06

Eles cambalearam para trás pela porta da lavanderia, fazendo todos os elfos domésticos pularem e gritarem. Um correu até Draco e estendeu um pacote cuidadosamente embalado, longas orelhas verdes tremendo tão rápido que Hermione pensou que a criaturinha poderia voar. Draco agarrou o pacote e o enfiou em suas vestes, então agarrou Hermione e a empurrou para o corredor.

"DRACO." Hermione gritou, a dor queimando seu ombro quando a força do empurrão de Draco a jogou contra a parede. "Draco, por favor. Espere. Diga-me o que está acontecendo!"

"Cale-se." Draco agarrou o pescoço dela e a paralisou. Ela sacudiu, tentando se libertar da pressão sufocante. Draco estava lívido, a única cor em seu rosto vinha de seus olhos. Eles queimavam como mercúrio e ela estremeceu. "Eu nunca, nenhuma vez na minha vida, quis bater em uma mulher, " ele rosnou. Ele a puxou para perto, curvando-se para olhar diretamente em seus olhos. "mas você está me tentando além do controle. Cale a boca e ande com essa sua bunda de volta para o quarto sem dar um pio, ou vou colocá-la sob o imperius novamente e deixá-la assim até que o mundo acabe. Você não tem o menor compreensão do que você acabou de fazer. "

Hermione mordeu o lábio inferior com os dentes e tentou assentir, mas engasgou quando a coleira cravou em sua mandíbula. Draco rosnou e a empurrou para longe. Ela cambaleou pelo corredor, lutando para respirar, deixando lágrimas de dor, frustração e medo escorrerem por suas bochechas sem parar. Ela não sabia o que tinha acontecido com ela para fazer aquela tentativa de fuga. Ela deveria saber que ele a pegaria facilmente.

Ela deveria saber que alguém os pegaria. Hermione tentou pensar enquanto voltava para o quarto que dividia com Draco, seus passos raivosos atrás dela, com suas botas ecoando no chão de pedra. Ele tinha estado nervoso o tempo todo que estiveram do lado de fora, observando o céu, observando o telhado e as paredes do castelo. Ele estava procurando por alguém que pudesse pegá-los onde não deveriam estar. Onde ela não deveria estar.

Hermione esfregou as mãos no rosto, sentindo a sujeira arranhar suas bochechas. Ele arriscou a exposição, arriscou ser descoberto, para dar a ela alguns momentos ao ar livre no sol, e ela quase fez com que ambos fossem mortos por seu próprio egoísmo. Por aquele momento de horror enquanto ela fugia dos corpos de seus colegas de escola, ela só pensava em si mesma, desesperada e secretamente esperando encontrar a liberdade na Floresta ou na morte, e ela quase levou Draco com ela.

Ele não lhe tinha feito nada. Nada em comparação com o tratamento que todos os outros receberam. Ela fechou os olhos, forçando-se a não pensar na pilha de cadáveres esperando Draco fazer seu trabalho. Ele a tratou bem, a levou para fora, a defendeu contra Aleto -

Hermione estremeceu e quase caiu, seu corpo inteiro tremendo. Draco tinha dado Aleto como alimento às aranhas. Ele a protegeu; ele enterrou as vítimas dos Comensais da Morte. Ele dormiu com ela nos braços; ele mencionou casualmente que os outros estavam caçando novos brinquedos. Ele contrabandeava os livros dela quando podia; ele se ajoelhou e chamou um louco de seu mestre. Draco levava duas vidas, uma odiada, outra lutando, e ela estava apenas tornando as coisas mais difíceis para ele.  

Hermione enxugou as lágrimas do rosto com as costas das mãos, apertou os nós dos dedos contra os olhos e gritou ao bater em alguma coisa. Não era sólido, não era a parede de pedra, e ela olhou para cima. Uma barba mal cuidada, cabelo desgrenhado, olhos selvagens e dentes amarelos pontiagudos. Hermione gritou e caiu para trás, engatinhando ao contrário até que se encostou no corpo de Draco. Seu braço rodeou sua cintura e ele a aconchegou perto de seu peito. Os dois encararam a forma grande e ameaçadora de Fenrir Greyback, e Hermione não sabia qual deles estava tremendo mais.

Greyback sorriu para eles, e Hermione lutou contra o desejo de engasgar quando o sorriso mostrou sangue manchando seus dentes. "O que ele está fazendo?" Greyback perguntou, dando um passo pesado na direção deles. "O que o cachorrinho está fazendo? Saindo para dar um passeio? É perigoso ficar vagando pelos corredores sozinho, Malfoy. Seu pai não está aqui para protegê-lo agora."

