7. Solitária
Na sala de meu apartamento, questionou onde poderia deixar a caixa com as compras, arfante com o esforço da subida. Demorei-me enquanto fingia pensar na resposta e, então, apontei a porta da cozinha. Já no recinto, indiquei o tampo de mármore da mesa, ao centro. Compadeci por um momento de seu cansaço. Seu suor escorreu durante todo o esforço da subida, encharcando-o até tornar sua alva camisa em um semi-translúcido tecido. Como reflexo, seu cheiro inchou-me a libido. Imaginei seu gosto.
Peguei o pequeno pote vermelho, situado no topo dos produtos empilhados dentro da caixa. Do outro lado da mesa, ele esboçou ir-se embora, ao passo em que virei-me, ignorando-o momentaneamente. Me inclinei no eixo do quadril, de pernas esticadas, alcançando a gaveta dos talheres e pondo-me numa busca desnecessariamente demorada. Presenteei-lhe com a observação do formato de meu traseiro, brincando de fazê-lo esquecer-se do recente esforço. O tecido tensionado desenhou minha bunda, deixando um pedaço da borda exposta. Com a desculpa de explicar que minha procura era por uma colher, olhei para trás sem mudar a posição. Percebi seus lábios separados entre si, além dos olhos hipnotizados, fixos em mim. Peguei o utensílio e sorri, secretamente excitada.
Durante a primeira colherada no sorvete, olhei-o, perguntando se não havia se esquecido de algo. Meu questionamento soou como quem testa o aprendizado de uma criança. Com ar tolo, ele permaneceu calado. Pressionou os lábios entre si num gesto de dúvida, movendo a cabeça em negação, lentamente. Após o suspense, lembrei-lhe de que eu ainda não havia pago as compras. O homem mostrou um constrangimento intenso com o esquecimento, pondo as mãos na cabeça e flexionando o tronco para trás, feito um menino que acabara de ter sua travessura descoberta pela mãe. Fi-lo esperar até que eu terminasse de sorver o conteúdo do pote, enquanto permanecemos em silêncio. O rapaz atravessou o curto período de tempo desviando o olhar, com as mãos nos bolsos. Já eu, olhei-o, admirando seu porte bruto e, em especial, o volume sob suas calças. Sem dúvida, minhas provocações irrigaram aquele pau saliente. Eu o queria.
Ao fim da sobremesa, deixei que o último conteúdo do talher quedasse sobre meus peitos, falseando ter me desastrado. Rapidamente, passei a língua no pote, arrematando seu esvaziamento, com um sorriso de simulado constrangimento. O sujeito, boquiaberto, distraiu-se com a pequena porção da sobremesa escorrendo sobre minha pele, até que o líquido alcançou o tecido da roupa e a manchou. Sorri, maldosa, dizendo um "ops!", sarcasticamente sonoro.
Pus-me a andar na direção do corredor, informando que precisava tirar o vestido manchado e pegar o dinheiro. Já do quarto, ouvi sua voz vindo da cozinha, soprando aquela expressão, novamente. Em tom quase subordinado, tipo militar, disse: "sim, senhora". Tremi, excitada, arrancando o vestido.
Nua, sentei-me ao pé da cama. Apoiei o pé direito sobre o colchão, com o rosto voltado na direção do teto, sem abrir os olhos. Afoguei o dedo médio em minha vagina, fazendo-o se ocultar e ressurgir, lenta e repetidamente. Com a outra mão, esfregava meu grelo, vigorosamente. Fantasiei sobre ele perder a paciência na espera, vindo da cozinha até o quarto e avistando essa cena. Em meu imaginário, ele me veria da porta, abriria o zíper da calça e poria o pau ereto para fora, vindo em minha direção. Então, pressionaria minhas bochechas entre os dedos da mão forte e empurraria a cabeça do membro contra meus lábios. Imaginei-me engolindo-o, até as bolas. Fantasiei, mas na prática estava mais interessada em sua subjugada apatia.
Próxima de chegar ao êxtase com minha siririca, joguei minhas costas de encontro a cama, sem tirar as mãos de minha vulva. Meus dedos dos pés retorceram de prazer. Levantei as pernas, com os joelhos dobrados, relaxando a tensão sobre meu ventre e facilitando a entrada de mais um dedo para ajudar a preencher-me. Acelerei o movimento de meu auto-estímulo. Já sem coordenação para manter as duas mãos em sincronia, a que esfregava o clitóris passou a apenas afastar os lábios, favorecendo a entrada. Contorci a espinha para frente, a fim de enfiar o máximo que conseguisse de meus dedos. Enfim, explodi em gozo solitário, virando-me de bruços para abafar o gemido contra o lençol.
Permaneci deitada na mesma posição por alguns segundos, até que ouvi sua voz ecoar pela casa: "senhora?". Estremeci mais uma vez ao ouví-lo.
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