Conto 5 - Aquascórpion (Adriana Vaitsman e JG Carvalho)

Autora: Adriana Vaitsman e JG Carvalho

AdrianaVaitsman

Conto: Aquascorpion ( Del e Maya)

Música Tema: On Love - Bob Marley

Classificação: +18

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Estou de volta, caríssimos, e a nossa mistura zodiacal de hoje é um escorpiano com uma aquariana :-O Calma, calma gente... eles não se mataram! (ou pelo menos ainda hahaha)Vamos sempre tentar ver pelo lado bom, mas se tratando de um signo que tende a contrariar e pouco emocional, e o outro, emotivo, ciumento, possessivo e obsessivo... bom gente, é melhor preparar as armas kkkk

Com vocês: Maya e Del!

Boa sorte ao casal e beijos cósmicos a todos!

Ah! E escrevam para o tio Astrogildo GregÓrion*-*

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Apresentação dele:

Del é o apelido de Fidel, nome dado pelos pais em homenagem a Fidel Castro. Filho de pais socialistas, apesar de não seguir de forma engajada a politica adotada pelos pais, Del sempre teve uma veia latente pelo social, pela igualdade de oportunidades, pelo repúdio ao acúmulo de capital. Biólogo, mestre em biologia marinha, atualmente lecionando na UFF e em uma Universidade particular em Arraial do Cabo, além de fazer parte de algumas ONGs envolvidas com apoio à diversidade biológica marinha, contra a poluição e o desmatamento. Além de estar por concluir o doutorado de Biologia Marinha e Ambientes Costeiros também na UFF. Desde criança, gostava de estudar e cresceu valorizando o conhecimento sem cunho financeiro.

Sempre foi mais um bicho do mato do que do asfalto, por isso resolveu fixar residência em Arraial do Cabo, numa casa modesta super aconchegante, com horta nos fundos e rede na entrada.

Aos trinta e oito anos, continuou ostentando o título de solteiro. A rotina de viagens e estudos acabou por não permitir nenhum relacionamento mais longo. Na verdade nunca buscou um casamento ou família tradicional, e sempre lhe pareceram mais convenientes os relacionamentos breves, "rolos" e amizades com bônus como gosta de dizer... Aliás, no seu ciclo de amizades, todos sempre tiveram pensamento semelhante. Ao longo dos anos teve alguns namoros, mas no momento, está solteiro por opção.

Escorpiano do segundo decanato tornou-se vegetariano, muito mais pelo não ao "holocausto animal" do que pela sua saúde. Sempre foi intenso em trabalho, estudos e em outros assuntos, em especial... Sexo. Aliás, intenso apenas com os assuntos de que gosta de fato, não com os quais precisa ou que lhe são impostos. Foge das imposições, ainda que eventualmente tenha que engolir algumas.

Surfista de alma, nunca competiu, mas pega ondas desde os doze anos, mesma época em que começou a decidir sobre a carreira de biólogo. O trabalho já o levou a surfar nos mais variados picos. Possivelmente, a escolha pela biologia marinha tenha tido total relação com o surf. Como dito antes, intensidade é o seu sobrenome quando se trata dos assuntos que ama: surf, biologia marinha, praias, bons picos... Tudo está relacionado, desde a profissão, até o local escolhido para morar. Ele seria um poço de certezas e convicções, até conhecer certa aquariana...

Apresentação dela:

Maya é o que se pode chamar de um espírito livre. Foi criada sem reservas. Seus pais, últimos remanescentes da geração hippie, a educaram para o mundo. Aos trinta e nove anos ainda não sucumbiu às regras impostas pela sociedade: todas as mulheres vieram o mundo para casar e gerarem filhos. Ela nunca quis casar, tampouco ser mãe. Não que não goste de crianças, muito pelo contrário. Entretanto, esse é um talento que ela sempre achou que não teria. Sendo assim, nunca se arriscou neste terreno. No quesito relacionamentos, por ser muito prática, passou uma vida tentando não se envolver. Mas como aquariana, sempre foi intensa demais, e por algumas vezes não conseguiu evitar o envolvimento, o que já lhe acarretou decepções suficientes no currículo. Por isso, de um tempo para cá tem preferido relacionamentos superficiais, baseados em sexo e amizade.

