Capítulo|025

Harry

- Harry, por favor. - Observo-o quase rindo de sua tentativa patética de dar-lhe outra chance. - Tenha misericórdia de mim, irmão.

- Tarde demais, Marconi. - Passo a faca pelo seu rosto deixando meu ódio ser liberado. - Você deixou eles entrarem na casa e levarem minha esposa.

- Eu fui obrigado a fazer isso, tá legal ? - Respondeu angustiado pelos pequenos cortes que a faca fazia em seu rosto. - Eu tenho uma família e Azucrim ameaçou matá-los.

- Eu poderia compreender e te perdoar mas não é a primeira vez que você está passando as informações. - Digo com um pouco de decepção em minha voz.

- Desculpe-me. Eu sei que você vai me matar, não tem perdão pelo que estou fazendo.

- Aonde está minha mulher ? - Disparo a pergunta.

- Eu não sei aonde ela está. Azucrim está trabalhando com alguém da família de Elsie, a verdade é que a família da sua esposa não é o que parece, irmãozinho. - Ele ironiza a última palavra.

- Porquê Azucrim iria querer Elsie ?

- Ele não dá ordens, ele recebe ordens. Achei que fosse mais esperto, Harry. - E é aí que a sua máscara cai, suas atitudes não demonstram nenhum arrependimento e o que me deixa mais puto é isso. Tento esquecer isso e prestar atenção no que ele disse, meu raciocínio é completamente rápido, alguém da família de Elsie deu uma ordem para Azucrim sequestra-lá.

- Você sabe demais. - Observo-o e seu corpo começa a tremer em sinal de nervosismo. - Com certeza sabe aonde ela está.

- Eu não sei, estou falando a verdade. - Olha em meus olhos firmemente enquanto diz suas mentiras.

- Eu quero a verdade, Marconi. - Ele sorri debochado para mim me deixando irritado, dou um soco em seu rosto ouvindo o barulho do seu nariz quebrando.

- Não vou te dizer. - Solta um gemido de dor. - Você não vai me machucar.

- Você vai sim. O problema de vocês é acharem que me conhece bem demais mas quando na verdade, sabemos que é mentira. - Expulso as palavras e me espanto com tanta sinceridade que saiu de meus lábios. - Elsie é a coisa mais importante da minha vida e você contribuiu para que levassem ela para longe de mim.

- Tenha misericórdia de mim, irmão. - Sua voz oscila e sinto que ele está com medo.

A faca em minha mão começa a desenhar em sua pele fazendo um estrago danado. Talvez ele não vá me dizer a verdade, mas posso garantir que ele terá uma boa e inesquecível estadia comigo. Seus gritos soam como músicas para meus ouvidos e percebo o quanto eu estava com saudades de torturar alguém.

- Irá me dizer aonde ela está ? - Ergo a sobrancelha.

- Vellem potius mori. - Susurra baixinho algumas palavras que eu não entendo. - Suscipe me, obsecro.

Seu corpo preso começa a tremer na cadeira e seus olhos começavam a ficar branco.

- Filho da puta. - Resmungo totalmente frustrado ao notar que ele entregou sua alma para os guardiões apenas para fugir de mim. - Não tem problema, eu vou te achar Elsie. Irei dar o meu jeito mas eu prometo que vou te achar.


Elsie

Tento abrir meus olhos rápido mas não tenho forças e aos poucos com muita determinação consigo observar o local.

- Parece que a bela adormecida acordou. - Vejo Azucrim parado ao lado da cama hospitalar em que estou deitada, tento levantar mas estou fraca demais para isso. O que aconteceu comigo ? - Você não tem forças, querida.

- Harry. - Sussuro fracamente e sinto meus olhos se encherem de lágrimas ao lembrar que vi ele sendo morto em minha frente. Meu peito dói ao pensar que Azucrim matou Haziel, sinto que vou desmoronar mas preciso ficar firme e enfrentar tudo isso, mesmo que seja sozinha.

- Sabe muito bem que ele está morto. - Azucrim sorri arrogante para mim. - Estamos drenando seu sangue para que possamos utiliza-lo. Está já é a décima bolsa.

Viro minha cabeça devagar e vejo uma agulha enfiada em meu braço sendo ligado a um equipo que ao invés de deixar o sangue em meu corpo, está extraindo-o para uma bolsa plástica pendurada em um ferro alto.

- Porquê estou aqui ? - Sussurro novamente e cada vez que digo alguma coisa meu corpo dói.

- Apenas sigo ordens, Elsie. - Responde passando a mão em minha testa com cuidado. - Você precisa ficar viva.

- Sei que essa não é sua forma humana, Azucrim.

- Admiro sua inteligência acima de tudo. - Analisa meu rosto enquanto pronuncia-se.

Sua forma de palhaço não me assusta mais, sinto-me com uma curiosidade fora do comum para saber quem é ele.

- Quem é você realmente ? - Pergunto com um tom cansado e fraco.

- Na hora certa você irá saber, afinal você é como uma filha para mim. - Meu corpo começa a tremer ao reconhecer a voz de Azucrim e meus olhos começaram a lacrimejar por pensar que todo esse tempo ele esteve ao meu lado.

- Balthazar ?

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