Conto 8 - Piscêmios (Cláudia Markzac)
Autora: Cláudia Markzac
Conto: Picsêmios (Caio e Maria)
Música Tema: Quereres - Caetano Veloso e Maria Gadú
Classificação: +13
***
E aí meus queridos? Prontos para mais um ship?
Tio Astrogildo aqui, tem uma pequena história: Piscêmeos :D
Eles se conheceram casualmente, ficaram um tempo juntos... até que as diferentes personalidades e prioridades mostraram a eles um rumo diferente.
Eles ainda tentam... mas...Caio é a velocidade. Maria é o tempo. Caio, a palavra, Maria o pensamento.
Os astros terão que rebolar pra fechar essa equação *-*
Alguém aí se identifica?
Beijos Cósmicos e até a próxima semana ;)
***____________***
Madrugada em algum boteco do centro de uma grande cidade:
— Cara, a garota é incrível! Quando a vi dançando lá na beira da piscina eu fiquei doido. Parecia que não existia mundo nenhum, que só tinha o mundo dela e que ela estava lá, maravilhosa dançando sem ligar pra ninguém. Cheguei dela de mansinho, dançamos juntos. Uma energia forte, bagulho doido. Quando a música deu um tempo eu ofereci uma bebida pra ela, pra ver o que rolava e, cara, a garota é demais! Eu fiquei maluco só olhando ela falar. Ela tem uma boca, cara que é de enlouquecer! Eu nem sabia direito do que ela estava falando, uns lances meio esotéricos, essas coisas, mas aquela boca carnuda estava me enfeitiçando. Teve uma hora que deu aquela parada na conversa, a gente ficou se olhando e daí a gente se beijou. Que beijo! Nem sei explicar o que foi esse beijo, cara! Só sei que eu quero encontrar essa mulher de novo... e vai ser agora!
Amanhecendo em um pequeno apartamento do centro de uma grande cidade:
Querido diário,
Faz tempo que não escrevo nada, né? Acho que estou bem grandinha pra escrever um diário, mas ontem aconteceu uma coisa que precisava compartilhar com alguém, mesmo que esse alguém fosse eu mesma.... Foi na festa da Malu. Festa boa, na beira da piscina, muita gente legal. Eu estava curtindo muito, um pessoal estava tocando e eu estava curtindo a música de boa. Estava tão longe e tão perto dali, só dançando e sentindo o som me tomando. E foi aí que chegou um carinha pra dançar comigo. Eu estava a fim de ficar sozinha, mas ele ficou ali, sem falar nada e dançamos juntos. Ele era até que bem interessante. A gente dançou um tempo e depois ele me ofereceu uma bebida. A gente conversou pra caramba, ele é incrível! Nem percebi o tempo passar. Aí, quando deu aquela paradinha no assunto ele me beijou. Quer dizer, nos beijamos. E foi O beijo. Nossa, fazia tempo que eu não sentia alguma coisa assim. Esse cara é diferente. Tem um jeito de olhar, um jeito de pegar... sei lá... só sei que a festa acabou e nem passei o telefone pra ele... vai ver que era pra ser assim mesmo....
(...)
A campainha tocou estridente, interrompendo as lembranças. Quem seria tão cedo? Não eram nem sete da manhã! Maria olhou pelo olho mágico. Ele! Olhou novamente. Devia ser delírio! Não tinham sequer trocado telefones. Era ela sim, impaciente bem na frente da sua porta. Abriu devagar. Ele sorriu.
— Bom dia!
Tá bom. Estava feliz por ele estar lá, qualquer que fosse a maneira que tivesse dado de encontrar o endereço. Mas dava uma sensação estranha... uma invasão.... Bobagem, Maria! Ele está aí na sua porta antes das sete da manhã, por que ficar preocupada? Sorriu de volta.
— Você?!
Ainda com um sorriso largo nos lábios, Caio ergueu as mãos com duas sacolas cheias.
— Vim fazer café da manhã pra você... não deu pra tirar você da cabeça, garota...
Era tão lindo e inesperado aquilo! Abriu sua casa para Caio, que logo encontrou a cozinha e começou a preparar o necessário para o café da manhã. Havia pães, queijos, frutas, um ramalhete de flores, café recém coado. Maria acendeu um incenso e ouvia as histórias que Caio contava enquanto agilmente montava a mesa.
— Nosso café da manhã! — concluiu ele, feliz após o término da missão.
Sentaram-se famintos. Conversaram e riram até o meio da manhã, quando o cansaço da noite não dormida começou a pesar nos olhos e no corpo.
— Ainda não preguei os olhos. Tô virado... você me roubou o sono, garota... posso dormir aqui com você?