Formada em economia, atualmente trabalha em uma grande multinacional, um contrassenso em relação aos seus princípios e estilo de vida. Apesar das contradições, ela sempre gostou dos números, tanto que é fascinada pela numerologia. Desde pequena, costumava colocar os números em tudo e até hoje fica fazendo combinações que julga favorecer as energias positivas. Maya também sempre adorou o zodíaco. Coincidência ou não, sempre constatou que os signos realmente delineiam personalidades. A vida desta aquariana parecia estar toda sob controle, até que uma viagem de férias a fez rever alguns de seus conceitos.

***

Era mais um dia daqueles no escritório. Incontáveis reuniões, planilhas, relatórios e Maya não via a hora de acabar o expediente. Entraria de férias no dia seguinte. Aquele era o último dia de trabalho antes do merecido descanso. Tinha comprado uma passagem para Fernando de Noronha. Nunca tinha ido até lá, apesar de conhecer vários países em incontáveis viagens de trabalho. Estava empolgada.

O fim do expediente chegou, e com ele, a liberdade. Apesar de amar o que fazia, Maya sentia-se presa. Entretanto, com um pé na fantasia e outro na realidade, mantinha-se no excelente emprego que tinha, porque se havia um estímulo para continuar, eram as contas que não paravam de chegar todos os meses. Levava uma vida confortável e como boa aquariana, gostava de conforto, apreciava a tecnologia e as coisas boas da vida. Era muito "antenada". Sua profissão exigia. Era especialista em mercado financeiro e manipulava consideráveis quantias de seus clientes. Não podia falhar.

Era vaidosa, mas não era daquelas que viviam para a vaidade. Tinha uma rotina de exercícios e mantinha uma alimentação saudável, apesar de "escorregar" no chocolate de vez em quando. Bebia socialmente e não dispensava uma boa noitada com os amigos. Por isso, naquela noite, antes de fazer as malas, teve uma sessão com um personal trainer que a acompanhava em treinos ao ar livre no parque do Ibirapuera, perto de sua casa.

Após cumprir sua rotina, foi para casa, a fim de organizar as malas. Não iria levar muita coisa. Era daquelas que dispensava os excessos. Alguns biquines, shorts e "rasteirinhas" depois, a mala estava pronta. Uma única mala grande de rodinhas para dez dias no paraíso.

***

Del havia sido escalado (com prazer) para dar continuidade a um trabalho, na verdade uma pesquisa de campo sobre tubarões em Fernando de Noronha. Já eram comuns essas viagens pela ONG responsável por proteger, orientar e desmistificar o comportamento dos tubarões.

Daria continuidade à pesquisa, colheria material para defesa de seu doutorado e de quebra, pegaria umas ondas. Ficaria apenas quatro dias, até porque, não poderia se ausentar muito do trabalho na universidade onde lecionava.

Já era conhecido em Noronha, respeitado e admirado pelo trabalho que realizava. Não recebia muito por isso, não vivia no luxo, ficava sem problemas em pousadas e hospedarias, tanto que sempre teve total apoio do pessoal local. Nunca lhe faltava comida, bebida e pranchas. Já tinha o local para deixar o material para a pesquisa, para o trabalho a ser realizado com os tubarões, além de conseguir um barco de apoio por um bom preço e, às vezes, até de graça.

Embarcaria na sexta-feira pela manhã e voltaria na segunda-feira, levando uma mochila com algumas peças de roupas e o notebook. Iria sem malas, apenas uma bolsa de viagem, muito mais com o material para a pesquisa do que pessoal.

***

O encontro:

Se houvesse uma só palavra para conceituar Noronha, esta deveria ser paraíso. O lugar, apesar de ter caído no roteiro das agências de turismo, ainda permanecia aparentemente selvagem. Era mesmo incrível.

Da janela do quarto do seu hotel, avistava uma piscina com a borda infinita, que se misturava ao mar mais limpo e azul que ela já tinha visto na vida.

