30 - SAMANTHA
Segunda feira chegou... grande coisa.
Hoje não tem faculdade. Finalmente! Eu realmente não estou nada afim de fazer. Pelo menos não a de administração.
Agatha não dormiu comigo hoje, preferiu ficar com o pai. Nada mais que justo.
Me levantei e fiz minha higiene matinal, tomei um banho e desci. Quando começo a descer as escadas me surpreendo com uma fila de mulheres na sala de estar.
OH MEU DEUS!
Ele realmente fez o que eu pedi! Calma, estou tentando processar tudo isso.
- O que significa isso? - perguntei me aproximando de Miller que conversava com Andrew.
- Ué, não foi isso que você me pediu ontem?
- E por que você fez o que eu te pedi?
- E por que não fazer? - me encarou. Engoli a seco.
- Não sei... - dei de ombros e continuei o encarando.
- Han, senhor... - Andrew o chamou lhe tirando a atenção. - Todas as candidatas estão aqui.
- Tudo bem Andrew. Vamos começar.
- Onde está Agatha? - perguntei.
- Com Anne.
- Ah, ta. - cocei minha nuca.
- Vai mesmo me ajudar? - ele questionou me olhando.
- Claro! Vamos logo. Vai escolher como?
- Aqui está a ficha de cada uma. - me entregou o Ipad com uma lista de nomes.
- Calma, como conseguiu isso de um dia para o outro?
- Nem todo mundo tem um emprego nessa cidade. Foi só colocar o anúncio na internet.
- E esse anúncio continha uma foto sua? Não é possível tudo isso aparecer do nada.
- Não foi do nada. - revirei os olhos. - Enfim, foi você quem teve a ideia, então você resolve como fazer isso.
- Hum, está aprendendo rapidinho. - soltei uma risada. - Ok, vamos lá. - olhei cada candidata. Havia uma mulher de cada jeito. Da mais gótica até a mais florzinha. Havia apenas dois homens no meio. - Ok, já tem um palpite?
- Bom... - deu um sorrisinho para uma garota loira que parecia ter sido intoxicada com o vapor do palhaço pipoca. Ele só pode estar brincando com a minha cara.
- Você está brincando comigo, não é mesmo?
- Por que? - se fingiu de inocente.
- Porque ela tem 15 anos, e aparenta ter mais de 18. Porém, é apenas uma adolescente com hormônios louca para perder a virgindade. - ele me olha incrédulo.
- E como sabe disso?
- Olhe para ela. - ele a olhou.
- Você está vendo coisas.
- Ok, mas quando ela pular em cima de você, e fazer "absurdos", e depois ser acusado de pedofilia, não diga que eu não avisei. - ele me encarou com um sorrisinho de provocação.
- Então me diz você, já tem algum palpite? - o encarei dando um sorrisinho e encarei uma senhora que aparentava ter uns 60 anos. - Você está brincando não é?
- E por que eu estaria? Ela me parece experiente e acredito que ela não faça seu tipo. - sorri para ele.
- Por que está sorrindo?
- Porque eu quero, ué.
- Você está sorrindo pois conseguiu acabar com a minha graça.
- Talvez. Agora precisamos saber o nome dela, vá lá e pergunte.
- Por que eu?
- Porque sim, vai logo! - ele bufou mais uma vez e foi até a senhora. Tendo a resposta, ele voltou e suspirou. - E então?
- Marie Morgan. - olhei no Ipad procurando pelo seu nome.
- Achei. Marie Morgan, 63 anos, nascida na Austrália, experiência em tudo. Sem passagem pela polícia, dois filhos adultos. Perfeito! O que acha?
- Eu ainda acho que deveríamos ver outras.
- Por que? Temos uma ficha maravilhosa em mãos. Qual o problema de ser uma mulher mais velha? Ai já sei, você não vai poder dar uns pegas nela.
- O que pensa que eu sou? Claro que não, eu só...
