12
Flávia
Hoje é o aniversário da Olívia.
E eu ainda nem tinha comprado o seu presente.
Seria uma boa ir agora compra-lo, faria eu me distrair de certos pensamentos.
Me visto bem rápido colocando um short jeans preto e uma regatinha cinza, pego uma bolsa e saio do meu quarto.
Passo na cozinha primeiro para pegar alguma coisa para comer, acabo optando por uma maçã.
Já estava terminando de comê-la, quando o meu irmão aparece.
— Vai aonde? — Ele franze as sobrancelhas, achando estranho eu não estar no meu quarto há essa hora da tarde.
Até ontem eu havia dito a ele que hoje não iria sair, que ficaria só em casa, mas cá estou eu toda pronta para sair.
— Vou comprar o presente da Olívia — dou de ombros.
— Ah, então você decidiu mesmo que vai — Ben diz com um sorriso no rosto.
Eu estava em dúvidas se eu ia ou não, mas eu acabei falando para o Miguel que eu ia. E para falar a verdade eu queria muito lhe ver hoje.
Então eu não perderia isso por nada.
— Eu tenho um motivo para ir. — Jogo minha maçã no lixo, passo pelo o meu irmão e lhe dou um beijo na sua bochecha. — Até mais.
...........
Em cada loja que eu entrava, nada me agradava.
Eu não a conheço muito bem, mas o Raul me deu algumas dicas de coisas que ela gosta.
Já estava quase perdendo as esperanças, quando entro numa última loja, da qual tinha tudo o que o Raul me disse que ela gostava.
De estrelas do mar até notas musicais.
Fico com a primeira opção que eu sabia que ela iria gostar mais ainda, já que soube que ela era formada em Oceanografia.
Ela coletava amostra de ambientes aquáticos, além de pesquisar sobre as várias formas de vida encontradas e as suas características.
Assim que vejo um objeto brilhante e bem a sua cara, o compro.
Um colar duplo com uma estrela do mar e uma concha.
Ela iria gostar, com toda a certeza.
Assim que saio da loja, vou logo para a minha casa — eu tinha que correr, já que estava atrasada, e ainda tinha que me arrumar.
Chego em casa e vou direto para o meu quarto, só coloco o presente em cima da cômoda, e entro no banheiro. Tomo um banho bem rápido. Visto uma saia branca e uma blusa florida. Pego o presente novamente e desço as escadas.
O Ben já tinha ido para o aniversário com a Jade. Me lembro do quanto ele insistiu para eu ir com ele.
— Nós já vamos — ele aparece na porta do meu quarto juntamente com a Jade.
— Certo, encontro vocês lá — passava rímel nos meus olhos.
Vejo ele fechar a porta, mas depois de alguns segundos ele aparece novamente abrindo a mesma.
— Tem certeza de que não quer vim com a gente? — Ele retoma a mesma pergunta novamente.
— Eu ainda estou me arrumando, Ben — eu estava nos últimos detalhes, mas ainda sim estava me arrumando, e eu precisava desse momento sozinha. — Eu posso pegar um táxi, relaxa irmão — dou um sorriso tranquilizador.
— Tudo bem, te espero na festa e ver se não se atrasa muito — Ben fecha a porta definitivamente atrás de mim.
Olho para o espelho que reflexe uma Flávia determinada, confiante e sobre tudo esperançosa.
Espero que na hora em que eu o ver, eu ainda continue assim.
Finalmente saio de casa e chamo por um táxi.
.........
A festa seria numa boate e quando eu chego percebo que estava cheio de gente, e que com certeza os meus amigos já estavam aqui.
Ando por entre as pessoas para ver se eu reconhecia alguém, mas eu não vejo nenhum dos meus amigos, então vou para a parte do bar.
Estava bebendo a minha bebida preferida, enquanto tentava reconhecer os rostos de toda a multidão, quando um rapaz chega ao meu lado.
Um rapaz moreno. Pude perceber sua cor de pele a partir do momento em que ele encostou seu braço esquerdo no meu.
— Oi.
— Olá — digo sem fazer contato visual.
Eu estava aqui para o aniversário de uma amiga e não para pegar alguém.
— Você está sozinha? — Ele pergunta e eu percebo pelo canto de olho que ele olha para todos os lados.
O que você acha, medroso?
Já estava pronta para lhe responder, quando uma pessoa fica a minha frente.
Ele cheirava tão bem...
— Ela está comigo! — Miguel segura meu braço atrás de si, o rapaz só concorda, amedrontado e vai embora.
Graças a Deus, eu já não aguentava mais ele perto de mim. O rapaz estava completamente com bafo de cerveja.
— Obrigado, eu realmente estava sem saco para responde-lo — reviro os olhos.
— Eu percebi, por isso vim aqui te dar uma forcinha — Miguel bebe um pouco da sua bebida e sorrir —, mesmo que você não precise.
Sorrio com o que ele falou e bebo mais um pouco da minha bebida. Cosmopolitan.
— Vejo que até hoje você bebe isso — ele dar uma risada, batendo o seu drink no meu.
Dou um sorriso concordando, já que faz mais de cinco anos que eu só bebo essa mesma bebida. Virou meu vício.
— Eu posso lhe dizer uma coisa? — Miguel pergunta e eu concordo com a cabeça novamente. — Você está incrivelmente sexy com essa roupa — ele sussurra ao meu ouvido e eu acabo cuspindo para fora todo o líquido que eu tinha acabado de beber.
Ele conseguiu me deixar desconcertada depois dessa. A garota determinada, confiante e esperançosa se foi por água a baixo.
