10
Flávia
— Você vai buscar o biquíni? — Jade olha para mim.
— Acho melhor não, não estou querendo nadar... — eu tinha que melhorar as minhas mentiras, estava na cara que ela percebeu que eu acabei de mentir, que queria mesmo era nadar.
Quando eu saí de casa eu não imaginei que fosse me dar tão bem assim com todos aqui, principalmente com o Miguel. Eu não havia esquecido o meu biquíni, eu fiz de propósito, esquece-lo.
— Tem certeza? — Pergunta, desconfiada, e eu balanço minha cabeça. — Mas qualquer coisa você pode deixar uma blusa seca, já que veio com duas — pega na blusa xadrez, que estava enlaçada na minha cintura. — Mas o pior que mesmo assim, você ficaria com as suas peças íntimas molhadas.
Ela havia percebido que eu queria nadar, por isso que estava falando várias maneiras de como não molhar minha roupa. Já que ela também deve ter percebido que eu não queria usar o seu biquíni.
— Sim, é melhor não arriscar — saímos em direção a piscina.
Ao chegar lá, havia algumas pessoas dentro d'água enquanto o restante se preparava para saltar, mas todos já estavam molhados. Então como eu não ia nadar, pois não queria usar as peças íntimas da Jade e não queria molhar minha roupa, fico na beirada da piscina apenas com os meus pés dentro d'água, mexendo eles para frente e para trás ao mesmo tempo em que olhava para todos ali.
Vejo a Jade tirar sua roupa. Seu biquíni rosa aparece e ela se prepara para se jogar na piscina. Eles estavam se divertindo muito e até eu mesma, mesmo não nadando junto a eles. Na maioria das vezes, eles se viravam para mim e faziam algumas caretas engraçadas, já em outras vezes jogavam alguns pingos d'água em cima de mim. Mas o mais importante, era que mesmo eu não estando ali, curtindo com eles, em nem um momento eles me deixaram sozinha ou fizeram eu me sentir sozinha. Até a Cecília que conheci a pouco tempo, estava se mostrando uma ótima garota.
Gargalhava bem alto devido a uma piada que fizeram, quando de repente, ao jogar a minha cabeça para trás por conta da minha risada, vejo o Miguel vindo, já sem blusa, e trazendo consigo sua guitarra. — Ele vai tocar aqui? — Um sorriso se forma em meus lábios devido a esse pensamento. Ele coloca a sua guitarra em cima de uma cadeira. Retira sua bermuda. E vem correndo para se jogar na piscina. Fico tão fascinada que não paro de olha-lo um minuto sequer, mesmo ele estando debaixo d'água, e acho que ele percebeu pois ele está nadando na minha direção. O seu olhar penetrante é a única coisa que está acima da superfície.
— Você só vai ficar aqui mesmo sentada? — Pergunta. — Vem nadar — me chama, mas ao mesmo tempo ele me impede de fazer tal coisa, já que suas mãos pararam bem ao lado das minhas coxas, uma do lado da outra.
Respiro fundo.
— Eu não quero molhar a minha roupa — dou uma risada rápida, ao revelar isso.
— Não acredito nisso — fica sério, mas logo rir. — Você só não vai nadar por causa disso, da sua roupa se molhar? — Se aproxima mais de mim e eu faço a mesma coisa, nossos rostos estavam a poucos metros de distância. Ele arqueia uma sobrancelha, esperando a minha resposta.
— Eu me esqueci de trazer o biquíni e não quero molhar minha roupa — engulo em seco ao perceber que ele me olhava fixamente. Os pingos d'água desciam de seus cabelos, passando por seus cílios e terminavam nos seus lábios, quando ele puxava as gotas para dentro de sua boca, devido a ele ter acabado de lamber os mesmos.
Deus, como ele estava me provocando.
— Eu não aceito um não como resposta — se afasta de mim. — Vamos, tira logo essa roupa, coloca ela em alguma cadeira ali perto e vem nadar com a gente. Estou te esperando — ele nada até o centro da piscina, o tempo todo olhando para mim.
Então faço o que ele me sugeriu, não porque ele pediu, mas porque eu realmente queria ficar junto daquela galera. Não conseguiria aguentar mais nem um segundo sequer longe deles. Longe daquela energia.
Me levanto. Retiro minha roupa, a deixando numa cadeira ali perto e pulo na piscina. Ao chegar na superfície, vejo ele vindo na minha direção.
— Não foi tão ruim assim se molhar, ou foi? — Sua risada é leve.
— Bom, na verdade... — ia falar mais alguma coisa quando olho diretamente nos seus olhos e me lembro como ele havia me provocado, possivelmente sem intenção, a poucos minutos atrás. Só fui salva de olhar em seus olhos por mais tempo, porque escutei a voz da Jade quase perto de mim. Desvio meu olhar do dele e é nessa hora que ela para ao meu lado.
— Então a gatinha decidiu nadar — ela sorrir, alegremente, para mim.
— Eu convenci ela — Miguel se pronuncia e eu olho para ele. Em seguida me dar um sorriso de canto da boca e para disfarçar as minhas vergonhas anteriores, olho para o lado novamente.
Nadamos por bastante tempo, até que vimos os primeiros indícios do pôr do sol. O Miguel sai da piscina. Pega uma toalha para se enxugar e vai atrás da sua guitarra. Quando a acha se senta no chão de granito, para começar a tocar. Todos fizeram a mesma coisa que ele. Saímos da piscina e fizemos uma roda. Ele mais que depressa começou a tocar e a cantar. E nossa, eu não esperava isso dele. Para falar a verdade, eu nunca pensei que ele pudesse cantar e tocar tão bem assim.
