Conto 3 - Sagiquário (Adriana Vaitsman e Ricardo Felix)

Autora: Adriana Vaitsman e Ricardo Felix

AdrianaVaitsman

Conto: Sagiquário (Eric e Ana)

Música tema: Ela só quer paz - Projota

Classificação: +16

***

Meus caros shippianos! Trago para vocês mais uma história surpreendente de ships possivelmente favoráveis no mundo astrológico.

Sagiquário??? Meus cosmos! Vamos ver como essa receita pode ser picante no caldeirão do Sr. Astrogildo GregÓrion kkk Podem ter certeza de que no fim, elas são sempre chocantes.

Conheçam um pouco de Eric e Ana ;)

Eric, sagitariano, veterinário, 29 anos. Ana, 27 anos, aquariana, psicóloga e terapeuta holística. Ambos tinham algo em comum: O amor pelos animais. Quando sai com seu cãozinho para passear, Ana jamais poderia imaginar que o destino iria colocar e Eric e ela frente a frente em uma situação inusitada. A sequência de coincidências não para, e a atração entre os signos do ar e do fogo é devastadora. Será que o destino irá deixa-los ditar as regras do jogo como estão acostumados? Será que a personalidade forte dos signos de ambos irá predominar? Ou o amor os pegará de jeito? Sagiquário: quando o ar e o fogo se encontram... A mistura é explosiva.

***Beijos Cósmicos a todos***

*____________*

Apresentação dele:

Quando criança Eric era uma daquelas que deixam as mães preocupadas, porque ia fácil com qualquer um, inclusive com os estranhos. Era falante e fazia colegas com facilidade impressionante. No primeiro dia de escola, sua mãe com os olhos marejados e o coração apertado se despediu do garoto. Enquanto os outros berravam e não queriam soltar as mães para entrar sozinhos naquele mundo desconhecido, Eric acenou para a mãe e logo puxou assunto com um, riu com outro. Estava empolgado com o mundo novo. Estava feliz. Naquele momento, a mãe percebeu que aquele garoto seria do mundo e só nele se realizaria. Na adolescência tudo era precoce: o primeiro beijo, a primeira relação sexual. A curiosidade sempre o motivou. Por ter começado cedo, aos vinte e nove podia se dizer experiente em relacionamentos.

Seus problemas surgiam com os relacionamentos mais duradouros, principalmente, quando iam ficando sérios. Por isso, raramente, ficavam. Sempre preferiu falar de paixão a falar de amor. Enquanto aquela lhe dava prazer, este parecia aprisioná-lo. Na verdade, o amor era um sentimento misterioso para ele. Ouviu falarem muito dele, mas nunca o provou. Tampouco sentiu falta disso, vivia bem do seu jeito. Quando os relacionamentos se estendiam, era uma dificuldade comprar cartões de dia dos namorados. Descartava aqueles com expressões como "te amo" ou "ao amor a minha vida" principalmente se viessem associadas a " para sempre" ou "sem-fim" . Com isso 95% dos cartões disponíveis não serviam. Procurava então aqueles decorados apenas com rosas e corações cintilantes que também eram lindos, no entanto prometiam menos, isto é, prometiam o que ele podia cumprir.

Apresentação dela:

Ana sempre foi desinibida. Uma típica aquariana, estava sempre à frente do seu tempo. Quando pequena, achava entediantes as brincadeiras das outras crianças. Queria crescer. Queria ser adulta. Queria ser mulher. Sempre foi assim. Sua mãe vivia lhe dizendo:

- Unha vermelha não pode. Maquiagem também não. Salto alto nem pensar. Quantos anos você pensa que tem? Ainda é muito cedo para isso. Vai brincar menina!

E ela ia... Contrariada, mas ia... Com as suas bonecas, em suas brincadeiras, Ana podia transformar-se no que bem entendesse, e todas elas viravam empresárias bem-sucedidas, modelos, mulheres poderosas, que em sua imaginação, percorriam o mundo em viagens fantásticas.

Na adolescência, sua vida social era um desastre. Os meninos debochavam dela porque era magrela e desajeitada e as meninas achavam-na estranha e não a incluíam nas suas rodinhas de conversas. Tudo bem, ela não ligava mesmo. Ou fingia que não.

Entrou na faculdade e formou-se em Psicologia, com ênfase em terapias naturais, mas era mesmo fascinada pela astrologia. Acreditava que se os astros influenciavam as marés e as estações, haveriam de influenciar também a personalidade das pessoas.

Integrava-se totalmente aos ambientes onde predominava a natureza. Amava os animais. Adorava ioga e meditava sempre. Não tinha uma religião definida, mas curtia as artes exotéricas em geral. Era mística.

Aos vinte e sete anos, tinha desenvolvido uma autodefesa, e no quesito amor, ficou para trás com relação às amigas, todas casadas e grávidas. Ela não queria nada disso. Chegou a namorar algumas vezes, mas agora, senhora de si, preferia "transas" casuais a relacionamentos que prometessem mais do que um mês de encontros divertidos. Não tinha a pretensão de encontrar um namorado e fugia sempre das suas tias, que lhe cercavam de perguntas sobre quando ela iria finalmente "criar juízo" e arranjar um marido. Para desgosto de sua mãe, ela simplesmente dizia: - Enquanto não encontro o homem certo, vou me divertindo com os errados! - E saía de fininho... Reuniões de família significavam interrogatório e inquisição. Ainda bem que os parentes moravam em outra cidade.

***E&A***

A tarde estava quase no fim. O pôr do sol no Forte de Copacabana era mesmo um show à parte. Do seu apartamento minúsculo, podia ver um pedacinho do forte. Sentia-se privilegiada por isso. Desde a manhã havia trabalhado em seu consultório e atendido cerca de dez pacientes. Cada um com seus problemas. Às vezes, ouvir as pessoas e suas angústias deixava-a melancólica. Por isso, contava com a prática de ioga para limpar a mente, e praticava alguns esportes.

Hoje era um desses dias. Sentia-se sufocada. Decidiu que iria até a praia e entraria com o stand up paddle no mar, apesar de saber que em pleno verão, aquilo lá estaria fervilhando de gente.

Seus planos quase foram bem-sucedidos. Quase... Porque Zeus, seu beagle, que ela tinha adotado há dois anos, veio da cozinha com a coleira na boca, querendo rua. Ela achou graça e abriu mão da sua programação. Afinal, ele era o rei da casa. Ela o mimava demais, sabia disso, mas como resistir àqueles olhinhos pidões? Ele era rebelde e indisciplinado. Sabe como é... Semelhante atrai semelhante... Era igualzinho a ela no quesito teimosia. Afinal de contas, uma aquariana sabe ser teimosa quando quer.

Desceram pelo elevador de serviço (ela achava isso um absurdo), e ganharam a rua. Ana e Zeus. Os dois melhores amigos. Apesar do porte médio, era ele quem a conduzia. Era impossível. Distraía-se com as latinhas jogadas na rua, com vasos de plantas, e com os outros cachorros.

