Capítulo|018
Elsie
- Já chegamos? - Ryan perguntou pela milésima vez.
- A gente ainda está na metade do caminho, Ryan. - Respondo revirando os olhos. A floresta estava completamente assustadora. Estávamos apenas eu, meus irmãos e meu marido. Precisamos andar por esse lugar para achar o cativeiro dos meus pais.
- Então vamos logo. - Thomas disse e apressamos nossos passos.
O céu estava carregado de nuvens pesadas dando um ar tenebroso para o lugar, as árvores balançavam a todo momento e parecia que iria chover. Finalmente chegamos ao local, era pequeno mas sei que essa é apenas a passagem. Puxo o cadeado e ele cai no chão quebrado, abro a grade que servia como um pequeno portão e entro no lugar, seguida dos rapazes.
- Não está certo. - Nego balançando4 a cabeça. - Foi fácil demais.
- Concordo mas vamos fazer isso de uma vez por todas. - Harry pediu.
Aceno que sim e vou até a parede mas próxima analisando alguns símbolos.
- O que está dizendo ? - Thomas perguntou.
- Permitido apenas para seres celestiais. - Leio em voz alta. Coloco a palma da minha mão na parede feita de pedra e sussurro algumas palavras para ter acesso ao local. Faço o sinal da cruz para que a entrada seja permitida e adentro o local escuro.
- Não consigo entrar. - Ryan protesta.
- Faz o sinal da cruz seu burro. - Refurto fazendo Harry e Thomas rirem.
Caminho adentrando o local e as luzes se acendem rapidamente dando luz ao corredor vazio. Enxergo uma porta ao fim do mesmo e ando até lá parando em frente à mesma, Thomas colocou a mão na maçaneta e tentou gira-lá mas sem sucesso.
- Não consigo. - Franziu a testa.
Peço licença a ele e observo a porta.
- Ela não abre assim. - Aviso.
- E como ela abre ? - Ryan perguntou sarcástico.
- Essas portas só abrem para bruxos ou feiticeiros. - Harry responde sério. - Devíamos ter trazido Balthazar.
- Eu posso tentar, mas não vai abrir. - Dou de ombros e eles concordam.
Ponho a palma da minha mão na maçaneta e concentro-me sussurrando um feitiço antigo para destrancar a porta, meus sussurros vão ficando cada vez mas altos se tornando gritos e de repente ouço um pequeno barulho, giro a maçaneta e para a minha surpresa a porta abre sozinha.
- Como é possível ? - Sussurro abismada.
- Não estou entendendo nada. - Ryan disse confuso assim como todos nós.
Percorri o local que estava com uma iluminação vermelha, observando cada detalhe possível e a visão que eu tenho é de apenas um quarto vazio. Era suposto meus pais estarem aqui.
- Estranho. Aonde eles estão ? - Thomas indaga frustrado. Fecho meus olhos fortemente e me obrigo a tentar visualizar o que aconteceu aqui e como previsto minha visão muda no mesmo instante.
- Precisamos sair daqui o mais rápido possível. - O homem grita para a mulher que está sentada na pequena cama perto da parede.
- Eles vão nos achar, sabe disso não é?
- Não temos tempo para pensar, Ésther. Vamos embora antes que aquelas crianças chegue aqui. - Ele gritou novamente.
- Você não aceita ouvir a verdade Miguel. - Ésther falou alto dessa vez. - Porquê não acabamos logo com isso ?
- Eu não estou preparado para dizer aos meus filhos que eu nunca amei eles. - Miguel disse amargurado.
- Você acha que adiando esse dia vai fazer eles se sentirem melhor ?
- Não sei.
- Eles precisam saber que não fomos feitos para ser pais. - Insistiu ela.
- As verdades podem por a nossa vida em risco. - Miguel alertou.
- Acorda para a vida, que diferença vai fazer na vida da Elsie se ela descobrir que não é só uma híbrida normal ? E que aquelas pestes estão vivas ? - Ésther gritou raivosa.
- Fala baixo. - Rosnou para ela. - Eu não me importo com aquela aberração, muito menos com aqueles garotos inúteis.
- Então porquê não contamos a verdade ? Podemos liberta Nick e Daniel, eu não aguento mas ver e tortura aqueles garotos.
- Medo Ésther, eu tenho medo do que aquela garota pode fazer quando está com raiva. E se ela descobrir que mentimos sobre tudo ? Isso não pode acontecer. - Ele balançou a cabeça para os lados totalmente desnorteado. - Ela vai chegar até os guardiões. E se ela descobrir que não foram eles que apagaram as memórias dela ? E se ela descobrir que ao invés de amar-mos eles nós torturamos e hipnotizamos para que eles pensassem que fossem felizes ?
- Uma hora isso vai acontecer. Não aguento mas conviver com essa mentira, todas as memórias felizes deles foram nós que criamos.
- Eles não precisam saber da verdade. Podem viver com essa imagem feliz que eles têm de nós.
- Você acha que aquela garota é burra, Miguel ? Ela sabe aonde estamos escondidos. Precisamos dizer a ela que não são os guardiões que estão mantendo a gente presos, e sim nós mesmos, porquê não queremos enfrentar a verdade.
- Aquelas crianças jamais deveriam ter nascido. - Ele resmungou com nojo.
- Se eu pudesse voltar atrás eu nunca teria tido esses monstros. Você não vê que são eles que atrapalham nossas vidas ? - Ésther reconciliou com repulsa.
- Sim, mas não podemos voltar atrás. Pelo menos conseguimos descontar um pouco da nossa raiva na infância deles. - Miguel gargalhou sendo seguido de Ésther.
- Elsie. Porquê está chorando ? - Harry parou em minha frente com os olhos arregalados e colocou as mãos no meu rosto tentando secar minhas lágrimas com seus polegares.
Eu presenciei tantas coisas mas nunca pensei que algum dia irei descobrir que meus pais me torturam durante toda minha infância, não só a mim, como meus irmãos também. Aberração é o que sou para eles. As cicatrizes nas minhas costas que nunca consegui identificar foram eles. Qualquer dor física que eu já senti não se compara com a dor emocional que estou sentindo. Foram palavras cruéis que eles disseram, nenhum filho merece ouvir isso.
- Amor. Me diz o que você está sentindo, por favor ? - Harry implorou.
- Arrependimento. - Digo entre os soluços que escapam pela minha boca. - Eu não mereço isso.
- Irmã, o que aconteceu ? - Ryan perguntou com cautela. Estalo meus dedos e eles fecham os olhos presenciando tudo o que eu vi.
- Eles estavam com Nick e Daniel. Esse tempo todo. - Os olhos de Thomas começam a lacrimejar.
- Espero que não me peçam para ter piedade deles, porquê eu não vou ter. - Aviso com a voz totalmente fria.
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