05
N/T: Este é o segundo capítulo da série, infelizmente há uma quebra de tempo, a autora não explicou o motivo, mas o segundo encontro dos dois com voldemort que ia acontecer no ultimo capitulo, não ocorreu, porém ele vai acontecer.
Hermione acordou com uma dor aguda no estômago. Ela choramingou e tentou rolar, mas a pressão familiar do braço de Draco sobre ela a apertou enquanto ela se movia. Ela respirou fundo e mordeu o lábio, colocando a mão em seu pulso, os dedos dela enrolaram-se para evitar roçar em sua marca. Mesmo em seu sono, ela aprendeu, ele reagiu mal a isso.
Ela o cutucou com cautela. Ela não queria acordá-lo, mas reconheceu a dor que se espalhava por seu abdômen como o início das cólicas. Já fazia um tempo, com estresse, preocupação, guerra e captura perturbando seu corpo e interrompendo seu ciclo, mas ela estava relativamente segura aos cuidados de Draco, tratada bem e mantida completamente saudável em comparação com alguns. Parecia que seu corpo havia decidido voltar ao curso. Ela não tinha certeza se estava chateada ou aliviada.
Por um lado, ela fez sexo com Draco várias vezes desde a primeira oferta que fez, e embora ele sempre se retirasse de seu corpo antes de gozar, ela sabia que havia o risco de uma gravidez. A aproximação da menstruação aliviou essa preocupação. Por outro lado, ela não estava preparada para isso e duvidava que Draco também estivesse. Provavelmente ele nem estava considerado a possibilidade. Ele estava preocupado com os cuidados dela desde que a resgatou, mas a maioria dos homens em sua experiência nunca pensam sobre isso.
Outra dor aguda torceu seu estômago e Hermione agarrou a mão de Draco. "Draco." ela sussurrou, virando-se o melhor que pôde para se aproximar do ouvido dele. "Draco, acorde. Eu preciso ir para a enfermaria."
Ele se mexeu, sua mão apertando a dela, mas além do pequeno puxão enquanto ele colocava o corpo dela mais firmemente contra o dele, ele não respondeu. Hermione fechou os olhos contra outra pontada e bateu os calcanhares nas canelas dele. "Draco, por favor. Acorde!"
Draco grunhiu e fungou, um estrondo profundo vibrando em sua garganta sem palavras coerentes. Depois de alguns momentos, e mais alguns estímulos e chutes de Hermione, ele estava acordado o suficiente para perguntar: "Você quer que eu te jogue fora com os outros?"
"Draco, me desculpe, mas eu precisava acordar você. Não é uma emergência, mas eu tenho que ir para a enfermaria. Minhas cólicas estão chegando."
Ela ruborizou com a confissão, mas não havia como evitar. Draco apenas balançou a cabeça e aninhou-se novamente, seu braço envolvendo a cintura dela. "Você não quer ir lá. Vou servir um pouco de conhaque para você ou buscar um pouco de casca de salgueiro mais tarde, se começar a doer mais."
Hermione bufou de frustração e lutou contra seu aperto até que ela conseguiu se virar e pôde olhar diretamente em seus olhos vidrados de sono. "Cólicas, Draco. Não é uma dor de cabeça, embora isso também venha a acontecer. Cólicas. Cólicas femininas ." Ele ainda parecia muito sonolento para compreendê-la e ela suspirou antes de dar mais esclarecimentos. "Cólicas menstruais. Minha menstruação vai começar em um ou dois dias. Preciso ir à enfermaria e pegar alguns suprimentos ou vai se tornar uma horrível bagunça." Draco mal conseguia lidar com o sangue em suas mãos que ela ainda não ousara perguntar a ele; ela não achava que ele aceitaria bem o sangue em sua cama.
A compreensão encheu seus olhos quando ela os encontrou novamente, mas estava manchado de piedade. "Você não quer ir para a enfermaria", ele repetiu.
"Eu tenho que ir." ela disse a ele, cutucando seu peito. "Vou usar essa maldita coleira e corrente se você estiver com me..." Ela interrompeu a palavra e abaixou a cabeça. Ele não gostava quando as pessoas sabiam que ele estava com medo, ela se lembrou. "Se você estiver preocupado que os outros possam me ver fora desta sala, mas eu tenho que ir."