Não foi por acaso que em uma fração de segundos, ele avistou uma fêmea do outro lado do calçadão, e disparou em sua direção, enquanto ela o puxava de volta. E antes que ela pudesse fazer algo para controlá-lo, ele disparou pela ciclovia, levando Ana consigo, e fazendo-a literalmente atropelar um homem que estava correndo. Os dois caíram no chão e Zeus soltou-se, indo em direção à rua. O desconhecido não pensou duas vezes, e praticamente à velocidade da luz, lançou-se sobre o beagle, impedindo-o de ser atropelado.

Ana ainda estava trêmula, sob o impacto dos acontecimentos. O susto tinha sido enorme, e aquele desconhecido havia salvado Zeus, o impossível. Ela lhe seria eternamente grata. Se não fosse por ele, seu melhor amigo agora poderia estar embaixo de algum carro, e ela certamente estaria com o coração partido.

- Acho que esse rapazinho lhe pertence. - Disse-lhe o homem, passando Zeus para o colo dela.

- Obrigada. Não tenho palavras para agradecer... E também lhe devo um pedido de desculpas...

- Tudo bem. Eu faço isso o tempo todo. - E riu.

- Faz? Salva cães impossíveis de serem atropelados todos os dias?

- Quase isso. Sou veterinário. Muito prazer, Eric. - E estendeu as mãos, abrindo um sorriso que elevou a temperatura em muitos graus, quase derretendo o calçadão de Copacabana.

- O prazer é todo meu. Ana.

Deus do céu! Aquele cara era impressionante! E olha que ela não gostava de morenos. Sempre preferiu os loiros, de olhos claros, mas dessa vez ela tinha que concordar: o homem era um pecado ambulante.

Eric também ficou encantado com a moreninha que batia no seu peito. Era pequena, e quando falava com ele tinha que olhar para cima. Ele achou graça. Ela era sensacional. Cabelos longos, com as pontas claras, olhos cor de mel e um corpo curvilíneo. Era uma mulher natural, sem retoques. Na medida.

A atração foi mútua. Eric não podia perder a oportunidade. O acaso já tinha feito sua parte colocando aquele beagle na sua frente. Ele queria uma próxima vez com aquela linda mulher. Pedir o telefone do cachorrinho seria ridículo e nada original. Pensou em puxar um cartão da sua clínica para entregar à Ana, mas lembrou que não tinha nenhum cartão ali. Estava curtindo a praia. Não pensava em pretensas clientes. Eis que Ana se adianta e pede a ele um contato, alegando que Zeus precisava mesmo de uma consulta. Ele se surpreende: gosta disso. Ela é decidida e não espera acontecer.

- E então, pode me passar seu contato? A veterinária que atendia Zeus saiu de Copacabana para o Jardim Botânico, o que dificultou muito a minha vida, além do mais as vacinas desse rapazinho já estão para vencer e...

- Claro, sem problemas. Estou sem cartão, mas, se estiver com o celular, posso adicioná-la agora mesmo ao grupo dos meus clientes no whatsapp, ou melhor, no grupo dos donos dos meus clientes. Há menos de três meses abri um pet shop e uma clínica aqui perto. Funcionamos 24h. Fico lá até às 18h. - Explicou.

Uau! Ficha completa! Pensou Ana. Conte-me mais... E sorriu por dentro. Isso definitivamente iria render...

Em menos de um minuto, estavam devidamente adicionados ao celular um do outro.

- Pronto! Agora é só entrar no grupo e solicitar que Dona Vera, minha assistente, ache um horário para você. Ah, e se precisar... Pode me chamar no modo privado.

Hum... Vai que surge uma emergência... Ai meu Deus, no que eu estou pensando? Ele parece ser um cara legal. Eu e minha mente inquieta... Quando é que eu vou realmente criar juízo? Ah, dane-se! Sou dona dos meus pensamentos, pelo amor de Deus! Posso imaginar o que eu quiser, com quem eu quiser, pois minha mente é meu território e só entra nela quem é convidado. Porra... Estou Freudiana demais hoje.

- Vou indo. Foi um prazer conhecer você, Ana. - Disse Eric, despertando-a da sua viagem ao centro da mente.

O modo como ele pronunciou seu nome e olhou para ela, medindo-a de cima a baixo, mandou uma mensagem direta para o baixo-ventre de Ana. Ele era despretensiosamente sexy... E ela uma pervertida...

- O prazer foi todo meu, Eric. E mais uma vez me desculpe. Você salvou o meu dia e o meu melhor amigo. - Sorriu.

- Imagina! Não fiz nada demais... Espero você lá na clínica. Ou melhor, espero Zeus para a consulta. - Corrigiu.

E como dois bons cariocas, despediram-se com dois beijinhos e cada um seguiu seu rumo.

***

Na semana seguinte, Ana pensou em ligar para Eric, mas sabia que a desculpa de levar Zeus a clinica dele era inconsistente demais e resolveu dar o assunto por encerrado. Não iria procurá-lo. Mesmo assim, por mais de uma vez, ela se surpreendeu pensando nele, ao lembrar-se da bizarra situação que os envolveu. Ele a tinha atraído, não podia negar. Mas isso era loucura. Não devia pensar em um homem que só vira uma vez.

O fim de semana chegou, e com ele, a chuva. Nos dias chuvosos, Ana não gostava muito de sair de casa, preferia um filme com um balde de pipocas e uma taça de vinho na ilustre companhia de Zeus. Tudo bem, vinho com pipocas não era lá uma boa combinação, mas ela tinha as suas manias, e essa era uma delas. Estava assistindo Querido John, pela milésima vez, quando o seu telefone vibrou.

- E aí, bela adormecida? Vai ficar no castelo esperando que um lindo príncipe venha para te resgatar em pleno sábado à noite? - Zombou Max, seu melhor amigo.

- Oi pra você também, Max! Estou morta com farofa hoje! Ao contrário de você, há pessoas que trabalham aos sábados, sabia?

- Eu sei, bela! Eu também trabalhei hoje!

Ana podia imaginá-lo revirando os olhos, teatral.

- Posso imaginar. O que foi dessa vez? Evento ou catálogo? - Perguntou Ana, referindo-se às atividades dele como fotógrafo de moda.

- Nem te conto, gata! Fotografei um Deus de ébano que me deixou sem fala! Agora era Ana quem tinha revirado os olhos. Ela sorriu imaginando a cena. Max fazendo caras e bocas e posicionando ele mesmo o modelo para as fotos. Ele era terrível quando queria.

Do nada, Max disparou:

- Estou com dois convites para a festa mais "bombada" de Copa!

Eu sabia que vinha bomba por aí... Pensou Ana.

- Nem fodendo! - Respondeu Ana. Não iria nem amarrada.

- Porra, que boca suja! Não foi essa a educação que sua mãe te deu.

- Olha quem fala! - Ana resolveu voltar ao assunto da festa, pretendendo encerrá-lo de uma vez por todas. - Quanto à festa, nem pensar, Max! Você e suas festas "bombadas", cheias de gente de mentira, você sabe que essa não é a minha vibe. Por favor, "me inclua fora dessa". - Apelou Ana.

- Please! Please! - Suplicou Max, mais dramático que nunca.

- A minha resposta é não.