Maya sorriu ao lembrar-se de alguns dos seus amigos cariocas, com o seu discurso de que não existe lugar no mundo com praias mais bonitas que as do Rio de Janeiro. Ela sempre notou como eles são apegados à sua cidade e cheios de manias e "carioquices". Deve ser por isso que os cariocas não conseguem enxergar nada além das montanhas que circundam suas praias, pensou. Em uma coisa ela tinha que concordar com eles: o Rio de janeiro era lindo, apesar de tudo... Mas Noronha... Ah, Noronha... Era um verdadeiro espetáculo para os sentidos.

Após o café da manhã, e de ter dispensado no saguão do hotel um incrédulo agente de turismo (espantado pelo fato de ela ter vindo sozinha, sem nenhuma amiga ou namorado), que lhe oferecia um passeio "imperdível", na companhia de viúvas da terceira idade e solteironas, resolveu procurar um lugar para ir através de um aplicativo do seu celular, e descobriu uma praia frequentada exclusivamente por surfistas e locais, denominada como Cacimba do Padre.

Lá, não correria o risco de receber colares havaianos e um drinque em um abacaxi decorado. Não que fosse contra este tipo de turismo. Não era isso. Mas tinha vindo ali para praticar ioga, meditar, ficar em contato com a natureza e principalmente, ter um momento de intimidade consigo mesma. Estava precisando...

Caminhou até uma pedra que formava um platô, onde pôde subir e esticar seu tapete de ioga. Contemplou o mar e a natureza. A praia estava praticamente deserta, com pouquíssimos frequentadores.

Maya sentou-se com as pernas cruzadas e o dorso das mãos sobre os joelhos, na posição de Lótus, e fechou os olhos, começando sua prática. Limpou a mente, agradeceu silenciosamente ao universo por estar ali e fez alguns "pranayamas" respiratórios, para harmonização. Iniciou uma sequência da "Surya Namaskar", ou traduzindo, saudação ao sol. Entrou e saiu das posturas, também chamadas de ásanas, e finalizou a prática meditando deitada em seu tapete, com os olhos fechados, recebendo a energia do sol... Até sentir algo tocar seu tornozelo. Levantou-se subitamente, assustada, interrompendo toda a sua sequência de maneira brusca.

Seu coração estava acelerado, e a respiração, ofegante, quando encarou o par de olhos verdes de um cabeludo que parecia ter saído de um programa daqueles do canal Off.

-Meu Deus, me desculpe! Não sabia que a pedra estava ocupada! -Desculpou-se o homem, terminando de flexionar e erguer o corpo para subir no platô. -Achei que estivesse apoiando as mãos na pedra e não vi você, de lá de baixo não tinha visão... - Justificou-se, sem graça.

Maya não podia acreditar que sua prática tinha sido interrompida de uma forma tão inusitada. O homem parecia de fato envergonhado, e estava pedindo sinceras desculpas. Ela respirou aliviada, afinal, o susto tinha sido grande, achou que seria atacada...

- Tudo bem. Eu estava completamente distraída, e não percebi que havia alguém debaixo da pedra.

O homem esboçou um sorriso. Aliás, que sorriso... Ele era uma perfeição da natureza: alto, bronzeado, com um corpo atlético, um abdômen daqueles que se podiam contar os músculos e um oblíquo desenhado. Mas aquele estilo hippie um tanto roots, com pulseiras e cordões, não a agradava tanto, não era nada sofisticado, na verdade até a intrigava. No entanto o sorriso era deslumbrante... E que par de olhos verdes... Ela ficou sem fôlego, diante de tanta exuberância.

- Muito prazer. Sou Maya. - Estendeu a mão, para quebrar o gelo e amenizar o clima estranho.

- O prazer é todo meu. Sou Del. Na verdade me chamo Fidel, mas todos me conhecem pelo apelido. Soa melhor... - Explicou o charmoso desconhecido.