O braço de Draco apertou a cintura de Hermione. "Se mova, Greyback." ele murmurou, e virou-se para um ângulo em que seu ombro ficou entre ela e o lobisomem. "Apenas siga em frente. Haverá um pouco de carne nova chegando esta noite. Talvez haja alguns jovens para você brincar. Não queira desperdiçar as suas forças."

Hermione sabia que era tolice virar as costas para Greyback, mas não conseguia lidar com o olhar faminto e babão dele. Ela se virou nas mãos de Draco, enterrou o rosto em seu ombro e enrolou os dedos em suas vestes. Atrás dela, Greyback riu . "Aw. Pobre bebê está com medo. Acha que ela vai chorar?" Ele riu novamente, depois farejou, então fez um som profundo que forçou um gemido da garganta de Hermione. Os passos de Greyback se aproximaram, Hermione apertou ainda mais as vestes de Draco e Draco ficou tenso quando Greyback parou bem atrás dela. "Ela vai chorar?" ele repetiu, seu hálito fétido agitando o cabelo dela. "Ou será que ela vai sangrar mais um pouco?"

Os olhos de Hermione se arregalaram e parecia que ela e Draco prendiam a respiração ao mesmo tempo. "Oh, sim." Greyback disse em um rosnado. "Não me diga que você pensou que seria capaz de esconder esse pequeno pedaço de informação de um lobisomem. Você tem sangrado, garota. Feito agora, eu acho, mas não por muito tempo. Ele gosta disso? ele gosta de afundar em você espalhando sua sujeira vermelha e pegajosa por todo o pau? "

Draco tremia, seu coração disparado sob a mão de Hermione. Os tendões em sua garganta estavam firmes, como colunas de mármore. Ele engoliu em seco, o som de seu gole era alto ao ouvido de Hermione. "Vai embora, cachorro." A bravata tremeu em sua voz e Greyback uivou de tanto rir. Ele agarrou as costas do vestido de Hermione e a arrancou dos braços de Draco, atirando-a pelo corredor para se espatifar na parede. O impacto a atordoou, o sangue pingou em seus olhos de um corte em sua testa, e ela teve que lutar para permanecer consciente.

Greyback colocou uma mão em volta da garganta de Draco, prendendo-o na parede. A outra mão descansou levemente sobre o coração de Draco, então puxou seu torso para baixo. Enquanto Hermione observava, Greyback acariciou o peito e abdômen de Draco, acariciando-o como um amante. Através das lágrimas em seus olhos, ela podia ver as lágrimas nas bochechas de Draco; através do zumbido em seus ouvidos, ela podia ouvir o terror suave e lamuriante dele.

Greyback se aproximou e lambeu as lágrimas do rosto de Draco. "Gostou de meter naquela vadia?" ele perguntou em uma voz que retumbou. Ele se virou para dar a Hermione um sorriso afiado. "Ele é difícil para você lidar? Ele coloca o pau duro na sua buceta e te fode enquanto você sangra? Ele ainda faz aquele barulho dele? Aquele pequeno gemido, um leve grunhido quente antes de gozar?"

Ele se virou e sua mão caiu na virilha de Draco. Draco ficou na ponta dos pés, chiando, e Greyback deu uma gargalhada profunda. "Há muito tempo que eu queria ouvir isso, cachorrinho. Talvez uma noite eu passe no seu quarto e você faça isso para mim de novo. Se você for um bom menino, vou deixar ela por cima de você desta vez. Se você for um menino ainda melhor, eu vou levá-la em seu lugar. Já faz um tempo desde que eu deixei um viver. "

Hermione viu seus braços flexionados, viu ambas as mãos apertarem a garganta e a virilha de Draco, ouviu sua risada maldosa enquanto Draco gritava de dor. Greyback o largou e foi embora, sua risada enchendo o corredor. Hermione se arrastou pelo chão até Draco que estava encostado na parede. "Draco. Draco !" Ela agarrou seu ombro e o sacudiu.

Com um rosnado, ele a atacou, agitando os braços e as pernas enquanto lutava para fugir. De costas para a parede, ele sibilou e cuspiu as palavras como um animal encurralado. "Não me toque. Não me toque !" As lágrimas ainda manchavam suas bochechas, e em sua voz ela podia ouvir um garotinho apavorado. Hermione ergueu as duas mãos e se agachou fora do alcance dele, ficou abaixada e se fez parecer o mais pequena possível. Algo disse a ela que ela tinha acabado de descobrir o motivo pelo qual Draco dizia o nome de Greyback em seus pesadelos, e ela nunca seria capaz de esquecer, não importa o quanto tentasse.

