15
Flávia
Ao chegar em casa, as meninas foram logo tomar um banho no quarto em que elas estavam hospedadas e eu também subir para ir ao meu, fazer a mesma coisa que elas. Porém antes de fazer tal coisa, escuto meu celular tocar. O pego e vejo que era uma ligação do... Miguel.
Miguel? Ele nunca me ligou antes, deve ter acontecido alguma coisa com a Jade. — Atendo na mesma hora, aflita.
— Oi, Miguel. Tudo bem? Aconteceu alguma coisa? — Pergunto.
— Oi. Não, não aconteceu nada. Na verdade, só queríamos saber, eu e a Jade, se você não queria sair hoje para algum lugar; tipo um cinema, uma praia, essas coisas que a gente sempre costuma fazer. Você quer ir com a gente? — Pergunta, depois de me explicar toda a situação.
— Para a praia até poderia ser, mas hoje eu não posso, poderia ser nesse domingo? — Pergunto, não queria deixar de sair totalmente com eles, mas assim que eu contasse que as minhas amigas estavam aqui, eles poderiam achar que eu estava deixando eles de lado. E eu sinceramente não quero que eles pensem isso de mim. — Eu estava mesmo querendo ir à praia por esses dias — comento, ao me lembrar da praia, de hoje de manhã. — É porque como as minhas amigas vieram para a minha casa, as que moram em João Pessoa, eu quero aproveitar um pouco da companhia delas — falo logo para ele a real situação e eu espero que ele me entenda. — Não achem ruim, mas é porque eu passo muito tempo com vocês e já faz três meses que eu não as vejo. E como elas estão aqui, eu quero curtir um pouco esses dias de feriado, com elas — para diminuir um pouco a tensão que se formou, seria bom agora, chama-lo para ir à praia conosco nesse fim de semana. — A gente está querendo ir à praia, se vocês quiserem vim também?
— N-não, é... tudo bem. E-eu entendo. Era só isso mesmo que eu queria perguntar. E-eu vou falar com a Jade para ver o que ela diz a respeito. Qualquer coisa eu te falo depois. Tchau, beijos — ele fala tudo rapidamente e em algumas vezes gagueja.
— Tchau — desligo o celular, olhando para o mesmo, como se de alguma maneira ele fosse me responder o porquê do Miguel ter se comportado daquele jeito.
Era impressão minha ou o Miguel ficou estranho depois que eu disse que não ia dar certo a gente sair hoje?
— Flávia, vamos jogar videogame? — Eloá entra no meu quarto e pega no meu ombro.
— Vamos — deixo de encarar o celular para encarar a minha amiga — vocês podem começar a jogar sem mim, se quiserem. Eu ainda vou tomar banho — comento.
— Heloísa, coloca o videogame — Eloá grita para que a sua irmã a ouça, já que com certeza ela está na sala a procura de algum jogo bom para se jogar. Agora a minha amiga volta a sua atenção para mim. — Não acredito que você ainda não tomou banho? — Balança sua cabeça para os dois lados. — E o que você ficou fazendo nesse tempo? — Arqueia uma de suas sobrancelhas.
— Atendendo há uma ligação. O Miguel me ligou — balanço o celular para ela.
— Não acredito que ele te ligou! — E lá estava a minha amiga, eufórica. — Ele te convidou para sair? — Pergunta já toda feliz.
— Sim e não ao mesmo tempo — dou uma risada e ela faz uma cara de confusa. — Ele me convidou para sair, mas não é só nos dois e sim nos três; eu, ele e a irmã dele — agora ela está realmente desapontada.
— Os três? Fala sério... — dar um suspiro — mas você vai sair com eles... agora?
— Eu não vou sair com eles agora — nego com a cabeça.
— Por que não? — Coloca suas mãos na cintura.
— Porque eu não vou deixar as minhas amigas sozinhas, para sair com eles. A gente pode muito bem sair amanhã ou depois, se eles quiserem — explico para ela e a mesma retira rapidamente sua mão da cintura — eu também comentei com ele sobre irmos todos juntos a praia.
— Vocês não vão vim jogar agora não? — Heloísa grita, interrompendo a nossa conversa.
— Já estou indo — Eloá grita de volta para a sua irmã.