Em vinte minutos viraram amigos de infância. Tinham descoberto várias coisas em comum, exceto pelo fato de que ele era um daqueles cariocas orgulhosos de suas "incomparáveis praias", o que a irritava um pouco. Como vivia fora do Rio, na região dos lagos, seguia exaltando a biodiversidade marinha, em especial de Arraial do Cabo, o que o tornava infinitamente mais amável. No entanto, decididamente o que mais lhe incomodou foram as ideias sobre política e economia que divergiam das suas. Tirando isso, ele era o seu número. Ela descobriu que ele era professor universitário e biólogo, e isso a encantou. Um homem que amava a natureza, tanto quanto ela.

Para Del, aquele encontro tinha sido um presente de Iemanjá. Encontrar uma deusa morena como aquela deitada na pedra só podia ter sido um capricho da mãe sereia. Ela era incrível. Tinha um corpo bem distribuído, era alta, e muito bonita. Os cabelos ondulados quase negros caiam pelos ombros em cascata. O mais curioso era que ela de jeito nenhum aparentava a idade que tinha. Pois é, ele já tinha a ficha completa da mulher que tanto o havia impressionado: aquariana, economista, trinta e nove anos, paulista (tinha que ter um defeito), e um espírito livre como ele. Em poucos minutos de conversa tinham obtido o resumo da vida um do outro. O que mais o impressionava além do par de seios fartos, é claro, era que ela tinha vindo sozinha para Noronha, de férias. Somente uma mulher muito segura e bem resolvida agiria dessa forma. Ele não pôde evitar a empolgação. Foco Del. Foco... Você veio aqui para trabalhar. Trabalhar... Pensava consigo mesmo.

Foi inevitável. Marcaram um encontro. Saíram à noite para beber algo e apreciar um forró no Bar do Cachorro. Cerveja gelada, risos, música gostosa de ouvir e que convidava ao prazer, ritmos intensos... Uma dança... Um beijo...

E a noite acabou com os dois indo em direção à praia. Del e Maya. Dois amigos recentes. Dois amantes ardentes. Ele a convidou para ter a experiência de um banho de mar ao luar... Completamente nus. Despiram-se e entraram na água. Estava quase morna. O vento quente soprava aquecendo os corpos dos dois, que se buscavam mutuamente. Não havia nada a esconder. Dois espíritos livres, selvagens, que transbordavam sensualidade num emaranhado de mãos e bocas, desfazendo-se em beijos, carícias e perdendo-se em um abraço de prender a respiração. A excitação os consumia como fogo crepitando na lareira. Os beijos passaram de intensos a vorazes em questão de segundos. Queriam tudo. Devoravam-se. Tinham pressa. Não podiam perder tempo. O homem de escorpião e a mulher de aquário. Água e ar, fundindo-se em um só corpo. Os gemidos e sussurros davam a dimensão das sensações que ambos experimentavam. Ele era um amante generoso e intenso. Ela, quente e receptiva. O movimento ritmado acompanhava o ritmo das marés, e os embalava num encontro perfeito. Os dois chegaram ao êxtase quase ao mesmo tempo.

De início, não compreenderam bem que conexão havia sido aquela. Não houve tempo nem para as preliminares. Foram direto ao ponto, tamanha foi a excitação com que os corpos se receberam e se encaixaram.Saíram da água. E agora? O vento estava soprando mais forte e causava arrepios. Maya usou a pashimina que trazia, como toalha. Secou-se, e a emprestou a Del.

Riram da loucura que tinham feito minutos antes. Ainda estavam ofegantes. A vontade de não interromper a conexão que havia se estabelecido, os levou até o hotel de Maya. Ela e ele, agora no conforto dos lençóis macios, tendo a lua como única testemunha, fizeram tudo de novo. Dessa vez, exploraram o corpo um do outro, e as carícias cederam lugar aos beijos mais ousados... Nos locais mais íntimos e remotos. Maya contorcia-se, agarrando-se ao travesseiro, enquanto Del usava a língua indo direto ao centro do seu prazer. Ele era um Deus do sexo e da luxúria. O que era aquele homem? Pensou Maya. Onde é que ele estava guardado? Ela sentiu uma enorme necessidade de retribuir as carícias, e de forma intensa, deu a ele o maior prazer que um homem pode desejar, enquanto ele erguia a pelve em sua direção, querendo receber tudo, e emitindo sons de puro prazer.

