07. O Submundo; A Mansão Bahng

— Por que você nos trouxe aqui? — Kazuha questionou o Han em um tom desesperado, o portal havia se fechado automaticamente no momento em que passaram. — Nos tire daqui!

— Eu não sei o que aconteceu! — Jisung respondeu. — Eu queria nos levar para minha casa!

— Que lugar é esse? — Yunjin perguntou, confusa.

— Com certeza o último destino na lista de qualquer um que quer conhecer o Submundo, é a Mansão dos Bahng. — Seungmin respondeu. — Jisung, tire a gente daqui logo!

— Eu não consigo! Eu-

— Está sendo bloqueado! Não poderia ser diferente, meu pai os convidou. — Uma nova voz se fez presente no ambiente, atrás do grupo. Todos se viraram rapidamente, vendo dois seres com uma forte aura imponente. Felix sorriu para o grupo e continuou: — Sejam bem-vindos! É ótimo vê-lo novamente, Arcanjo!

A garota ao lado de Felix parecia muito jovem, seus traços eram juvenis, o cabelo preto longo estava solto, a franja a fazia parecer um pouco mais ingênua e fofa. Sua expressão parecia ser do tipo que sempre carregava um sorriso brilhante, mas naquele momento estava extremamente séria, avaliando cada rosto do grupo, se demorando em Kazuha por alguns instantes, e franziu a testa. Mas nada disse.

— Por que nos trouxe aqui? — Minho perguntou, ficando na frente dos outros dois demônios, como se fosse protegê-los de qualquer confronto. — Nós os ajudamos da última vez.

— Sim, ajudaram bastante, preciso agradecê-los devidamente em algum outro momento. No entanto, infelizmente vocês estão envolvidos mais uma vez, e você tem um potencial para atrapalhar agora.

Felix se aproximou do grupo, andando na direção de Hyunjin, que havia permanecido em silêncio por todo aquele tempo.

— No nosso último encontro disse que não tinha interesse no Submundo. É no mínimo engraçado vê-lo aqui tão rápido.

— Eu realmente não tinha planos de vir — resmungou, se sentindo incomodado com sua aproximação.

— Mas já que veio, vamos entrar! — Não parecia um convite, era mais como uma ordem. — E não tentem fugir, seja pelas portas ou por portais, sem nossa permissão, nada irá funcionar.

A garota caminhou até as portas da mansão, o Lee continuou os observando, esperando que entrassem livremente, sem ser preciso usar força. O trio de demônios seguiu os passos da garota rapidamente, sem esperar que o pedido fosse mais agressivo, os dois demônios de classe menor pareciam nervosos, enquanto Minho continuou andando imponentemente na frente dos dois.

— Nakamura, não se sinta acanhada, não é como se nunca tivesse entrado aqui antes — Felix disse, com um sorriso em seu rosto, como se falasse com uma grande amiga. — Chaewon amava sua presença na nossa mansão antes.

Kazuha pareceu tremer ao ouvir o nome da Kim, apertou seus punhos e começou a andar na direção da mansão, Yunjin a seguiu de perto, assim como deveria. Hyunjin foi o único que permaneceu fora, hesitando em entrar.

— Vamos lá, sua missão não é me levar também? Você precisaria vir aqui em algum momento — o Lee brincou, usando seu dedo indicador para tocar o queixo do Arcanjo, levantando seu rosto. — Vamos entrar e conversar um pouco, não é exatamente vocês que queremos.

— O que vocês querem então?

— É um assunto de séculos, logo, você não está exatamente envolvido. Não ainda. — Os olhos de Felix se fixaram no bolso em que o anjo guardava o amuleto de Jisu, parecendo perceber a presença dele lá e ficando um tanto surpreso. — E parece que vocês também têm um assunto interessante para tratar aqui, além de me capturar.

Hyunjin não o respondeu, escolheu se afastar e entrar na mansão. O Lee fez um som zombeteiro atrás de si e o seguiu. O Hwang quase conseguia imaginar perfeitamente os olhos do demônio brilhando naquele rubro intenso, mas não se virou para ter certeza.

Ele será a minha salvação? Que ridículo! Um Arcanjo ter que depender de um demônio é humilhante! Hyunjin pensou, lembrando nas palavras do Terceiro Olho. No entanto, assim que terminou, tocou o amuleto em seu bolso e franziu a testa. Realmente era ridículo a ideia de precisar da ajuda de um demônio no futuro, mas ele não podia esquecer também o que aquela sacerdotisa disse. Se ele realmente tivesse a “energia da guerra”, talvez não devesse se considerar um ser divino tão puro assim.

