Capítulo|026
Elsie
De tudo que aconteceu na minha vida essa foi uma da coisas que eu nunca esperava.
- Surpresa ? - Balthazar gargalhou sarcástico.
- Como você pode fazer isso com a gente ? - Questiono tentando não parecer decepcionada mais falho completamente.
- Estou cansado desse ciclo de mentiras. - Falou sem responder minha pergunta anterior. - Estou cansado de ser fraco.
- Você é um dos feiticeiros mais fortes, Balthazar.
- É aí que você se engana, pequena Elsie. Posso ser forte mais não o suficiente, eu quero ser incrivelmente forte e para isso preciso beber uma taça do sangue da escolhida das sombras. - Respondeu gesticulando com as mãos. - Pelo menos é isso que dizia no grande livro.
- Não consigo entender aonde você quer chegar com isso. - Resmungo tossindo logo após.
- Você é a escolhida das sombras e todos que tomam uma taça do seu sangue se torna magnificamente forte. Seu sangue irá fortalecer não só a mim como seus familiares também, não trabalho sozinho, querida.
- Porquê você precisa do meu sangue se você é Azucrim ? - Rebato confusa e cansada.
- Todos precisamos do seu sangue. Você é a única híbrida metade demônio, anjo e feiticeira. Isso é inédito e ninguém da sua família é tão forte assim, nem mesmo seus irmãos que são apenas híbridos comuns. Se você for esperta o suficiente vai entender para o que queremos ficar fortes. - Conta observando cada reação minha. - Peço desculpas por ter matado Harry, ele era apenas um anjo. Não tinha nenhuma importância para nós.
Encaro seus olhos transmitindo toda raiva que eu sinto dele. Matou Harry sem dó nem piedade, não merece minha pena.
- Só vou te dizer uma vez e creio que não vou precisar repetir. - Começo a falar encarando seus olhos sem desviar nem por um segundo. - Quando eu sair daqui, porquê ambos sabemos que não vai demorar. Você vai desejar nunca ter cruzado o meu caminho. Eu sei ser uma pessoa maravilhosa Balthazar, mas também sei ser cruel ao ponto de te matar dá pior maneira possível. - Ele abriu a boca para falar mas bateram na porta fazendo-o sair.
Libero minhas lágrimas ao lembrar da morte horrenda de meu marido, não consigo sem ele. Harry ajudava-me em todos os sentidos, não merecia morrer assim. A saudade é tanta que sinto um buraco em meu peito que dói sempre que lembro dele e de nossos momentos. Imagens de nosso casamento passam pela minha cabeça fazendo-me chorar compulsivamente. Meu corpo está completamente fraco e muito dolorido não sei quanto tempo irei suportar sem me alimentar, já tem semanas que não me alimento ou talvez meses.
- Eu te amo, Haziel. - Sussurro em meio a dor que estou sentindo.
●●●
Balthazar voltou ao quarto para pegar uma bolsa de sangue completamente cheia e retirou a agulha do meu braço me dando um tempo para descansar, em compensação ele prendeu meus braços e tornozelos em correntes encharcadas de verbena. Ou seja, qualquer movimento que faço recebo uma queimadura horrorosa e muito dolorosa.
Azucrim ou Balthazar entrou e saiu do quarto sem falar absolutamente nada e não posso negar que isso me deixou um pouco apreensiva. As pessoas que estão trabalhando com ele são da minha família, apenas sei isso. Nunca entrei em tantos problemas por causa da minha família, são tantos que eu só desejo ter a minha vida humana antiga, não importa se era de mentira mas pelo menos eu não tinha tantos obstáculo assim.
Ouço a porta ser aberta tirando-me de meus pensamentos.
- Espero que Balthazar tenha sido bem receptivo com você minha querida, sobrinha. - Escuto nada mais e nada mesmo que a voz de Miguel. Viro apenas minha cabeça pois não tenho forças para virar meu corpo e corro o risco de queimar-me também. Observo Miguel e Ésther ao meu lado ambos com sorrisos maldosos estampados em seus lábios.