Caio era tão direto e prático que as palavras fugiam de Maria. Ele percebeu seu assombro.
— Dormir. Só isso. O que mais quero agora é poder dormir abraçado com você.
Maria sorriu. Era o que desejava também. Deitaram-se num laço de braços. E dormiram. Por horas sonharam juntos, respirando no mesmo compasso. Acordaram e se amaram no meio da tarde, ao som da cidade em movimento. E a felicidade era tão plena que o mundo poderia acabar naquele instante e seriam eternamente felizes.
No dia seguinte se encontraram no parque. Tomaram sorvete e caminharam de mãos dadas. E nos outros dias encontraram-se também no parque, no cinema, no boteco, no teatro, numa trilha incrível que Caio descobrira perto dali, num workshop de meditação que Maria queria fazer já fazia algum tempo. Viajaram juntos diversas vezes, pro campo, pra praia, pra cidades históricas, pra grandes metrópoles. Caio era a velocidade. Maria era o tempo. Caio era a palavra, Maria o pensamento.
(...)
Madrugada em algum boteco do centro de uma grande cidade:
— Não sei, cara...eu adoro a Maria... ela é maravilhosa, mas... — Caio tomou um gole de cerveja — às vezes parece que ela não é daqui. Ela curte uns lances que não são meus... essa vontade de ficar com ela mesma, é assim que ela fala, que ela está precisando dela e pronto, se fecha e fim... sei lá... tá difícil... eu vejo que ela não curte o que eu curto, sabe, tá ficando complicado a gente fazer qualquer coisa junto.... sei lá...
Amanhecendo em um pequeno apartamento do centro de uma grande cidade:
Diário,
Hoje você não tem nada de querido. Acho que hoje não tenho mais nada querido de verdade. O Caio anda estranho. Eu ando estranha também. A gente não se encaixa mais. Parece que a gente se perdeu da gente mesmo. Eu não aguento tanta gente que ele conhece, sempre tem uma festa, um evento. A gente fica sem ter tempo pra gente, pra curtir as coisas simples, ele não me dá um tempo! Sempre tem algo pra fazer, gente pra ver. Estou com tanta saudade do tempo que eu podia ouvir meu vinil preferido, acender um incenso e dançar sozinha em casa... estou com saudades do que eu era... sei lá....
(...)
Era uma sexta-feira. O parque estava vazio por cauda da garoa. Caminhavam lado a lado. Nada de mãos dadas. Nada de palavras. Maria parou e olhou para Caio.
— Acabou.
Caio olhou para Maria.
— Eu sei... acabou... não posso ser o que você quer...
— Não precisa se justificar. Acabou. E só.
Caio beijou o rosto de Maria e seguiu seu caminho. Maria ficou olhando ele se distanciar devagar. Enxugou a discreta lágrima que se misturava com a garoa fina que molhava seu rosto.
(...)
Amanhecendo em um pequeno apartamento do centro de uma grande cidade:
Querido diário,
Hoje tá fazendo um ano. Nunca mais vi o Caio e também não procurei saber notícias dele. Dói menos. Eu sinto a falta dele. Eu sei que a gente não combinava, mas aquele jeito maluco dele de sempre fazer uma coisa diferente, as histórias dele, aquela legião de amigos, hoje tudo isso me faz falta. Não sei se fui precipitada, mas é que eu precisava tanto ter meu espaço de volta. Agora é só a saudade... não é que eu esteja arrependida, mas é que...
(...)
A campainha tocou estridente. Quem seria tão cedo? Não eram nem sete da manhã! Maria olhou pelo olho mágico. Caio. Sim, era Caio. E ele sorria. Maria abriu a porta, surpresa.
— Bom dia!
O sorriso dele continuava lindo igual e seu coração disparou ao vê-lo novamente.
— Você por aqui?!
Caio ergueu as mãos mostrando duas sacolas cheias.
— Vim fazer o nosso café da manhã. Estava com muita saudade.
Maria sentiu-se infinitamente feliz. Ele sentia sua falta também.
— Entra.
Caio largou as sacolas no chão e a beijou. Depois fizeram juntos o café e se amaram na cozinha. Comeram famintos e saudosos dos sabores um do outro. Dormiram abraçados ao som da cidade. Acordaram horas depois. Maria levantou e colocou seu vinil preferido do Caetano. Caio sorriu ao vê-la dançar nua no quarto.
— Será que a gente tem chance, Maria?
Ela olhou sorrindo.
— “E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim”
Caetano falava por ela. Caio puxou-a para si. Que os astros se entendam em algum lugar do universo. Ali e agora eram só os dois, prontos para novamente aprenderem a ser feliz.
Fim.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top