Ficaram perdidos em beijos e carícias por horas a fio. Adormeceram exaustos nos braços um do outro. Acordaram já passava das nove. Del demorou a compreender onde estava e deu um pulo da cama: tinha perdido a hora.

- Minha Deusa morena, me diz que eu não perdi a hora... - Disse, enquanto espreguiçava e bocejava.

- Depende de que horas precisava acordar... - Respondeu Maya, com um sorriso bobo no rosto, daqueles que só as mulheres entendem.

- Bem, olhando aqui no meu relógio vejo que deveria ter entrado num barco para ir até alto mar às seis da manhã. Como já passa das nove... Creio que esteja há apenas três horas atrasado. Merda!

Maya riu e deu-lhe um selinho, levantando-se.

- Neste caso, devo lhe dizer que você perdeu o barco. Perdeu a hora... Posso fazer algo para ajudar?

- Infelizmente não. Já perdi a hora. Mas não me arrependo nadinha... Foi por uma boa causa...

- Boa causa? - Indagou, cheia de malícia.

- Na verdade ótima causa. Deliciosa causa... - Disse, enquanto a beijava. Foi difícil resistir e não começar a fazer com ela tudo o que desejava... Mas isso teria que ficar para mais tarde... Agora, precisava reverter a situação e consertar o estrago.

Del iria inverter a programação. O barco ficaria para o dia seguinte. Ele iria até o Centro de Pesquisas e adiantaria a parte burocrática. Dali mesmo ligou para o pescador que deveria tê-lo levado ao mar, desculpou-se, disse que tinha tido um contratempo, e remarcou para o dia seguinte. Tratou também de ligar para a universidade e avisar que a pesquisa levaria mais tempo do que ele poderia supor. Enviaria as aulas da semana por e-mail para o rapaz que estava sendo orientado por ele na pós-graduação. Ele daria as aulas em seu lugar. Tudo resolvido. Teria tempo de fazer tudo valer a pena. A pesquisa e Maya...

Maya apenas o observava em ação. Aquele homem tinha uma atitude e um senso prático que muito lembravam como ela se comportava no mundo corporativo. Estava encantada por ele, essa era a verdade...

Del tomou café no quarto com ela e já passava das onze quando conseguiu deixá-la. Precisava trabalhar. Tinha ido ali para isso, afinal.

Maya passou o dia explorando as praias vizinhas ao hotel. Descansou, e se preparou para a noite.

***

A noite chegou, e Maya, mesmo sem querer, durante todo o dia, não tinha parado de pensar naquele homem. Tentou praticar ioga, foi ao SPA do hotel, mas na verdade, ele havia roubado o seu sossego. Mal podia esperar para vê-lo na hora marcada.

No horário combinado, ele apareceu. Cabelos soltos ao vento, bermuda jeans desbotada, camiseta branca de malha. Totalmente básico. Sensualmente lindo. Aquele homem era uma tentação, com ou sem roupa. De preferência sem...

Foram jantar em um simples e acolhedor restaurante. Comeram um peixe feito na telha com banana cozida. O prato era servido sobre folhas de bananeira. Um absurdo de bom. A cerveja estava estupidamente gelada, em contraste com Del e Maya, absurdamente quentes... Conversaram sobre o trabalho, e ela descobriu que ele partiria dois dias antes dela. Isso a deixou triste, mas não tinham como exigir nada um do outro, eles sabiam. Tudo iria acabar em poucos dias e cada um seguiria seu rumo. Entretanto, aquele encontro tinha sido de almas, apesar da atração física e da química sexual terem sido os pontos altos da relação que se estabeleceu entre os dois.

- Você me aceita de novo no seu quarto esta noite? - Indagou Del, malicioso, já sabendo qual seria a resposta, enquanto beijava o ponto sensível atrás da orelha de Maya.