Draco a observou em silêncio por um minuto, seus olhos cinzentos escurecendo, então seus lábios se apertaram e ele respirou fundo. "Ta bom." Ele a soltou e se levantou para vestir a camisa, as botas e as vestes. Ele jogou o vestido preto esfarrapado para ela e ela o vestiu enquanto ele pegava a coleira pesada do armário onde guardava o conhaque, os pergaminhos e a máscara. "Não diga que eu não avisei", disse ele quando prendeu a coleira em seu pescoço.
Ele destrancou a porta, checou se havia qualquer um dos outros Comensais da Morte no corredor e a conduziu para fora. Hermione ficou surpresa por ele não ter prendido a corrente, mas quando ela perguntou, ele apenas deu de ombros. "A corrente é para ir na frente dele. Não vamos topar com ele nos corredores. O tipo de pessoa que podemos encontrar..." Seus lábios se contraíram e ele balançou a cabeça. "Se algo acontecer comigo, corra pra caralho, Granger. Você nunca vai sair do terreno, provavelmente não vai conseguir sair do castelo, mas corra. Tente fazer eles matarem você em vez de recapturá-la. Se você for levada sob custódia novamente, sua morte será muito, muito lenta. " Ele olhou para ela, e ela não viu nada além da verdade em seu olhar.
Ela assentiu. "Compreendo."
Do lado de fora da porta da enfermaria, Draco a parou com um toque em seu braço. "Você não vai gostar do que verá aqui." disse ele evitando os olhos dela. "A maioria dos outros não se preocupam com assistência médica a menos que haja algo seriamente grave, e os cativos são... Eles são, hum. Deixados para morrer." Ele balançou a cabeça e exalou lentamente. "O lugar está uma bagunça. Tem estado desde que assumimos o castelo."
Hermione falou em um sussurro, mantendo a voz baixa como se algum dos Comensais da Morte pudesse estar espreitando por perto para ouvir. "Você não tem que me avisar para me comportar, Draco. Eu sei as regras; estou jogando. Podemos apenas entrar, por favor?" Ela gesticulou para seu vestido muito pequeno, então cruzou os braços e esfregou os bíceps com as mãos trêmulas. "Eu me sinto exposta aqui."
Ele suspirou e abriu a porta, depois a conduziu para uma das poucas camas do quarto. "Espere aqui. Vou verificar com - vou verificar o escritório de Pomfrey." Ele a deixou, e Hermione se sentou com as mãos fechadas no colo, tentando não olhar para a destruição na enfermaria. As prateleiras foram puxadas para baixo, as camas viradas, arquivos e potes de amostras espalhados pelo chão. A sala cheirava a urina e sangue, e ela respirou superficialmente pela boca para evitar inalar muito o fedor. Quanto mais Draco demorava, mais ela podia sentir o cheiro da sala e menos ela podia evitar olhar para o ambiente sombrio.
Ela escorregou para fora da cama e foi para o escritório, observando seus passos com cuidado para evitar estilhaços de vidro em seus pés descalços. Ela ouviu na porta a voz de Draco, e a pegou, fraca, com uma pitada de nojo colorindo suas palavras. "Basta dizer", disse ele, e ela ouviu um baque que soou como se ele tivesse chutado a parede. "Algo para cólicas, algo para o sangramento. Não sei o que as mulheres usam. Apenas fale o que preciso, se isso é tudo que você pode fazer."
A porta se moveu quando Hermione encostou o ouvido nela e entrou cambaleando no escritório, caindo de joelhos ao lado de Draco. Ela ergueu os olhos para se desculpar com ele e viu Madame Pomfrey.
O que costumava ser Madame Pomfrey.
Um olho pendurado, ensanguentado e arrancado contra sua bochecha despedaçada. Dentes quebrados apareciam pelo buraco em sua mandíbula. O sangue manchava seu uniforme e avental, junto com coisas mais escuras que Hermione não conseguia identificar. Pomfrey girou o coto de um tornozelo e apontou para uma prateleira com dedos distorcidos. Hermione vomitou e empurrou o punho contra a boca para abafar o grito.
Com uma obscenidade gutural, Draco se agachou para afastá-la do Inferius que fora a enfermeira da escola. "Eu disse para você ficar...", disse ele, sua voz cheia de pesar. "Eu disse que você não queria vir aqui."