Ela não olhou para cima até que a respiração áspera de Draco se acalmou, até que suas fungadas e choramingos diminuíram. "Precisamos voltar para o quarto." ela sussurrou, olhando para ele. "Draco, por favor. Vamos para o quarto antes que alguém chegue." Ele fungou novamente e acenou com a cabeça esfregando o rosto na dobra do cotovelo.

Ele pôs-se de pé, puxou-a para junto dele e a levou de volta ao quarto em silêncio. Ele a empurrou para a alcova de dormir, jogou a trouxa de roupa e pegou sua máscara do armário. "Eu volto mais tarde." ele murmurou sem olhar para ela, sua voz tensa e suas bochechas rosadas de vergonha. "Tenho trabalho a fazer."

Ele bateu a porta atrás dele, e Hermione se enrolou no meio da cama, agarrando os joelhos. Se ela não o tivesse forçado a persegui-la, eles não estariam no corredor quando Greyback apareceu. O terror nos olhos de Draco, o medo em sua voz - era culpa dela. Ela quebrou as regras, ela falhou com ele. Se ele a jogasse fora com o resto, seria apenas culpa dela. 

Hermione abaixou a cabeça e chorou.

Ela não sabia quanto tempo ele tinha sumido, não sabia quanto tempo ela se encolheu chorando. Eventualmente, ela se desenrolou, seus membros doendo por causa da posição apertada. Ela moveu-se como se estivesse sob o Imperius, seus olhos tão vazios quanto seus pensamentos. Ela arrumou a cama com os lençóis limpos, tentando não respirar fundo o perfume recém-lavado que a lembrava do sol. O embrulho era mais do que apenas lençóis, e ela alisou as mangas do vestido que os elfos domésticos da lavanderia haviam arranjado para ela. Enrolado havia um par de sapatos de pano - sapatos reais , sapatos que iria manter seus pés quentes sobre os pisos de pedra e que não eram botas extras largas de Draco - tinha mais dois pares de calcinhas limpas e livre de rasgos ou manchas escuras horríveis.

Perto do sapato estava um par de meias para completar seu pequeno guarda-roupa. Hermione admirava seus tesouros e experimentou seus sapatos novos. Algo escondido no lado direito do sapato bloqueou seu pé, ela os tirou e sacudiu. Suas bochechas ficaram geladas quando novas lágrimas vieram.

Uma gravata. Uma gravata listrada em cor de vinho e ouro. Hermione se sentou na beira da cama e passou a gravata de seda entre os dedos, arrastou o tecido liso sobre os nós dos dedos e o pesou nas palmas das mãos. Dourado: Grifinória, Vinho: Coragem. Ela não sabia qual dos elfos domésticos sabia o que ela havia sido antes do Lorde das Trevas, não sabia qual deles foi capaz de identificá-la como uma Grifinória. Ela dificilmente se sentia como uma agora. Toda sua bravura foi tirada dela pelos ataques, as capturas, as mortes...

Os corpos.

A porta se abriu, o cheiro de fumaça e sangue entrou com o som das vestes de Draco e suas botas arrastando pelo chão. Ela não tirou os olhos da gravata e parecia que Draco não esperava que o fizesse, porque ele passou por ela sem dizer uma palavra. Ele foi para o banheiro e os ombros de Hermione se curvaram ao ouvir os sons familiares e angustiantes de seu vômito.

Ela estava de pé antes que ele terminasse. Ela entrou no banheiro no momento em que as mãos dele estavam na gola de suas vestes. Ele deixou as mãos caírem das vestes, e ela sabia que ele estava a segundos de mandá-la sair. Hermione se aproximou antes que ele pudesse falar e colocou os dedos sobre sua boca. "Eu não vou fazer nenhuma pergunta." ela disse a Draco baixinho, enquanto suas mãos iam para o manto dele. Ela o desamarrou e o tirou de seus ombros. O tecido pesado deslizou por seus braços e ela começou a abrir os botões de sua camisa. "Você não me deve respostas. Você não me deve nada. Eu fugi de você por medo, coloquei-nos em apuros e sinto muito por isso. Não vou - não vou tentar de novo. Não vou tentar nada parecido de novo. "

Ela esperava que ele a empurrasse a qualquer momento, que depois dos eventos pelos quais eles passaram, depois de sua recusa frenética em deixá-la tocá-lo mais cedo, ele não a deixaria fazer isso agora. Ele deixou, e ela optou por não questionar o porquê. Questioná-lo sobre qualquer coisa era inevitavelmente uma má decisão, e ela estava cansada. A bravura vem de muitas formas, e uma das mais difíceis é a forma que te faz tomar a atitude certa, não importando as consequências. Naquele momento, a coisa certa era se manter viva e segura. Custe o que custar, ela tinha que fazer isso. Ela tinha feito isso até agora e funcionou; uma mudança quase a matou. Ela não cometeria aquele erro de novo e estava determinada a deixar Draco saber disso.

