11

Flávia

Dois meses haviam se passado depois daquela tarde, na casa da Jade. As coisas continuavam as mesmas íamos para a faculdade, saíamos juntas, entre outras coisas porém, nesse pouco tempo que havia se passado, uma coisa diferente aconteceu. O tipo de relação que eu estava construindo com o Miguel. A cada dia que se passa sinto que eu e ele estamos mais próximos um do outro, e só em pensar do que pode acontecer a seguir, eu já fico com medo. Não quero chegar a cometer o mesmo erro que cometi em relação ao Bernardo. O Miguel é só meu amigo. E é só isso que ele vai ser. Não quero perder sua amizade, não depois que o conheci realmente.

Deixando um pouco meus pensamentos de lado, olho para as lojas que se passavam pela a minha frente. Eu e a Jade estávamos no shopping fazendo compras. Como hoje à noite iríamos a um parque de diversões, ela me disse que a roupa que comprasse agora, iria usa-la hoje à noite. Mais que depressa me sinto ser puxada pelo pulso, entrando em uma loja que eu não sabia o que era, até ver várias roupas penduradas nos cabides.

Ela logo solta meu pulso e vai em direção as blusas. Vejo ela pegar uma e depois vai para outro canto da loja. Volto a olhar para as peças de roupas que se encontravam a minha frente. Eu também tinha que comprar uma roupa para mim. Enquanto passava todas, para ver qual me agradava, vejo a Jade seguir para outro lugar da loja. A parte das jaquetas. Ela rapidamente escolheu uma e foi para o provador. Ao olhar a cena meu queixo cai. Ela havia escolhido toda a sua roupa em questão de minutos, enquanto eu ainda não havia escolhido sequer uma blusa para mim.

Segundos depois ela aparece com a sua escolha de roupa, em seu corpo.

Essa roupa está boa para hoje à noite? Pergunta. Ela usava um short jeans azul, uma blusa branca com algumas listras azuis, uma jaqueta jeans por cima e para completar o look um sapato branco.

Está sim, ficou muito bonita em você eu a olhava com admiração devido a sua agilidade com as roupas. Essa roupa caiu perfeitamente nela. Se fosse eu, demoraria um século para encontrar alguma peça que combinasse com a outra e no final das contas ainda não ficaria legal.

Escolhe logo a sua roupa sugeri, passando a mão em várias peças de roupas ao mesmo tempo em que olhava para mim, para ver se eu gostava de pelo menos uma. Mas eu já havia escolhido uma. Foi assim que ela saiu do provedor e deu um giro para que eu pudesse ver como a roupa ficava em seu corpo, e foi só então que eu vi. Bem atrás dela. Era a primeira entre as roupas expostas nos cabides. Ela é perfeita. Perfeita para mim.

Na verdade, eu já escolhi me levanto do banco. Caminho em direção a roupa em questão. A pego e entro no provador. Me troco. Quando abro a cabine e saio, a Jade faz um O com a boca.

Nossa, você ficou muito linda com essa roupa. Tem que levar ela! Seu sorriso é deslumbrante.

Eu sei olho para a roupa. Eu usava um short jeans azul-claro, uma blusa branca com listras pretas e uma sapatilha preta.

Fomos em direção ao caixa. Pagamos a vendedora e em seguida fomos embora. O nosso dia de compras se encerrava por aqui. A Jade me deixou em casa, falando que às 19:00 horas vinha me buscar para irmos ao parque. Concordo com a cabeça. Me despeço dela e entro em casa. Já me encontrava na metade do caminho para ir ao meu quarto, quando a minha mãe me chama:

Filha vejo ela encostada na porta que ficava entre a sala e a cozinha.

Oi mãe, nem percebi que a senhora estava na cozinha desço as escadas para ir ao seu encontro.

Como foi o seu dia de compras? Pergunta assim que olha para as minhas mãos que já estavam bastante cansadas de tanto segurar esses pacotes com roupas.

Foi bem normal, igual a um dia de compras. Lojas, lojas e mais lojas, até que enfim achamos a roupa ideal dou uma gargalhada e minha mãe também me acompanha.

Que bom que vocês se divertiram. Mas agora eu tenho uma notícia para te dar e sei que você vai ficar muito feliz com isso seu sorriso é de orelha a orelha. Simplesmente grande, magnífico.

