11. O Submundo; Acordos
O Palácio de Ryujin estava um completo caos.
Há algumas horas todos os receptores do Submundo haviam quase explodido de energia demoníaca, o palácio havia entrando em um frenesi de seres voando para todos os lados, levando pilhas de informações em seus braços nos corredores. Ryujin analisava os documentos postos em sua mesa, cada um contando o estado de um receptor do Submundo. Tudo apontava para a evidência que um demônio de Primeira Classe havia surgido no Reino Infernal.
Atualmente existem somente dois demônios de Primeira Classe; Bang Chan e Jisu, e ambos causaram uma grande devastação, ele no Reino Celestial e ela no Mundo Humano. Se mais um estava surgindo agora, era um grande problema para ser lidado.
— Senhorita Ryujin! — Um serafim entrou apressado na sala da Shin, ela levantou sua cabeça e fitou o anjo nervoso — Foi notado que a Lua Sangrenta apresenta mais atividade do que antes, a energia dela parece estar restaurada.
Os olhos da Shin se arregalaram de surpresa. Um novo arcanjo entrou na sala despreocupadamente, ouvindo a informação do serafim.
— Ryujin, espero que não seja um grande incômodo no momento, mas Sakura pediu para que você a ajudasse a separar alguns subordinados para descer ao Submundo — Changbin disse, parando ao lado do serafim. — Mas parece que esse não é um bom momento...
— Changbin, sinto muito, mas realmente estamos bastante ocupados, mas a informação é importante e precisa ser levada a Jeongin.
— E qual é a informação?
— A Lua do Submundo está reagindo novamente.
✴
A espada comum manchada de sangue trazia um aspecto assustador, uma aura de horror àquele ser que deveria ser alvo de adoração e admiração. O olhar em seus olhos eram impiedosos, sem emoção. O humano aos seus pés respirava com dificuldade, engasgando com seu próprio sangue que subia em sua garganta, seus lábios, queixo e pescoço imundos de sangue e terra. O anjo não parecia se importar com todo aquele cenário sangrento, os corpos jaziam ao seu redor, fazendo o local parecer assustador, um verdadeiro pesadelo. O humano, o único ainda com um resquício de vida, observava os cadáveres dos mais novos, rostos sorridentes e, na maioria das vezes, gentis e amigáveis, agora sem expressões. Seu olho direito estava uma bagunça.
— O que você fez?! — Uma voz perguntou atrás do anjo, este que se virou lentamente, dois anjos observavam a cena espantados.
— Eu vim testar.
— Testar? Jeongin... O que você vai se tornar se continuar assim?
— Vocês dois disseram que me protegeriam.
— O que quer que a gente faça nessa situação?
— Que mantenham sua promessa. Ele me garantiu que eu poderia usar esse momento para suprimir meus desejos, e esse era o meu desejo. — A espada sangrenta foi derrubada no chão como se fosse uma simples tralha, o Querubim continuava sem expressão alguma, frio. — Eu deveria me sentir culpado? Ninguém nesse mundo se importava com eles, muitos os odiavam e os queriam mortos de qualquer maneira, a linha de vida deles também não seria longa. Por que me preocupar?
— Você é o favorito do Céu, não lembra? Como pôde fazer algo assim?
— Eu continuarei sendo, isso não é difícil de encobrir.
A outra serafim, quieta até o momento se manifestou:
— Realmente vai? O Querubim Líder não vai continuar o adorando quando descobrir isso.
— Tanto faz, vocês são somente serafins, o que sabem sobre os querubins? — Jeongin disse, saindo do quarto sozinho.
A serafim saiu do quarto por último, podendo presenciar o último suspiro do único humano que ainda tentava se agarrar à sua vida. Ela saiu logo depois, sentindo algo pesar sobre si.
— Ele não será punido? — A serafim perguntou, colérica, dentro do palácio do Querubim Líder. — Sabe a gravidade do crime que ele cometeu?
— Aquela família já tinha a linha de vida curta, eles morreriam ainda neste mês, caçados por humanos, mortos em praça pública, os ceifadores já estavam preparados para buscá-los.
— Ainda assim, foi um crime! Ele mais do que qualquer outra alma deve ser pura!