- Tudo bem. Eu entendo. Estou acostumado a sair sozinho mesmo... Quem sabe o carinha que me convidou para a festa, decepcionado com a minha demora, não vá ficar com outro? Talvez eu mesmo, deprimido, encha a cara e pegue o primeiro "boy magia" que me aparecer pela frente, correndo o risco de ganhar o golpe do "boa noite cinderela". Com sorte não apareço morto no meu apartamento de manhã. Mas eu compreendo suas razões, darling.

Puta merda! Max é um chantagista de quinta categoria.

- Você é sujo, Max!

- Também te amo! Pode abrir o interfone? Precisamos de uma superprodução!

Que golpe baixo! Ele já estava na portaria do prédio de Ana. Ela revirou os olhos novamente e abriu o interfone. Em cinco minutos seu amigo estava na sua porta, já arrumado.

Com a ajuda de Max, Ana passou do pijama de malha com meias a um pretinho básico, justíssimo, e saltos Carmen steffens em menos de meia-hora. Seus cabelos estavam presos no topo, e soltos nas pontas. A maquiagem estava pesada para o gosto dela, mas Ana admitiu: gostou do resultado que viu no espelho. Zeus não parava de segui-la pela casa, como se aprovasse o que estava vendo. Sem outra opção, ela foi conferir a tal festa.

***

O ambiente era exatamente o que ela esperava: festa estranha com gente esquisita. Ela já sabia que seria assim. Só não esperava que se tratasse do lançamento de uma grife de roupas... Caninas, com direito a desfile de cachorros e tudo. O pretenso namorado de Max assinava a coleção. Era só o que faltava. Os cães realmente faziam parte da sua vida. Imaginou Zeus, indisciplinado, desfilando com um daqueles "modelitos". Sorriu.

- Parece que os cães realmente estão conspirando a nosso favor. - Disse uma voz que a fez virar-se para o lado.

Ela não podia acreditar. O destino mais uma vez estava fazendo das suas e colocara Eric bem na sua frente. Ele estava lindo, com um jeans escuro e uma camisa social branca com as mangas dobradas, que ressaltavam seu corpo bem definido. Ficou muda. Faltaram-lhe as palavras.

- Não se lembra de mim? Nós nos conhecemos quando seu cachorro pulou em cima...

- Claro que me lembro. Desculpe, Eric. - Disse, antes que ele pudesse completar a frase.

- Ana. Que bom ver você! Pensei que fosse me ligar. Se me lembro, Zeus precisava de uma consulta, não é?

- É verdade. Ando meio sem tempo. Mas vou marcar a consulta.

- Achei você, Eric! - Exclamou a loira alta, enquanto o puxava pelas mãos, para conduzi-lo para longe dali, ignorando a presença de Ana.

Ele ficou evidentemente contrariado, mas a loira, ignorando sua contrariedade, continuou a puxá-lo.

- Só um minuto, Juliana. Já estou indo. Acabei de encontrar uma amiga.

A loira mediu Ana de cima a baixo, com desdém, e assentiu.

- Tudo bem, espero você na pista de dança. Não demore. - E saiu, sem nem ao menos se despedir, como manda a boa educação.

Ela sentiu-se mal por ter feito parte daquela cena. Definitivamente, seu "santo não tinha batido" com o daquela oxigenada. Tinha sentido um desconforto, uma irritação... Talvez uma pontinha de ciúmes. Que loucura! Aquilo não tinha cabimento.

- Acho melhor você ir. Sua namorada não gostou de ver você conversando comigo.

- Juliana não é minha namorada. - Apressou-se em explicar.

Ah, então esse era o nome da oxigenada? Ana sentiu alívio. Mas que merda era aquela? Eles mal se conheciam.

- Mas ela está esperando por você. Não que seja da minha conta, mas vocês estão juntos, não estão?

- Nós apenas viemos juntos. Juliana também é veterinária. Ela trabalha comigo.

-Ah, entendi... Bem, preciso ir agora Eric, ou meu amigo Max vai convocar o FBI para me procurar. Saí para buscar uma bebida e sumi. Foi bom te ver.

E girou em cima dos saltos, com sua taça de espumante nas mãos, deixando um Eric com cara de bobo para trás.

O pouco caso que aquela baixinha abusada fez dele o irritou um pouco. Aquilo não era comum. Era ele que sempre encerrava as conversas com alguma desculpa esfarrapada. Mesmo assim, parado com um copo na mão, teve que rir, reconhecendo a marra daquela linda mulher que parecia fazer questão demais em esnobá-lo. Assistiu à partida de Ana que parecia desfilar para ele seu vestidinho preto, enquanto se perdia naquele bando de gente cinza. Pensou em voltar à pista de dança, afinal Juliana era uma mulher muito bonita. Eles trabalhavam juntos havia pouco tempo, mas desde o início ele soube que ela se sentia atraída por ele. Quando conversavam, ela sempre dava os sinais básicos de mexer compulsivamente no cabelo, procurar por espelhos até em poças d'água. Se eles tivessem se conhecido em qualquer outro lugar, provavelmente, ele já teria a levado pra cama, mas a relação profissional fez ele ser mais cuidadoso. Sempre foi seu costume deixar clara sua obsessão pela liberdade para qualquer mulher. No caso de Juliana ele foi mais enfático. Mesmo assim ela insistia. Foi ela, inclusive, que conseguiu os convites para a tal festa e vinha lembrando Eric a todo momento sobre o evento. Recordar aquela história com Juliana, naquele momento, não despertava nenhum sentimento em Eric. Voltar pra pista de dança significava procurar ter mais do mesmo. Só mais uma noite igual a tantas outras. No seu pensamento, só havia Ana com seu nariz arrebitado. Posto assim era fácil saber aonde ele iria.

- Vejo que o FBI ainda não pôs as mãos em você! - Exclamou Eric interrompendo Ana e Max que cochichavam.

- My God! Quem é esse que tenta nos matar do coração? - Grita Max com um ar de espanto escandaloso e cômico.

Eric pensou que ele seria ótimo trabalhando em cinema mudo.

Ana se vira, já sabendo quem a procurava. Seu riso interno era de satisfação.

- Esse é Eric, um amigo, que salva cãezinhos e persegue mulheres e esse é Max, outro amigo, o culpado por minha presença nesse evento emocionante.

Eles apertam as mãos. E Max completa:

- Ela esqueceu de dizer sobre mim, que eu sou o amigo que tem o dom de desaparecer nos momentos necessários. - E saiu bailando como quem sai de cena por uma coxia. Eles não puderam conter o riso.

- Seu amigo é uma peça. - Diz Eric.

- Sim, ele é mesmo uma peça rara. - E exalou o ar, deixando transparecer sua total insatisfação por estar naquela festa ridícula.

- Meu Deus, eu sou tão entediante assim? - Disse Eric, fazendo-a rir.

- Claro que não, ou melhor, não sei. Vai saber... Ainda não tivemos a oportunidade de conversar, e, para falar a verdade, duvido que tenhamos hoje. Não costumo conversar com homens acompanhados. - Disparou

Ainda mais por periguetes oxigenadas antipáticas.

Definitivamente ela não queria encrenca.

- Eu já te expliquei, Ana. Não estou acompanhado. Não da forma como você deve estar imaginando.

Que ousadia, como é que ele sabia o que ela estava imaginando?

- Não estou imaginando nada, eu vi como sua amiga te abordou agora há pouco, e não quero problemas.