Ao ouvir essas palavras sendo pronunciadas, que tanto trazem um aperto em meu coração como saudade ao mesmo tempo, imediatamente meu irmão apareceu a minha mente. Um feriado estava por vim e ele poderia nos visitar. Só que ao pensar nisso, balanço minha cabeça para espantar essa ideia, pois o meu irmão nunca havia nos visitado em feriados e essa não seria a primeira vez, já que no último telefonema dele, ele chegou a dizer que estava muito ocupado ultimamente. Então descarto definitivamente esse pensamento. Mas se não é ele, quem pode ser? Ou que notícia é essa que ela quer me dar? Já que ela sabe que eu vou ficar bastante feliz com isso.

O que é mãe? Quando dou por mim já havia feito essa pergunta.

Bom, você sabe que vem um feriado por aí... diz pausadamente, com um sorriso alegre e um mexido de mãos, o que chega a me dar nos nervos. Eu quero saber logo do que essa notícia se trata. Eu não queria ter feito isso, mas a interrompo no meio de sua fala. Ela precisava adiantar isso.

Vamos mãe, me fale logo o que é, isso está me deixando impaciente solto minhas sacolas no chão, já não aguentava mais o peso.

A Heloísa e a Eloá, vem passar esses dias por aqui diz rapidamente, com um brilho no olhar. Meus pais amavam as minhas amigas e se elas vinham pra cá, mamãe sabia que eu ficaria muito feliz com isso. Os pais delas perguntaram se elas queriam vim pra cá e elas responderam que sim, que estavam com saudades. Então eles vêm deixar e buscar elas, depois eu estava paralisada com as suas palavras. Não conseguia sair do canto ou simplesmente me mexer.

As minhas amigas vêm pra cá. Que alegria!

Não acredito que isso é realmente verdade, mãe finalmente consigo falar alguma coisa. Essa é a melhor notícia que eu poderia receber agora felicidade e alegria enchem o meu peito. Eu tenho que falar com elas agora mesmo pego as sacolas novamente e sigo para o meu quarto, subindo de dois em dois degraus, para assim chegar mais rápido ao meu destino.

Por que elas não me disseram nada? — Penso, ao colocar as sacolas de compras na cama ao mesmo tempo em que pego o meu celular, em cima da escrivaninha. Escrevo uma mensagem para elas, ou pelo menos tento, já que estou em êxtase e minhas mãos trêmulas, devido a notícia ainda está sendo processada pelo meu subconsciente.

— Eu só soube agora que vocês vão vim pra cá. Passar o feriado. Estou tão feliz — me sento na cama para tentar aliviar mais o meu coração. Agora só falta elas me responderem.

Como a mensagem da parte delas não vem de imediato, desço as escadas a procura de um copo d'agua. Já subia para o meu quarto novamente quando escuto o barulho do meu celular. A mensagem havia acabado de chegar. Corro para pega-lo como se minha vida dependesse disso.

— Na verdade foi uma coisa que a gente nem imaginava, porque sempre nos feriados nós passamos em casa. Porém, nossos pais, já estavam com outros planos para nós. Hoje, assim que acordamos, eles perguntaram se não gostaríamos de passar esses quatro dias de feriado na sua casa. Ficamos sem reação na hora, mas depois respondemos que sim, que adoraríamos passar esses dias com você. Vamos chegar na quinta-feira, pela manhã — Heloísa me explicou tudo, como os seus pais haviam feito o convite, até a parte em que elas disseram sim.

— Ainda não estou acreditando nisso. Só vou acreditar quando ver vocês duas aqui, bem do meu lado — só assim, eu finalmente acreditarei, que elas estão aqui.

— Mas nós vamos, pode acreditar, amiga — Eloá foi a próxima a entrar na conversa.

Ao ficar conversando com elas, nem percebo a hora passar bem diante dos meus olhos, e quando olho para o relógio de parede que havia no meu quarto, verde, percebo que já são cinco e meia da tarde. Me despeço delas, falando que vou me arrumar, pois iria ao um parque de diversões.

Assim que termino de tomar banho, visto a roupa que eu havia comprado hoje mais cedo no shopping. Passava um batom rosa nos lábios, quando escuto uma buzina em frente à minha casa. Olho pela janela, mesmo já suspeitando de quem seja, e vejo o Miguel saindo do seu carro. Guardo o batom no estojo de maquiagem. Ajeito meus cabelos ao me olhar uma última vez no espelho, e saio do quarto. Desço as escadas. Me despeço da minha mãe e do meu pai.

