45 - PETER

Acordei com um barulho irritante, mais conhecido como o toque do meu celular. Abri os olhos e encarei o teto por alguns segundos.

— Se você não der um jeito nesse barulho irritante, eu mesma darei. – escuto Samantha resmungar e olho para o lado a vendo tampar os ouvidos com o travesseiro. Solto uma risada baixa e me levanto indo a procura do meu celular, do qual não faço a mínima de onde esteja.

Finalmente o encontro jogado no chão e atendo.

— Alô.

— Peter? – escuto a voz de Ryan. — Está tudo bem?

— Está tudo ótimo. – digo e me encaro no espelho.

— E a Samantha? Está melhor? – a olhei pelo reflexo do espelho.

— Bem melhor, acredito eu.

— Devo levar isso para o lado malicioso da coisa? – soltei uma risada.

— Talvez.

— Ok, já entendi. – coloquei o celular no viva-voz para arrumar meu cabelo. — Eu só queria saber como vocês estavam. Agatha dormiu por aqui e está muito bem com Emilly. Acho que ela esqueceu da existência de vocês. Bem, o resto do jantar deu certo, fechamos parceria.

— Isso é bom.

— Pensei que ficaria mais animado.

— Eu ficaria, mas pensar em ter que ver a cara daquele imbecil novamente não é algo que eu esteja querendo. Qualquer assunto que tivermos que tratar será com a Sofie.

— Bom, não sei se isso será possível.

— Por que?

— Vou resumir. Emilly apareceu e jogou vinho na cara de Sofie. – encarei o espelho chocado e ouvi Samantha soltar uma gargalhada.

— Mas por qual motivo?

— Sofie tentou forçar a barra. Emilly apareceu na hora e não deixou barato. A propósito ela não está falando comigo.

— Alguém se ferrou. – soltei uma risada.

— Por sua culpa, não é mesmo? Se não tivesse me deixado sozinho com aquela louca para ir fazer sacangens com a sua namorada.

— Ryan! – o repreendi vendo Samantha cobrir o rosto com o lençol. — Cala essa boca, ok?

— Não tem nada ok por aqui. E se você não explicar para Emilly, não vai ficar nada ok com você. Entendeu? – Ryan está realmente revoltado.

— Entendi. E desculpa cara!

— Você sabe como eu te desculparei. Ah e, bom dia Samantha. – desligou na minha cara e encarei Samantha que se encontrava com a mesma reação que eu.

— O que acabou de acontecer?

— Um namorado revoltado. – ela respondeu. — Depois eu falo com a Emilly, relaxa. – se aconchegou mais por de baixo dos lençóis.

— Nada disso. – caminhei até a cama.  — A senhora vai se levantar, pois já passou da sua hora.

— Em primeiro lugar, senhora é a sua vó. Em segundo, eu faço a minha hora, não você. E terceiro, mas não menos importante: Eu não estou com outra roupa, se quiser que eu saia nua é só me dizer. Para mim não há nenhum problema.

— Ninguém mandou não trazer roupas.

— Você trouxe?

— Não.

— Então cala a boca!

— Você está muito mal humorada, não acha?

— Não. – cobriu o rosto com as mãos e eu tirei.

— Não? Tem certeza?

— Quer saber a verdade?

— Quero. – ela suspirou e se ajeitou sentando na cama e cobrindo seu corpo com os lençóis.

— É o seguinte... – me encarou e suspirou. Eu já estou tenso e ela fica fazendo isso. Continuou a me encarar sem dizer nada, sorriu de lado e mordeu o lábio inferior.

— O que você está fazendo? – lhe questionei com o cenho franzido.

— Eu não sei. – riu percebi seu rosto ficar avermelhado. Ajeitou o lençol no corpo e simplesmente saiu entrando no banheiro.

Ok, vamos lá.

Tenho três alternativas para essa reação inesperada.

Primeira: Ela está arrependida.

Segunda: Ela está com raiva de mim.

Terceira: Ela não gostou da noite anterior.

Eis a questão.

Vesti minha roupa e sai do quarto. Desci e fui até a loja do hotel e comprei algumas roupas para Samantha e para mim. Pedi o café da manhã e pedi para que deixassem no quarto.

Já com as roupas em mãos, subi para o quarto encontrando Samantha apenas de toalha.

Respira Peter. Só respira, não é tão difícil.

— Onde você foi? – perguntou. Seu tom era sereno, assim como seu olhar. O que foi que eu perdi?

— Fui comprar algumas roupas e pedir o café.

— Me assustou. – Calma, calma, calma! O que está acontecendo com Samantha?

— Por que?

— Pensei que tinha me deixado, ou ido procurar a Sofie. – desviou seu olhar para qualquer canto do quarto. Me aproximei dela e coloquei minhas mãos em seu rosto.

— Está louca ou o que? Não vou te deixar. Você quem teve um surto do nada aí.

— Desculpa. Foi reflexo.

— Reflexo de que?

— Eu é que sei? – riu e eu também. — Foi mal, eu não sei o que me deu. Você sabe, eu não sou normal. Coisas assim acontecem.

