Capítulo 14
O seu celular apitou alto enquanto ele empacotava sua mudança. Dave havia fechado o contrato do aluguel do apartamento que tinha gostado após fazer uma visita pessoal e achara o preço adequado, dentro de seu orçamento, principalmente pela mobília ser nova e não alterar no preço. Ele podia bem fazer isso. Não que não gostasse de dividir espaço com Max, mas um homem de sua idade com uma boa estabilidade adquirida em poucos meses em sua nova moradia, merecia aproveitar melhor a sua independência.
— Alô? — ele atendeu, voltando a girar pelo quarto e jogando suas roupas nas malas.
— Finalmente consegui um tempo para falar com você!
Dave sorriu.
— Lucy — ele balbuciou o nome da irmã com ternura.
— Oi, seu chato — a mais nova provocou o irmão do outro lado da linha. — Estou ligando para saber como você está. Afinal de contas, se eu não ligo, você também não me procura.
A vontade de Russell era rir diante o dramalhão de sua irmã caçula.
— Muito trabalho por aqui, querida. E também estou de mudança.
— Vai voltar para o Colorado? — Lucy perguntou animada, mas ao ouvir o suspiro do irmão, ficou quieta. — Ficará em Toronto?
Dave se sentou na beira de sua cama.
— Consegui conquistar um quadro de pacientes bem considerável por aqui e acabei de alugar um apartamento, estou me mudando hoje. Não voltarei ao Colorado tão cedo, Lucy.
— Isso é injusto! Sabe o tamanho da saudade que ando sentindo de você? Por que você é assim, Dave?
— Assim como?
— Desapegado — Lucy reclamou, choramingando. — Vou entrar em recesso do trabalho na próxima semana. Será que eu poderia visitar o meu irmãozinho?
— Mas é claro que sim. Agora estou mais tranquilo por estar me mudando para o meu apartamento. Vou te passar o endereço. Anote aí.
Do outro lado da cidade, precisamente próximo ao lago de Ontário, Marianne estava sentada à sua mesa de trabalho, procurando se concentrar em seus rabiscos, entretanto a sua cabeça estava a mil.
A justificativa era o seu ciclo totalmente irregular que havia dado um oi na manhã de terça feira. Estava choramingando de cólica e sua TPM estava aflorada.
Os papéis à sua frente estavam ou inteiramente brancos, ou com desenhos incompletos, sem qualquer sinal de criatividade e estava entrando em profundo desespero. Nunca havia ficado sem terminar alguma ideia, nem que ela fosse descartada posteriormente por Álvaro. Nunca havia tido um bloqueio criativo e aquilo era aterrorizante.
— Posso saber o motivo de sua agonia? — Álvaro surgiu, após notar o desespero estampado na cara de sua estilista favorita.
Marianne largou o seu lápis em cima do papel e encarou Álvaro com impassividade.
— Em quase quatro anos trabalhando para você e quase dez anos criando os meus desenhos eu nunca, nunca tive um bloqueio criativo tão insistente quanto hoje. Veja — ela apontou para seus papéis —, não está saindo absolutamente nada.
O loiro suspirou e mexeu em seu cachecol, antes de se jogar na poltrona e cruzar suas pernas.
Silenciosamente, Mari lamentou ter esquecido de colocar algo em seu pescoço também, ou até mesmo uma blusa de gola alta. Seus cabelos ficavam oleosos durante seu ciclo e eles estavam presos em um coque despojado, então era impossível disfarçar a vermelhidão predominante naquela sua região do pescoço.
— Fofa, bloqueios acontecem. Não sei porque o motivo de seu desespero, eu já tenho um bom portfólio seu para o verão. Já vou mandar para a costura, obviamente. Há algo mais aí.
Os olhos castanhos dela focaram em Álvaro de uma maneira expressiva, que ele compreendia bem. Era óbvio que havia algo a mais nela que uma simples menstruação para mexer em seus hormônios.
O motivo era um só. Ou dois.
Era Dave Russell.
E também tinha um pouco de William Dash.
Ela abriu a boca para começar, mas fechou em seguida. Engoliu em seco, fechou os seus olhos, e suspirou, antes de voltar a encarar o seu chefe. Ela descruzou as suas pernas e começou a bater os pés no chão, inquieta.
— Na segunda feira eu voltei determinada para a casa.
Álvaro fez um biquinho.
— Determinada como?