Ao abrir a porta, fico ali, paralisada com o que vejo. O Miguel estava encostado no carro com os seus braços cruzados acima de seu peito e ainda mais lindo do que de costume. Como isso é possível? Ele usava uma calça preta colada, uma blusa preta e uma bota preta. Ele está excepcionalmente lindo, mas na mesma hora me repreendo de pensar isso, afinal somos só amigos, não somos? É só então, depois de tanto o encarar, que percebo que a Jade não está ao seu lado, como de costume. Onde ela está?

Cadê a Jade? Rapidamente pergunto.

Eu suspeito que ela estava muito ansiosa para esse passeio, pois acabou ficando com febre diz simplesmente ao descruzar os braços.

E por que você não ficou com ela? Arqueio uma sobrancelha. Nós podemos sair um outro dia, os quatros juntos, é só você desmarcar com o Raul tento explicar para ele que o melhor a se fazer agora, era ficar em casa junto com a sua irmã, que está doente. Mas parece que a minha explicação entrou pelo um ouvido e saio pelo outro.

Ela disse que não precisava eu me preocupar, e nem você pega em minha mão antes de eu sair de casa eu dei remédio a ela. A Jade me disse que se melhorasse logo ela se encontrava com a gente por lá, com o Raul sorria de um modo que pudesse deixar a minha preocupação de lado, só que estava sendo bem difícil. A Jade é minha amiga. Eu devo me preocupar com ela. Aconteceu do nada, tão rápido, de repente. Hoje de manhã ela se encontrava tão agitada e agora estava assim. E então podemos ir agora? Pergunta bem rápido, sabendo que eu estava pensando a respeito.

Se ela disse que se melhorasse iria, então vamos ao parque, aproveitar. Por que não?

Ok, vamos dou um sorriso. Ele abre a porta para mim e eu agradeço ao entrar. Dar a volta no carro e em seguida entra, se sentando ao meu lado.

Você ficou muito bonita com essa roupa diz já com o pé na estrada e na mesma hora eu sinto minhas bochechas esquentarem. Eu sempre fico assim quando ele me elogia.

O-obrigado. Você também está muito bonito com essa sua roupa digo simplesmente ao virar meu rosto para encara-lo. Era uma verdade que deveria ser dita. Para quê mentir? Se ele ficou gostoso nessa roupa. Espera, o quê? Eu não acredito que acabei de pensar nisso.

Valeu, mas eu já sabia que você ia gostar. Por isso a escolhi vira o seu rosto para mim. Por breves segundos nossos olhares se encontraram, e foi... mágico, porém se ele não olhasse logo para a estrada poderíamos sofrer um acidente.

É... você já pode olhar para a estrada agora dou uma risada e logo viro meu rosto para a janela, para ver se o vento poderia refrescar o meu rosto, que pelo visto deve estar muito vermelho, pois eu sinto queimando. Aproveito e admiro o caminho ao qual estamos seguindo.

Ao chegar no parque, o Miguel procura por uma vaga para estacionar o seu carro. Demorou um pouco para acharmos, já que o parque era estreia e como hoje é final de semana, uma coisa juntou a outra, mas finalmente encontramos um lugar. Saímos do carro. O vento frio da noite brincava com os meus cabelos.

Entramos lado a lado no parque e ao ver todos aqueles brinquedos se movimentando, para cima e para baixo, para todos os lados, nos perdemos por alguns segundos só olhando para aquela imensidão. Até que ficamos cara a cara, para resolvermos em qual brinquedo iríamos primeiro, já que veio só nós dois e não queríamos ir separados. A diversão é sempre melhor quando se tem companhia.

Que tal a gente ir no kamikaze? Praticamente gritava ao seu lado, por conta do barulho.

Eu prefiro começar logo pela montanha russa  um sorriso se forma em seus lábios.  Agora vamos ter que decidir isso dar uma gargalhada.

Eu ainda prefiro o kamikaze arqueio uma sobrancelha e cruzo os braços. Ele me olha por alguns segundos fazendo essa posse. Balança sua cabeça para os lados, como se negasse o meu comportamento.

Ok, você venceu. Vamos nele Miguel cede e nós saímos a procura do brinquedo. Assim que o encontramos, compramos nossos tickets. Sentamos um ao lado do outro e ficamos à espera do brinquedo começar a funcionar. 

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