Ela desabotoou a camisa de Draco e a tirou de seus ombros, seus dedos seguindo o tecido por seus braços. Ela traçou as cristas magras de seus bíceps, as cavidades dentro de seus cotovelos, as longas linhas dos músculos em seus antebraços. "Sinto muito, Draco." ela sussurrou, passando a ponta de um dedo pela parte interna do braço dele e ao redor da marca escura em sua pele. Draco ficou parado, olhos fechados, e deixou que ela contornasse seu corpo com as mãos.

"Sinto muito." ela disse novamente, e ficou na ponta dos pés para beijar seu ombro, bem no ponto onde a grande cicatriz em seu torso começava. Ela estava se desculpando por mais do que suas ações naquele dia, e ela esperava que ele soubesse disso. Quer ele entendesse ou não, ela sentia que precisava fazer isso. Ela se desculpou com cada toque dos lábios em sua pele, desculpou-se com cada toque dos dedos em sua carne. Draco ficou quieto e permitiu que ela fizesse o que quisesse, até que ela se agachou e seus lábios se moveram sobre seu estômago.

Esses músculos ficaram tensos e endurecidos, e a mão dele se espalhou pela parte de trás de sua cabeça. Ela fez uma pausa, esperando que ele se movesse, esperando que ele a empurrasse. Ele exalou, lentamente, e seus dedos pentearam seu cabelo. "Fenrir estava mentindo." disse ele em uma voz tão suave que ela teve que se esforçar para ouvi-lo. "Ele nunca me tocou. Não da maneira que ele estava insinuando. Ele queria fazer isso. Eu não posso negar. Ele queria, mas... mas ele não podia. Chegou perto, uma ou duas vezes. Meu pai o impediu."

Hermione se ajoelhou sem se mover muito enquanto Draco continuava a acariciar seu cabelo gentilmente, enquanto falava com aquela voz suave e branda. "Ele chegou bem perto uma vez. Na verdade estava com as mãos - ao redor do meu - e ele..." Draco engoliu em seco e o resto de suas palavras saíram como uma finta que não poderia terminar sem sua vassoura esmagando no chão e se espatifando em mil lascas. "Meu pai o pegou no flagra. O parou. Ofereceu-lhe um acordo para que Greyback me deixasse em paz e dessa forma Fenrir teria um deleite ainda melhor, ele disse. Pensei que ele se referia à minha mãe no início e eu ia...- e então ele puxou Fenrir, eles sussurraram e Fenrir foi embora. Eu queria dizer a elas, eu queria dizer que sinto muito. Sinto muito, Hermione. "

Ela inclinou a cabeça para trás quando os dedos dele se apertaram em seu cabelo. "Elas?" ela perguntou mais baixinho do que ele tinha falado. Sua voz mudou, e ela sabia que outra pessoa estava em discussão agora. Alguém que não é sua família, nem seus associados.

"As irmãs Montgomery." Ele olhou para ela, com os olhos arregalados e os cílios espetados pela umidade. Ele provavelmente não percebeu que estava chorando. "Seu irmão mais novo. Um deleite melhor. Mais jovem. Menor. Menos luta, menos chance de Greyback se machucar. O menino era uma troca." Draco prendeu a mão nos cachos dela e puxou sua cabeça para trás, forçando seu corpo em um arco.