— Kazuha, já chega! — O Querubim Líder ordenou autoritário. — Está se opondo à minha decisão? Acha que está mais certa do que eu?
— Não é isso, Senhor, eu só estou tentando entender...
— Jeongin está se preparando para a Sucessão há séculos, você ainda é nova aqui se for comparada à ele. Alguns querubins podem sofrer alguns desvios durante sua preparação, só aconteceu do descontrole dele ser maior. Mantenha isso em sigilo. Você foi escolhida para ser a protetora dele, então, em parte, a culpa também recai em você. Entendeu?
— Entendi... Senhor.
A Sucessão aconteceu assim como o previsto e Jeongin se tornou o Querubim Líder, para todos ele era o ser imaculado de desejos humanos, justo e escolhido para estabelecer limites entre os Mundos. Kazuha foi mantida sempre por perto, ela e Sakura eram considerados os braços direito e esquerdo de Jeongin, sempre próximas, prontas para acatar qualquer ordem.
No entanto, mesmo depois de várias décadas que se passaram, Jeongin não se sentia confortável com a Nakamura por perto e, depois de um grave acidente com um recém-criado Primeira Classe, Bang Chan, o Yang pareceu ainda mais impaciente com o passar do tempo. Esse demônio se envolveu na Primeira Guerra Celestial e criou um forte domínio no Submundo, rapidamente ocupando uma posição tão importante quanto à de Choi Jisu, a causadora da Primeira Guerra Celestial.
Com seu domínio bem-estabelecido, conseguindo seguidores, Bang Chan chamou a atenção de todos. Mas a missão só foi dada à Kazuha após uma das Querubins do Reino Celestial, tentada pela curiosidade, desceu ao Mundo Humano e foi levada para o Submundo por Kim Chaewon. A ideia inicial parecia justa, parecia o certo, eles só queriam trazer a pequena Querubim de volta ao Céu e destruir o domínio do Bang antes que suas raízes ficassem mais profundas e resistentes. A Nakamura iria sozinha inicialmente para não chamar atenção desnecessária e conseguir informações, mas logo depois seria mandado um grupo para ajudá-la na missão.
Mas, como todos conheciam bem a história, tudo havia saído dos conformes.
Kazuha, durante seu tempo, conheceu Kim Chaewon antes mesmo de conseguir entrar no Submundo. Assim que elas se viram pela primeira vez, já sabiam exatamente quem elas eram, um demônio e um anjo.
Chaewon gostava do Mundo Humano, passava muito do seu tempo lá, acompanhando a vida lenta que os humanos viviam, observava suas rotinas simples, mas muitas vezes desgastantes, muitas vezes fingindo ser como eles. Para ela, nada no Submundo era tão belo quanto eram as paisagens no Mundo Humano. Ela sabia o quão podres os humanos podiam ser, ela havia presenciado em vida, no entanto, isso não tirava a admiração que ela tinha daqueles seres, principalmente as crianças, novas demais para saberem como aquele mundo aparentemente belo poderia ser cruel e o quanto a vida pós-morte era tão cruel quanto.
A Nakamura apreciou essa visão que a Kim tinha e acabou por compartilhar dos seus mesmos pensamentos. Mesmo sem as ordens que ela havia recebido, ela acreditava que ainda iria se aproximar da Kim, ela era como um verdadeiro imã, era impossível não ser cativado e facilmente atraído até ela. Qualquer ser poderia comprovar isso.
Quando descobriu sua identidade como subordinada de Bang Chan, o coração de Kazuha enfraqueceu, aquele ser que ela tanto adorava viraria sua grande inimiga quando a missão fosse finalizada. Foi por esse motivo que ela adiou sua missão o máximo que conseguiu, sempre inventando desculpas para que o grupo de anjos não fosse mandado ao seu encontro. Ela não suportaria presenciar Chaewon virando suas costas para si, mas também não fazia ideia do que poderia fazer para evitar aquilo.
