21
Flávia
Eu e o Miguel estávamos na casa da Jade e do Ben — isso já é um hábito. Todo final de semana íamos visitar eles, ainda mais agora com a Jade grávida e já perto de ter.
A lua de mel deles, há um ano atrás, foi em Fernando de Noronha, um lugar magnífico repleto de praias bonitas e maravilhosas. Só depois de duas semanas foi que eles voltaram. Todos os dias eles faziam chamada de vídeo, e nessas chamadas, sempre víamos eles na pousada pegando sol, ou na varanda ou mergulhando. E a vista é excepcional.
Depois de dois meses eles reuniram todos os amigos na sua casa, pois queriam dar uma festa e fazer um comunicado. E quando chegou a hora o Ben disse que estava muito feliz pela a mulher que ele tinha ao lado dele e que a família iria aumentar.
Todos ficamos felizes e desejamos tudo de bom na vida deles e muita saúde para a criança que estava para chegar.
— E então, vocês já marcaram a data do casamento? Aonde vocês vão querer se casar? Na praia ou na igreja? — Jade solta várias perguntas ao mesmo tempo.
— Irmã, calma — Miguel pega na minha mão e a entrelaça — nós estamos vendo isso com calma.
— Sério? — Jade arqueia uma sobrancelha, ironicamente.
— Relaxa bebê, eles não são apressados como a gente — Ben sai da cozinha e senta-se no sofá ao lado da Jade, trazendo com ele alguns salgadinhos.
— Isso mesmo! — Como a Jade estava bem perto de mim, só que em um outro sofá, me esforço um pouco para tocar na sua barriga e bem devagar começo a acaricia-la carinhosamente. — Mas quando esse bebê lindo vai nascer?
Eu sabia quando iria nascer, vínhamos visitar eles todos os finais de semana, estava bem perto da família do meu irmão aumentar. E eu adorava isso.
Mas eu só queria mesmo era mudar de assunto, nosso foco não era o meu casamento, e sim a chegada dessa criança ao mundo.
— Você sabe. É a qualquer hora — ela coloca a mão debaixo da sua barriga, com um sorriso no rosto.
Ao longo dos meses a barriga da Jade aumentava mais e mais, ela ficou muito mais linda. A Jade sempre quis ser mãe e saber que ia ser mãe de uma garotinha, fez com que ela ficasse mais feliz, mais realizada, mais plena.
— Não sei se fico feliz ou desesperado — Ben fala para mim ao mesmo tempo em que abraça ela por trás.
— Você vai segurar a barra, cara. Você já viu o jeito do Cauã? — Miguel pergunta a ele.
— Sim, o cara é incrível — Ben diz com um sorriso de orelha a orelha.
O Cauã era o seu melhor amigo, eles se deram super bem logo de cara quando eles se conheceram a primeira vez e quando a Heloísa, que já foi sua ex-namorada, se casou e ficou grávida do Cauã, ele ficou mais do que feliz pelos os dois. Ele tem um apreço enorme por eles. E quando as gêmeas nasceram e ele viu de perto o Cauã cuidando delas, ele até chegou a pedir dicas de como ser um bom pai para ele, o que foi muito engraçado.
— Ben! — Gritamos eu e a Jade ao mesmo tempo e ele logo olha para nós para saber o porquê do nosso grito.
— Oi, garotas... nossa o momento chegou — Ben se levanta do sofá de sobressalto, completamente desesperado.
— Acho que a bolsa estourou — Jade começa a se levantar também do sofá, mas com um certo cuidado.
— Vamos levá-la ao hospital. Agora! — Miguel pega na mão da sua irmã.
— Onde está a bolsa da criança? — Pergunto com certa urgência.
— No nosso quarto — ouço o Ben gritar do lado de fora da casa, ele e o Miguel foram colocar a Jade no carro.
Subo em disparado as escadas. Abro a porta do quarto e por sorte vejo a bolsa em cima da cama. Eles realmente já esperavam por esse momento mais que tudo.
Desço as escadas. Passo pela a porta da casa e a tranco. Vou em direção ao carro e entro.
— Aqui — me sento e coloco a bolsa em cima das minhas pernas, apreensiva.
— Miguel, vai logo! — Jade grita, começando a suar frio.
Meu irmão não estava no volante, ele mantinha-se segurando a Jade e eu pude perceber que ele se encontrava muito nervoso, por isso que era melhor mesmo o Miguel dirigir. Ou não, já que ele estava dirigindo muito apressado.