- Posso te garantir que conversarmos um pouco não te causará problema algum, mas se não quiser minha companhia eu vou embora.

Dane-se a oxigenada. Se ele está dizendo que está livre, porque não dar uma chance para conhecê-lo melhor?

O destino estava dando um senhor empurrão aos dois, diga-se de passagem. Ana relaxou, soltou a respiração que nem sabia que estava prendendo, e sorriu.

- Pode ficar. Será um prazer conhecê-lo melhor.

Durante a próxima hora, descobriram incontáveis afinidades e conversaram sobre cães, política, psicologia, até que o assunto se encaminhou para a astrologia. Sagitariano. Saber o signo de Eric só fez aguçar mais a curiosidade de Ana sobre ele. Ela adorava o zodíaco, com seus signos e personalidades. Ela sabia, através dos seus estudos e leituras, que os homens sagitarianos são espíritos livres por natureza e que adoram ser paparicados. Consta também que sagitarianos são ótimos amantes, o que explicaria o magnetismo que ele parece exercer sobre as mulheres, inclusive sobre ela mesma.

Eric, por sua vez, não entendia nada de horóscopo, mas ficou sabendo que ela era aquariana, e, apesar de não saber o que fazer com essa informação, pode observar que ela não era uma mulher como as outras. Decidida, sabia o que queria, onde, como, quando e com quem queria. E isso o atraia...

Não foi preciso muito esforço para saber que havia uma atração mútua no ar, era algo natural, não planejado nem forçado. No meio da conversa, às vezes faziam uma pausa, entre uma risada e outra, e deixavam escapar um olhar ou um meio sorriso, que dizia tudo, sem precisar dizer nada.

Quando estabeleciam essa conexão silenciosa, logo tratavam de retomar o assunto anterior, aliás, o que não faltava entre eles era assunto. Num desses momentos, avistaram Juliana com as sandálias nas mãos, andando com dificuldade e apoiada no ombro de Max. Não entenderam nada. Max e Juliana? De onde diabos os dois se conheciam? O amigo de Ana, vendo a perplexidade dela e de Eric, apressou-se em explicar:

- Ana! Essa moça disse que veio com o seu amigo aí... - Disse Max, referindo-se a Eric. - Ela estava dançando e torceu o pé, justamente na hora em que eu estava na pista. Então, resolvi ajudá-la a encontrar seu acompanhante, perdido na festa. Só não sabia que ele era o Eric. "Me amarrota que eu estou passado"! -Exclamou, teatral.

Imediatamente a conexão que havia se estabelecido entre os dois foi interrompida. Eric, contrariado, afastou-se, e foi dar atenção à Juliana, que fazia caras e bocas, sobretudo quando ele a tocava perguntando onde estava doendo.

A noite já deu, dane-se essa festa ridícula e tudo mais! Agora vou pra casa, com ou sem Max, porque paciência tem limite!

Antes que Eric pudesse se livrar da amiga acidentada, Ana despediu-se e se retirou, chamando um táxi, sob os protestos de Max, que fez de tudo para acompanhá-la até a casa. Entretanto, ela não queria companhia. Muito menos a dele. Ela estava furiosa e nem ao menos sabia o porquê.

***

Eric ficou inconformado com o rumo que as coisas tomaram naquela festa. Ele não esperava ter que socorrer Juliana, que havia feito um carnaval por ter torcido de leve o pé em cima dos saltos altíssimos que usava, e, com a desculpa de que não estava conseguindo andar direito, o fez levá-la em casa, subir até o seu apartamento, onde tentou de todas as formas seduzi-lo. Mas ele se orgulhava de ter resistido e deixado a cabeça de cima pensar mais rápido que a de baixo só pra variar dessa vez.

Se havia uma coisa que o tirava do sério, era ser manipulado. Ele odiava se sentir controlado, mas a dificuldade de dizer não fazia parte da sua personalidade. E por isso, às vezes ele acabava cedendo, sobretudo quando uma mulher lhe pedia algo "com jeitinho". Aí ele não resistia. Mas naquela situação, ter cedido ao seu instinto protetor foi um tiro no pé. Havia perdido Ana mais uma vez, sem ter ao menos conseguido um contato dela. Teria que contar com o destino mais uma vez, e ele sabia que um raio raramente cairia no mesmo lugar. As chances de rever a baixinha abusada eram ínfimas. Então, ele teve uma ideia.

***

Dois dias depois da festa, Ana havia terminando o último atendimento em seu consultório, e estava se preparando para deixar a sala, quando a secretária do espaço alugado onde atendia, bateu à porta.

- Ana, tem um paciente aí fora querendo ser atendido. Disse a ele que seu horário terminou por hoje, mas ele insiste em vê-la. Diz que é um caso de vida ou morte. Não me lembro de tê-lo visto por aqui antes, para dizer a verdade.

- Mas acabei de atender o último da agenda, não é? Ele marcou hora?

- Não, justamente por isso, por questão de segurança, até liguei para o porteiro, que vai nos monitorar pelas câmeras enquanto fechamos a sala e daqui a alguns minutos subirá para ver se está tudo bem. Vai que... - Refletiu. - E aí, o que é que eu faço com o paciente? Ah, já ia me esquecendo... É um deus grego! - Completou Luciana.

Por um momento, Ana achou que poderia ser Eric, mas aquilo era uma viagem da sua cabeça. Ela não tinha deixado nenhum contato com ele. Além do mais, ele não seria tão louco assim... Só tinham se visto duas vezes, afinal.

Ela e Luciana estavam paradas dentro do consultório olhando uma para a outra, quando Ana, cheia de coragem disse:

- Tudo bem Luciana, vamos até a antessala para eu ver quem é.

Ana parou na sala de espera ao se deparar com aquela visão. Era o seu moreno. Eric. Ela sabia que era muita pretensão chamá-lo de seu. Eles mal se conheciam... Por uns instantes, ficaram apenas se olhando, estáticos, sem dizer nada, num silêncio confortável e inquietante. Ela não conseguia articular nenhuma palavra, mas Luciana, intuindo que os dois já se conheciam, quebrou o silêncio e indagou:

- Doutora, conhece este paciente? Vai atendê-lo?

- Sim, Luciana. Vou atendê-lo. Pode ir.

Ela percebeu que a secretária estava insegura em deixá-la a sós com Eric, afinal, o clima entre os dois estava tenso. Ambos não sabiam o que dizer e nem como se comportar. Era visível o desconforto entre eles. Mas, reconhecendo que não havia mais nada a fazer, Luciana, mesmo relutante, despediu-se e retirou-se do ambiente, deixando-os sozinhos.

- Posso saber o que você veio fazer aqui? E como soube onde eu trabalhava?

- Digamos que você saiu daquela festa de uma forma nada elegante. Fui socorrer Juliana e quando retornei, antes de ir embora, vi que você não estava mais... Só que eu encontrei seu amigo Max, e depois de muita relutância, ele me passou o seu telefone e o endereço do seu consultório. Foi muita sorte minha ele ter bebido demais...

Não sei se beijo ou mato o Max. Pensou Ana.

- Tudo bem, Eric. Já que você veio até aqui, podemos começar agora mesmo a nossa terapia. Vamos até o meu consultório. - Provocou.

- Na verdade eu não quero uma consulta... Você sabe...