Hermione engasgou, curvando-se sobre os joelhos enquanto vomitava. Os longos dedos de Draco envolveram seu cabelo e o seguraram até que ela terminasse, e ele entregou a ela um pano quase limpo para limpar sua boca. Ela tentou não pensar em onde ele o havia encontrado, em cujas mãos quebradas o haviam dado a ele. Ela tentou não pensar em nada enquanto Draco a deixava amontoada no chão enquanto juntava os suprimentos. "Vamos." disse ele, depois que o barulho de garrafas e caixas parou. "Vamos!"
Ela olhou para a bainha de suas vestes, deixou seu olhar viajar até suas mãos e a pequena cesta de arame que ele carregava. Alguns frascos de poções, uma caixa de ataduras de gaze e um livro com capa de couro. Hermione se concentrou nisso, manteve toda sua atenção na cesta, para evitar que seus olhos olhassem para a Pomfrey deformada e silenciosa em um canto de seu escritório.
Hermione enxugou o rosto com o pano mais uma vez, jogou-o fora e se levantou. "Draco, me desculpe." ela murmurou, a bile ainda manchando sua garganta. "Sinto muito, eu deveria ter escutado você."
"Sim." Ele tirou o cabelo da testa e suspirou. "Você vai da próxima vez. Agora vamos, antes que alguém nos pegue aqui."
Ela o seguiu, a cabeça baixa e dócil, ordenando-se a confiar no que Draco disse a ela. Nessas circunstâncias, neste mundo de horror, ele era o único em quem ela podia confiar.
Foi preciso um pouco de esforço para que eles entendessem sobre como organizar as suas necessidades, mesmo depois que Draco conseguiu encontrar uma calcinha em algum lugar do castelo. Hermione se forçou a ignorar que o elástico estava rasgado por ter sido esticado demais e se forçou a ignorar as implicações disso junto com seu pequeno tamanho. Ela agradeceu a Draco pelo achado, enfiou gaze na virilha e tentou não se mover muito nos dias seguintes. Ela lavava a calcinha na pia todas as noites, e Draco claramente fez o possível para não fazer uma careta quando ela o informou com o rosto vermelho de vergonha que não havia terminado como pensara na noite anterior, e que os lençóis precisavam ser limpos.
Ele olhou para ela, para seu vestido esfarrapado e para os lençóis amarrotados em sua cama, então pareceu tomar uma decisão. "A roupa suja" disse ele, e foi até o armário para pegar a coleira dela. "Tire a roupa da cama. Eu levo você até a lavanderia. Talvez possamos encontrar outro vestido para você lá também."
Seu coração disparou de preocupação e ela puxou as mangas. "Você não pode simplesmente..." Ela fez um gesto sibilante e rápido. Draco normalmente limpava seus lençóis com magia, depois do sexo ou pesadelos. Ela não entendia por que ele não estava escolhendo isso agora.
"Eu poderia." Os dedos de Draco deslizaram sob seu queixo e ele empurrou sua cabeça para cima. "Mas meu mestre está fora do castelo e não deve voltar até a noite. Achei que você gostaria de sair por alguns minutos. Não podemos demorar, e com certeza não podemos ser pegos, mas... "Ele deu de ombros e deu a ela um sorriso. "mas feliz aniversário."
Hermione prendeu a respiração, seus olhos se arregalando enquanto ela contava os dias em sua cabeça. Ela não tinha certeza, com muito tempo perdido e borrado durante seu cativeiro, porém ela supôs que era possível que semanas suficientes tivessem se passado. "Meu aniversário?" Ela olhou para Draco e mordeu o lábio. "Como você sabe?"
"Eu não sei, " ele admitiu. "porém eu sei que é no outono. As folhas estão mudando, então é outono. Perto o suficiente?"
Hermione acenou com a cabeça, seus olhos lacrimejando de emoção. Ela ficou surpresa e encantada. Um presente. ir lá fora . Ela não tinha visto o sol desde que ela tinha sido trazida para o castelo, tinha sido trancada, sem ar fresco pelo que pareceu séculos, e agora Draco estava lhe dando a chance de sair um pouco. Ela jogou os braços ao redor do pescoço dele e puxou sua cabeça para um beijo.
