienas voam e eu acho que ele é um idiota por não acreditar em mim. TENHO UMA MENTE FÉRTIL, QUAL É?
Agatha já tinha caído no sono, estava totalmente apagada.
Ao tirar Agatha do carro, ela acabou acordando, mas ainda estava sonolenta. Ainda é estranho ouvi-la me chamar de 'Mamãe' mas posso me acostumar.
— Estou com fome. – Miller diz subindo as escadas da entrada.
— Você comeu dois cachorros quentes, Miller! – digo indignada.
— E dai? – abriu a porta.
— E dai? Você só pode estar me zoando! Você... – me interrompo ao entrar na sala de estar e dar de cara com a última pessoa que eu pensava encontrar. — Pai?
— Samantha. – diz me encarando sério como sempre. — Peter.
— Heitor? – Miller pergunta tão surpreso quanto eu.
— O que faz aqui? – questiono.
— Vim saber como estão indo as coisas. Não se esqueça que você é minha filha, me preocupo com você.
— Existe telefone, celular, internet. Todo esse tempo você não fez uma ligação.
— Preferi vir pessoalmente. E ao que parece muito bem. – encarou a mim e a Peter.
— Eu vou colocar Agatha na cama. – Peter diz. — Com licença, e fique a vontade Heitor. – deu um aceno de cabeça para meu pai e subiu com Agatha no colo.
— Pai, podemos conversar depois? Eu estou cansada e amanhã eu tenho aula.
— Como quiser. Mas temos que ter uma conversa séria. – me encarou. Se aproximou de mim e me deu um abraço. — Até amanhã. – me deu um beijo no rosto e foi embora.
Era só o que me faltava.
Ainda alheia a tudo, subi para o meu quarto. Tirei minha roupa e entrei no banheiro. Entrei de baixo do chuveiro e tomei um longo banho.
Enrolei a toalha em meu corpo e prendi meu cabelo no alto saindo em seguida do banheiro levando um susto.
— Meu senhor! Vai ficar dando de ficar brotando no meu quarto do nada agora? – digo vendo Miller jogado em minha cama.
— Sou seu namorado agora, esqueceu?
— Isso não te da o direito de ficar aparecendo do nada. Está querendo me matar menino?
— Não sou nenhum menino.
— Grande coisa! – fui até o meu armário e peguei meu blusão branco e minhas meias altas listradas.
— O que seu pai quer? – perguntou curioso.
— Não sei, ele disse que teremos uma conversa séria. – digo indo para o banheiro.
— Onde vai?
— Me trocar, ué.
— Como se eu nunca tivesse visto nada. – resmungou. Peguei meu caderninho no criado mundo e joguei nele. — Ai! Dá para ser menos agressiva?
— Não, não dá. Enfim, – digo já no banheiro com a porta encostada. — seja como for, eu não me importo mais com nada.
— O que acha que ele vai dizer quando dissermos que estamos namorando?
— Não sei. – digo ao sair do banheiro. — Ele quem me colocou nessa, não tem que falar nada.
— Você sabe que não é assim. E apesar de tudo, ele é seu pai. – me deitei ao seu lado.
— Eu sou maior de idade. Ele não pode me obrigar a namorar quem eu não quero. Ele já fez isso, não vou adimitir que faça de novo.
— Como assim? – franziu o cenho sem entender.
— Brian sempre foi meio irresponsável, mas não se compara a mim, é claro! Anna estava passando por um momento delicado. Seu pai acabou falindo e por acaso ele era sócio do meu pai. Meu pai queria ajudá-lo e não perdeu oportunidade. Ele disse que ajudava o pai da Anna se ela se casasse com meu irmão por contrato. Era só para o meu irmão criar responsabilidade. O casamento duraria no máximo seis meses e depois eles se divorciavam. A Anna não teve outra escolha e aceitou. Mas foi ai que eles acabaram se apaixonando.
— Eu não acredito! – ele diz perplexo.
— Acredite. E sabe o que é mais engraçado? Eles tentaram esconder tudo para todos e fingir que tudo aquilo era real. Mas eu sabia desde o início que não era.
— Então você sempre soube a verdade?
— Sim. Meu irmão não iria se casar do nada. Eu sabia bem que ele estava saindo dos trilhos a um tempo, e não era de uma hora para outra que ele iria se casar. Mas deixei acontecer para ver até onde isso iria. Ai eu tive um plano. – sorrio com a lembrança. — Ir morar com eles, e tentar fazer pressão para que eles dissessem a verdade. Mas foi ai que eu percebi que eles estavam doidinhos um pelo outro.