— Eu iria procurar o doutor Russell — ela confessou, com um certo resigno. — Mas me faltou disposição. Acordei na manhã seguinte menstruada e irritada, não querendo ver o mundo.
— Você continua irritada — Álvaro apontou.
— Justamente. Eu sofro com cólicas — Marianne se defendeu.
— E pelo visto você está certa de que tem que continuar fugindo do seu terapeuta gostoso?
Marianne passou a mão na testa, consternada, e cruzou as pernas novamente.
— Eu não chamaria de fuga. Chamaria de bom senso. Eu não estou com ânimo o suficiente para procurar o meu terapeuta gostoso e admitir que fugi dele outra vez por insegurança. Se é que eu tenha que admitir alguma coisa. Na verdade, eu não estou preparada para ouvir certas coisas.
— Você está fugindo sim. Está com medo que ele te rejeite. Mulher, isso é terrível.
Uma bile surgiu na garganta da mulher. Ela desviou os olhos de Álvaro e os abaixou em direção aos seus papéis, procurando evitar a vergonha que estava começando a sentir e também direcionou a sua mão esquerda para o seu pescoço.
— Marianne Vielmond, acha que isso é certo? Ser uma mulher poderosa em vários aspectos e ainda temer os homens? Nana nina não, fofa. Você deveria parar com isso.
Marianne voltou a encarar o seu chefe.
— Eu deveria adormecer os meus demônios relacionados ao William. Seria muito mais fácil para mim lidar com isso se não fosse as minhas terríveis recordações.
— Você estava conseguindo, querida. Não era sempre que você ficava para baixo quando se permitia envolver com algum homem. Por que será que Russell te intimida tanto?
O coração de Marianne perdeu uma batida.
— Eu não sei — ela confessou, sincera.
— Ele deve ter sido muito marcante mesmo. É nítido o modo como você fica abalada ao falar dele. Querida, se eu fosse você, o procurava. Nem que seja para mandá-lo à merda se for necessário. Mas agora, vamos pensar na nossa viagem à Miami. Estou animadíssimo para a semana da moda.
Marianne finalmente sorriu e pôde se distrair novamente.
Enquanto a sua cabeça e seu coração insistia em pensar em Dave, ela procurava se distrair com a sua viagem. Estava animada com o convite que Álvaro lhe fizera na manhã de terça feira. Por mais que fosse estilista favorita do empresário, quase nunca embarcava nas semanas de moda que o homem participava, visto que a equipe do Gallego quase nunca dava suas caras ao público, muito embora Álvaro sempre fizesse questão de salientar os nomes de seus colaboradores ao lançar suas coleções.
Marianne fora convidada para acompanhar o patrão justamente para distrair um pouco a sua cabeça. Álvaro a conhecia tão bem, que sabia que a sua melhor estilista e amiga merecia alguns dias de descanso.
Como o inverno estava dando espaço para a primavera, o clima em Miami já era agradável e o melhor palco para desfiles de moda temática. Os eventos eram sempre esperados pelos profissionais da área durante todos os anos, e realmente tinha um clima agradabilíssimo, uma verdadeira obra de arte. A semana da moda de Miami começava sempre no dia vinte de março de todos os anos e finalizava no dia vinte e sete do mesmo mês. Eram sempre os melhores dias dos estilistas, eles adoravam.
Marianne só participava de eventos semelhantes quando aconteciam esporadicamente em Toronto, não mais além disso. Sempre tivera um sonho de poder conhecer outros lugares e participar de eventos maiores, mas nunca tivera oportunidade. Não que Álvaro proibisse, ou algo parecido, ela só não tinha tempo ou sorte.
Suas malas estavam prontas. Iria embarcar com o seu chefe na manhã seguinte e ambos faziam planos e mais planos. Álvaro prometera desfiles, drinks e praia para Marianne e ela suspirou aliviada por compreender que, ao menos no início da próxima semana, já estaria com o seu ciclo encerrado. Por mais que usasse absorvente interno, não iria arriscar-se entrar no mar ainda no domingo. Não estava preparada para passar mais vergonha.
Ela colocou seus últimos itens na mala e anotou mentalmente de comprar um biquíni novo por lá. Depois de tudo pronto, ela pegou o seu celular e mandou uma selfie para as amigas, animadíssima com a sua viagem. As duas responderam prontamente com emojis de aplausos e figurinhas animadas, enquanto Marianne sorria alegremente movimentando seus dedos para respondê-las de volta.