Depois de várias músicas tocadas, na última, eu cheguei a perceber que ele cantava diretamente para mim, pois não parava de me olhar. E acho até, que todas as outras pessoas que estavam ao nosso redor também perceberam isso, já que alternavam os seus olhares do Miguel, para mim. Foi o tempo todo assim. O Miguel parecia não perceber ou simplesmente não ligava para isso. Vergonha, é o que sinto nesse exato momento. Olho para ele clamando para que acabasse logo com isso. Eu não estava reclamando, longe disso, eram só os olhares que estavam me deixando desconfortável. Nunca alguém havia cantado para mim antes, nem mesmo o Bernardo. É só então que ele percebe os meus olhares dirigidos a ele e aos poucos a música para por completo.
Todo mundo se levanta, já que estava escurecendo lá fora, e eles tinham que voltar para suas casas. Se arrumaram e foram embora. Me despeço de cada um deles. Também só não fui para casa, pois estava pensando em alguma maneira das minhas roupas íntimas secarem. Penso em várias coisas, quando alguém me chama, fazendo-me sair do meu devaneio.
— Se você quiser, pode descansar no quarto dos meus pais enquanto sua roupa enxuga — Miguel me olha de cima a baixo, com um olhar provocante. — Lá tem vários livros e você pode ficar lendo, mas só se você quiser.
— Até que não é uma má ideia — respondo. Ele concorda e me leva para o quarto dos seus pais.
— Eu nunca tenho más ideias — o seu sorriso no canto da boca já estava no seu rosto. — Sinta-se à vontade, quando estiver pronta, pode nos chamar para irmos te deixar — abre a porta do quarto para mim.
— Está bem — fecho a porta. Deixo minha roupa secando enquanto vou tomar um belo de um banho. Saio do banheiro e visto um roupão que havia em cima da cama. Caminho em direção a pequena prateleira de livros e escolho um aleatório. Leio por alguns minutos e quando vou conferir minha roupa, ela já está enxuta.
Saio do quarto e vou para o quarto da Jade, o mesmo se encontrava entreaberto, porém ela não estava lá. Olho para a porta que indicava ser o quarto do Miguel, mas não me atrevo a bater nela. Desço as escadas. Procuro pela Jade e a encontro na cozinha.
— Se você está aqui imagino que sua roupa já deve ter secado — sorrio com a sua conclusão. — Quer jantar antes de irmos te deixar na sua casa? — Pergunta, ao mesmo tempo em que desliga o botão do fogão. A comida estava pronta, sinto só pelo cheiro que preenche tanto a cozinha quanto as minhas narinas. Lasanha, arroz e salada.
— Se não for incomodo, quero sim — saímos da cozinha indo em direção a sala. Me sento no sofá e ela abre a televisão. Ficamos assistindo a uma programação qualquer.
— Miguel, vem comer — Jade grita bem alto para que o seu irmão a ouvisse. Logo ele desce. Vai para a cozinha pegar sua comida e depois se senta no sofá, bem no meio de nós. Ficamos assistindo um pouco, até que por fim, pergunto:
— Vocês podem me deixar em casa, agora?
— Claro — Jade olha para o Miguel e ele concorda com a cabeça.
Fomos o caminho todo conversando. A minha primeira, segunda e terceira impressão sobre ele, estava totalmente enganada. Ele não é aquele tipo de garoto que eu achei que fosse. Eles me deixam em frente à minha casa. Me despeço deles e abro a porta da minha residência. Vejo minha mãe e meu pai na sala, assistindo ao um filme, e me sento no outro sofá para conversar com eles. Os dois estavam bem juntinhos e eu não queria atrapalhar isso. Iria ser bem breve.
— Oi mãe, oi pai.
— Oi, filha — disseram os dois juntos na mesma hora.
— Como foi lá? — Mamãe pergunta.
— Foi bem legal. — Sorrio. Eu até queria conversar mais, porém não queria atrapalhar esse momento tão íntimo deles, por mais tempo. Nós poderíamos conversar mais tarde. Logo subo para o meu quarto.
Estou muito cansada, mas não vou dormir sem antes conversar com as minhas amigas, das quais queriam muito saber, sobre tudo o que aconteceu hoje por lá.
— Oi meninas. Cheguei em casa agora. Já podem me fazer perguntas — mando a mensagem para elas.
— Ficou com ele? — Eloá, como sempre, vai direto ao ponto da sua curiosidade.
— Você como sempre com essas perguntas. Não, não fiquei com ele, mas estamos começando uma amizade — não iria dizer a ela, que rolou quase que uma provocação da parte dele, se eu dissesse isso, ela ficaria doida.
— Que bom, eu estava com medo que ele estivesse só brincando com você. Mas, como foi lá? — Heloísa pergunta.
— Eu cheguei atrasada, de propósito, mas porque estava com medo. Nós assistimos a um filme, depois fomos jogar videogame e por último fomos nadar. E uma coisa que eu não sabia garotas, ele sabe tocar e cantar maravilhosamente bem. — Digo para elas.
A parte do tocar e cantar ainda estava gravada na minha memória, tanto a maestria que ele tem com o instrumento e a voz, como pelo fato da última música.
— Ainda não acredito que vocês não ficaram — Eloá transmite decepção em suas palavras.
— Mas pelo menos agora somos amigos. E eu vou dormir, meninas, estou muito cansada e amanhã tenho aula. Tchau. — Nem espero elas me responderem, pois acabo adormecendo.
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