- Não, não sei... Achei que quisesse. - Mentiu.

Ana sabia muito bem que ele tinha vindo até ali única e exclusivamente por causa dela. A atração entre os dois não era uma invenção. Era real. Era algo palpável. No fundo ela tinha gostado.

- Vamos lá, não torne as coisas mais difíceis. Não sei o que dizer. Quero você...

E aproximou-se de Ana, na intenção de beijá-la. Entretanto, quando estavam próximos o suficiente para que ela sentisse o calor que emanava daquele contato, o porteiro do edifício, que tinha sido chamado pela secretária de Ana, bateu à porta, interrompendo a conexão que tinha se estabelecido.

Após agradecer e despachar o homem, Ana fechou o consultório e desceu, acompanhada de Eric, que a convidou para jantar. Ela acabou aceitando, sabia que era inevitável fugir.

Durante o jantar, continuaram a conversa que tinham iniciado na festa. Algumas taças de vinho depois, ambos estavam relaxados e o clima esquentou em muitos graus. Um beijo, depois outro. E, como dois adultos, sabiam que o inevitável aconteceria. Terminaram a noite no apartamento de Ana.

Eric gostava de tomar a iniciativa. Seu olhar era penetrante. Era a flecha do caçador que quando atingia o alvo não dava chance à presa. Ele gostava de caçar. Gostava desse jogo. Ter consciência de que a sedução é um jogo fez dele um bom jogador.

Certamente aquilo fazia parte da sua vaidade, no entanto ver o prazer no rosto de uma mulher era a sua maior fonte de prazer. Fazia de tudo para isso. Obviamente, tinha suas preferências, na maioria, ligadas à dominação sobre a parceira, mas não via limites que o impedissem na cama. Suas carícias partiam do afeto à obscenidade sem que ele próprio percebesse. Sexo pra ele era instinto. Nunca planejava nada. Seu corpo ardia, fazendo jus ao signo de fogo.

Ele tirou sua roupa como quem descasca uma fruta. Depois pediu que ela se deitasse com as costas sobre o lençol de seda e fechasse os olhos. Ele se ajoelhou ao seu lado. Inicialmente ela não entendeu. Pensou que todo aquele desejo explodiria num rasgar de roupas, para saciar imediatamente a fome que ela via no seu olhar. Mas não. Inicialmente acariciou o corpo dela com as mãos leves, mas que demonstravam uma força latente impressionante. Ele deslizava as mãos pelos braços, pelo rosto, depois descia e recomeçava pelas pernas, subia pelas coxas e quando o sexo esperava pelo toque... é de seus seios que as mãos dele se apoderam. Ela mordia os lábios. Essa incerteza de que parte sua seria tocada a deixava muito excitada e fazia seu corpo até se contrair receando o contato. Era como se houvesse centelhas entre a ponta de seus dedos e o corpo nu de Ana, que se contorcia e se arrepiava com seus toques. Parecia que as mãos diziam ao corpo tudo o que Eric pretendia fazer e suas intenções eram as "piores" possíveis. Aquelas mãos causavam sensações novas para ela. As reações no corpo dele também eram evidentes. Sua musculatura se contraía a cada movimento sinuoso do corpo de Ana. Ficava claro que ele se controlava para não apertá-la e possuí-la com voracidade. Essa conversa silenciosa entre as mãos dele e o corpo dela não tinha como durar mais. Fui uma tortura deliciosa que cumpriu o papel deixá-los ainda mais excitados.

Ana queria mais. Seu sexto sentido lhe dizia que ele gostava de exercer domínio. Ela sabia... Seu toque era diferente. Tinha desejo, tinha uma posse velada, mas implícita nos gestos. Podia sentir, estava no ar. Era assim sempre que estavam juntos.

A tensão sexual entre os dois exalava feromônio, embora os neurocientistas ainda não dominem a compreensão de como, e se, a atração entre duas pessoas realmente é capaz de emitir sinais físicos, como acontece com os animais. Não interessava. Quando estavam perto um do outro, a conexão era forte, quase irresistível, e o desejo de que aquele contato se prolongasse era mútuo, mas ainda não havia surgido uma oportunidade para ficarem juntos de uma forma mais íntima. Seus encontros vinham sendo sempre interrompidos pelo destino. Aquele era o momento esperado. Ambos queriam a mesma coisa. Dar e sentir prazer.

Uma aquariana gosta de tomar a frente da situação, e como era apaixonada pela astrologia, Ana intuía que naquele momento devia abrir mão disso e deixá-lo prosseguir com as preliminares do seu jeito. Mas ela era teimosa. E também queria de certa forma, dominá-lo, prendê-lo em seus encantos. Seria como o canto da sereia.

Resolveu surpreendê-lo. Apesar de trabalhar com atendimento clínico em seu consultório, tinha feito pós-graduação em terapias naturais, conhecia os florais, e dominava algumas técnicas de massoterapia e aromaterapia. O clima havia esquentado em muitos graus, após o contato que tinha rolado minutos antes, mas curiosamente, os toques foram apenas periféricos, indiretos, ainda não tinham ido direto ao ponto, cultivando o desejo como se ele fosse uma planta ou como se estivessem lapidando uma pedra preciosa.

Ela resolveu prolongar a conversa silenciosa entre os seus corpos e decidiu despi-lo, peça por peça. Agora era ela tinha se colocado de pé, nua, e com delicadeza e sensualidade, foi ajudando-o a tirar a própria roupa, já que ele ainda estava vestindo um jeans e uma camiseta básica. Ela adorava o corpo masculino. Adorava cada músculo, cada contorno, e a enlouquecia ver que ele tinha bem definido o chamado "cinturão de Apolo", a linha definida do ligamento que fica próximo ao músculo abdominal transverso, e que faz praticamente um "V", indicando o caminho do pecado...

Como estavam na casa dela, antes que o inevitável acontecesse e ele a tomasse para si com o ímpeto que estava escrito nas estrelas, ela tomou a iniciativa e o beijou, deixando que seus corpos apenas sentissem o calor da pele nua um do outro.

- Lindo, me deixa fazer uma coisa com você?

- Sou eu quem vai fazer uma coisa com você... Aliás, muitas coisas. E vai ser agora, Ana...

Ela sorriu, o beijou e continuou.

- É sério. Depois do que eu fizer, sou toda sua. Você pode fazer o que quiser comigo... Agora, só preciso que você se deite de barriga para baixo.

Eric, como todo sagitariano, era desconfiado. Ficou preocupado com o que aquela pequena e sexy mulher poderia fazer com ele. Sair da sua zona de conforto, mesmo que fosse para receber o tão esperado prazer, deixava-o preocupado. Ana, que intuitivamente havia captado sua insegurança, tratou de explicar, sem perder a sensualidade que predominava no ambiente.

- Vou te fazer uma massagem tailandesa. E não vou usar as mãos... Vou usar o meu corpo, para massagear você. Mas se não quiser...

Aquela explicação mudava tudo. Porra, claro que ele queria... Já estava excitado no nível máster, em muitos tons e nuances. Controlou mais uma vez seu ímpeto dominador. Definitivamente ele podia fazer aquilo: deixá-la conduzir um pouco a situação. Na verdade, aquilo o excitava de um jeito que ele não conhecia. Ao mesmo tempo era excitante, instigante e ameaçador.