Depois de sair da conversa, conferiu a sua lista de contatos. Havia desbloqueado o doutor Russell ainda na noite de segunda feira, mas não tinha tido coragem para ligar ou solicitar alguma conversa madura entre eles.
Seu polegar dançou em cima do contato, a foto do terapeuta aparecendo outra vez para si e a sinalização demonstrando-lhe que ele estava online.
Eu deveria deixar de covardia e tentar.
Ensaiou um pouco mais e começou a digitar algumas palavras, apagando-as em seguida. Estava determinada mas coragem era algo que lhe faltava. Não queria parecer ridícula, embora estivesse se comportando como uma.
Poderíamos marcar uma consulta extra? — ela digitou outra vez e apertou o botão enviar, para posteriormente apagar a conversa e fingir que não havia feito absolutamente nada.
Seu coração crepitava e seu pescoço ardia.
Não, Marianne, não deveria ter feito isso!
Ela suspirou resignada e desligou o celular, determinada a ligá-lo somente no dia seguinte, enquanto estivesse finalmente no calor confortante de Miami.
Segurando a sua taça de vinho e observando a irmã caçula girar pela sua nova cozinha, Dave ouviu o seu celular vibrar com a notificação de mensagem recebida.
Lucy cantarolava Type O Negative melancolicamente, fazendo irmão mais velho sorrir e não percebera que o rapaz desviou a atenção de si.
Ele quase engasgou quando leu a mensagem deixada por Marianne pelo aplicativo. Estava convicto de que a mulher não queria mais vê-lo, após rejeitar todas as suas ligações e não ter comparecido à sua sessão na tarde da última segunda.
— Problemas pessoais? — a loirinha saltitante repousou os cotovelos no balcão de mármore escuro, enquanto a panela borbulhava ao seu lado.
— Não vou expor as minhas mensagens para você, engenheira atrevida.
— Tem razão, você não deveria — Lucy fechou a cara, voltando a cantarolar a música que rolava no ambiente.
— Ainda curte essas paradas? — Dave começou a zombar a irmã.
Ela levantou uma sobrancelha, antes de bebericar o vinho.
— Type O Negative não é parada, Dave Russell. É uma banda muito, muito boa.
Ele riu.
— Lembro perfeitamente de sua fase adolescente, Lucy Russell. Você tinha consigo o espírito de caçula da família, era o xodó dos nossos pais e muito agarrada a mim e, de repente, começou a ouvir Type O Negative e usar roupas pretas e maquiagens escuras, deixando os nossos pais enlouquecidos.
— Eu nunca tive paciência para comportar-me como uma menininha — ela retrucou, tomando o seu vinho.
— Tem razão. Eu gosto do seu estilo. Gosto do fato de você ser a ovelha negra da família, pelo menos a responsabilidade de aparentar atitudes irresponsáveis não pesou em minhas costas — Dave provocou.
Lucy semicerrou os olhos e meneou a cabeça, voltando a sua atenção à panela que cozinhava a sua receita de frango favorita, também a sua especialidade.
— Eu nunca fui irresponsável, querido irmãozinho. Eu sempre fui uma garota de atitudes, ao contrário de você que despertou interesses por Freud e esta palhaçada toda de psicologia.
Dave foi quem fechou a cara desta vez, retirando seus óculos de grau e largando-os em cima do balcão escuro, além de aspirar o cheiro agradável de casa nova.
— Psicologia não é palhaçada, querida irmã. Estou certo de que você não gostaria de me ouvir desprezar a sua profissão.
— De jeito algum. A engenharia é muito linda, deveria apreciá-la. Assim como as minhas músicas — ela respondera, mexendo o seu frango no molho borbulhante e branco.
— Estou certo que sim, minha cara irmã. Gosto de saber que você admite a sua identidade sem problema algum. E o seu namoro?
Lucy suspirou resignada, não dando a mínima para o irmão mais velho.
As coisas não pareciam estar bem para nenhum deles. Dave estava empolgado com o fato de ter se mudado mas ainda se via um tanto chateado pelas coisas com Marianne terem desandado. Não entendia o porquê sentia-se desta maneira, só queria e pensava em ter mais uma chance para falar com a mulher que não saia de seus pensamentos.