Sakura, que era fiel à Jeongin, percebeu sua hesitação e desconfiou, criando um novo movimento na missão pelas costas da Nakamura. Um novo grupo foi colocado para investigar Kazuha e descobrir o que ela vinha fazendo pelas costas dos Céus. Kazuha sequer havia conseguido contar à Chaewon toda a verdade, o medo de sua reação a impedia de ser honesta, mas essa hesitação teve um grande preço, o preço de perdê-la para sempre e a decepcionar.
A última visão dolorosa guardada em sua memória como uma cicatriz eterna era as chamas infernais corroendo a alma de Chaewon enquanto um pequeno pedaço dela continuaria para sempre guardada em si, como sua protetora, e os olhos impiedosos e vitoriosos de Sakura.
✴
A sua última memória deixou com que Yunjin retornasse à consciência, sua testa que antes estava contra a testa da Huh finalmente se afastou. A mão que segurava a lâmina e a corda se afrouxaram, perdendo força. Ao sentir-se mais segura, a Nakamura pegou a arma na mão da outra serafim e se afastou, soltando-a.
— Nenhum de nós somos puros, principalmente Jeongin.
— Aquela família que ele assassinou... era...
— Bang Chan.
O tão aclamado e adorado Querubim Líder na verdade era uma alma que já havia se corrompido por desejos humanos e acabou cometendo um crime hediondo em um passado distante.
— Muitos dos anjos da época e que sabiam do crime que ele havia cometido não estão mais presentes no Reino Celestial, alguns foram banidos por causas mesquinhas, outros foram forçados a reencarnar. Eu e Sakura somos as únicas que estão até hoje presentes no mundo. Se quer continuar o seguindo cegamente e acreditando em sua pureza, tudo bem, vá em frente.
— No fim, quem formou um dos maiores perigos do Submundo foi o nosso próprio Querubim Líder.
— Ele o criou e depois tentou se livrar. Jeongin assassinou três pessoas naquele dia, Bang Chan, Kim Chaewon e Lee Felix. Ele só está se livrando de todos que fazem parte do seu passado, não sei se ele deseja algo a mais, só você pode dizer.
Yunjin se manteve em silêncio, pensando no que havia visto. Aquilo não era um pouco parecido com a missão dada para ela e Hyunjin? Dois anjos jogados sozinhos à sua própria sorte naquele lugar, colhendo informações e com o objetivo de enfraquecer a Residência Bahng? Pensando mais calmamente, era a mesma coisa que limpar as provas do seu passado, levando os pequenos lacaios primeiros para deixar o alvo principal desprotegido. Mas, quem em plena consciência teria confiança em enfrentar o próprio General do Rei do Submundo?
— Se não quiser acabar como eu, tem que tomar uma atitude — Kazuha finalizou, apertando a lâmina em sua palma, que se desfez por causa do pouco poder divino.
✴
As celas estavam sendo consertadas rapidamente, a mansão estava em uma agitação descontrolada, todos ainda chocados com o que havia acontecido mais cedo. Seungmin, Han Jisung e Lee Minho foram colocados em uma sala temporária antes de voltarem às suas celas. Recuperados completamente do último episódio que havia acontecido.
— Deveríamos ter colocado uma cláusula do tipo "não pode nos machucar" no nosso trato — Jisung continuava reclamando, ainda se lembrando do desespero dentro das celas quando tudo havia começado a derreter.
— Mas não é interessante? — Seungmin perguntou — Sabe, se ele realmente for nosso novo Mestre, quer dizer que um dia ele vai estar devendo algo a nós. Podemos pedir qualquer coisa em troca da nossa parte do trato.
— Seungmin está certo, é exatamente isso que eu pensei mais cedo. Ele não só é nosso novo Mestre como tem acesso direto ao Reino Celeste, é muito interessante. — Minho concordou.
— Mas vocês já têm eu! Eu também posso ter acesso — Jisung disse emburrado, sentindo-se ofendido.
— Não fique emburrado como se fosse uma criança! São só planos — Seungmin repreendeu, mas ainda assim puxou o Han para mais perto de si no sofá, deixando ele deitado em cima de si, Jisung não se opôs.
— Só precisamos manter o trato e ficar ao lado daquele Arcanjo agora — Minho disse, largando o livro que tinha pegado no escritório da mansão em cima da mesa.