Ela pretendia apenas agradecê-lo com a ação, mas depois de alguns segundos, a boca dele se moveu contra a dela. A língua dele roçou nos lábios dela e Hermione estremeceu ao se abrir para ele. Em algum momento no meio do beijo, ela o ouviu soltar a coleira, sentiu as mãos dele deslizarem por suas costas. A primeira vez que fizeram sexo foi para conforto. As várias vezes depois disso foram por companhia. Esse beijo, esse beijo profundo e comovente, era mais íntimo do que tudo isso. Foi um beijo que continha complicações, desejo e perplexidade, e no momento em que Draco levantou a cabeça, Hermione sabia que seus olhos eram tão escuros e vidrados quanto os dele.
Draco tossiu e se afastou; Hermione pigarreou e se afastou. "Coleira " ela disse ao mesmo tempo que Draco murmurou "lençóis", e os dois deram uma risada baixa e nervosa.
Draco dobrou os lençóis e colocou um feitiço de encolhimento neles antes de colocar o pequeno pacote em suas vestes. "Vamos." disse ele, enquanto pegava a coleira dela para colocá-la em volta de sua garganta. "Antes que o sol se ponha."
Eles estavam perto da lavanderia quando um par de vozes baixas ecoou nas paredes de pedra do corredor, e Draco empurrou Hermione para um quarto empoeirado e abandonado. Ele a empurrou para trás da porta e colocou um dedo sobre a boca em um gesto silencioso enquanto apagava o Lumos que estavam usando como luz. Ele puxou o capuz de suas vestes para cobrir seu cabelo e ficou fora da vista do corredor, sua varinha segurada ao seu lado. Hermione ficou o mais imóvel que pôde, as mãos cobrindo a boca e o nariz para não inalar poeira e revelar seu esconderijo com um espirro ou tosse.
As duas vozes se aproximaram, a distorção dos ecos se transformando em palavras. Hermione se esforçou para identificá-los, mas apenas um parecia familiar. Ela achava que era Rowle, aquele que checava ela e Draco com mais frequência do que os outros.
"O que ela vai fazer agora que ele está morto?" perguntou Rowle. "Se manter na família e casar-se com o irmão dele?"
"Duvido. Ela está ocupada chupando o pau enrugado de nosso mestre."
"Você quer dizer que ele tem um? Chocante."
Ambos os homens riram. Hermione olhou para o corredor através das dobradiças da porta desejando poder ver o rosto de Draco. Os homens deviam estar falando sobre Bellatrix, mas o fato de eles também falarem do Lorde das Trevas em termos tão depreciativos era desconsertante. Quando eles continuaram, ela mordeu o lábio para impedir que um grito de surpresa escapasse.
"Falando em sem pinto, alguém já ouviu falar de Lucius?"
"Não. Ainda está onde quer que ele tenha se enterrado. Ele nunca vai compensar o fracasso em pegar Potter vivo. Fugiu para salvar sua própria pele, provavelmente abandonou seu pirralho aqui."
"Malfoy." Houve um som de cusparada e Hermione se encolheu. O nome de Draco foi dito com tanta violência quanto uma maldição imperdoável. "Não posso acreditar que esse merdinha ainda está vivo. Eu não confio nele. Ele fodeu tudo com Dumbledore, quase arruinou tudo. Você a viu no corredor. Quase nenhum arranhão nela. "
"Talvez seja ele quem está chupando o pau do mestre, então." Eles riram novamente e suas vozes enfraqueceram enquanto eles caminhavam.
Hermione queria se mover, mas manteve a posição até que Draco contornasse a porta e gesticulasse para ela. Seu rosto, nas sombras de seu capuz, estava vazio de emoção, mas quando ele reformulou o Lumos, sua voz estava tensa de raiva. Hermione tocou seu ombro, com cuidado para não assustá-lo. "Seu pai sumiu?" ela sussurrou.
Draco olhou para ela sem falar, então suas narinas dilataram e ele limpou a garganta. "Vamos. Não temos muito tempo antes do pôr do sol."
Essa parecia ser a única resposta que ele pretendia dar, e Hermione escolheu não insistir. Não foi a primeira pergunta que ele deixou sem resposta, e ela sabia que ele tinha motivos, mesmo que ele não explicasse. Ela respirou fundo e acenou com a cabeça, então o deixou conduzi-la para fora. Eles chegaram à lavanderia sem mais incidentes, mas Draco verificou o local com uma busca cautelosa antes de deixá-la entrar.
As enormes cubas que costumavam estar cheias de uniformes, de saias, calças, de moletons, de água fervente com sabão, estavam vazios. Metade foi derrubada ou tombada de lado; várias tinham elfos domésticos adormecidos enrolados nelas. Um pequeno elfo doméstico sem orelha levantou e saiu correndo do local quando Hermione deu um aceno hesitante de reconhecimento.