Não respondo porquê não tenho condições. Estou realmente fraca.
- Pega um pouco de sangue para ela, Ésther. - Miguel mandou fazendo a hesitar por alguns minutos. - Ela vai morrer se não beber sangue ou torturar alguém e eu não pretendo solta-lá para torturar algum de meus homens. Vai fazer o que eu mandei logo.
Ésther sai rapidamente do quarto indo fazer o que seu marido ordenou. Idiota, sendo mandada pelo marido. Isso me irrita, se ele tivesse falado isso comigo no mínimo levaria um soco na cara.
- Surpresa ? - Repetiu as palavras de Azucrim. E tenho total certeza que atrás daqueles vidros ficam várias pessoas me vigiando. - Deve estar se perguntando como sobrevivemos não é mesmo ? As pessoas que você matou são metamorfos. Nós estávamos bem longe dali, mas não vou negar que torturamos demais aqueles garotos. Aquilo que você viu eles fazendo não foi nem um terço do que fizemos de verdade.
Ésther adrenta o quarto com um copo cheio de sangue e põe o canudo em minha boca e espera eu beber todo o líquido para depois se retira de perto de mim. Sinto uma dor enorme em meu corpo como seu algo estivesse me rasgando. Percebo algo molhado em minhas costas e sei que é sangue.
- Covarde. - Resmungo tentando controlar os gemidos de dor que saem da minha boca.
- Tortura assim para você não tem graça não é mesmo ? - Ésther pergunta se referindo a tortura com os poderes dela, acompanhada por um sorrisinho de deboche que eu adoraria tirar de seu rosto.
- Não mesmo. - Começo a rir da sua tentativa de me torturar. - Já fizeram melhor que você, anjo.
Em questões de segundo estou em uma cadeira, confesso que estando aqui presa não tem muita graça. Gostaria de trocar de lugar com ela e ensina-la o que é tortura de verdade. Sou despertada de meus pensamentos com um tapa forte de Ésther.
- Você é a culpada de tudo isso. - Miguel tenta intervir mais sai da sala rapidamente quando escuta algumas batidas na porta. - Eu deveria te matar.
- E porquê não mata ? Está com medo de quê ? - Pergunto rapidamente tentando ignorar a dor latejante que está em minhas costas.
- Não estou com medo. - Seu sorriso confiante vacila diante de meus olhos.
- Então me mata de uma vez.
A dor aumenta me fazendo sorrir ao invés de gritar e a expressão de Ésther me deixa confiante de quando eu não demonstro que estou sentindo dor ela fica com raiva.
- Eu sei que você está sentindo dor, apenas demonstre. - Pediu com a voz doce.
- Porquê precisa que eu demonstre que estou com dor ? - Pergunto sem deixar a confusão transparecer em minha voz.
- Porquê você não merece ser feliz. Não merece as pessoas que têm em sua vida. - Respondeu transbordando veneno.
- Todo mundo merece ser feliz, Ésther. Se você não é feliz, talvez seja pelas coisas que fez. Agora arque com as consequências.
Minhas palavras parecem aumentar a raiva dela, meu corpo inteiro tem cortes pois sinto o sangue escorrer pela minha roupa. Presumo que tenha alguns hematomas em meu rosto também, contemplo a imagem de meus braços cortados e com uma sequência de arranhões nos pulsos. Estou com um ódio imenso de Miguel e Ésther e esse sentimento não posso negar. Deixo-o apenas tomar conta de meu corpo fazendo assim meus olhos ficarem completamente pretos.
- Quando o grande dia chegar você e seu marido vão se arrepender de ter cruzados nossos caminhos. - A porta foi aberta com força e alguns homens puxaram Ésther com força para fora da sala enquanto ela soltava uma gargalhada alta olhando para mim.
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