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Flávia
Será mesmo que eu fiz a coisa certa?
— Eu fiz a coisa certa! — Olho para o amontoado de roupas dentro da mala, que eu acabara de fazer para a viagem. — Isso não vai ser nada demais, eu consigo fazer isso por eles. Eu os amo!
E a minha decisão já está tomada, eu não vou voltar atrás.
Eu vou para Recife hoje. Mas eu não vou ficar para sempre, vai ser só até o tempo do casamento, e depois disso eu volto para Natal de novo ou irei para algum outro lugar.
Eu tinha combinado isso com a Jade e com o meu irmão. E é isso que eu vou fazer, nada vai atrapalhar ou mudar os meus planos — e é com esse pensamento que saio de casa.
..........
— Destino Recife, aí vou eu — digo com um certo sarcasmo, enquanto entrava no ônibus.
Como a viagem é longa, lembro-me de algumas coisas que aconteceram nesses últimos anos, pois muitas coisas haviam mudado.
Pelo que eu soube o Otávio e a Cecília se casaram e tiveram o pequeno Nicolas, o meu irmão vai se casar com a Jade, o Raul voltou para a sua ex-namorada — que aliás eu ainda tenho que conhecê-la — e o Cauã está namorando a Heloísa há alguns anos, e eu até me pergunto quando é que eles vão se casar, já que todos dois tem uma aliança de noivado, na mão.
O Cauã foi o único que eu vi dentre esses anos que eu fiquei em Natal, porque por pura coincidência sempre nas minhas férias eu ia para João Pessoa visitar as minhas amigas, e em uma dessas minhas viagens eu acabei o encontrando. Mas eu não queria que ele falasse para ninguém que me viu, principalmente para o Miguel. Então esse acabou sendo o nosso segredo, nem eu falava que havia visto ele e nem ele falava que havia me visto.
Porque se o Miguel soubesse que eu vinha visitar as minhas amigas, ia ser muito fácil ele me achar, e isso eu não queria que acontecesse. Não mesmo.
Mas continuando a falar do Cauã, a verdade era que eu amava quando chegava as férias só para encontrar ele de novo, que é o meu melhor e mais verdadeiro amigo. E convenhamos é muito mais legal ver ele e a Heloísa juntos do que me imaginar com ele.
Somos melhores como amigos.
............
Assim que saio do ônibus o meu celular começar a tocar. O retiro da bolsa e olho para ver quem era que me ligava. Era o meu irmão.
— Maninha, você ainda está dentro do ônibus?
— Não, acabei de sair dele agora mesmo.
— Eu não posso ir aí te buscar, por isso mandei uma pessoa no meu lugar.
— Ben, eu já estou bem grandinha para isso, e aliás eu sei muito bem onde é a nossa casa.
— Eu já mandei essa pessoa ir aí te buscar, ela já deve estar a caminho, então não faça desfeita.
— Tão mandão você, não sei porque essa pessoa aceitou.
— Porque ele te ama, mas agora eu tenho que desligar — antes que ele desligue consigo ouvir risos da sua parte.
Quem será essa pessoa?
Espera o meu irmão falou "ele"... Será que é o Miguel? Não, ele não faria isso comigo de novo, já basta eu ter que arrumar todas as coisas do casamento, com ele.
— Eu preciso de espaço! — Digo para ninguém em particular.
— Não imaginava que você falava sozinha Flávia, mas esse espaço é se referindo a mim? Como você soube que era eu que vinha te buscar? Era para ser surpresa — disse uma voz que me era bastante conhecida.
Então instintivamente me viro e encaro a pessoa que estava a minha frente, e logo sorrio lhe dando um dos meus melhores sorrisos.
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