— Você é surpreendente. – sorriu.
— Eu sei. – sorri também. — Agora me diz, como conheceu meu pai?
— Eu tinha acabado de erguer a empresa, que era do meu pai. Eu não estava em condições. Depois que meus pais morreram sobrou para eu e para Ryan. Ryan é o mais novo, então só dependia de mim. Seu pai apareceu e me ofereceu ajuda. E eu precisava, então não ousei recusar.
— Por isso você aceitou que eu viesse morar aqui.
— Sim, era como uma forma de agradecimento.
— Agora entendo. – me virei de lado para encara-lo melhor.
— Já pensou se ele te leva de volta para o Brasil?
— Ele não é louco! Eu não vou de jeito nenhum.
— Agora você tem uma família aqui. – sorrio com a ideia.
— Sim. – lhe olhei nos olhos. — Sabe, isso é tão louco. – digo passando levemente as unhas em seu nariz.
— Isso o que? – me encarou.
— Eu, você, Agatha. Eu nunca imaginei que iria mudar minha vida. Eu tenho uma filha. Não é louco?
— Muito! – riu.
— Sabe, eu amo Agatha. Independemente de nosso relacionamento ir ou não para frente, vamos sempre colocar ela como prioridade.
— Claro. Samantha, eu fiz muita coisa errada na minha vida. Mas aceitar você entrando dessa forma na vida da minha filha com certeza foi a melhor coisa que eu fiz. Agatha nunca foi como ela é hoje, sempre foi fechada, raramente socializava. Depois que você chegou, eu vejo minha filha sorrir mais, a vejo se divertir. Eu sou extremamente grato a você. – disse tudo me olhando nos olhos.
— Você sabe, eu faria qualquer coisa por ela. Desde que eu bati meus olhos nela, eu senti uma forte vontade de me aproximar dela. O que eu sinto por ela é uma coisa tão forte que as vezes eu sinto vontade de chorar igual um bebê. – ele ri e me puxa para seus braços me aconchegando em seu peito.
— Eu acho que estou completamente apaixonado por esssa nova versão sua. – ele diz e me afasto para encara-lo.
— Está apaixonado por mim? – ele soltou um suspiro e me encarou.
— Acho que estou. – meu coração quase sai pela boca. — Eu não sei como Samantha, mas esse seu jeito louco me conquistou. Você é completamente louca, vive me ameaçando de morte, vive me batendo e me dando patadas. Eu não sei exatamente... – lhe interrompi colando meus lábios nos seus e o beijando intensamente. — O que foi isso?
— Por que você é assim, hein? Seja menos ou eu realmente vou me apaixonar por você.
— Isso quer dizer que não está apaixonada por mim?
— Não sei, não entendo sobre sentimentos. Sentimentos são complicados.
— Ou somos nós que não sabemos lidar com eles.
— Sim. – nos encaramos em silêncio.
— Vou dormir, quer que eu fique?
— Por favor. – ele se arrumou na cama e me aconchego em seu peito.
— Boa noite. – deu um beijo no topo da minha cabeça.
— Boa noite. – suspirei e fechei os olhos até que o sono me levasse.
***
O dia começou. Segunda-feira veio junto.
Odeio segunda feira.
Olhei para o lado e Peter não estava. Levantei e fui para o banheiro tomar um banho rápido. Assim que sai fui até meu armário procurar uma roupa.
Camiseta branca justa, jeans azul dobrado na perna e meu vans novo. Presente do namorado...
Namorado.
Quatro sílabas, uma palavra, um significado especial, tem nome e sobrenome. Peter Miller.
Arrumei a minha cama, como sempre e peguei meu celular e minha bolsa e sai do quarto. Ao começar a descer as escadas escuto vozes na sala de estar e sigo até lá, encontrando Peter e meu pai.
— O que faz aqui tão cedo? – perguntei.
— Vim para termos nossa conversa. Tenho um compromisso mais tarde.
— Tudo bem. Como vão as coisas em casa?
— Bem, exceto por Pedro. – soltou um suspiro pesado.
— Por que?
— Ele colocou na cabeça que quer procurar os pais biológicos. Alexandra está a beira de um surto psicótico.
— Isso é normal, uma hora ou outra ele iria querer isso. E é o direito dele de querer isso, você sabe.
— Sim, seu sei. Alexandra que parece não saber disso.
— Você sabe que ela tem medo de ficar sozinha. – ele afirma. De repente a coisinha loira toda arrumada entra na sala.