Draco pegou o pacote dobrado de lençóis de dentro de suas vestes, reverteu o feitiço de encolhimento e entregou o lote para um dos elfos domésticos restantes. "Cuide do sangue", disse ele. "E encontre outro vestido para ela." Ele olhou para Hermione com desgosto em seus olhos, uma expressão que Hermione suspeitava ser apenas para o benefício de testemunhas. "Estou cansado de vê-la mostrar a bunda para cada homem neste castelo."
Ele agarrou o braço de Hermione e a puxou pela sala até uma pequena porta na parede. "Tentando me deixar com ciúmes?" ele rosnou, seus dedos cravados em seu braço. "Você está procurando uma surra vadia? Você é minha."
Hermione sibilou e lutou contra a dor não fingida, enquanto os elfos domésticos murmuravam, ela fungou alto para aumentar o desempenho enganoso. "Sinto muito. Desculpe, meu-meu senhor, sinto muito. Tento não..."
"Tente mais!" Draco disse com um grunhido, e a empurrou porta afora.
Hermione estava parada do lado de fora da porta da lavanderia, com os braços estendidos e o rosto voltado para o sol. Mesmo com a posição baixa no céu e as nuvens pesadas que corriam sobre ele, era glorioso. O leve calor parecia penetrar em seus ossos, e ela cravou os dedos dos pés na terra para sentir os últimos resquícios de calor do dia. "Obrigada." ela murmurou, virando a cabeça na direção de Draco, que estava encostado na parede do castelo. "Obrigada por isso, Draco. Isso é incrível."
"De nada." ele disse baixinho, e ela abriu os olhos para vê-lo sondar o céu como se ele como estivesse procurando por algo. "Não é muito, mas você tem se comportado bem." Ele se virou para examinar a linha do telhado do castelo e enrijeceu. Ele encostou-a de costas contra a parede, depois de alguns momentos durante os quais ela esperou, tensa e ansiosa, ele gesticulou para que ela o seguisse.
Eles se esgueiraram ao longo da parede por vários metros e dobraram uma esquina. Hermione não sabia o que Draco tinha visto, mas ela não perguntou. Ela manteve-se calada, encostada à parede até que Draco sinalizou para ela e relaxou os ombros. "Não podemos ficar fora por muito mais tempo." disse ele, verificando a posição do sol. "Pegue o máximo de sol que puder agora. Não sei se vou conseguir tirar você de fininho de novo."
"Eu agradeço." ela disse em uma voz suave enquanto se aproximava dele. "Eu sei que você arriscou muito para me dar isso. Não sei o por quê, no entanto." Ela deu a ele um longo olhar e seguiu ao seu lado enquanto ele caminhava ao longo da parede do castelo. "Mas estou supondo que esta é mais uma daquelas perguntas que você não vai..."
Ela parou quando percebeu a expressão de Draco. Tinha mudado de calmo e relaxado para horrorizado, e ela olhou além dele para ver o que o havia perturbado tanto. Descendo a encosta de uma pequena colina, a grama estava manchada de sangue, e Hermione ficou boquiaberta com a trilha que as manchas fizeram. "Hermione, não." Draco disse, sua voz tensa. "Saia daí, agora. Isso não deveria estar aqui."
Ela o ignorou. Na base da colina havia uma pilha. Sua mente queria chamar aquilo de pilha de roupas, mas quanto mais ela olhava, mais a imagem clareava. Seu coração disparou quando ela reconheceu a visão diante dela. Uma pilha de roupas se transformou em uma pilha de corpos, e Hermione caiu de joelhos com os nós dos dedos enfiados na boca. Havia uma longa trança preta brilhante amarrada com fitas. Havia uma mecha de cabelo loiro sobre uma expressão que era arrogante mesmo com a negligência da morte. Havia cabelos longos e claros emaranhados em um par de brincos de rabanete. Cho, Ernie, Luna.
Hermione gritou suavemente, e seus olhos saltaram de um corpo para outro. Dennis, Lisa, Morag. Muitas das pessoas capturadas com ela agora eram apenas cadáveres. Lá estava Hannah, a cabeça em um ângulo horrível, a garganta cortada. Lá estava Parvati, com a cabeça raspada e os membros machucados expostos, nua ao sol. Moscas zumbiam sobre a pilha de corpos e Hermione se curvou sobre os joelhos, chorando.
