12

Flávia

Assim que ouvimos o barulho que o brinquedo estava emitindo, percebemos que já seria a hora dele começar a funcionar. Me preparo psicologicamente, ou pelo menos tento, já que não estava totalmente preparada para o que veria a seguir. A velocidade começou a aumentar na medida em que os segundos se passavam, tentando de alguma maneira criar forças. O brinquedo fica nesse vai e vem, porém agora com uma velocidade exorbitante, que chego até a fechar meus olhos e quando os abro novamente, me encontrava de cabeça para baixo, olhando para o chão. De alguma maneira tento olhar para o Miguel, mas ele só faz rir da situação ao qual eu me encontrava. Volto a fitar o chão. Prefiro olhar para ele do que para o Miguel, pois pelo menos o chão não rir de mim. De repente, depois de alguns segundos, o mesmo começa a diminuir a velocidade, por fim parando por completo.

Saímos do brinquedo. Finalmente.

Eu não acredito que você ficou daquele jeito Miguel balançava sua cabeça para os lados. E olha que foi você mesma quem escolheu irmos nele a cada vez mais ele ria de mim. Da minha cara.

Dá pra parar de rir de mim?  Paro de repente de andar e ele também faz a mesma coisa que eu. Você não está vendo que eu estou mal? Aponto para o meu rosto ao mesmo tempo em que faço uma careta.

Você vai ficar mal é agora ele cruza os braços. Arqueia uma sobrancelha. Dar um sorriso de lado e em seguida começa a rir. Um riso maquiavélico.

Por que fala assim? Pergunto, mas por dentro eu estava morrendo de medo da sua resposta.

Porque já que você escolheu o primeiro, eu tenho agora o total direito de escolher o próximo brinquedo em que vamos. E pode apostar que eu já escolhi um sorriso no canto de sua boca, aparece.

Aquele sorriso...

E qual seria?

Elevador.

Você ficou maluco? Se eu quase não respiro nesse brinquedo anterior, imagina nesse agora tentava me justificar de alguma maneira, até apelei pelo fato de ter praticamente passado mal, mas de nada adiantou o que eu disse. Ele já havia me pegado pelo pulso e me levava em direção a esse outro brinquedo. Eu só espero sair viva dele.

Me sento na cadeira já com um frio na barriga. Eu não gosto desse brinquedo, ele sobe até o seu limite e depois despenca rapidamente. Só em lembrar de como esse brinquedo funciona, eu já penso logo em desistir e sair daqui. Porém, o meu companheiro de brinquedos loucos, não queria que eu fizesse esse tipo de coisa, pois talvez ele percebeu o meu medo e imediatamente, antes do brinquedo funcionar, ele colocou a sua mão em cima da minha e disse com um sorriso no rosto: vai ficar tudo bem e foi só isso que eu consegui ouvir antes do brinquedo levar a gente lá para cima e bem rápido. Ele subia e descia. Subia e descia. Repetiu esse processo por diversas vezes. O Miguel ficou do começo ao fim com a sua mão em cima da minha, e teve até um certo momento, que eu não me lembro qual, mas eu entrelacei nossas mãos. Isso de certa forma me dava mais força e diminuía o meu medo. Até que por fim o brinquedo para e eu sai o mais depressa possível. Com esse vai e vem, repetidas vezes, acabei ficando com vontade de vomitar.

Ei, você está bem? Miguel pergunta assim que para ao meu lado. Sua mão repousa no meu ombro ao mesmo tempo em que olha para mim, preocupado.

O que você acha? Transmito ironia na minha voz.

Vem, é melhor você descansar pega na minha mão e me guia por algum lugar que eu ainda não consigo identificar qual seja. Vamos aproveitar para comer alguma coisa antes de irmos em um outro brinquedo, porque você está com uma cara... ele rir de mim mais uma vez. Dessa vez eu não aguento e bato em seu braço. Ele alisa o lugar em que eu bati, ainda rindo. De mim.

Esse garoto é um caso perdido.

Paramos em uma lanchonete e adentramos nela. Era pequena, mas confortável. Nos sentamos de frente um para o outro, ao lado da janela, onde conseguíamos ver a todas as pessoas; as que compravam seus tickets, as que esperavam na fila e as que já se posicionavam no brinquedo escolhido. Uma garçonete de pele morena, cabelos crespos e um sorriso amigável, chega ao nosso lado e nos entrega o cardápio. Eu peço um hambúrguer, uma coca-cola e batatas-fritas para acompanhar. O Miguel pede a mesma coisa que eu. A garçonete se retira.

Acho que a Jade não vem mais digo para ele, triste.