— Eu já estou pronta. – diz um pouco tímida.
— Bom dia, meu anjo. – me ajoelhei ficando na mesma altura que ela e a abracei.
— Bom dia mamãe! – diz sorrindo e me fazendo sorrir também. Eu preciso me acostumar com isso. —
Você vai me levar para escola hoje?
— Não vou poder, mas seu pai vai, ok? – ela assentiu. — Boa aula. – lhe dei um beijo no rosto.
— Obrigada. – sorriu e me deu um beijo na testa. Como pode ser tão fofa?
— Bom, temos que ir. Até mais Heitor. – Peter diz apertando a mão de meu pai.
— Até mais Peter. – Peter piscou para mim e saiu. É claro, ele deixou para que eu contasse. Assim que eles saíram, me sentei e encarei meu pai.
— Pode falar!
— Primeiro, por que a menina te chamou de mamãe? – suspirei.
— Agatha acabou se tornando especial para mim. Nós nos apegamos, e acabamos por criar uma conexão de mãe e filha.
— E desde quando você sabe sobre ser mãe? – suspirei.
— Você também vai jogar isso na minha cara?
— Não estou jogando nada na sua cara! Eu quero saber como você pode ser mãe de uma menina que você nem conhece direito? Como pode saber que a ama? Até pouco tempo dizia que não sabia do amor.
— Realmente não sei, mas com a Agatha é diferente. Eu faria qualquer coisa por ela pai. Já arrisquei minha vida por ela, e arriscaria novamente. Eu faria de tudo só para ver um sorriso dela. São coisas que não consigo explicar.
— E como Peter reage a isso?
— Bem... nós somos namorados. – ele me encara chocado.
— Namorados?
— Sim, namorados. E espero que você não tente mudar isso. Eu gosto dele.
— O ama?
— Não. Na verdade eu não sei, mas eu gosto dele. – ele me encara por um momento em silêncio e tenta me analisar.
— Você mudou.
— Nem tanto. Eu acho. – cocei minha nuca incerta.
— E a faculdade? Peter me informou que estava indo bem.
— Sai da administração e estou fazendo estilismo.
— Por que saiu de lá? Não era esse o combinado.
— O combinado era eu fazer a faculdade e eu estou fazendo. Porém, a que eu quero, e a que eu desejo.
— É realmente o que você quer?
— Sim. É o que eu gosto.
— Isso é bom. Sua mãe esteve preocupada com você. – soltei uma risada debochada e me levantei. — Não ria.
— Como não rir? Ela nem sequer pegou no telefone e me ligou e agora vem com essa de preocupada? Ela não se importa comigo. Não quero a preocupação dela!
— Matteo morreu. – soltou e o encarei sem reação.
— O que? C-como assim?
— Ele sofreu um acidente de carro e não resistiu aos ferimentos. – soltou um suspiro.
— Não, você só pode estar brincando.
— Por que eu brincaria com isso, Samantha? Eu podia não ir com a cara dele mas nunca brincaria com isso. – não posso acreditar! — Foi por isso que sua mãe não entrou em contato. Ela está em Londres.
— Pai eu... eu não posso acreditar! – meu padrasto morreu! Não, não acredito! — Ela deve estar mal.
— E está. Tente falar com ela, conversar. Brian conversou com ela, e ela está bem mal. Já faz alguns meses que aconteceu, mas você sabe. Ela sempre o amou muito. Ela só não te ligou pois ficou com medo. Ela sabe como você é e não queria se chatear mais ainda. Ela precisa do seu apoio.
— E-eu, eu vou tentar falar com ela.
— Por favor. – eu assenti. — Seu aniversário está chegando não é?
— Não é bem o meu aniversário, você sabe. Não mudou nada. Vai ser como todo ano, todo mundo finge que esquece.
— Filha...
— Não pai. Eu não gosto e nem vou comemorar.
— Como quiser. – se levantou. - Tenho que ir. Ainda hoje tenho que ir para Buenos Aires.
— Tudo bem. – o abracei.
— E filha – me encarou. — Estou orgulhoso de você. – sorriu.
EU OUVI ISSO MESMO?
— O que disse?
— Estou orgulhoso de você finalmente estar construindo sua vida. – me deu um beijo na testa. — Te Amo.
— Também te amo pai. – o abracei. O levei até a porta vendo-o entrar no carro e partir.
Meu pai se orgulha de mim. Ele se orgulha de mim!
Eu tenho um sorriso que mal cabe em minha boca. Quando que eu pensei que escutaria isso?
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