— Eu deveria estar acostumado.

— Sim, concordo. – sorriu e a beijei levemente.

— Você está bem? – questionei afastando uma mecha de cabelo de seu rosto. Samantha sem maquiagem com certeza era a melhor visão da manhã.

— Estou sim.

— Ao menos consegue andar? – ela me deu tapa no ombro. — O que? Tenho que saber. Você disse que me jogaria pela janela.

— Sim eu consigo andar. Idiota!

— Tem certeza?

— Tenho. O estrago não foi o bastante.

— Bom saber... – sorrio voltando a lhe beijar. — Eu pedi o café, e está demorando. Vou tomar um banho. Se veste logo! – digo tirando minha camisa.

— Não estou afim. Já viu como eu fico sexy só de toalha? – deu uma voltinha.

— Não me provoca. Seja uma boa menina e se vista logo antes que tragam o café. – tirei minhas calças ficando apenas de boxer.

— Você é muito mandão, não acha?

— Não, não acho. Agora vá se vestir logo. – Antes que ela respondesse bateram na porta. Ela deu um sorriso maldoso e saiu correndo para porta. Corri até ela e a puxei — Nem pense nisso.

— Sai, Miller! – me empurrou.

— Sai você! – a empurrei também. Acabamos por abrir a porta juntos. Encontrando Sofie e Ethan parados na frente da porta.

— Oh! Desculpe, acho que atrapalhamos. – Sofie diz sem graça. — Só vim lhe entregar isso. – me entregou um envelope. — Assine e depois envie para os meus empresários. Temos que voltar para Miami hoje.

— Ahm, tudo bem. – digo entrando na frente de Samantha poupando olhares daquele imbecil.

— Peço para meus advogados mandarem os outros documentos em breve. Temos que ir, até mais. – acenou e puxou Ethan com ela.

— Parece que os esporros da Emilly fizeram efeito. – diz Samantha. No mesmo momento um funcionário do hotel aparece com nosso café.

— Er...desculpe pelo atraso. –  assenti. Ele entrou, deixou o café em cima de uma mesinha e se retirou e assim fechei a porta.

— Poxa, nenhuma gorjeta para o garoto? – perguntou Samantha.

— Olhar para você já me pareceu o suficiente. – segui para o banheiro.

— Volta aqui! – ela chama e eu volto me encostando no batente da porta do banheiro.

— O que foi agora?

— Quero só fazer uma perguntinha.

— Faz. – cruzei os braços.

— Quem você pensa que é para dizer que eu sou sua?

— O que?

— Não se faça de desentendido Peter! "Do que é meu eu sei cuidar". – me imitou. — Não sou de ninguém, nem mesmo minha.

— Eu só disse aquilo por que estava irritado. – me defendi.

— E com ciúmes? – arqueou a sobrancelha.

— Vai mudar alguma coisa se eu disser que sim?

— Não sei. Só vou deixar bem claro para você. Eu não tenho dono pois não sou nenhuma cadela.

— Samantha onde quer chegar com isso? Em momento algum eu quis dizer isso. Você é inteligente, pensei que entenderia.

— Agora está me chamando de burra? – revirei os olhos.

— Não quero brigar.

— Mas eu quero!

— Ok. – suspirei. — Desculpe, foi um ciúme idiota. E entendi que você não é minha e nunca vai ser. Assim está melhor?

— Não precisava exagerar, eu me expressei mal. Desculpe, o que eu quis dizer que eu não gosto dessa coisa de possessividade, da pessoa achar que tem alguma posse sobre mim, entende?

— Eu me expressei mal também, desculpe. Mas isso é algo que você não entende!

— Então me explica para que eu possa entender. – insistiu.

— Eu não quero.

— Mas eu quero! Vai me falar logo ou vai ficar nessa palhaçada? – me encarou séria. Passei minhas mãos pelo meu rosto e suspirei. — Peter!

— Samantha o fato é que eu não consigo! Não consigo seguir com isso assim. Ver aquele cara olhando para você daquela maneira me irritou, eu queria sim dar um soco na cara dele por mexer com você, mas ai você me lembrou que não é nada minha. Você faz o que quiser da sua vida, não temos nada. Eu não posso ter um ataque como aquele pois não sou nada seu.

— Onde quer chegar com isso?

— Eu não sei fazer isso, ao menos não com você. Combinamos de deixar rolar mas é mais forte que eu. Eu poderia ter dito "Tire os olhos da minha namorada" mas ai eu não sou seu namorado. – a encarei e a vi ficar estática. — Estava sim com ciúmes de você, assim como daquela vez que eu acabei te ofendendo por algo que não era real. E isso foi ridículo, me desculpe ok? Eu estou passando o nível do ridículo. – entrei no banheiro e fechei a porta com força.

Não suporto ver outro cara olhando para Samantha do modo que eu olho. É irritante esse sentimento.

Essa noite fez com que eu parasse e colocasse a cabeça no lugar para entender o que há entre nós. Não é só desejo, não mesmo. A cada dia que passa eu a quero mais e isso é insano.

Se depender de mim, isso irá mais longe. Já de Samantha...

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