"Eu não queria isso. Aquele garotinho foi morto para que eu ficasse em paz." disse ele, olhando para os olhos arregalados e angustiados dela. "Meu pai fez o que era necessário para me proteger. Eu não queria que ele fizesse isso, não pedi por isso, e lamento, com cada gota de sangue dentro de mim, que isso tenha sido feito. Mas foi feito, e eu aprendi com isso. Aprendi que às vezes é preciso fazer coisas que me dão nojo, às vezes é preciso fazer coisas que me deixam doente, que me fazem me odiar tanto quanto odeio as pessoas que me levam a isso . Às vezes, as situações não saem como planejado e os planos têm que mudar, e coisas horríveis devem ser feitas para obter o melhor resultado. Meu pai sabia disso e fez isso por mim. Não posso fazer menos em meus esforços para sobreviver, para proteger o que é meu. Fazer o que for necessário para atingir meus objetivos. "

Ele a colocou de pé pelos cabelos, ignorando seus gritos de dor quando os fios se soltaram de seu couro cabeludo. "Você mudou meus planos, e eu terei que fazer algumas coisas horríveis, mas eu vou fazer. Nós vamos sobreviver a isso, nós vamos escapar disso, e eu não vou deixar você estragar tudo por causa de pessoas que já estão além de salvar. Você me entende, mulher? "

Ela não compreendeu, não totalmente. Ela não entendia de onde vinha a raiva dele, embora suspeitasse que estava misturada com um medo ainda persistente e com a humilhação de ter perdido o controle na frente dela mais uma vez. Ela não entendia o que ele estava dizendo sobre seus planos, não entendia o que ele queria dizer com ' vamos sobreviver a isso, vamos escapar disso'. Ela não entendeu, mas acenou com a cabeça o melhor que pôde com seu aperto punitivo em seu cabelo. "Sim, Draco." ela disse, suas mãos contorcendo-se e apertando ao lado do corpo. "Eu entendo. Sinto muito. Não vai acontecer de novo, eu prometo. Vou confiar em você."

"Eu duvido, " disse ele, após um instante a olhar fixamente para ela. Ele a soltou e deu um passo para trás, virando-se para abrir a torneira do chuveiro enquanto ela esfregava a dor no couro cabeludo. "mas eu vou aceitar isso por agora. Descanse um pouco. Meu Mestre estará de volta em breve, e eu preciso pensar um pouco antes que ele retorne. Espera-se que façamos uma aparição."

Ela esperava que ele não achasse necessário colocar a corrente nela novamente, mas depois de sua tentativa fútil de escapar, ela não podia colocar a culpa nele por isso. Se suas posições tivessem sido invertidas, a corrente seria o mínimo que ela faria. Ela também teria se colocado sob o Imperius novamente, provavelmente, impedindo até mesmo o mais leve pensamento independente ao ir diante dos outros. Draco deu a ela a cortesia de manter seu próprio pensamento desta vez, embora Hermione mantivesse suas suspeitas de que não era uma cortesia e sim porque ele não queria dar ao Lorde das Trevas motivos para questionar seu controle sobre ela. Draco ainda estava sob ordens de quebrá-la de sua maneira, e enquanto eles ignoravam isso na privacidade de seu quarto e no tempo que passavam sozinhos, em público ele não podia dar-se ao luxo de mostrar nem sequer a mínima pista de estar se esquivando de seu dever ou de desobedecer às suas ordens.

Ele a deixou usar o vestido novo assim que ela o mostrou a ele. Draco parecia aliviado por ela ter algo que se encaixava melhor, que a cobria mais, e Hermione supôs que ele não estava atuando tanto assim quando gritou para os elfos domésticos sobre estar cansado dos outros verem partes demais dela. Tentá-los com um brinquedo inteiro era perigoso.

Ele até permitiu que ela usasse os sapatos que recebera, e ela o pegou escondendo um sorriso enquanto os exibia. "Nada contra suas botas, " ela disse a ele com uma tentativa de humor  "mas estes se encaixam muito melhor. Tenho que reconhecer, os elfos domésticos são realmente muito bons em adivinhar tamanhos."

"Eles não têm muito mais o que fazer." disse ele enquanto ajustava a corrente em sua coleira. "Quase não moram aqui tantas pessoas como antes." Seus olhos se fecharam por um momento, e Hermione se perguntou se ele estava pensando em todas as pessoas que morreram na batalha, e nas poucas que conseguiram fugir antes que a luta começasse de verdade. Ela sabia que a maioria dos companheiros de casa dele tinham permissão para regressar em segurança às suas famílias, já que Slytherin quase unanimemente apoiava o Lorde das Trevas. Isso não foi surpresa. O punhado de estudantes de outras casas, que tinham mostrado as suas verdadeiras alianças, e que escaparam para a liberdade sem um arranhão, esses tinham sido os chocantes.

Hermione seguiu Draco pelos corredores, forçando aqueles pensamentos e memórias para fora de sua mente. Ela não podia pensar no passado. Ela tinha que se concentrar no agora, no momento presente. Ela tinha que manter seu foco em se manter segura, em manter Draco seguro. Eles ainda estavam jogando, e se ela não prestasse atenção, as regras mudariam e ela perderia.

