Capitulo 02 - Shadow Falls
Eu estava indo embora de River Spring. O vento tocava meu rosto, enquanto uma sequência de arvores passavam pela janela do carro, o céu estava azul e as aves voavam de forma tranquila no céu. Estávamos indo para o aeroporto. Minha tia dirigia de forma tranquila, parecia mais imponente e determinada do que jamais vira antes em minha vida. Mas meus pensamentos não estavam focados na ida para uma nova casa, uma nova vida. Eu estava triste e melancólico, em silencio, pensando na possibilidade de conseguir o que eu queria.
- Eu não quero ir. – protestei.
- Com você nesse estado? – ela me olhou rapidamente, seus olhos passaram para o curativo em meu braço seu semblante estava sério – Eu não vou perder meu sobrinho.
Me encolhi no banco do carro. Eu sabia que a ideia de tirar a minha vida foi uma grande burrice, principalmente quando ela estava na cidade, mas agora me pergunto se ela teria ido embora e me deixado aqui, ou se este era seu plano desde o começo. Me levar para longe daqui.
- Sua matricula já foi feita, mandei suas coisas para minha casa e Samuel estará te esperando no aeroporto.
Não disse nenhuma palavra, apenas concordei com um meneio de cabeça encostando minha face na janela observando o trajeto sem o menor animo. Quando finalmente chegamos ao aeroporto ele não estava movimentado, meu voo estava marcado para as duas da tarde e eu havia chegado com dez minutos de antecedência, deu tempo de fazer check-in e aguardar no portão três meu voo.
"Voo 6589 para Shadow Falls no portão três" – a voz da mulher ecoava pelo aeroporto.
Minha tia me olhou com um sorriso em seu rosto e as lagrimas voltavam a brotar de seus olhos. Ela me abraçou forte. Eu sabia que ela esperava que eu ficasse bem, em algum lugar dentro de mim eu também esperava. Mas quando se perde alguém o tempo parece uma eternidade e eu havia perdido a noção de quantos dias haviam se passado desde o enterro.
- Tudo vai ficar bem.
- Eu sei que vai. – menti, tentando ser o mais convincente possível.
Ela segurou meu rosto e me beijou a bochecha.
- Preciso resolver alguns assuntos, quanto a casa e outros detalhes então não poderei ir com você. Samuel ira tomar conta de você ate que eu volte.
- Obrigado tia. – disse em meio a um sorriso fraco.
Dei mais um abraço apertado e segui para o portão de embarque. Adentrei o avião e me sentei no meu lugar, alguns segundos depois foram dadas as instruções de segurança e as informações necessárias por um comissário de bordo. Ele era magro, mas parecia ter um porte atlético, seus olhos eram azuis, cabelo liso e loiro com um largo sorriso. Durante toda a explicação seus olhos iam em vinham em minha direção, apenas ignorei ele e tentei me concentrar nos fones brancos que eu colocava em meus ouvidos.
Não demorou muito e o avião partiu rumo a uma cidade ao norte do estado. Eu não sabia o que esperar dessa nova vida, mas teria que tentar. Eu estava a caminho da minha nova casa, de um novo lugar para se chamar de lar. A pequena e chuvosa cidade de Shadow Falls, parece bem clichê na verdade ainda mais quando eu li Crepúsculo há alguns anos, é impossível não fazer tal referência. A diferença é que na minha realidade não teria vampiros legais e sensuais, não o do filme por que Robert nem chega perto do Deus grego da minha imaginação que é o Edward.
Quando finalmente cheguei a cidade para qual eu estava predestinado a passar meus dias, a lua já estava no céu, o avião pousou e desembarquei. Peguei minha mochila e sai em direção à entrada do aeroporto. Samuel me esperava encostado no seu Lamborghini preto. Ele abriu um largo sorriso e veio em minha direção, me dando um forte braço.
- Seja bem vindo a Shadow Falls.
Dei um sorriso fraco.
- Fico feliz que esteja bem, ficamos muito preocupados com você. – disse ele.
Minha tentativa suicida iria me perseguir agora. Que maravilha. Revirei meus olhos com meus pensamentos. Agora eu teria um vigia vinte e quatro horas por dia para garantir que eu não usasse outra gilete novamente, será que me deixariam usar uma faca? A ironia em meus pensamentos me fazia apenas suspirar pesadamente na tentativa de aceitar meu destino cruel.
- Eu sinto muito por isso. – disse por fim.
- Vamos?
Dei um meneio de cabeça confirmando, eu só queria estar em casa, na minha cama, me afogando o quanto mais rápido em minha dor, mas ao que parecia eu não tinha esse direito. Teria que ter uma vida, mesmo que eu odiasse a minha. Ele deu a volta no carro e entrou, seguido por mim. Acomodei-me no banco e coloquei o cinto de segurança.
Samuel deu a partida e seguimos pela estrada. As arvores passavam rapidamente enquanto minha face observava de forma vazia o ambiente, ate que um aglomerado de luzes iluminava o meio de uma floresta. Samuel não falou nada durante o percurso, parecia perdido em seus próprios pensamentos quando se ouve ao longe um uivo. Automaticamente Samuel olha pela janela na direção em que o som havia vindo, seus olhos ficam semi serrados e olha para a lua cheia no céu turvo.
- Algum problema? – perguntei.
Ele se virou para me olhar, seu rosto tinha um sorriso despreocupado.
- Nenhum. Este ano temos muitos lobos nessa região. – e voltou a olhar para a estrada como se nada tivesse acontecido.
Era algo estranho. Eu havia visto claramente em seus olhos que havia ódio, mas quando me olhou toda a raiva havia sumido. Como se escondesse algo. Não demorou e chegamos à cidade. Ela tinha vários prédios comerciais e casas, as ruas eram asfaltadas e tinham bares e restaurantes, pessoas caminhavam tranquilamente pelas ruas, riam e conversavam. Por alguma razão aquela felicidade me dava enjoo.
Atravessamos o centro da cidade e pegamos o acesso de uma rua de lajotas retangulares. No final da rua havia uma casa de dois andares, com um largo terreno ao seu redor que se confundia com a floresta, estávamos nos limites da cidade, onde os quintais se confundiam com a mata.
Descemos do carro, Samuel caminhou na frente pela estrada de tijolos acinzentados em meio a grama verde e as arvores da frente da casa. O segui e ao entrar na casa, dei uma breve olhada em seu interior. Era grande e bem arejada, havia algumas paredes de vidro. Minha tia sempre foi a favor da sustentabilidade e iluminação natural, a casa por si só era a cara dela.
Samuel me chamou e me mostrou rapidamente a direção da sala e da cozinha. Subimos as escadas que davam acesso ao andar superior, lá havia um escritório, uma biblioteca e quatro quartos. Um deles da minha tia, outro do Samuel e os dois restantes eram de visitas e um deles seria o meu.
Decidi ficar com o ultimo quarto no final do corredor quetinha uma janela que dava para a floresta e poderia ter o sol entrando noquarto toda manhã. Ele era grande, havia um guarda roupa, uma escrivaninha comum notebook e material escolar, uma grande janela de vidro com cortinasbrancas, com um banco com almofadas cinzas além do meu próprio banheiro. Tinhauma prateleira e uma estante embutida com uma teve de LCD. Deixei minha mochilano canto, abri o guarda roupa e ali já estavam algumas roupas minhas, fiz omesmo com a estante e lá estavam alguns objetos e livros meus. Olhei para acama de casal e me deitei nela, olhei para o teto branco então fechei os meusolhos, caindo na imensidão escura da minha mente.
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