45
Benjamin
Volto da minha dança com a minha irmã e quando chego perto da onde os garotos estavam, vejo o Miguel deixar o seu copo de lado, em cima do balcão, e seguir para onde eu estava anteriormente para se encontrar e dançar com ela. Me encosto no balcão. Pego a minha bebida, que eu tinha pedido para eles olharem, e vejo ele andar até ela e a abraça-la por trás.
Eu gosto dele, até que eles formam um belo casal, e o que me faz ficar mais feliz com isso tudo é saber que a Flávia já esqueceu o meu amigo, Bernardo. Eu achei que eles seriam para sempre, desde pequenos nós três fazíamos tudo juntos e eu cheguei até a perceber quando ele começou a olhar a minha irmã com outros olhos. Eu o ajudei, pois sabia que a Flávia também gostava muito dele, mas ele pisou na bola e justo com ela. Ainda nos falamos, só não entramos mais nesse assunto.
— Ben, você acharia ruim se eu te deixasse aqui, sozinho? — Cauã pergunta, fazendo me sair do meu devaneio e voltar pra realidade. Pisco meus olhos para sair do meu transe.
— Não, cara. Pode ir dançar. Eu fico aqui. Sem problemas — respondo, então ele vai a caminho da pista de dança e eu fico só. Só eu e meu drink.
Bom, era isso o que eu pensava que iria acontecer.
Assim que bebo mais um longo gole da minha bebida volto a olhar as tantas pessoas existentes aqui, dançando. Esse espaço é bem grande, mas que se tornou pequeno, por a ver muitos homens e mulheres agarrando um ao outro.
Olhava rapidamente para cada um ali, até que a minha atenção é atraída por alguém, não consigo desviar meus olhos do seu corpo para poder olhar outra pessoa. Só com essa sua dança, que nem é para mim, ela já me deixou completamente hipnotizado. — Nunca vi uma garota de rosto e corpo tão lindos como esse que acabo de ver por aqui. — Então continuo a observa-la, só que segundos depois ela percebe. Cheguei a pensar que ela acharia ruim por eu estar olhando para ela desse jeito, mas não, ela continuou dançando sentindo a batida da música, só que diferente de antes ela agora me encarava, como se só tivesse olhos para mim ou seria ao contrário... eu que só tenho olhos para ela?
A música acaba, e eu pensava que agora ela iria hipnotizar alguma outra pessoa — talvez ela venha para esses ambientes só para fazer esse tipo de coisa — só que para a minha surpresa ela caminha, poderosamente, na minha direção.
Quer dizer eu não sei, até porque eu estou encostado no balcão do bar e ela pode estar vindo para beber alguma coisa, se refrescar por dentro, já que ela provavelmente gastou muitas energias ali, dançando, para mim.
— Você sempre encara as pessoas dessa maneira? — Ela pergunta assim que se encosta no balcão, ao meu lado, mas não olhando para mim.
Vendo ela aqui, de perfil, ela ainda é mais bonita do que eu imaginava. Sua beleza me contagia. Seus cabelos castanhos estão pregados em sua testa por conta do suor, que eu conseguia ver descendo pela a mesma, do qual ela tentava enxugar com o dorso da sua mão.
— Eu poderia te perguntar a mesma coisa, porém não quero. Quero saber o que uma garota bonita como você faz aqui, desacompanhada? — Normalmente eu só sou direto assim quando alguma garota me interessa e essa realmente me interessou, mas do que eu gostaria de dizer.
— Se acha que eu vou conversar com você, está muito enganado. Eu nem te conheço — diz simplesmente, o que me decepciona um pouco, já que eu estou tentando, e muito, puxar assunto com ela.
— E se eu te pagasse uma bebida? Toparia falar comigo? — Assim que pergunto isso, instantaneamente ela vira o seu rosto em direção a mim, que até o momento não tinha me olhado, e eu noto que os seus olhos são iguais aos meus, castanho-escuro.
— É... podemos pensar sobre isso — um sorriso travesso se forma em seus lábios.
— Ei, uma bebida para essa moça — digo para o barman e logo depois volto a encará-la. — E então, agora você pode responder a minha pergunta? — Arqueio uma sobrancelha, mas logo ela desvia os seus olhos dos meus para pegar a sua bebida que acaba de ser colocada na sua frente.
— Eu e o meu namorado, brigamos... — comenta com a cabeça abaixada depois de beber um gole da sua bebida ao mesmo tempo em que passa o dedo na borda do corpo, como para limpa-lo ou simplesmente por estar pensando em alguma coisa e não está percebendo esse seu tal.