"Hermione, sinto muito." Draco se agachou ao lado dela, uma mão em suas costas, os dedos esfregando suavemente entre seus ombros. "Eu não queria que você visse isso. Eles não deveriam estar aqui. Eles normalmente ficam do outro lado."
"Normalmente?" ela perguntou, sua voz cheia de lágrimas. Ela se sentou, enxugando o rosto com a gola do vestido. "O que diabos você quer dizer, normalmente? Do que você está falando?"
Draco suspirou e se levantou, de costas para o que restava de seus colegas de escola. "Normalmente. Há um local do outro lado do castelo onde eu normalmente descarto os corpos." Ela olhou para ele, prendendo a respiração, e ele assentiu. "Sim, esse é o meu trabalho aqui. Eu sou o coveiro. Ou o queimador de cadáveres, dependendo de quantos houver."
Hermione lentamente se levantou, seus olhos fixos nos corpos. Draco continuou, sua cabeça erguida para olhar para o céu. "Normalmente não há tantos. Acho que eles estão limpando a casa para abrir espaço para brinquedos novos."
Hermione se virou para olhar para ele, seu rosto se esvaindo. "Brinquedos novos?"
Draco se virou para ela e Hermione deu um passo para trás. Sua expressão era tão vazia quanto a máscara que ele mantinha no armário do quarto. "Para onde você acha que meu mestre foi? A guerra não acabou. Ainda há uma resistência para limpar."
Seu coração acelerou com a notícia de que o Lorde das Trevas ainda não havia derrotado toda a Inglaterra, então quase parou quando ela percebeu o que isso significava.
Resistência. Brinquedos novos. Limpar a casa para dar espaço. Eles planejavam trazer novos cativos para o castelo, outro grupo de amigos e colegas de classe dela para serem submetidos a estupro, tortura e morte.
Hermione deu mais um passo para trás, sua mente girando. Ela não podia enfrentar isso, não podia lidar com isso. No fundo de sua mente, ela sabia que essa era a realidade em que vivia agora, mas sob os cuidados relativamente decentes de Draco, ela foi capaz de ignorar isso, ser capaz de esquecer. Agora não. Por mais gentil que fosse, ele ainda era um deles. Ainda era um Comensal da Morte. Ele queimou os restos de suas vítimas - ela se lembrou, bile subindo em sua garganta, toda vez que ele voltava para o quarto com o cheiro de fumaça em suas vestes, sangue em suas mãos. Ele encobriu seus crimes e falou tão casualmente sobre suas atrocidades, e então voltou para o quarto e ela se juntou a ele na cama.
O rosto de Hermione se contorceu enquanto ela olhava para o homem com quem ela dormia noite após noite, para o homem que ela beijou voluntariamente apenas uma hora antes. Ela tinha sido uma idiota. Ela lançou mais um olhar para a pilha de corpos esperando por ele, esperando o Comensal da Morte na frente dela se livrar deles, e ela girou nos calcanhares para correr.
Ela sabia que era possível que Draco a acertasse com um feitiço antes que ela fosse longe, mas ela não ouviu nenhum grito, não sentiu nenhum feitiço entre seus ombros. Ela dobrou sua velocidade, ignorando os seixos e folhas de grama que cortavam seus pés enquanto corria. Claro, é óbvio, em primeiro lugar, ele tinha-a levado sorrateiramente para fora do castelo. Ele não queria chamar a atenção para se colocar em perigo. Hermione fixou os olhos na linha de árvores que marcava o início da Floresta Proibida e correu.
Passos bateram no chão atrás dela, mais rápido do que os dela, mas ela correu. Ela estava fraca, desnutrida e assustada, mas corria. A floresta se aproximou, os passos de Draco se aproximaram e ela correu.
Um raio verde de magia voou sobre seu ombro. Hermione tropeçou, caiu e rolou, seu coração batendo forte até que ela pensou que fosse explodir. A voz que gritou o feitiço não era de Draco. Hermione lançou um olhar aterrorizado por cima do ombro e viu uma bruxa robusta em uma vassoura, indo em sua direção, a varinha em punho. Draco ainda estava correndo a toda velocidade. Ele caiu e deslizou pela grama, derrubando Hermione, e lançou um feitiço na bruxa voadora. Ela se esquivou, mas a magia explodiu ao seu redor em um flash ofuscante. Com um grito, ela afastou-se.