Bang Chan entrou no escritório com um sorriso receptivo, o Lee não lhe devolveu o cumprimento, sentando-se no mesmo sofá em que os outros dois estavam, deixando o Kim pousar sua cabeça em sua perna. Bang Chan não se importou com os três largados no local.
— Minho, é muito bom vê-lo, me desculpe por não dar a devida atenção a vocês antes. Também é um prazer revê-lo, Jisung. — Bang Chan se sentou em uma poltrona despreocupadamente. — E você, Seungmin, espero que não tenha arranjado mais nenhum problema nos últimos dias.
— Ser ameaçado no meio do mercado com um pedaço de osso conta como problema? — Seungmin perguntou sarcasticamente.
— Essa foi uma consequência do seu problema anterior. Mas nesse ponto eu sou quem precisa se desculpar, me desculpe por precisar envolvê-los.
— Tudo bem, só nos dê aquela boate duas vezes maior que você nos prometeu no nosso acordo — Jisung respondeu, com um sorriso falso em seu rosto. — Sabe como é, para nós é um sacrifício ficarmos separados, e ainda precisamos lutar, foi muito cansativo. E também perdemos nosso lugarzinho, não é muito legal ficar só por aqui.
— Não se preocupem, irei cumprir com minha promessa.
— Aquele Arcanjo com o Colar da Lua, já conversou com ele sobre aquilo? — Minho perguntou, curioso.
Todos tinham curiosidade em saber se seu novo Mestre aceitaria o seu posto, se ele estaria disposto em guiá-los.
— Ele ainda está pensando. Percebi que ele está amarrado a um pacto com você.
— Foi um feliz imprevisto, eu diria que uma oportunidade literalmente mandada pelo Céu. — Dessa vez, Minho sorriu provocativo, ele brincava distraidamente com os fios ruivos do Kim enquanto conversava com o Bang. — E você não acha um pouco estranho o fato de Felix conseguir acalmar Hyunjin tão rápido? Será que ele também carrega o seu mesmo infortúnio?
— Eu não chamaria de infortúnio, você é novo demais para saber do que está falando.
— Talvez eu realmente seja. Mas é bom pensar um pouco, não quer acabar perdendo seu braço direito, não é?
Os olhos de Bang Chan o encararam com antipatia, um brilho maligno em suas orbes vermelhas foi visível por alguns instantes antes de ele rapidamente se recompor.
— Nenhum dos meus filhos morrerão novamente, Lee Minho.
— Esse é o espírito, Grandão! Sabe, estávamos pensando se não seria melhor ficar por aqui durante um tempinho. Sabe como é, os anjos estão de olho em nós no momento e parece que você pode precisar de um pouco de apoio aqui.
— Pode ser bem direto comigo, Minho. Você só quer ficar por interesse.
— Exatamente! E também tenho um trato a cumprir. Podemos ficar por aqui mesmo, na sua mansão? — Minho sorriu, mostrando que não aceitaria um "não" — É uma parcela do pagamento, nós combinamos antes em ajudá-lo a levar os anjos até a nossa casa noturna, mas não estava no trato que teríamos que lidar com tantos problemas.
— Exato, eu quase fui dissipado! — Seungmin comentou, recebendo uma confirmação exagerada do Han.
— Não importa quantos anos passem, continua tão convencido, Minho...
— Digamos que é um dos charmes dele — Jisung respondeu, recebendo um carinho em seu queixo dado pelo Lee.
— Apesar de todos os problemas que esse cachorrinho de vocês causa, eu até gosto de vocês. Irei arranjar um local definitivo, mas não terão permissão para sair da mansão por enquanto.
— Está ótimo. Acredito que as coisas ficarão divertidas a partir de agora — Minho se levantou, apertando a mão do Bang, também em pé.
— Não imagina o quanto — riu, amigavelmente.
✴
Pequeno aviso: Nos dias 29 e 6 não haverá atualizações de nenhuma das minhas histórias!!! Essa semana começará as revisões para as minhas avaliações do bimestre e na próxima semana são as provas, por isso irei tirar essas duas semanas para colocar foco nos meus estudos.
Jeongin e seu passado podre (só piora).
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