Mesmo através das portas grossas que fechavam o salão principal, ela podia ouvir os comensais da morte celebrando. Sob seus gritos e tumulto, ela pensou ter ouvido outras vozes temerosas. Ela se arrependeu de se concentrar para ouvir. Lágrimas e soluços significavam vítimas vivas, mais brinquedos para os outros estuprarem e massacrarem. Ela desejou que todos eles tivessem sido mortos. Draco era o único dos comensais da morte que não maltratava os cativos, e Hermione sabia, com o coração palpitando de vergonha, que não desistiria de seu lugar como dele. Ela deixaria os novos para os outros, lamentando, odiando, doente com isso, mas ela faria. Draco não foi o único que aprendeu uma lição muito dolorosa. Havia alguém de fora que sabia que ela estava dentro das muralhas do castelo, sabia que ela estava sob os cuidados de Draco. Havia alguém que sabia onde ela estava. Enquanto ela permanecesse viva, ainda havia uma pequena centelha de esperança. Seu momento de fraqueza ao ver os corpos de seus amigos foi apenas isso, apenas um momento, e ela não se permitiria falhar novamente. Ela faria o que fosse necessário.

Draco segurou com mais firmeza a corrente dela e a levou para o Salão Principal. No topo, em seu trono, o Lorde das Trevas vigiava seus servos festeiros, um olhar de avareza em seu rosto pálido e sem nariz. Bellatrix se recostou em seu lugar aos joelhos dele, a cabeça apoiada na perna dele enquanto ele penteava seus dedos ossudos pelos cabelos dela. Draco conduziu Hermione para a frente da sala, nenhum dos dois olhando nem um segundo sequer para os cativos amontoados no canto do salão. Enquanto Draco se curvava para seu mestre, Hermione ficou de joelhos, caindo em uma postura subserviente sem a necessidade de uma ordem. Quando ela ousou olhar para cima, o Lorde das Trevas estava olhando fixamente para Draco, então aquele olhar frio moveu-se para o seu rosto e ele apontou um dedo para ela.

Ela colocou uma mão no chão para se levantar, mas antes que pudesse se levantar, ela ouviu um som repreensivo. Ela olhou para cima para ver o Lorde das Trevas balançando a cabeça com uma diversão cruel em seus olhos. "Rasteje" disse ele, sua voz carregando as risadas dos outros. "Rasteje para mim, sangue-ruim."

Hermione lutou contra o desejo de se encolher atrás de Draco, para cobrir a cabeça com suas vestes como uma criança se escondendo de monstros durante a noite. Não havia como se esconder desse monstro. Ela respirou fundo, lembrou-se de que precisava seguir as regras mesmo que não gostasse delas, mesmo que não as entendesse completamente, sendo assim, ela abaixou a cabeça e se arrastou até o Lorde das Trevas. A corrente dela tilintou quando Draco a seguiu, embora ele tenha deixado a corrente estender-se por completo. Hermione se ajoelhou aos pés do Lorde das Trevas, perto o suficiente de Bellatrix para quase sentir o calor da respiração da mulher.

O Lorde das Trevas estendeu a mão e ergueu o queixo dela, e Hermione tentou não tremer ao sentir o frio nos dedos dele. Ela encontrou seus olhos, se esforçou para manter o rosto em branco. "Que interessante." sussurrou aquela voz gelada, e Hermione cerrou os dentes para impedir que um gemido escapasse. "Sem Imperius dessa vez. Você aprendeu a obedecer, sangue-ruim? Você aprendeu a receber ordens?" Ele agarrou seu queixo e forçou sua cabeça para cima. "Aprendeu o seu lugar?"

Ela não sabia se as perguntas eram retóricas ou se uma resposta era esperada, ela teve que se segurar para não olhar para Draco em busca de uma orientação, porém ele respondeu por ela, aproximando-se até que suas vestes roçaram em seu ombro. "Ela é uma cativa modelo, meu Senhor. Obediente, responsável, dócil."

"E flexível, eu suponho." O Lorde das Trevas não tirou os olhos de Hermione, e ela esperou para sentir o toque frio de sua mente rastejando sobre a dela. Ela presumiu que ele procuraria seus pensamentos com legilimência, presumiu que ele buscaria a verdade das respostas de Draco, por isso ela colocou toda sua força mental para limpar sua mente de qualquer indício de desobediência. Ela ordenou que seus próprios pensamentos se acalmassem, para não exibir nada além da mente de uma cativa modelo, assim como Draco a havia nomeado. Jogue o jogo, obedeça às regras.