-Tudo bem... Mas vai ter que cumprir sua promessa. O que eu quiser...

Continuando...

Ele se deitou de barriga para baixo, como ela havia pedido. Ana reduziu drasticamente a iluminação, e colocou para tocar no seu Iphone uma trilha sonora suave, própria para a ocasião. A melodia invadiu o ambiente em um ritmo lento, bem marcante e sensual, que remetia ao oriente. Ele ficou em estado de alerta, pois apesar de saber como aquilo iria terminar, não sabia como iria começar. E deixar o controle estava longe de ser confortável pra Eric. Ela percebeu.

- Relaxa, lindo... - Sussurrou.

- Estou tentando...

Ela sorriu.

- Shh... Fica quietinho. Vou ali e já volto.

E em menos de um minuto ela retornou. Ana ligou o vaporizador e um delicioso aroma de canela preencheu o ambiente. Aquilo era excitante, pensou Eric. Ela estava com um vidro nas mãos. Sentou-se ao lado dele, sob os calcanhares. A luz iluminava-a fracamente, dando-lhe um ar angelical, mas Eric não podia vê-la. Estava com os olhos fechados. A incerteza do que aconteceria com ele, estava excitando-o de uma forma que ele não compreendia. Ana abriu o frasco e ele percebeu um aroma exótico e desconhecido. Ylang Ylang. Uma flor da indonésia, com efeito afrodisíaco, um óleo essencial que, segundo Ana, estava diluído, para que pudesse ser utilizado na massagem sem causar alergias na pele. Ela explicava tudo suavemente, enquanto iniciava.

Ana passou as mãos pelas costas de Eric, espalhando o óleo em movimentos amplos, para que ele sentisse o seu toque, antes de prosseguirem para um contato mais íntimo. Seus movimentos eram suaves e ela parecia saber o que estava fazendo, porque ele estava completamente excitado, e a pele, arrepiada...

Ana ergueu o corpo suavemente e levantou-se, indo para a beira da cama. Ela colocou-se de pé, e segurou os seus tornozelos, deslizando as mãos cheias de óleo pelas pernas e pelas coxas de Eric. Ela sorriu ao ouvir que ele emitiu um som de puro prazer. Ajoelhou-se na cama e, usando os seios e a barriga, deslizou pelas pernas de Eric, massageando-o com o próprio corpo. Sentir que ela estava nua, deslizando seu corpo pelo dele, como se fizesse flexões, indo dos pés até os glúteos e fazendo pressão sobre ele, estava deixando-o excitado num nível máximo, e ele já queria virar-se e girar por cima dela, segurando suas mãos no alto da cabeça e enterrando-se nela com força, afinal, era um dominador por natureza.

Mas Eric sabia que precisava esperar. Na verdade, queria esperar. Era a primeira vez que deixava uma mulher assumir o comando. Ana continuou a massageá-lo usando o corpo, dessa vez, ela sentou-se sobre os seus glúteos e inclinou-se sobre as suas costas, deslizando os seios e a barriga pelo dorso de Eric, enquanto, ao mesmo tempo, deslizava as mãos pelos braços dele. Aquilo era um verdadeiro espetáculo para os sentidos de ambos. Para ela, porque podia sentir cada contorno, cada músculo dele. Para ele, porque podia sentir o contato com a pele quase incandescente de Ana. Foi a coisa mais excitante que Eric já tinha experimentado, e olha que ele era experiente...

Quando ela pediu que ele virasse de barriga para cima, ele sorriu e se virou, exibindo sua evidente ereção. Os olhos de Ana exibiam um brilho diferente e ela continuaria com a massagem tailandesa, se ele, num golpe de mestre, não tivesse girado por cima dela e a beijado possessivamente, travando suas mãos no alto da cabeça. Ela tentou protestar fracamente, dizendo que haviam feito uma combinação, mas a verdade era que ambos não podiam mais esperar pelo que viria a seguir.

Os jogos de sedução de ambos fizeram o sexo que veio depois se tornar um espetáculo homérico. Um balé de corpos que se consumiam mutuamente, na tentativa vã de saciar um desejo maior que eles. Eric cobrou com juros a promessa de Ana e fez com ela o que bem quis. Aliás, fez tudo o que ambos queriam. Isso porque Ana adorou se sentir possuída por aquele homem que minutos antes havia sido tão gentil nas carícias, mas que agora despejava toda a sua força naquele frágil corpo feminino a ponto de deixá-la quase sem ar. Eric não esperava que aquela beleza frágil pudesse esconder uma mulher tão quente. Ele não podia acreditar que cada investida sua sobre ela era recebida com ardor incessante, como a terra quente e ressequida, cuja secura não estanca por mais água que se derrame sobre ela. Foi tudo tão intenso que após o sexo, ambos ficaram alguns instantes imóveis. Tentavam entender o que havia acontecido. Parecia que estiveram fora de si e só aos poucos retomavam controle sobre seus corpos.

Foi perfeito. Mágico. Incrível. Ana estava em êxtase e Eric perguntava a si mesmo se já tinha vivido algo parecido algum dia.

Passaram a noite juntos. No dia seguinte, Ana acordou e a cama estava vazia. Ele havia ido embora. Procurou por algum bilhete, mas nada... Aquilo a deixou completamente arrasada. Ela se sentiu a mulher mais desprezível do planeta. Eles tinham feito o melhor sexo que ela já experimentara na vida. A conexão entre os dois havia sido perfeita. Ambos eram adultos e livres. Então, por que ele havia saído daquela forma? Era a pergunta que não queria calar. Ana já tinha feito sexo casual antes. Ela não buscava um relacionamento. Tampouco queria compromisso, mas nunca imaginara que um dia passaria por uma situação como esta. Precisou reunir todas as suas forças para se levantar e seguir em frente. O dia estava só começando e ela deveria esquecer aquela noite.

***

Eric, por sua vez, não estava orgulhoso do que havia feito, mas desde que haviam se conhecido ela tinha exercido sobre ele um fascínio que Eric não compreendia, e preferiu fugir da atração que ambos sentiam, especialmente depois do que haviam protagonizado. Apenas dois encontros casuais tinham sido suficientes para que Eric se visse completamente envolvido por Ana. Ele achou que depois que eles dormissem juntos as coisas fossem se acomodar, e o desejo, uma vez saciado, acalmasse o turbilhão em sua mente de alguma forma.

Vagou pela praia de Copacabana e viu o sol nascer. O dia amanheceu com Eric sentado no banco do calçadão, observando o mar, e o vai-e-vem das ondas. Mas Ana não saia de sua cabeça. Relembrava a todo o momento as conversas que tiveram e a noite incrível que passaram juntos. Sair intempestivamente da casa dela havia sido um grande erro. Um ato de desespero. E ele não a conhecia o suficiente para saber se ela o perdoaria um dia. Na verdade, isso já não tinha importância. Afinal, talvez nunca mais se vissem. Ele julgou ter feito a escolha certa, já que inconscientemente o sinal de alerta que se instalara na mente de Eric indicava que ele poderia se apegar perigosamente àquela mulher. E ele não queria amor. Não queria romance. Tinha verdadeiro pavor de se sentir preso. Ele sabia que amar alguém significava abrir mão da sua liberdade. O verbo amar definitivamente não estava nos seus planos. Foi para casa, tomou um banho revigorante e foi trabalhar. O assunto Ana estava liquidado!