— Já eu desço — ela concorda, deixando o quarto, e eu sigo para o banheiro. Tomo um banho bem rápido. Desço as escadas e vou para a sala, jogar com elas.
Depois de um bom tempo jogando, o telefone de casa toca. Deixo as minhas amigas concentradas no seu jogo e vou atender.
— Alô — digo.
— Maninha, quanto tempo?
— Ben — eu já estava dando pulinho no chão só por ouvir a sua voz. — Você quase não liga mais para a gente — comento ao deixar de dar os pulinhos. — Está tudo bem? — Pergunto.
— É que eu estou sem tempo agora, me desculpe — sua voz é baixa. — Mas eu estou bem sim e vocês, como estão? E a mamãe e o papai, eles estão em casa? — Era do seu típico fazer várias perguntas ao mesmo tempo.
— Estamos todos bem — dou uma risada. — O papai está no trabalho e a mamãe saiu — assim que acabo de falar isso, ouço a Heloísa reclamar sobre ter perdido a partida, que isso não valia, pois a Eloá estava roubando. Eu sabia o quanto o meu irmão iria ficar feliz em só ouvir o nome dela. — A Heloísa e a Eloá estão aqui em casa, vieram passar o feriado comigo.
— Elas estão aí? — O seu tom de voz de repente muda. — Se eu pudesse e se eu tivesse tempo com certeza já estaria aí também. Adoraria passar esse feriado com vocês.
— Você quer falar com ela? — Mais que depressa pergunto, pedindo aos céus para que ele diga sim.
— Com a Heloísa? — Respondo que sim e alguns segundos se passam sem que ele fale alguma coisa. — Você pode passar o telefone para ela?
— Claro que posso — chamo a Heloísa com a mão, apontando para o telefone. Ela sabia que era o meu irmão na chamada, quando eu soube que era ele e falei o seu nome. Ela rapidamente virou o seu rosto na minha direção, dando um sorriso. Logo se levanta e vem correndo para atender a ligação.
Eu ainda acredito que eles vão voltar, um dia.
— Oi, Ben — Heloísa já tinha um sorriso, de orelha a orelha, no seu rosto. — Quanto tempo?
— Oi, Isa. Há quanto tempo não nos falamos assim, ouvindo a voz um do outro? — Ben pergunta.
O que era para ser três pessoas jogando, acabou sendo só duas, já que com esse telefonema a Heloísa nem se lembrou mais do que estava fazendo há segundos atrás, dando total atenção as palavras do meu irmão, do qual ficaram conversando por horas e horas.
.........
— Claro que ela fez certo né, Eloá — repreende a sua irmã. — Nós nunca mais havíamos nos visto e você quer que simplesmente a Flávia troque a gente, que conheci a muito tempo, por pessoas que ela não conhece nem a o quê, três meses direito? — Heloísa pergunta, horrorizada, ao mesmo tempo em que arqueia uma sobrancelha, tentando entender o ponto de vista da sua irmã, porém estava sendo bem difícil.
— Eu só quero saber qual é o dia em que a Flávia vai ficar com o Miguel... só isso — Eloá se justifica, deixando de olhar para a sua irmã, para olhar para mim.
Ela esperava uma resposta da minha parte, já que me olhava com ansiedade, mas como lhe responder a uma coisa dessas se nem eu mesma sei? O melhor agora, é mudar de assunto.
— Já está bem tarde, Eloá, por isso que você está falando besteiras. Nós somos só amigos — digo isso mais para mim do que para ela. Eu sempre gostava de me lembrar o que somente éramos. — Eu vou dormir agora. Até amanhã. — Me levanto da cama e deixo o quarto.
— Até — Ouço elas dizerem na mesma hora.
Vou para o meu quarto. Me deito na cama e fico a pensar. Acho que seria bom se amanhã nós saíssemos para algum lugar, somente eu e as meninas. Aproveito meus pensamentos e penso se o Miguel e a Jade ainda querem sair. E então sem pensar duas vezes, pego meu celular e mando uma mensagem para ele.
— Podemos sair amanhã? Se o convite ainda estiver de pé, claro. Mas eu posso levar as minhas amigas?
Como já estava bem tarde, não espero ele me responder, pois o sono já estava me consumindo.
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