E Lucy, bem, Lucy mentiu para o irmão mais velho no dia que telefonou. Ela já estava de férias do trabalho quando telefonou para Russell após uma briga daquelas com a sua companheira. Haviam rompido naquela semana e estava péssima. Mas nada melhor que uma conversa sincera com seu amado irmão psicólogo para se sentir bem melhor. Naquela noite de sexta feira, Lucy nem estava se lembrando que estava de coração partido. Já havia bebido vinho além da conta e cozinhar era basicamente uma terapia.
— Ainda não liguei para ela. E nem vou. Tinna que lute para correr atrás.
Dave gargalhou.
— Você é muito rancorosa, minha querida — ele bebericou uma golada de vinho.
— E você? — Lucy revidou, desligando o fogo. — Ainda solteiro?
Dave encarou a irmã um tanto impassivo. Abaixou a taça em cima do balcão enquanto a loira saltitava pela cozinha, abrindo os armários para descobrir onde diabos Dave havia guardado os pratos e talheres.
— Já entendi. Pelo seu silêncio.
Dave soltou um resmungo curto.
— Não estou mais de luto, Lucy.
— Ah, menos mal — Lucy suspirou, depositando os pratos de porcelana retangulares na cor preta para servi-los.
Dave entendia perfeitamente a mágoa que Lucy guardava consigo em relação à Samara. As duas nunca se deram bem e Lucy tinha um grande motivo para detestar o modo como seu irmão mais velho sentia-se culpado pela morte de sua noiva.
— Eu a amava, Lucy — ele advertiu, aceitando o seu prato de comida.
— Mas ela não, Dave.
Dave largou o garfo na borda do prato.
— Não arruíne o nosso jantar, Lucy, por favor — ele censurou a irmã. — Samara não está mais aqui entre nós para ser julgada.
Ela assentiu, se segurando para não revirar os olhos.
— Claro, não está. Desculpe ter tocado no assunto — ela pediu educadamente e o mais velho concordou.
— Claro. Desculpas aceitas. Vamos comer, o cheiro disto aqui está uma delícia.
Lucy sorriu animada e ficou feliz por o irmão ter gostado de seu prato.
Em silêncio, ela refletia sobre como iria conseguir manter a sua boca fechada. Lucy era a ovelha negra da família e Russell não sabia dos podres que a irmã tinha conhecimento envolvendo o seu nome. Tinha a ver com Samara e seus pais, exceto Max. Lucy sabia de coisas que Dave não fazia ideia, e ficava irritada quase sempre por vivenciar a culpa que o seu irmão carregava pela morte da ex.
Mas iria segurar a sua boca.
Seu irmão aparentava estar bem e pelo visto estava avoado. Ele parecia ter superado o pior daquele trauma todo.
A última vez que Lucy vira o irmão mais velho, tinha ficado apavorada com estado dele. Foi quando havia se completado um mês da morte de Samara, e Dave nunca fora de ficar abatido com alguma coisa. Ela se lembrava de sua fisionomia deprimida, dos olhos azuis sem aquele brilho que ela tanto adorava, de como o mais velho estava se entregando à dor da perda, à dor do luto.
E Lucy ficara irritadíssima pelo fato de o irmão carregar uma culpa que não tinha.
Samara era insuportável! E Lucy sabia muito bem disso.
Não foi nada bom ver o irmão pegar suas coisas e se mandar para Toronto, fugindo da pressão que estava sofrendo dos Norris, e passar basicamente mais de um ano sem vê-lo, entretanto, assim que batera os olhos nele na noite de quarta feira, se espantou ao notar que o brilho dele havia voltado. E parecia estar mais intenso que antes.
Dave parecia estar...
— Conte-me mais sobre a sua nova vida em Toronto? — Lucy pediu, animada, se acabando na sobremesa. Ela tinha ponto fraco para doces.
— Como pôde ver, consegui me estabilizar em um curto período de tempo — ele respondeu, feliz e satisfeito consigo mesmo. — Consegui atrair uma quantidade boa de pacientes e gosto da ideia de ressocialização.
Lucy sorriu, fazendo Dave reparar em seu piercing no freio.
— E gosta da ideia de conhecer novas pessoas?
Dave encarou a irmã e logo se lembrou que precisava responder Marianne, que havia enviado-lhe uma mensagem mais cedo.
Ficou pensativo, refletindo se deveria contar para Lucy sobre ela e seu coração errara as batidas outra vez.
O que será que está havendo?