Eu também acho que não responde virando o seu rosto para mim, já que ele estava há segundos atrás, olhando para as pessoas que se divertiam.

A garçonete chega com os nossos pedidos.

Já estava quase terminando de comer, quando olho para o Miguel de relance, e o mesmo se encontrava olhando para mim. De repente ele começa a ficar estranho. Abria e fechava a sua boca várias vezes, como se quisesse falar alguma coisa, mas no fim não falava nada. Decidi ignorar, voltando a comer as minhas batatas-fritas, porém os minutos se passavam e ele continuava fazendo a mesma coisa. Já não aguentando mais, decido perguntar o que ele tem.

Você está querendo me falar alguma coisa?

N-não... quer dizer, sim começa a gaguejar.

Se decide dou uma risada. Quer ou não quer falar alguma coisa? Pergunto novamente.

Na verdade, eu quero sim instantaneamente ele fica desconfortável, pude perceber isso pelo seu tom de voz.

Pois fale o encorajo.

Eu queria me desculpar sobre aquele dia na balada... ele começa a falar e eu o escuto atentamente.

Era aquele dia do qual ele ia me beijar se caso a Jade não tivesse aparecido bem na hora. Só pode ser isso para ele querer se desculpar, mas isso já faz um bom tempo, por que ele quer tocar nesse assunto agora?

Tudo bem, não precisa se desculpar. A Jade já me disse que era porque você estava bêbado. Eu estava bêbada aponto para mim, tentando falar para ele que está tudo bem, que isso já passou, página virada, mas ele me interrompe.

Sim, eu sei, mas mesmo assim eu não deveria ter feito aquilo. Pelo menos não naquele dia seus olhos emitiam um certo brilho. O olho sem entender aonde ele quer chegar com isso. Ele percebe que eu não estou entendendo nada. Se aproxima de mim e coloca a sua mão no meu rosto. Ele estava tão perto que eu conseguia ouvir a sua respiração acelerada, batendo bem no meu rosto. Não naquele dia e sim agora repete o que disse há segundos atrás, porém acrescentando algo. Eu fico paralisada, a cada vez mais ele se aproximava de mim, da minha boca, ele já estava a centímetros de mim beijar e o que eu faria? Deixava ele me beijar ou simplesmente quebrava o momento? Sinto que não estou preparada para isso, pelo menos não agora. Entre nós, tudo está acontecendo rápido demais. Pensava em muitas coisas e não conseguia fazer nada a respeito, até que escuto o seu celular começar a tocar. Ele abaixa a cabeça e se afasta de mim. Retira o seu celular do bolso.

É a Jade me diz ao saber quem é e logo atende à ligação. Oi Jade, está tudo bem com você? Pergunta, já preocupado.

Aonde vocês estão? Nós já estamos aqui. E sim, eu já estou bem melhor responde.

É... estamos aqui numa lanchonete perto do brinquedo elevador. A gente vai ficar do lado de fora te esperando desliga a ligação. Guarda o celular no bolso e me encara.

Pelo que eu entendi a gente tem que ficar do lado de fora, porque a Jade acabou de chegar. Estou certa? Sorrio para ele e me levanto da cadeira. Quero sair dessa situação que se formou, o quanto antes. Não consigo nem olhar em seu rosto. Isso tudo é tão embaraçoso.

Certíssima! Confirma. Pagamos pelo lanche e saímos para fora do estabelecimento. Ficamos à espera da Jade aparecer e quando já íamos telefonar de novo para ela, conseguimos enxergar em meio à multidão, o Raul e bem ao seu lado, lá estava ela.

Oi, sentiram saudades de mim? Jade me puxa para um abraço.

Claro, mas eu pensei que você nem vinha mais. Você já está melhor, né? Pergunto assim que saio do nosso abraço.

Estou sim sorrir. Agora vamos logo escolher algum brinquedo para brincarmos. Olha, eu não sei em qual que vocês já foram, mas eu quero ir no Parangolé diz e nós vamos em busca desse brinquedo e depois dele, fomos em mais dois: a roda gigante e a montanha russa.

Como já estava ficando tarde, já era a hora de voltarmos para casa. Eles primeiro deixaram o Raul na casa dele e agora estavam indo me deixar na minha. Assim que chego, me despeço deles e saio do carro.

Entro em casa e subo para o meu quarto. Tomo um banho. Visto meu vestido frouxo para dormir e me deito na cama.

Penso em como essa noite foi simplesmente maravilhosa. Primeiro, nunca tinha ido ao um parque de diversões antes. Segundo, em as nossas mãos juntas diante aquele brinquedo assustador. E em terceiro, aquele "quase" beijo. Já é a segunda vez que isso nos acontece.

Isso está ficando cada vez pior.

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