- Só se você me prometer que vai passar todas as outras noites comigo... -Sussurrou em resposta, com o desejo já se evidenciado na voz.

- Está prometido. -Agora vamos...

E assim acabaram a noite: no quarto de Maya, perdidos nos braços um do outro...

O tempo sabe ser cruel, quando quer. E passou tão rápido, que antes que os dois pudessem perceber, já era a hora de Del retornar.

O trabalho que tinha ido realizar ali havia sido menos produtivo do que ele imaginara, e embora ele não quisesse admitir, ter conhecido sua deusa morena desviou-lhe o foco da pesquisa, que poderia ter sido melhor. Mas ele não se arrependia nem por um segundo de tê-la conhecido, e muito menos de ter se envolvido com ela. Aqueles tinham sido os melhores dias da sua vida...

Maya, por sua vez, ainda tinha mais dois dias no paraíso, que não teria a mesma graça sem ele. Tinham explorado juntos todos os recantos, todas as praias, todas as pequenas ilhas. Ela o tinha acompanhado no barco, tinha o visto mergulhar com os tubarões, e temido por ele. Durante o dia, viviam fortes e grandes emoções...

E à noite, entre os lençóis, o ritmo não era muito diferente... Foram arrebatados por uma paixão quente, sensual, cúmplice e muito, muito intensa... Inevitavelmente tinham se apegado....

Mas era a hora da despedida. Maya foi levá-lo ao aeroporto. E ficou desolada quando viu seu avião decolar.

O tédio a consumiu. Tentou fazer ioga, curtir a praia, o hotel, e no último dia, até sucumbiu a um luau organizado pelo resort onde estava hospedada. Tudo na vã tentativa de recobrar o autocontrole e não pensar tanto em Del. Mas isso era impossível. Ele tinha deixado seu rastro, e ela sabia que a recíproca era verdadeira. Mal pisou no Rio de Janeiro, o homem já a havia chamado no Skype. Nos dias que se seguiram, conversaram várias vezes pelo aplicativo.

Chegou o dia da volta, e Maya sabia que seria inútil comemorar, porque não seria tão simples matar as saudades, tinham um probleminha básico: ele morava no Rio, e ela em São Paulo.

***

Viajar é muito bom, mas voltar para casa é melhor ainda, pensou Maya, desarrumando a mala. Tinha tanto que fazer que dava até desânimo. Colocar as roupas sujas na máquina de lavar, regar as plantinhas na sacada e o mais importante: resgatar Léo, seu gatinho de estimação no apartamento de Dona Aurora, a vizinha que gentilmente ficava com ele quando ela ia viajar.

Depois de colocar tudo nos eixos, resolveu tomar um banho e descansar, já era tarde. Havia a expectativa de ser chamada pelo Skype, e a todo o momento ela olhava para a tela do celular, em busca de alguma mensagem. Não lhe agradava a ideia de estar tão dependente destas chamadas. Há muito tempo ninguém mexia tanto assim com ela. Já estava até desacostumada a isso, mas a verdade é que em poucos dias as coisas haviam mudado, e Del tinha entrado em sua vida. Mas a tão esperada chamada não veio... E, vencida pelo cansaço, Maya adormeceu.

Não sabia se estava sonhando acordada, mas um ruído parecia atravessar-lhe os ouvidos. Era ensurdecedor, estridente e insistente. Ela constatou que não se tratava de um sonho. O interfone tocava a mil por hora, e era no apartamento dela. Levantou-se sobressaltada e olhou no relógio do celular no criado-mudo. Duas da manhã. Quem seria a essas horas? Dirigiu-se ainda cambaleante de sono até a cozinha, onde ficava o famigerado aparelho e o atendeu ainda sonolenta.

- Quem é?

- Dona Maya, aqui é Agnaldo, o porteiro.

- O que houve, Agnaldo?

- É que tem um rapaz aqui querendo subir. Disse que se chama Del.

O coração dela acelerou. Ela achou que ainda estivesse sonhando... Ele estava ali... Não podia acreditar...

- Deixe-o subir, por favor.