O Lorde das Trevas a encarou por alguns momentos, mas ela não sentiu o frio glacial em seus pensamentos. Ele zombou, logo após se inclinou para trás e estalou os dedos. Um par de elfos domésticos apareceu, seus corpos minúsculos curvados sob o peso de uma cadeira, uma versão menor de seu trono. Eles a colocaram ao lado dele, à sua direita, e saíram correndo. O Lorde das Trevas apontou para a cadeira. "Sente-se, Draco. Uma recompensa por seus serviços."

As vestes de Draco tremeram contra suas costas, mas ele se curvou. "Obrigado, meu Senhor." disse ele em voz baixa. Ele se sentou e puxou a corrente de Hermione. Ela engatinhou até ele, seu estômago embrulhando com o olhar divertido no rosto do Lorde das Trevas, e ela se sentou entre os pés de Draco. As semelhanças de sua posição, o espelho de Bellatrix aos pés de seu mestre, a fizeram estremecer. Para esconder o tremor em seu corpo, ela pressionou o joelho de Draco e escondeu o rosto nas vestes dele. Ele pousou uma das mãos na cabeça dela e passou os dedos pelos cabelos dela.

"Como você é uma prisioneira tão bem-comportada," o Lorde das Trevas disse "estou certo de que você continuará assim. Dê uma olhada, sangue-ruim, e veja o que você poderia ter sido." Hermione tremeu, sacudindo inconscientemente a cabeça contra a coxa de Draco, e os dedos dele ficaram tensos em seu cabelo. O Lorde das Trevas rosnou. "Eu disse olhe ."

Draco agarrou o cabelo dela e forçou sua cabeça para cima, forçando-a a se virar e olhar para os cativos agachados ao lado do Salão Principal. Hermione respirou fundo, tanto pela dor no couro cabeludo quanto pelo reconhecimento de ver mais amigos e compatriotas acorrentados. Katie, Anthony e Gabrielle. Ela estudou com essas pessoas, lutou ao lado deles, e agora ela assistia enquanto os comensais da morte riam e zombavam deles, observava enquanto os comensais lançavam feitiços sobre suas cabeças para fazê-los recuar.

"Uma colheita fraca desta vez." continuou o Lorde das Trevas "Pobres combatentes. Quase não custou nenhum esforço para reuni-los. Eles não valem nada, piores do que a sangue-ruim que você tem aí. Pelo menos ela parece ter sido útil para você, jovem Malfoy. Ouvi dizer que ela tornou suas noites menos solitárias. " Aquela risada alta e fria veio quando Draco estremeceu, seu aperto em seu cabelo afrouxando. "Agora eu acho que ela pode ser útil para mim. Como eles são um bando tão inútil, não tenho interesse em perder meu tempo com eles. Sangue ruim."

Hermione estremeceu, mas se virou para o trono. Bellatrix sorriu para ela, o queixo pressionado na coxa do Lorde das Trevas. "S-sim? Meu Senhor?"

"Oh, muito bom. Isso quase soou sincero. Talvez um dia o jovem Malfoy possa realmente merecer o lugar que está ocupando, se ele puder continuar a treiná-la adequadamente." O Lorde das Trevas recostou-se, dedos ossudos unidos sob o queixo. "Distribua os cativos, sangue-ruim."

Os olhos de Hermione se arregalaram e ela sentiu sua pele esfriar. " O quê ?" Ela ficou boquiaberta olhando para Draco, boquiaberta olhando para Bellatrix, boquiaberta olhando para os cativos amontoados perto da parede. Ela balançou a cabeça, o movimento violento o suficiente para sacudir a corrente que Draco segurava. " Não. Não. Não posso. Não posso fazer isso. Você não pode me pedir isso!"

Draco sibilou enquanto os Comensais da Morte riam, enquanto o Lorde das Trevas zombava. Bellatrix sorriu e brincou com o colar feito do cabelo vermelho de Weasley em volta de sua garganta. "Parece que meu sobrinho não tem sua putinha sob tanto controle quanto gostaria que acreditássemos, meu senhor. Esta rebeldia é imprópria."

O Lorde das Trevas acariciou o cabelo de Bella, dando tapinhas nela. "Eu concordo. Draco, levante-se. Fique diante de mim."