***

Três meses se passaram. Ana seguiu seu rumo, mas a noite que tiveram havia deixado suas marcas. Ela nunca mais seria a mesma. O sentimento de ter sido abandonada por Eric sem nenhuma explicação tinha tido um efeito de rejeição devastador sobre ela. As mulheres, sobretudo as aquarianas, por terem uma personalidade forte, não lidam bem com a sensação de serem rejeitadas. São, por natureza, mulheres sensíveis e que precisam receber carinho e atenção de seus parceiros, ainda que aparentemente sejam fortes, independentes e quase autossuficientes. Quase.

Eric não estava melhor que ela. Tentou engatar um namoro com Juliana, baseado na combinação de sexo e companhia. Ela aceitou suas condições, pois seu principal objetivo era ser vista como a namorada de Eric, mesmo sabendo que ele não a amava. Ela não se importava nem com os próprios sentimentos, tampouco com os dele. Não interessava se o relacionamento entre eles os estava fazendo felizes ou não. Afinal, seu lema era "Antes mal acompanhada do que só". Não que ela estivesse mal acompanhada. Longe disso. Mas Eric, não era o homem certo para ela. E Juliana sabia disso.

***

Depois de um dia exaustivo de trabalho, Ana resolveu sair com Zeus pelo calçadão para dar um passeio. O simples ato de levar seu melhor amigo para passear a fazia lembrar-se de Eric e de como haviam se conhecido. E ela queria esquecer... Mas seu beagle não tinha nada a ver com seus problemas, e Ana não podia deixar de levá-lo à rua para passear.

Colocou a coleira em Zeus, desceu e ganhou o calçadão. O beagle era espevitado. Tudo o distraia. Depois que ele tinha se soltado da coleira e quase tinha sido atropelado, Ana redobrou o cuidado e não o soltava nem por um decreto.

Entretanto, quis o destino, por ironia ou por capricho, que uma bolinha atravessasse na frente dos dois, e Zeus, mais rápido que ela novamente, se lançasse na frente de um ciclista que não conseguiu frear a bicicleta e o atingiu em cheio. Dessa vez não apareceu ninguém para salvá-lo.

Quando Ana o viu desmaiado e ensanguentado ficou desesperada. Alguns transeuntes se reuniram para ajudá-la. Ela o pegou no colo. Zeus estava inerte, mas ainda respirava. Sem que ela mesma visse, alguém a colocou dentro de um carro e a levou às pressas para uma clínica veterinária. Quando deu por si, percebeu onde estava: na clínica de Eric. A desconhecida que a havia socorrido, sem saber de nada, os tinha conduzido para a clínica dele. Ela pensou em correr dali, mas a vida do seu melhor amigo corria grande risco, e procurar outro local àquelas alturas poderia custar a vida de Zeus. Ela teria que passar por cima de qualquer sentimento negativo se quisesse salvá-lo. Agradeceu a carona e entrou pela porta da clínica com Zeus no colo, desesperada.

Deve haver outro veterinário por aqui. A clínica é grande e em pouco tempo se tornou uma referência na região. Portanto, deve haver a possibilidade de outro veterinário atendê-lo. Pensou Ana.

Quando viu que Ana cruzava a entrada com o beagle no colo naquelas condições, Dona Vera, a secretária, tratou de chamar um dos atendentes que conduziu Zeus rapidamente para a emergência do local. Pediram que ela aguardasse do lado de fora. A presença dela naquele momento só iria atrapalhar.

A secretária, uma senhora sexagenária muito simpática, ao ver o estado de desespero de Ana apressou-se em tranquilizá-la.

- Fique tranquila, querida. Ele vai ficar bem.

- Obrigada. - Foi o máximo que Ana conseguiu dizer, enquanto as lágrimas rolavam.

Dona Vera trouxe-lhe um copo com água e um lenço de papel. Ana agradeceu e continuou a chorar. A senhora a conduziu até o sofá na sala de espera e sentou-se ao lado dela, tomando-lhe as mãos frias entre as suas.

- Acalme-se minha querida. Como você se chama?

- Ana. - Disse, entre um soluço e outro.

- Então, Ana... Vai ficar tudo bem. O doutor Eric é muito experiente e vai salvar o seu amigo. Daqui a pouco vou até lá para saber notícias dele. Por ora só posso dizer que será operado. Aguarde mais um pouquinho e...

- Doutor Eric? Você disse Doutor Eric?

- Sim, é o dono da clínica e o único veterinário que opera por aqui. Seu amiguinho irá passar por uma cirurgia neste momento...

Ana não podia acreditar no que o destino havia feito. Lá estava ela com seu melhor amigo entre a vida e a morte... E dependendo dos cuidados de quem? De Eric. Só podia ser castigo. Duplamente. O atropelamento e a cirurgia.

- Mas... Eu pensei... Que fosse outra pessoa a operá-lo... - Retrucou.

- Ana, fique calma. Ele está nas mãos do melhor. Há outros dois veterinários aqui. O doutor André e a doutora Juliana, namorada de Eric, mas nenhum deles é cirurgião.

Pronto. O caos estava definitivamente instalado. Zeus acidentado, Eric sendo o único cirurgião que poderia salvá-lo neste momento, e Juliana sendo a namorada de Eric. Eram muitas notícias ruins para um só dia. Ana não aguentou e desabou num pranto que deixou dona Vera assustada.

- Querida, há alguém para quem eu possa ligar para vir ficar aqui com você? Não quero deixá-la sozinha, já que está quase na hora de eu ir embora.

Ana não tinha família no Rio de Janeiro. Seus pais e parentes moravam em São Paulo. Sendo assim, deu o telefone de Max para dona Vera ligar, porque no estado em que se encontrava sua voz mal saía. Em menos de meia hora, Max chegou.

Antes de ir embora e trocar o turno, Dona Vera foi até o centro cirúrgico e trouxe notícias de Zeus. Ele tinha sofrido uma fratura aberta em uma das patas, e batido com a cabeça, o que o havia deixado inconsciente. Entretanto, a pancada na cabeça não havia sido forte o suficiente para causar maiores lesões e a correção da fratura tinha sido um sucesso. Ele ia ficar bem. A cirurgia estava quase no fim.

Max, ao ver o estado de Ana, tentou acalmá-la. Apesar das boas novas, ela só fazia chorar.

- Calma, querida. Você não ouviu? Ele vai ficar bem.

- Você não sabe, Max...

- Não sei o que, Ana? O que é que eu perdi? Há mais alguma coisa? Porque você está neste estado? Diga, estou ficando preocupado.

- É Eric quem está operando Zeus, Max. - Disse Ana, antes de derramar mais uma sessão de lágrimas.

- Como é que é? O bonitão que te abandonou depois da transa? -Sutileza definitivamente não era uma qualidade de Max. Ana assentiu com a cabeça.

- Que merda de coincidência é essa, Ana?

- É isso que eu estou me perguntando este tempo todo. E tem mais, Max. Soube que Juliana é a namorada dele. Não tem como piorar. -Disse Ana.