- Tudo bem, estou liberando a subida dele.

- Obrigada, Agnaldo.

- De nada, dona Maya.

Ela foi esperá-lo com a porta entreaberta. Estava seminua, do jeito que dormia, mas nem passou pela sua cabeça trocar de roupa. Foram intermináveis cinco minutos até a porta do elevador se abrir e ela avistá-lo. Correu para os braços dele, ali mesmo no hall de entrada. Puxou-o para dentro do apartamento e empurrou a porta com os pés. Ele largou a mochila no chão e a pegou no colo, entrelaçando as pernas daquela deusa morena em sua cintura, enquanto sua boca faminta procurava a dela. O beijo foi intenso e cheio de promessas. Ainda não tinham dito nem "oi" um ao outro, e já estavam indecentemente colados. Ele deixou uma trilha de beijos no pescoço de Maya, que gemia e balbuciava palavras desconexas, emitindo sons de puro prazer. Del arrancou-lhe o fino baby-doll e quando constatou que ela estava sem calcinha, esboçou um sorriso no canto dos lábios. Porra, aquilo era a personificação da palavra delícia... Acariciou seu sexo, e deslizou dois dedos para dentro dela. Maya gemia em resposta... Seus sentidos estavam em alerta, e ela desmanchou-se nas suas carícias. Aquele homem definitivamente não era desse mundo. Ela o queria dentro de si. Ajudou-o a tirar a roupa, e quando o viu nu novamente, constatou que o paraíso não era em Noronha, e sim naquele corpo, em forma de pecado ambulante. Maya deslizou as mãos por aquele abdômen firme e foi parar no caminho da perdição, colocando-o na boca, até praticamente conduzi-lo ao êxtase, fazendo-o gemer e arfar, enquanto ele, apoiado no grande sofá da sala, colocava a camisinha e a puxava para si.

- Vem cá, minha deusa morena. Quero me enterrar fundo em você...

- Ownnn... Del, quero você...

- Onde você, me quer... Diga...

- Aqui... Dentro de mim... - Dizia Maya, com a respiração entrecortada...

- Seu desejo é uma ordem, minha linda...

Ele deu a ela o que ela queria, ou melhor, o que ambos queriam. As investidas foram firmes e o ritmo, intenso. Os dois corpos, agora misturados, serpenteavam como se ainda estivessem no mar, onde fizeram amor pela primeira vez, embalados pelas ondas. Experimentaram várias posições, explorando o corpo um do outro. Ele por trás, tracionando-lhe os cabelos e deixando mordidinhas nos ombros. Ela por cima, apoiada naquele abdômen firme, subindo e descendo no ritmo da sua "pegada forte". Pois se havia algo que aquele homem tinha, era "pegada". Santo Deus!

***

O dia amanheceu, e eles estavam praticamente jogados na cama de Maya, dormindo como se não houvesse amanhã, extenuados pelas travessuras da madrugada, que tinha começado no hall de entrada, passado pela sala e terminado no quarto. Só faltaram a cozinha e o banheiro do pequeno apartamento de Maya serem "inaugurados" pelo sexo explosivo que eles fizeram.

Del foi o primeiro a acordar. Olhou o relógio. Dez da manhã. Puta merda! Teria que voltar ao Rio ainda naquele domingo, pois na segunda, a rotina iniciaria com força total. Aulas, relatórios, conclusões da pesquisa... Não gostava nem de pensar. Ainda teria algumas horas com sua deusa morena. Nunca tinha feito nenhuma loucura por amor... Amor não, paixão. Amor definitivamente não era a sua praia. Usou o lado impulsivo do escorpiano para fazer esta pequena extravagância. Aliás, extravagância não é algo desconhecido para os homens de escorpião. Ter pegado um voo para São Paulo, de surpresa, sem saber se encontraria Maya tinha sido uma doce loucura... Mas tinha valido a pena. Cada minuto... Cada segundo...

Del retornou ao Rio de Janeiro, apresentou o relatório para a ONG, se preparando para a defesa da tese de seu doutorado, além das aulas. Tudo muito corrido, mas totalmente administrável, tanto que sempre conseguia surfar.