- Você só não pensa com a cabeça certa! - bufei. - Não tente discutir comigo, você é o errado. Sua filha, vem em primeiro lugar, ok? Para de agir como um adolescente cheio de hormônios! Antes dos seus desejos, não esqueça que tem uma filha. - ele soltou um suspiro.
- Ok, desculpe. Eu estava apenas te tirando do sério.
- Eu sempre tenho razão, e sim...- me interrompi e lhe encarei. - Me tirar do sério? Qual é o seu problema? - lhe dei um empurrão. - Você é um idiota!
- Então, o que você acha? - mudou de assunto.
- Acho que deveríamos ficar com a Marie. Fazer um teste, tipo um teste drive. Vamos ver como ela se sai, se ela se sair bem o emprego é dela, caso ao contrário escolhemos outra.
- Tudo bem, concordo. - dei um sorriso satisfeta.
- Ótimo! - falei alto chamando a atenção das mulheres ali. - Bom, como sabem só uma será a escolhida e bom... já escolhemos. - fiz um pequeno suspense. - Enfim, a escolhida é a senhora Marie Morgan. - a senhora deu um sorriso e as outras um suspiro de decepção. - Foi bom te-las por aqui. Obrigada e boa sorte. - elas acenaram e começaram a sair.
- Hum, quando você quer sabe ser educada, né? - diz Miller em meu ouvindo.
- Sai! - o empurrei novamente.
- Obrigada. Muito obrigada pela oportunidade. Eu amo crianças e prometo cuidar bem da filha de vocês. - diz senhora Marie se aproximando de nós.
- Ah, não, Agatha não é minha filha. - digo um tanto sem graça.
- Oh! Me desculpe. - pediu a senhora.
- Tudo bem. Bom, a senhora...- ela me interrompe.
- Me chame de você, senhora faz com que eu me sinta mais velha do que já sou.
- Oh, tudo bem. - lhe sorrio. - Você, não está totalmente dentro. Vamos fazer um teste-drive por enquanto, pode ser? Você fica por alguns dias e veremos como você se sai, se sair bem o emprego é seu.
- Por mim está tudo ótimo.
- Você pode ficar hoje? - perguntou Miller.
- Oh claro! Sem problemas. - ela diz animada.
- Então começaremos hoje. - ele continua. - Andrew, traga Agatha.
- Sim, senhor. - se afastou.
- Vocês são casados? - perguntou Marie me pegando de surpresa.
- Não, não. Sou só...
- Uma amiga. - diz Miller me interrompendo. Quer dizer que agora virei amiguinha? - Uma grande amiga. - me encarou e eu retribui seu olhar sentindo um arrepio na espinhas.
- Papai? - Agatha o chamou tirando sua atenção de mim.
- Oi meu amor, venha até aqui. - ela se aproximou vagarosamente. - Olhe, esta é Marie. Ela vai ser sua nova babá. - Agatha a encarou por um tempo e depois abriu um sorriso tímido.
- Olá, Agatha. Como vai? - perguntou Marie.
- Bem, e você?
- Vou muito bem, principalmente agora que te conheci.
- Gatinha, por que não leva Marie para conhecer a casa? - sugeri.
- Tudo bem. Vamos?
- Claro. - as duas subiram as escadas.
- O que acha? - perguntou Miller.
- Ah, ela parece ser legal.
- Legal não é o suficiente.
- Então por que não tirou suas próprias conclusões se você é o pai?
- Porque eu queria sua opinião.
- Hum. - dei de ombros e voltei a olhar no Ipad procurando algo. A há! - Aqui está.
- O que?
- Eu disse. - mostrei a ficha com a foto da tal garota loira chamada Stephanie. - Ai diz que ela tem dezoito anos, mas como ela não deve ter muita inteligência ela colocou a data de aniversário verdadeira. Ela tem quinze anos.