— Não precisa ir tão rápido, Miguel — pego em sua coxa, como uma forma para ele perceber que está indo rápido demais.
— Pode ir, a vontade — Jade diz e eu viro o meu rosto para encara-la.
Ela quer morrer aqui mesmo? Só pode.
— Chegamos — Miguel sai do carro.
— Vem — Ben segura os braços da Jade e a retira gentilmente de dentro do carro.
— Vocês podem ir, a gente fica aqui esperando por notícias — digo enquanto entrávamos no hospital.
Uma enfermeira vem na nossa direção acompanhada com uma cadeira de rodas, da qual a Jade se senta e vai sendo guiada para dentro do corredor, pela a enfermeira, e o Ben vai logo atrás dela.
— Vamos ligar para os outros? — Pergunto para o Miguel na medida em que procurávamos um lugar para sentarmos.
— Vamos sim — Miguel se senta e eu o acompanho, ele logo tira de dentro do bolso da sua calça o seu celular.
Começamos a ligar para todos os nossos amigos. Depois de alguns minutos, de pouquinho em pouquinho, cada um aparece na sala, onde estávamos aguardando.
— Oi, gente — Cecília fala com nos dois e se senta ao lado do Miguel.
— E aí, cara — Otávio diz também se sentando ao lado da Cecília, com o Nicolas no seu colo. — Flávia — ele me cumprimenta.
— Oi, pessoal — digo com um meio sorriso e abaixo a minha cabeça, estou muito apreensiva.
— Flávia — levanto minha cabeça quando escuto uma pessoa me chamar e vejo que é a Heloísa, vindo na minha direção.
— Ei, senta aqui — dou algumas batidinhas na cadeira ao meu lado como forma de chama-la para se sentar aqui. — Cadê as bebês? — Pergunto.
— A Eloá ficou em casa cuidando delas, mas eu as deixei dormindo. Ela me pediu para avisa-la quando a bebê do Ben nascesse. — Heloísa puxa gentilmente as minhas mãos e a segura. — Então a sua sobrinha decidiu nascer hoje — ela olha para mim sorrindo e eu acabo por sorrir também.
Sim, a minha sobrinha vai nascer hoje. E eu estou muito feliz com isso. Quero pega-la logo nos meus braços, cheira-la e cuidar dela, com muito amor.
— Faz muito tempo que a Jade foi atendida? — Cauã pergunta quando chega perto de nós e eu saio do meu devaneio.
— Faz cerca de duas horas — Miguel o comunica.
Ficamos em silêncio completo, por alguns minutos, à espera do meu irmão nos trazer a tão esperada notícia. Até que um outro casal aparece no cômodo em que estávamos.
— Vai ser titio, hein — Raul entra na sala e bate no ombro do Miguel, assim que chega perto dele.
— Sim, eu e a Flávia seremos — Miguel olha para mim e sorrir, juntando as nossas mãos logo em seguida.
— Eu não acredito que esse dia chegou — Olívia diz ao nosso lado, toda sorridente.
Ficamos em silêncio novamente, até que segundos depois o silêncio é quebrado.
— Pessoal — Ben corre na nossa direção, com lágrimas nos olhos. — A minha menininha acabou de nascer.
Todo mundo se levanta da cadeira. Começa a lhe abraçar e desejar parabéns.
— Será que podemos vê-la agora? — Miguel pergunta assim que cessa os parabéns.
— Só pelo berçário — ele explica.
— Agora você vai saber como é ser pai — Cauã toca no ombro do Ben.
— Eu não espero menos que isso — Ben olha para ele, muito feliz.
— Então vamos, que eu quero vê-la logo — Olívia começa a andar na frente e todos nós fizemos a mesma coisa.
Seguimos meu irmão pelo corredor. Paramos em frente ao berçário e vimos várias criancinhas lá, até que ele aponta para uma que ficava bem perto de nós.
— É essa aqui — Ben aponta para ela, pela a janela de vidro do berçário.
Ela dormia, serenamente.
Todos ficamos falando o quanto ela é bonita, mas que não sabíamos dizer se ela se parecia mais com a Jade ou com o meu irmão. Ela se parece muito com os dois.
— Ela é linda, não é? — Ben fala comigo enquanto eu ainda continuo a olhar para a sua filha, mais precisamente minha sobrinha.
— Sim, nossa Giulia é linda — deixo de olhar para ela e o abraço por trás.
E nós ficamos ali, velando o seu sono, enquanto os nossos amigos conversavam. Mas é porque aqui, nesse momento, só temos olhos para ela.
Somente ela.
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