— É... — Dou uma ligeira tosse, tentando pensar em alguma coisa para mudar de assunto. — V-você viu a Olívia ou os nossos amigos por aí?
Sério Flávia, você ainda tinha que gaguejar?
— Vi sim, eu estava com eles agora a pouco. Vem, eu te levo — Miguel pega na minha mão e me conduz até os nossos amigos.
Realmente todos estavam na mesa.
Assim que chego perto da roda de pessoas, a Olívia me vê e vem na minha direção, me abraçar.
Ela está linda! Sua roupa consistia num vestido preto colado, a parte das costas era todo rendado, além de ter um cinto dourado preso a sua cintura.
— Flávia, que bom que você veio — ela mexe no meu cabelo gentilmente.
— Eu não podia deixar de vim — digo assim que nos afastamos e vejo que o Miguel olhava para mim intensamente, já sentado na sua cadeira.
— Vem, senta aqui — Olívia aponta para uma cadeira que supostamente era a sua.
— Mas e você? — Pergunto, confusa.
— Eu vou ter que falar com os outros convidados de qualquer maneira mesmo — ela rir e eu concordo com a cabeça, me sentando logo em seguida no seu lugar, que era entre o Cauã e o Raul.
— Ah, antes de você ir, aqui está o seu presente — lhe entrego o pacote, com um sorriso no rosto.
— Não precisava — Olívia abre o envelope, com um certo cuidado. — Meu Deus... é maravilhoso. Obrigada — ela alterna o seu olhar entre mim e o presente, talvez não acreditando no que eu acabei de lhe dar.
— De nada, agora vai lá falar com os seus outros convidados — ela concorda completamente feliz e vai embora.
...........
Estávamos todos conversando, quando uma música começa a tocar.
Ela era lenta.
— Querida, vamos dançar? — Otávio pergunta a Cecília da qual sorrir e logo eles dois se levantam.
— Vamos também bebê? — Ben pergunta a Jade que só concorda com a cabeça e se levanta indo para a pista de dança.
Restando assim na nossa mesa só eu, o Cauã e o Miguel, já que fazia um bom tempo que o Raul tinha ido para perto da sua namorada.
— Você nunca mais foi lá para casa bater um papo comigo... — tento puxar assunto com o Cauã, ele estava pensativo.
— Eu tive que ter um papo com uma outra pessoa — vejo que o Cauã olha na direção do Miguel e eu entendi qual era a pessoa que ele se referia. E pelo jeito que ele olha para o Miguel parece que a conversa foi séria.
Ficamos calados novamente, até que o Miguel fala comigo:
— Você quer dançar comigo? — Ele estende a sua mão para mim, com um grande sorriso no rosto.
Como dizer não, se eu já tinha até aprendido a dançar salsa com ele.
— Claro, por que não? — Faço uma pergunta retórica enquanto me levanto da cadeira, me deixando ser guiada pela a sua mão.
Assim que chegamos numa parte livre do salão, o Miguel começa a segurar na minha cintura e eu coloco os meus braços ao redor do seu pescoço, encostando logo em seguida minha cabeça em seu peito.
A nossa dança estava fluindo muito bem, eu não queria sair de perto dele, mas eu sentia que a música se encontrava no final, e consequentemente a nossa dança.
— Se eu dissesse que quero te beijar, você deixaria? — Miguel pergunta ao meu ouvido, me fazendo ficar completamente arrepiada com as suas palavras.
Elas haviam me pegado de surpresa.
— Você não ousaria fazer isso... — digo ao seu ouvido.
Lá no fundo eu bem que queria que ele me beijasse, poder sentir seus lábios contra os meus novamente. Será que o seu gosto ainda era o mesmo?
Mas como sempre, eu me lembrava da Ester.
— Quer apostar? — Miguel agora olha para mim e nos seus olhos eu vejo tudo o que eu queria ver, desejo.
Quero, me beije agora.
— Vem, nós vamos bater os parabéns — Raul pega nos ombros de cada um de nós e é com esse toque que eu consigo sair do meu transe. E pelo jeito não foi só eu, mas o Miguel também.
— É melhor nos irmos para perto da aniversariante — digo com um meio sorriso.
— Claro — ele pega novamente na minha mão e nós vamos juntos para onde a Olívia se encontrava.
Cantamos o famoso "Parabéns a você" e depois cada um dos convidados começa a abraçar a Olívia.
Até que chega a minha vez.
— Lhe desejo tudo de maravilhoso na sua vida e que você se case com o Raul, vocês formam um belo casal — digo abraçada a ela.
— Você também forma um belo casal com esse garanhão aí atrás — vejo Olívia olhar por cima do meu ombro, mas eu não preciso olhar para saber quem era, pois eu sabia exatamente quem estava atrás de mim.
E eu adorava ele assim, bem perto de mim. Depois da nossa conversa tudo ficou mais claro, eu só pude ter a sua resposta do troféu agora, do qual ele falou que nunca me considerou como um. E o beijo com a Ester, bom... isso foi só uma fatalidade do acaso. E já que agora somos amigos eu quero aproveitar a sua amizade o máximo de tempo possível enquanto eu estiver por aqui.
— É, mas ele está com outra agora — sussurro olhando para baixo.
Tenho que me convencer disso. Tenho que me convencer que ele vai se casar com ela.
— Deixa eu te dizer uma coisa — Olívia fala baixinho só para mim escutar. — Espero que um dia ele acorde e saia dessa burrada que está fazendo.
Tento dar a ela um meio sorriso, mas eu também espero que isso aconteça, e espero que quando esse dia chegar não seja tarde demais.
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