- E como você descobriu isso só de olhar para ela?
- Eu morei com umas duzentas garotas por anos, sei bem quando uma quer aprontar.
- Vovó Samantha sabe das coisas. - provocou e lhe estapeei o braço. - Ai! Já tratou esse seu problema de agressividade? Isso não é normal.
- Eu estou com fome. Quando o almoço sai, afinal?
- Samantha, já passou das duas.
- O QUE? Eu dormi tudo isso?
- Sim, dormiu. Pede para Anne fazer algo para você.
- Não vou dar trabalho para ela. Vou comer qualquer outra coisa. - digo indo em direção a cozinha. Entrei na cozinha e não vi Anne e muito menos Andrew. Dei de ombros e abri um dos armários pegando um pacote de biscoitos de chocolate e sai indo até o jardim. Me joguei nele e encarei o céu. É a primeira vez em cem anos que vejo um céu bonito na cidade de Nova York.
- Qual foi agora? - escuto Miller perguntar e antes que eu respondesse se sentou ao meu lado.
- Assombração. - resmungo. - Nada, por que?
- Não sei, você é meio imprevisível.
- Já me disseram isso.
- É porque é a verdade.
- Não é nada, só deu vontade de me jogar aqui. Só isso.
- Você ama se jogar, não é?
- Sim. É legal, lembro quando eu e Brian pulamos de paraquedas. Ele desmaiou. - soltei uma risada lembrando do ocorrido.
- Falando em Brian, como ele está?
- Conhece meu irmão? - o encarei.
- Não, deduzi que você tinha um irmão e resolvi perguntar. - ironizou.
- Você está muito engraçadinho ultimamente.
- Já me disseram isso. E gato de morrer também...
- Olha, foi sem querer, ok? Eu não queria dizer aquilo.
- Oh, claro! Sua cunhada apontou uma arma em sua cabeça, e te obrigou a dizer que eu sou um gato de morrer.
- Foi ué, essas tecnologias de hoje em dia estão bem avançadas.
- Aham, claro. - ironizou.
- Ela me ameaçou, e disse que nunca mais deixaria eu ver meus sobrinhos. É claro que eu iria dizer o que ela mandou. - ele soltou uma risada.
- A cada dia que passa, você me surpreende mais Samantha.
- Esse é o poder que eu tenho. - foi minha vez de rir. - Vamos fazer um jogo. - me sentei ficando frente a frente com ele.
- Que jogo?
- Eu te pergunto algo sobre você e você me responde e vice versa. Que tal? Não te conheço o suficiente e você parece ter minha ficha completa.
- Pode ser porque eu realmente tenho uma ficha sobre você.
- Não é justo. Então vamos fazer esse jogo, topa?
- Por mim tudo bem. - deu de ombros.
- Vai, me faz alguma pergunta.
- Ok. Er... tem gostado das suas aulas na universidade?
- Sincera e honestamente? - ele assentiu. - Não, eu detesto aquelas aulas. Não gosto de administração.
- E do que é que você gosta?
- Criar, inovar, arte, moda.
- Estilismo? - parei um momento para pensar.
- Mais ou menos isso.
- Nada mal.
- Minha vez. Qual foi a causa da morte da mãe da Agatha? - sinto-o ficar tenso. Eu tinha que fazer essa pergunta. Ele olha para o nada e depois suspira voltando a me encarar.
- Se eu não responder você não vai desistir, não é?
- Exatamente. Eu não quero me intrometer na sua vuda mas, eu realmente gostaria de saber.
- Tudo bem. Vou te dizer a verdade, porque confio em você. Não faça com que eu me arrependa.
- Não vou sair contando para meio mundo. Até parece que não tem uma ficha sobre mim.
- Sim, é exatamente por isso. Você não é o tipo de pessoas que sairia contando para meio mundo, mesmo que seja meio sem filtro. - soltou um suspiro. - A verdade Samantha, é que a mãe da Agatha... não morreu.