Neste momento, abre-se a porta de uma das salas e Juliana sai, com a bolsa em uma das mãos e o jaleco na outra. Ela não tinha visto Ana. Dirigiu-se à recepcionista que tinha ocupado o lugar de Dona Vera.

-Onde está Eric? Ele combinou de jantarmos juntos hoje. - Indagou.

- Ele não está no consultório dele, doutora. Está em uma cirurgia. Entrou no centro cirúrgico às pressas, para salvar o cãozinho daquela moça que está sentada ali, na sala de espera.

Juliana girou a cabeça e olhou na direção de Ana e Max. Num primeiro instante não reconheceu Ana, que estava com a aparência totalmente diferente da que ela vira na festa em que tiveram o desprazer de se conhecerem. Mas reconheceu Max, de imediato. Afinal, ele a havia socorrido quando ela "torceu o pé". Entretanto, foi só olhar mais atentamente para a mulher de cabelos longos com as pontas claras, que Juliana a reconheceu. Não podia ser verdade. Aquela mulher estava sempre atravessando o seu caminho. Lançou-lhes um olhar fulminante, e fingiu não reconhecê-los. Dirigiu-se mais uma vez à recepcionista e disse:

- Mariana, quando Eric terminar essa tal cirurgia diga-lhe que o estou esperando na nossa casa. Enfatizou a palavra nossa, e causou o efeito que esperava.

- Sempre pode piorar, querida. - Observou Max.

Ana ficou visivelmente abalada. Juliana foi embora satisfeita com a reação que provocara na outra, sem levar em consideração a situação pela qual Ana estava passando. Era parte do que ela era. Egocêntrica, mimada e arrogante.

A cirurgia terminou. Eric, ao reconhecer o beagle ficou extremamente perturbado. A responsabilidade que lhe cabia ali, como cirurgião, tinha sido elevada à décima potência. Ele tinha o dever profissional e moral de salvar aquele cão. E assim o fez. Empenhou-se ao máximo e cumpriu seu papel com louvor. Fez o melhor que pode. Ele, com a ajuda de um dos seus atendentes, havia salvado Zeus. Agora, restava sair, retirar a vestimenta cirúrgica e ir até Ana, dar as boas notícias. O cãozinho ficaria ali cerca de uma semana até se recuperar e poder voltar para casa.

Quando foi até a recepção, seu olhar cruzou com o de Ana. Ela estava abatida. Sentiu o coração acelerar, a boca seca e uma ansiedade que ele mesmo não compreendia. Aquela baixinha tinha mexido com ele. Procurou retificar sua postura e se recompor. Afinal, ali estava o profissional e não o homem.

Ele deu notícias de Zeus. Ela ouviu com atenção. Neste momento, Max fez sua retirada estratégica, dizendo que ia ao banheiro. O amigo sabia que eles precisavam conversar. Não há nada pior do que uma paixão mal resolvida e Max sabia disso por experiência própria. Quando acabou de explicar a situação de Zeus, Eric quis continuar a conversa.

-Ana... Acho que te devo um pedido de descul...

- Você não me deve nada, Eric. Estamos quites. - Interrompeu Ana, não deixando que ele completasse a frase. - Obrigada por salvar Zeus. Já paguei parte do atendimento na recepção. O restante vou pagar no cartão de crédito. Diga a Max que estou esperando por ele lá fora.

Antes que ele pudesse argumentar, ela virou as costas e foi embora.

Eric ficou imóvel. No fundo ele esperava aquela reação. Mas preferia que ela tivesse gritado, batido nele, feito qualquer coisa, ao invés de constatar que ela agora o desprezava. Ele não fazia ideia do quanto isso o havia abalado. Naquele momento ele admitiu para si mesmo: gostava dela. Logo ele, que nunca tinha gostado de ninguém. Não dessa forma. Ela o havia pegado de jeito. Ele havia caído numa armadilha do destino. E agora, o que faria? Ele tinha sido um fraco, um babaca e agora ela não queria vê-lo nem pintado de ouro.

***

Todos os dias, após o expediente na clínica, Ana ia visitar Zeus, que estava cada vez melhor. E encontrava Eric. Era como uma penitência vê-lo diariamente. Ele ainda abalava suas estruturas. E muito... Por mais que ela quisesse esconder de si mesma, gostava dele. Nenhum dos dois queria admitir, mas a flecha do sagitário os havia atingido sem que tivessem feito nada para provocar isso. Não tinha sido culpa deles, terem se apaixonado. Aconteceu. Mas apesar disso, Ana tinha que ser firme. Ele a havia abandonado da pior maneira possível, e agora estava comprometido com Juliana. Aliás, ela nunca mais a tinha visto na clínica, felizmente.

No dia da alta, Ana estava aguardando a liberação de Zeus, e o atendente entregou-lhe uma receita com medicamentos e horários para serem feitos em casa.

- Veja Ana, estes são os medicamentos que Zeus terá que tomar e aqui estão os horários. - Disse João, que havia auxiliado Eric todo o tempo. - O doutor Eric a aguarda na sala dele para as últimas instruções. - Explicou.

Só faltava essa. Ela não queria ir. Definitivamente não iria.

Quando viu que ela não tinha a intenção de entrar no consultório dele, Eric foi até a porta e a convidou a entrar, deixando-a sem saída perante os presentes. Afinal, quem em sã consciência deixaria deliberadamente de ir receber instruções médicas depois de tudo o que ela e Zeus haviam passado na última semana?

Entrou na sala. Eric fechou a porta atrás de si. Ficaram a sós, cara a cara. Ele não podia perder a oportunidade. Não dessa vez. Mesmo arriscando-se a levar um tapa, ele deixou os instintos falarem mais alto e a puxou para si.

Ana relutou o quanto pode, mas a verdade é que ela o desejava mais do que tudo. Suas pernas pareciam gelatina, e o coração, uma locomotiva. Podia sentir os batimentos de Eric. Ambos estavam ofegantes e loucos de desejo.

- Ana, fui um babaca. Imaturo. Por favor, quero que me dê uma chance...

- Não quero. Não podemos. Você agora está comprometido com Juliana.

- Não mais... Terminamos. Eu não gosto dela. Nem ela de mim. Foi um erro. Ela pediu demissão anteontem. Por favor, Ana, me deixa tentar de novo?

-Não sei... O que você fez foi horrível... Eu sofri...

- Eu não sabia lidar com o que eu estava sentindo... Nunca amei ninguém antes. Nunca acreditei em amor à primeira vista. Nunca pensei que isso pudesse acontecer comigo...

Aquilo mudava tudo. Ele estava falando em amor? Mas ela não sabia o que responder, apesar de sentir o mesmo. Ela o queria muito. Disso ela sabia. Respirou fundo.

Eric a havia imprensado contra a parede. Literalmente. Seu corpo estava tão próximo ao dela, que Ana podia sentir sua respiração. Naquele momento, suas convicções haviam caído por terra, e ela se deixou abandonar naquele abraço, que a fazia sentir todas as promessas que o corpo de Eric tinha para ela. O beijo que se seguiu foi quente, ardente e cheio de desejo. E deu "sagiquário": quando o ar e o fogo se encontram... A mistura é explosiva.

FIM.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top