Draco agarrou o braço de Hermione e a colocou de pé, então a puxou em direção à floresta. Seu rosto estava pálido, linhas profundas cercavam sua boca e seus olhos estavam tão arregalados que pareciam estar esbugalhados. Ele ofegou para respirar enquanto a puxava através da linha das árvores para as sombras. "Aleto", disse ele, ofegante. "Aleto Carrow. Como diabos ela sabia que estávamos aqui?"
Era uma pergunta que não exigia resposta. Não havia tempo para uma resposta. Aleto gritou em algum lugar perto, muito perto, e Draco puxou Hermione mais profundamente na floresta. Eles cambalearam sobre as raízes, desviavam das árvores e os gritos de Aleto ainda se aproximavam.
"Malfoy!" ela gritou, sua voz soando como uma dúzia de corujas descontentes. "Malfoy, o que você está fazendo? Por que você esgueirou sua vagabunda para fora do castelo? Tentando ajudá-la a escapar? Nosso mestre ficará-" Um feitiço brilhante passou pelas árvores, cortando galhos e enviando folhas e penas em espiral para o chão. " Encantado ."
Draco não teve que fazer um gesto de silêncio. Hermione estava desesperada para ficar quieta, para impedir que Aleto os localizasse. Ela apertou os lábios com tanta força que eles começaram a doer, e ela deixou Draco puxá-la ainda mais para dentro entre as árvores, para longe dos gritos e feitiços selvagens de Aleto. Ele sacou sua varinha e lançou uma rajada de fumaça prateada e retorcida pelo chão da floresta. Hermione pensou, em um momento de histeria, que poderia ter sido um Patrono, mas pelo que ela sabia, Snape era o único Comensal da Morte que já foi capaz daquele feitiço em particular. A fumaça se dividiu em uma dúzia, dezenas, centenas e se espalhou nas sombras enquanto Draco a puxava por um caminho estreito.
Um chiado alto se ergueu ao longe, e Draco empurrou Hermione contra uma árvore. A casca escavou-lhe as costas através do tecido fino de seu vestido, arranhou a parte de trás de suas coxas onde o material não era longo o suficiente para cobrir suas pernas. Ele colocou a mão sobre a boca dela, seus olhos selvagens na luz fraca que se filtrava pelas árvores, o pôr do sol fazendo as sombras dançarem. "Não se mova." ele sibilou, a boca contra a orelha dela. "Não se mexa, porra. Se voltarmos ao castelo inteiros, podemos nos considerar sortudos, mas pelo amor de Deus, Granger, agora, não se atreva a se mover."
Ela acenou com a cabeça, apenas um pouco, apenas o suficiente para mover a cabeça sob a mão dele. Draco a pressionou contra a árvore, cobrindo-a com seu próprio corpo, escondendo-a atrás de suas vestes grossas. O som do chiado ficou mais alto e Hermione ouviu a respiração de Draco travar em um estremecimento. Ele se aproximou dela, e Hermione pensou que era um movimento um pouco menos protetor do que parecia. Ela quase podia ouvir seu coração disparado, e ela sentiu que ele estava tão assustado quanto ela. Sua respiração estremeceu e ele enterrou a cabeça em seu ombro. "Não se mova", ele sussurrou novamente, sua voz trêmula. "Não chame a atenção deles."
Hermione prendeu a respiração ao ver o que ele queria dizer. O solo da floresta mudou e se contorceu, movendo-se em um enxame de chiar. Hermione escondeu a boca no ombro de Draco, mordeu as vestes dele para impedir que qualquer som escapasse. Centenas e centenas de aranhas do tamanho de uma mão cobriram o solo, passando por eles. "Não se mexa." Draco murmurou, cada palavra cheia de preocupação. "Não se mova. Não se mova ."
A vários metros de distância, Aleto bateu no meio das árvores, gritando por Draco. Como se fossem apenas uma criatura, todas as aranhas se viraram. Elas passaram por entre as árvores, rastreando a voz de Aleto, e então os gritos se transformaram em berros horríveis, aterrorizados e borbulhantes.
"Corre." Draco agarrou as mãos de Hermione, puxou-a para longe da árvore e a empurrou na direção do castelo. "Corra, Granger. Corra ."
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top