Acabo de ficar desapontado devido as suas palavras, insistir em alguém que tem namorado nunca dar certo, é um beco sem saída e sempre alguém sai machucado em um dos dois lados. Porém já era de se imaginar que ela tivesse um, uma garota bonita como ela não poderia estar solteira.
— Se é que posso chama-lo assim... — completa o resto da sua frase anterior ao deixar de encarar o seu copo e voltar os seus olhares para mim. O brilho que eu tinha visto em seus olhos enquanto dançava não estavam mais ali e eu deduzi que esse assunto mexia com ela de alguma forma, porém eu quero saber mais sobre ela, já que estou bastante interessado.
— Se ele não é seu namorado, ele é o quê? — Pergunto.
— É complicado — dar um meio sorriso. — Mas você pensava que eu estava solteira, não é? — Arqueia uma sobrancelha enquanto um sorriso aparece em seu rosto.
— Eu tinha esperanças de que fosse — a olho fixamente nos olhos e ela também me acompanha com a mesma intensidade. — Mas então, você vem sempre por aqui?
— Muito não, só às vezes e você? Nunca lhe vi por aqui antes — se vira para olhar a multidão de pessoas se movimentando com os seus pares.
— Eu cheguei hoje, vou passar as minhas férias por aqui — respondo também fazendo a mesma coisa que ela enquanto levo minha bebida aos lábios.
— Legal e você está gostando daqui? — Se vira para mim, apoiando o seu cotovelo no balcão e a sua mão sustentando o seu queixo.
— Até agora sim, mas vou gostar ainda mais se você aceitar dançar comigo — agi por impulso, sim eu sei, mas quando dei por mim já oferecia a minha mão, para ver se ela aceitava dançar comigo, e eu espero muito que aceite, pois eu não paro de pensar nisso, na sua dança provocante. Ela abaixa o seu olhar para a minha mão. Pensa um pouco e quando pôr fim, que eu já estava crente que ela não iria aceitar, ela pega na mesma com um largo sorriso no rosto. Então seguimos para a pista de dança, ia começar a tocar Blame — Calvin Harris.
Blame it on the night
(Ponha a culpa na noite)
A nossa dança estava transmitindo luxúria, desejo e prazer.
Don't blame it on me
(Não me culpe)
Meu Deus, ela é tão linda. Acho que não vou conseguir aguentar por muito tempo.
Don't blame it on me
(Não me culpe)
Mas ela está em um relacionamento, se ela me desse ao menos um sinal.
So blame it on the night
(Então, ponha a culpa na noite)
E então ela me deu.
Don't blame it on me
(Não me culpe)
E foi tudo o que eu precisava para tomá-la aos meus braços.
Don't blame it on me
(Não me culpe)
Para finalmente a beijar.
Eu explorava a sua boca assim como ela também explorava a minha, calmamente, sem nenhuma pressa, ao mesmo tempo em que eu segurava a sua cintura e ela segurava o meu rosto com as mãos.
Ela tinha um gosto tão bom que eu ansiava por mais, e por um breve instante, eu não queria que ela estivesse em um relacionamento... mas o pior é que ela estava e mesmo não a conhecendo direito, eu não queria estragar o namoro dela ou sei lá o quê ela tinha com esse rapaz.
Então eu me afasto dela, mas nem por um segundo desvio os meus olhos dos seus, sempre a olhando fixamente e é aí que percebo que eu não sabia o seu nome. Eu já havia conversado e dançava agora com ela, mas nem sequer havia me passado pela cabeça perguntar a ela sobre isso. — E se eu não a visse novamente? — E parece que ela também percebe a mesma coisa que eu, pois é justamente isso que ela me pergunta:
— Qual é o seu nome? — Ela recuperava o fôlego por conta do nosso beijo.
— Benjamin, mas pode me chamar de Ben — não hesito em responder. — E qual é o seu nome? — Coloco os seus cabelos, que estavam pregados em sua testa, mais para o lado para só olhar firmemente em seus olhos, ansiando pela a sua resposta.
— Jade — responde e é nesse momento que eu percebo que finalmente a havia conhecido e logo da melhor maneira possível. Pelo menos para mim.
E tudo o que eu havia prometido a Heloísa de assim que eu terminar a faculdade, nós reatarmos o nosso namoro, sumiu da minha mente e do meu coração, assim que eu vi e beijei a Jade.
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