Maya retornou das férias e mergulhou no universo business, sem se esquecer do corpo em harmonia com a mente.

Em todos esses momentos lembravam-se um do outro. Falavam-se via Skype, Whatsapp e também via telefone diariamente, por diversas vezes ao longo do dia. Declarações, fotos, "nudes", sexo virtual, tudo era explorado através da tecnologia, mas também algumas lamentações e constatações... Estavam distantes e sem grandes perspectivas em razão das respectivas rotinas.

***

Com o tempo foram se distanciando e percebendo essa distancia não só do corpo, mas do coração, reduzindo os contatos.

Del focado na defesa de sua tese, notas finais e aprovações de seus alunos, havia reduzido inclusive a função de biólogo junto as ONGs, bem como também as ondas, por conta das obrigações universitárias. Do outro lado, Maya envolvida com planejamentos, números e a real possibilidade de uma promoção a Diretora Financeira, sonho profissional que nutria desde a época acadêmica. Não!!! Nesse momento não tinha como engatar um relacionamento, tampouco viver um grande amor, ou algo do tipo.

Os dias se passaram, semanas, meses, a vida seguiu. Del se tornou doutor com louvor, sua defesa de tese virou livro, o que quase lhe exigiu agregar mais essa função, a de escritor, que não foi aceita por ele. Queria apenas ensinar sobre a vida marinha, se envolver com essa vida de forma que pudesse defendê-la e protegê-la. Maya conseguiu a tão sonhada promoção, era Diretora Financeira de uma grande multinacional em expansão no Brasil, teve que fazer algumas viagens aos Estados Unidos por conta desse cargo, o que para ela foi incrível. A vida seguiu de forma brilhante e promissora para os dois da forma desejada, buscada e alcançada por ambos.

De "Affairs", "rolos", "amigas(os) com bônus", ou qualquer coisa do gênero, ambos se fartaram, mas nunca mais houve nenhuma paixão arrebatadora. Eventualmente sem saber por que motivo especificamente, se pegavam olhando as fotos registradas no celular, ou ainda as fotos dos respectivos perfis. Ainda sentiam algo, ainda havia a fagulha, algo lá no fundo, que mesmo com o passar do tempo não apagou.

Del mal pôde acreditar quando foi convocado pela ONG para voltar a Noronha por uns dias. Aquele lugar lhe trazia as mais doces e incríveis recordações. Impossível separar Noronha de Maya. Era algo já associado...

Havia meses que não se falavam. O caso foi caindo em um aparente esquecimento, sufocado pela vida caótica dos dois. Del, o escorpiano impulsivo, quando confirmou dia, hora e voo de ida, sucumbiu à tentação de procurá-la e mandou uma mensagem pelo whatsapp para ela. Iria viajar em um sábado de manhã. Ela visualizou, mas não respondeu... Ele deixou para lá. Não era para ser...

Na manhã da viagem, Del quase perde o voo. Estava para lá de atrasado. Tinha saído de Arraial do Cabo no meio da madrugada e ainda assim, quase não embarcou. O primeiro trecho foi do Rio para São Paulo. A conexão para Noronha sairia em exatos trinta minutos. Atravessou o aeroporto de Guarulhos. Correu feito louco. Entrou esbaforido na aeronave... Caminhou pelo corredor procurando seu assento. Foi o último a embarcar. Não tinha marcado lugar na hora da compra da passagem. Localizou o assento vazio no corredor, guardou sua pequena bagagem de mão, e quando, finalmente, ia tomar seu lugar, uma voz familiar lhe desviou a atenção:

- Pensei que eu fosse ter que ir para Noronha sozinha... Passar o final de semana...

-Maya?

-Surpreso em me ver? Foi uma trabalheira achar um lugar nesse voo de conexão...

- Senti saudades... - Disse ele, enquanto a beijava...

-É só um final de semana, Del. Nada mais...

Aquascorpion. O encontro que virou tesão, que virou paixão, que quase virou amor...

FIM.

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