Calma, O QUE?
- O que? - pergunto em choque.
- Ela deveria estar morta, mas não está. Na verdade, a ideia sempre foi fazer com que ela estivesse morta, mas não de verdade. - disse encarando qualquer ponto fixo que não fosse eu.
- Calma, estou confusa. Isso tudo é uma farsa?
- Para Agatha e todos, sim. Mas a verdade é que a mãe dela está mais viva o possível.
- E onde ela está?
- Não sei, e não tenho interesse em saber. - seu olhar frio chega até meu rosto. - Eu e Elize eramos casados a um ano, e então ela engravidou. Ela não aceitou a gravidez, pois entre escolher gerar uma vida e manter sua carreira perfeita ela escolheria a carreira perfeita. - permaneci em silêncio esperando que ele continuasse. - A mãe dela não concordou com a ideia do aborto e nem eu. Desde então ela começou a tentar por sí mesma perder o bebê. Isso foi até eu propor um acordo. Ela gerava Agatha, lhe dava a vida e depois sumiria das nossas vidas como se estivesse morta. E adivinha? - me encarou. - Ela aceitou. Todo o tempo foi a desculpa da carreira perfeita, mas quando lhe ofereci dinheiro ela nem pensou duas vezes. Com o tempo, Agatha nasceu e eu tinha esperanças de que ela mudasse de ideia, mas ela não mudou. Ela ao menos olhou para Agatha quando ela nasceu. Paguei o melhor cirurgião plástico da cidade para que ela voltasse a ter o corpo, "perfeito", e depois lhe dei uma boa quantia para ela desaparecer. E foi o que ela fez. Mas o que realmente me tirou do sério foi quabdo ela teve coragem de olhar em meus olhos e dizer "Ou eu, ou o "bebê estúpido". - riu sem humor. - Eu escolhi Agatha.
E foi com essa pequena frase que ele me calou com um tapa de palavras. Foi por isso que ele ficou tão chateado quando eu disse que ele só fazia escolhas erradas! Merda! Eu sou uma idiota!
- E-eu não sei o que dizer... - eu realmente não tinha palavras.
- Não tem muito o que dizer. - deu de ombros. - Não tenho sido o melhor pai.
- Claro que é. Você pode ter extrapolado, mas nem se compara. Cara, agora eu não tenho mais argumentos contra você! - ele ri sem humor.
- Eu sou um idiota, isso sim.
- Cala essa boca!
- Estou falando sério. Eu tinha tudo para ser o pai perfeito e estraguei. Agatha não só merece uma mãe de verdade como uma pai também!
- Peter, você fez sim umas merdas mas isso não significa que você seja um péssimo pai. O importante é que Agatha te ama, mesmo sendo um desparafusado.
- É só a verdade Samantha. Eu não mereço a filha que tenho, só a verdade! Eu nunca quis admitir isso, mas agora falando a verdade a você depois de um longo tempo sem falar sobre isso, eu consigo enxergar.
- Você não está enxergando nada corretamente, essa é a única verdade que eu entendo.
- Eu sou um péssimo pai, não mereço a filha que tenho, sou um grande babaca que só pensa em sí mesmo, Agatha merece alguém melhor que eu, talvez... - o empurrei subindo sobre ele e lhe pegando de surpresa.
- Pela última vez, cala essa boca! Você não é um pai horrível Peter, ela ama o pai que tem e isso é a única coisa que importa. Eu aposto um bilhão de dólares que ela não pensaria duas vezes em te escolher também. Então por favor, só abra essa maldita boca para dizer ou fazer algo decente. - ele fica em silêncio por um momento enquanto me encara.
- Eu nã... - sem ter outra escolha, o calo colando os meus lábios nos seus.
Sim, eu estou fazendo isso.
Sim, eu estou enlouquecendo de vez.
Sim, eu estou beijando Peter Miller!
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