Draco largou a corrente e lutou para se levantar da cadeira, manobrando ao redor do corpo de Hermione com alguma dificuldade enquanto ela agarrava suas pernas e a bainha de suas vestes. Ele chutou a mão dela e ficou na frente de seu mestre, com a cabeça baixa. "Meu Senhor. Eu... eu juro, meu Senhor, eu a tenho treinado. Isso é..."

"Este é mais um exemplo de sua falha em obedecer minhas ordens e cumprir suas atribuições." A voz do Lorde das Trevas estava cheia de gelo, e Hermione estremeceu ao ver Draco tremer sob as palavras. "Eu permiti que Bellatrix me convencesse a introduzi-lo em nossa gloriosa organização, já que ela tinha um argumento convincente de que sua linhagem e ancestralidade provariam que você é um membro valioso." Seus dedos apertaram o cabelo de Bella, e ela gritou de dor quando ele jogou sua cabeça para trás, até que sua garganta ficasse totalmente exposta, suas mãos arranhando suas canelas enquanto ela lutava para permanecer em pé. "Você estava errada, Bella. Ele tem muito de seu pai nele para ser útil para mim."

"Meu Senhor!"

O protesto veio de duas gargantas ao mesmo tempo, Draco e Bellatrix levantando suas vozes. O Lorde das Trevas empurrou Bella para frente enquanto Draco caía de joelhos em uma postura suplicante. Seu mestre sorriu, humor cruel iluminando seus olhos vermelhos. "Eu não tolero o fracasso dos meus servos. Bellatrix, compense o seu ensinando uma lição ao menino. Draco..." Ele riu. "Fique parado, se puder."

Bella se levantou com a varinha em mãos e apontou para o peito de Draco. " Crucio !"

Draco caiu no chão, aos gritos, seus dedos raspando as fendas entre as pedras. Suas costas arquearam e se curvaram enquanto ele se retorcia sob o feitiço de Bella. Hermione se agarrou ao trono, gritando com ele. Ela se lembrou da dor que Bellatrix podia infligir, lembrou-se do quão forte a louca podia ser quando ela realmente queria que alguém fosse machucado. Ela gritou por Draco enquanto ele se contorcia no chão, gritou enquanto as lágrimas escorriam de seus olhos e ele pingava sangue no chão.

Draco desmaiou, seus olhos vidrados e vazios, e ainda assim Bellatrix segurava a Cruciatus nele. Draco se contraiu, os músculos relaxaram na inconsciência, e o cheiro forte de amônia se misturou com o cheiro de cobre de seu sangue enquanto ele se urinava de dor. Os Comensais da Morte caíram na gargalhada e Hermione gritou novamente. Ele era seu protetor, o único que poderia salvá-la neste lugar, e eles iriam matá-lo para seu prazer doentio.

Bella era uma duelista experiente e Hermione sabia que ela teria apenas uma chance contra a mulher. Ela prendeu a respiração, esperando até que Bella desse um passo para longe do trono do Lorde das Trevas, até que suas costas estivessem expostas.

Lá.

Sua chance.

Hermione agarrou a corrente e se lançou contra Bella, empurrando-a escada abaixo, jogando sua varinha para longe no chão de pedra. Ela esbofeteou a bruxa mais velha, bateu em seu rosto com dedos rígidos. Ela lutou e lutou, fez o seu melhor para envolver as mãos em volta da garganta de Bella. Bella brigou de volta, arranhando-a e a chutando. Os comensais da morte gritavam de desagrado, o Lorde das Trevas observava com desinteresse, mas Hermione quase não notou nada, exceto a bruxa embaixo dela. Ela tinha que proteger Draco e faria o que fosse preciso.

Hermione enrolou a corrente em seu punho e esmurrou o rosto de Bella. Uma, duas, três vezes, e o nariz de Bellatrix se estilhaçou sangrando. Bella gritou e rolou, Hermione se arrastou para longe, jogando-se sobre a forma inerte de Draco. "Rowle, leve Katie!" ela gritou. "Selwyn, leve Anthony!"

Os gritos violentos mudaram para gritos cheios de risos, e Hermione olhou para cima para ver o Lorde das Trevas aplaudindo enquanto Bella se enrolava a seus pés com sangue escorrendo de seu nariz. Ela deu a Hermione um olhar cheio de repugnância e ódio, o ódio mais intenso que Hermione já tinha visto antes. Hermione cuspiu em sua direção. "Meu" ela rosnou, puxando Draco em seus braços, tirando sua franja suada de sua testa. "Meu! Yaxley, leve Gabrielle! Draco é meu !"

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top