— É no mínimo intrigante vê-la novamente depois de tudo que aconteceu, Nakamura — uma voz desconhecida foi ouvida em um dos cômodos da mansão.

Felix passou na frente do Hwang e abriu uma das portas, fazendo um sinal com a cabeça para que Hyunjin entrasse. Hyunjin ultrapassou o limiar baixo da porta e entrou no cômodo, vendo todos reunidos em uma sala que parecia uma espécie de um grande salão para refeições. Todos estavam sentados ao redor de uma mesa de madeira escura, na ponta estava um homem de cabelo escuro penteado para trás, seu rosto pálido contrastava com seus fios pretos, em seu olho direito havia uma cicatriz vertical bem aparente e longa. O demônio maior sorriu ao ver o Lee e apontou para a cadeira vazia ao seu lado, em frente à garota de antes.

— Que bom que chegou, meu filho, sente-se conosco!

Felix tocou o ombro do Hwang e apontou para uma das cadeiras vazias, o convidando a se sentar também. Hyunjin se sentou ao lado de Seungmin e em frente de Yunjin. O demônio Lee se sentou ao lado de Bang Chan sem dizer uma única palavra.

— Seungmin, você havia desaparecido desde o incidente com Nicholas, foi surpreendente saber que estava no mundo humano por tanto tempo sem ser pego pelos anjos mais cedo — Bang Chan continuou, animado. — Creio que Minho e Jisung tenham o ajudado.

— Acontece que sou muito bom em me esconder… — Seungmin respondeu, rindo sem graça.

— Claro que é bom em se esconder, você é como um inseto — Felix resmungou, zombando do Kim, que não pode se defender por medo de ofender Bang Chan.

Se Seungmin ainda estivesse vivo naquele momento, seu rosto estaria da mesma cor do seu cabelo, vermelho de pura raiva e vergonha.

— Não seja tão rude, Felix — Minho repreendeu. — Nós três não estamos envolvidos em seus assuntos, logo, não tem o porquê nos ofender dessa maneira.

Sendo Felix e Minho da mesma classe, pouco importava se ambos se tratassem de forma desrespeitosa, eles tinham o mesmo nível de qualquer maneira e era assim que funcionava a hierarquia do Submundo. Felix levantou uma de suas sobrancelhas com a fala do outro demônio e respondeu com um falso tom amigável:

— Oras, você já teve um gosto melhor, Minho. Não achei que você e Han se envolveriam com alguém tão baixo e inútil quanto ele.

— Por favor, só queremos saber o motivo de ter nos convidado para sua mansão, Bang Chan — Hyunjin perguntou, tomando frente da situação, já que Yunjin não parecia querer interferir muito no desentendimento dos dois demônios.

Minho e Felix se calaram quando Bang Chan deu atenção para o Arcanjo loiro próximo a outra extremidade da mesa.

— Não iremos fazer mal algum à vocês, portanto que não nos atrapalhem. Mas terão que permanecer aqui por algum tempo, até conseguirmos o que queremos.

— E o quê vocês querem exatamente?

Os dois seres sentados ao lado do Bang pareceram ficar com uma expressão ainda mais sombria. A garota disse com a voz amarga:

— Matar cada um que incinerou a alma de Chaewon!

Kazuha levantou sua cabeça rapidamente, olhando para a garota ao lado de Bang Chan, não parecia surpresa, mas sim que queria dizer algo. Seus olhos pareciam brilhar de uma maneira estranha.

— Nakamura, é ótimo que você esteja aqui, também temos assuntos pendentes com você — Felix enunciou.

— Nós também temos assuntos com Nakamura — Yunjin argumentou rapidamente, fazendo o Lee inclinar sua cabeça para o lado, com confusão.

— Não a querem morta também? Todos temos o mesmo objetivo com ela de qualquer forma.

Yunjin se calou, percebendo que realmente não faria diferença alguma se ela fosse eliminada por ela e Hyunjin ou por aqueles demônios, sua missão estaria feita e pouparia sua própria energia, que já estava escassa.

— Espere! — Kazuha pediu, encarando o Bang. — Sei que me quer morta de qualquer jeito, mas, posso antes de tudo falar pessoalmente com você?

Felix e Eunchae deram uma risada sarcástica, zombando da Serafim exilada, enquanto Bang Chan a encarava seriamente.

— E por que eu aceitaria falar com você pessoalmente? — Bang Chan perguntou, a incentivando a continuar.

Kazuha ergueu seu pulso direito e o colocou em cima da mesa, mostrando uma estranha marca horizontal, parecia uma queimadura em forma de dois raios ao redor de seu pulso.

