23
Miguel
Tinha acabado de deixar a Flávia no seu trabalho, e estava em casa tentando criar um slogan para uma empresa de sapatos, quando alguém bate na porta e a abre, já que a mesma estava destrancada.
— Miguel? — Minha mãe me chama, aparecendo na porta do meu quarto.
Minha mãe e meu pai tinham voltado para casa para ver o nascimento da Giulia, mas já estavam prestes a voltar para as suas viagens de negócios da empresa.
— Oi mãe, pode entrar — olho para ela brevemente, mas depois volto a minha atenção ao meu trabalho, tinha que entregar isso até amanhã de manhã.
— Eu preciso conversar com você — consigo ver pelo canto do olho ela vindo na minha direção.
— Pode falar, estou ouvindo — digo para ela. — É porque isso já é para ama... — nem chego a terminar a minha fala, já que ela logo me interrompe.
— Eu sei que dessa vez nos demoramos a voltar, passamos um ano fora e já teremos que voltar de novo novamente. Mas quando eu volto eu fico sabendo que você terminou com a Ester para ficar com a Flávia? — Minha mãe faz uma pergunta retórica, e deu para perceber pela a sua voz que ela não gostou da minha escolha, mas por que ela gostaria, não é mesmo? Ela sempre idolatrou a Ester. Então eu paro de fazer o que estava fazendo para encara-la, indignado por ela ainda não ter me aceitado com a Flávia, a mulher que eu amo. — Olha eu gosto muito dela, mas ao seu lado você sabe que tem que ficar é com a Ester.
Não parece que você gosta da Flávia, quer dizer, acho que nunca gostou. Se eu ainda gostasse da Ester, o que não é o caso.
Já estava pronto para lhe falar algumas verdades, quando ela me impede, de novo.
— Eu ainda não acabei, Miguel — minha mãe diz e eu assinto, depois eu vou falar tudo da sua nora "perfeita" que ela achava que a Ester era. — Eu sei que naquele dia que você voltou para casa e eu lhe disse que a Flávia estava aqui, vocês não saíram mais de dentro do quarto, e eu até imaginei: não acredito que o meu filho está traindo a Ester. Mas você a traiu, não foi? — Ela aponta o seu dedo indicador, na minha cara e eu me surpreendo, olha o ponto em que a minha mãe chegou, ela está cega. — Claro que você traiu a pobrezinha da Ester.
— Mãe, ela que me traiu primeiro! — Eu não queria ter gritado com a minha mãe, mas desde o começo dessa conversa que ela estava insinuando para eu terminar com a Flávia, para ficar com a Ester.
Isso já está passando dos limites!
— O quê? — Ela se assusta, mas para não perder a compostura ela volta a falar bem rápido, a defendendo com todas as forças. — A Ester nunca faria uma coisa dessas com você — dito isso, eu me levanto da cadeira e paro bem na sua frente.
— Mãe, me desculpa, eu sei que você ama a Ester e a queria muito como sua nora. — Pego nos seus ombros. — Mas sim, ela me traiu, eu só não te disse para não te magoar.
Dizer isso assim, depois de tantos anos, tirou um peso da minha consciência e das minhas costas. E eu chego a mim sentir até mais aliviado.
— Se isso é mesmo verdade, quando aconteceu? — Ela pergunta, ainda meio desconfiada e lá se vai eu relembrar o passado.
— Há sete anos atrás, quando eu lhe disse que a gente tinha terminado porque ela ia terminar a sua faculdade em outro lugar, nesse dia eu menti para a senhora — digo sério, mas estou sendo completamente sincero. — Eu só soube no dia em que eu ia pedi-la em noivado, foi nesse dia que ela me mandou uma mensagem dizendo que queria viver a sua vida com outro.
— Meu Deus, Miguel — ela tampa a sua mão com a boca e lágrimas começam a sair de seus olhos. — E eu sempre empurrando ela para você, você deve estar muito chateado comigo — ela consegue dizer isso, alguns segundos depois, com uma voz triste.
— A senhora não sabia de nada — tento tranquiliza-la, com um sorriso no rosto.
Eu sei que eu também errei em não contar para ela, eu só não queria que ela se decepcionasse com a Ester, a minha mãe sempre a amou muito. Mas no final das contas eu salvei a minha mãe, por um tempo, mas não cheguei a salvar a mim mesmo da Ester, quando aceitei a voltarmos a sermos como éramos antes. O que foi um grande erro.
— Por que não me disse antes? — Ela olha para mim com desaprovação.
— Eu já imaginava como a senhora iria reagi quando soubesse, então eu achei melhor não. Mas isso não importa agora, já passou, não precisa se preocupar mãe. Eu estou feliz. A Flávia me faz feliz, a gente já até marcou a data do casamento — eu estou tão feliz que eu já disse a todos os meus amigos que eu já marquei a data do meu casamento, só faltava dizer para os meus pais, e foi o que eu acabei fazendo agora, já que caiu muito bem na conversa.
— Mas já? — Ela olha para mim, espantada.
— Sim, eu não quero mais esperar, quero construir uma família com a Flávia — sorrio largamente para a minha mãe. Quero que ela saiba o tamanho da minha felicidade.
— E você vai, meu amor — minha mãe me puxa para um abraço apertado e nossa como eu estava com saudades dos seus abraços — disso eu tenho agora absoluta certeza.
Ela enfim, aprovou a Flávia. Aprovou a minha felicidade com ela.
E de agora em diante, eu vou contar tudo para a minha mãe, pode ser a menor besteira que for, não lhe esconderei mais nada.
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