Dave não era hipócrita e não negava absolutamente nada à sua volta. Sabia perfeitamente que sentia falta de Marianne, o seu corpo sentia a sua ausência e ele estava para além de afetado.
Ele a queria.
Merda, ele a queria para caralho!
Nem mesmo a rejeição que recebera dela desde sábado havia ocultado o seu desejo pela bela mulher.
— Desde que cheguei aqui, não fico sem mulher, Lu.
Lucy deu pulinhos de alegria.
— Ahá! Que garoto esperto.
Dave deu de ombros, bebericando seu expresso, afinal de contas, dispensava doces por simplesmente não ter um paladar simpatizante com sobremesas.
— O ser humano é fadado de necessidades, garota, e os nossos instintos.
— Entendo perfeitamente — Lucy sorriu, maliciosa.
— Mas eu estava levando uma vida de boêmio, algo que nunca fui.
— Hum, sexo sem compromisso.
— Justamente. Afinal de contas, um homem precisa... hum, saciar os seus desejos.
Lucy sorrira travessa.
— Excelente! — ela bateu palmas. — Uma ótima maneira de recomeçar a sua vida.
Russell tamborilou os dedos em seu mármore escuro.
— Sexo por fazer não é algo justo de ser categorizado como tocar em frente. É óbvio que me deitei com mulheres lindas, mas aquilo durava poucas horas.
A loira revirou os olhos.
— Mas ao menos você deixava de pensar em Samara?
Dave levantou uma sobrancelha.
— Não entendi a sua pergunta, Lucy, mas o fato de eu ter conseguido superar não oculta o que eu tinha por ela — Dave reafirmou, e reconsiderou os seus sentimentos, mesmo que eles tenham sido adormecidos. — Ainda sinto um carinho pela Samara, mas não penso mais nela.
Lucy tentara disfarçar um sorriso.
— Sério?
Ele sorriu torto e lá estava o brilho em seus olhos, que a mais nova havia notado. Lucy prestara bastante atenção antes de comentar.
— Sim — o psicólogo murmurou, dando mais uma golada em seu café.
— Você está afim de alguém — a engenheira afirmou, convicta. — Quem é ela?
Dave suspirou e meneou a cabeça.
— Lucy, não. Por favor — ele semicerrou os olhos.
Dave Russell estava totalmente afim de Marianne Vielmond e, caramba, estava difícil controlar os seus desejos. Ele precisava ir atrás dela o mais rápido possível.
— Está tão intenso assim?
— Foi diferente. De tudo — ele admitiu, outra vez. — Conheci ela na boate e as coisas sucederam fora do controle.
— Como assim?
Dave depositou a sua xícara vazia sob o pires.
— Ela é minha paciente, ou era.
Lucy o fitou, com os olhos arregalados.
— Uau! É por isso que está tão tenso?
— Não entendi bem sobre a sua definição de tensão em relação a mim, mas confesso que ando confuso. Marianne é... muito especial. Não posso agir como um idiota visando só o meu bem estar. Na verdade, eu amanheci assim após dormirmos juntos, e ela simplesmente fugiu de mim.
Lucy cruzou os braços.
— Se você mencionou sobre essas baboseiras de diploma e tentou definir a sua noite como um erro, é bem plausível a fuga dela. Você comeu uma paciente sua, tem ideia do quão perturbada a garota deve ser?
Dave ficou vermelho.
— Cuidado — ele censurou a irmã outra vez. — Eu agi com irresponsabilidade, e não foi pouco. Comecei errando não por ter cedido aos meus desejos, mas pelo modo como eu a tratei.
— Você a quer?
— Muito! — Dave admitiu, sentindo um arrepio atingir bem no meio de suas bolas.
— Então assuma as consequências e vá em frente, conquiste-a. Que se dane diploma, volto a repetir. Pare de atendê-la em seu consultório e passe a atendê-la em sua cama — Lucy piscou os olhos, fazendo o irmão mais velho gargalhar.
— Desde quando você se tornou atrevida?
Ela levantou as mãos em defesa.
— Se liga, eu já não tenho mais dez anos.
— Para mim é como se tivesse — o irmão mais velho provocou a jovem mulher de vinte e sete anos.
— Vá se ferrar e me ajude lavar esta louça — ela rosnou, gesticulando para a pia cheia.
Dave riu e se levantou do banco, dando a volta pelo balcão e aproximando-se de sua irmã, esquecendo-se brevemente que tinha uma mensagem de seu extremo interesse para responder.
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