— É a marca que Chaewon te deu — Eunchae expôs, ainda não entendendo o que Kazuha queria mostrar.

— Isso quer dizer que Chaewon me protege, mesmo depois de ter perdido boa parte dos meus poderes divinos. — Nakamura expressou. — Pode testá-lo pessoalmente, Bang Chan. Estou disposta a qualquer coisa para deixar que eu me vingue dela também.

Bang Chan se levantou sem dizer nada e andou até uma das portas do fundo.

— Faça essa Serafim ao seu lado retirar a corrente e siga-me. Felix, você já sabe o que fazer com o restante dos convidados por enquanto.

Kazuha se levantou também, sob o pedido de Bang Chan, Yunjin acabou retirando a restrição de Kazuha, a deixando ir atrás do Bang para os fundos. Felix e Eunchae se levantaram com satisfação.

— Vamos levá-los aos seus aposentos, onde ficarão por enquanto — Felix avisou, com um sorriso gentil em seus lábios. — O espaço vai ser pequeno, mas espero que não se incomodem.

O grupo foi largado no porão da enorme mansão, dentro de celas pequenas e escuras, cada um separado por grossas barras de ferro revestido por um material estranho demoníaco que parecia ser resistente o suficiente para que não conseguissem quebrar.

Seus filhos da puta sem coração! — Seungmin gritou, batendo nas grades da porta que fechava a sua cela, Eunchae e Felix já estavam muito longes naquele momento. — Quando eu sair daqui vou esganar vocês!!! EU VOU MATAR VOCÊS!!!

— Seungmin, não diga coisas que você não pode fazer — Han advertiu, sentando-se no chão de sua cela.

— Relaxem, não vão fazer nada com a gente. Não estamos envolvidos com Chaewon. Só precisamos esperar — Minho acalmou os dois, se sentando também.

Hyunjin se sentou no canto de sua cela, próximo à grade da cela de Yunjin.

— Só podemos esperar que eles nos liberem? — Murmurou, resmungando. — Vamos voltar com uma missão fracassada. Parece óbvio que Felix está em um nível muito acima.

— Você não acha estranho? — Yunjin perguntou repentinamente.

— O que?

— Eles sabiam do nosso plano de levar Felix também. Isso é extremamente suspeito. — Exclamou baixinho para que somente o Hwang pudesse escutá-la. — Ei, você ainda está com aquele colar que a sacerdotisa deu?

— Sim, eu não seria idiota o suficiente para perdê-lo.

— Vamos levá-lo com segurança para o Querubim Líder! Antes isso na mão dos Céus do que do Inferno.

Hyunjin não quis concordar com a ideia de dá-lo para Jeongin, principalmente porque ele não era seu subordinado e aquilo havia sido dado a ele, e não para Jeongin. Era como se o Hwang sentisse um estranho sentimento de posse quanto aquele colar, como se ele realmente tivesse de ser seu e de mais ninguém.

Por que diabos me importo tanto com isso? Hyunjin se repreendeu mentalmente, encostando sua cabeça na parede atrás de si.

Esse lugar vai acabar me enlouquecendo.

Kazuha foi levada ao porão também quase uma hora depois, colocada em uma outra cela e os demônios saíram sem proferir uma única palavra. A Nakamura também ficou quieta, não ousando fazer um único som, mas parecia que havia conseguido o que queria por enquanto.

Os únicos que continuavam fazendo som ali embaixo eram Han e Seungmin, sentados próximos um do outro e não poupando xingamentos contra os demônios daquela mansão. Minho não parecia ter a mínima vontade de repreendê-los ou fazer com que se calassem, na verdade, ele parecia estar os ouvindo com cuidado e achando engraçado os dois revoltados.

— Vocês dois são insuportáveis! — Yunjin finalmente disse, estressada com os dois, que não pareceram se importar.

— Então pede para ter um porão individual — Seungmin respondeu. — Anjinha insuportável.

— Eu deveria ter te matado quando tive a chance — resmungou, cruzando os braços e fechando seus olhos.

— Se tivesse o matado eu teria a caçado até mesmo no Céu — Minho ameaçou, simplista, como se estivesse falando um feito extremamente simples.

— Chega por hoje, gente. Tivemos muitos problemas em uma única noite — Hyunjin pediu, fazendo o trio de demônios e Yunjin entrarem em um trégua temporária.

Havia sido somente uma noite no Submundo, mas quanto tempo deve ter sido para o Reino Celestial?

Voltamos com mais uma att! Estou cumprindo minha promessa de att semanal, viram? 😸

O próximo cap tem muitas emoções HEHEHE

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