27 - CAPITULO III
Eu a vi pela primeira vez ao pé da imensa escada vitoriana da casa do Conde Vlad. Mas, isso eu conto daqui a pouco.
Acredito que essa memória me será mais que dolorosa.
Eu sei que vou chorar.
Eu a amava tanto, você não tem noção... chega doía.
Mas, indo para o início de tudo.
O Conde me viu andando como uma ovelha desgarrada pelas ruas fedidas de Londres.
Só um adendo, se você puder colocar a música "Someone Like You" de Adele, e escuta-la enquanto conto essa historia de amor, ficarei muito grato.
Eu estava sujo. O grude me comia o corpo e os piolhos se banqueteavam na minha cabeça com meu sangue... eu tinha mais piolhos que cabelos. Era uma infestação humana.
O Conde Vlad levou-me para sua imensa Mansão e cuidou de mim. Me alimentou, me deu emprego. Não ganhava muito, mas era uma coisa digna.
Meu trabalho consistia em limpar todos os vidros da mansão. E digamos de passagem eram inúmeras. Chuta aí um número!
568 Janelas. Todas de vidro. Fora as portas.
O Conde era um homem justo. Mas, muito estranho nas suas ações e na sua aparência.
A beleza dele destoava de todos os outros. Ele tinha dois metros de altura, sua pele era branca igual um mármore polido, e sempre andava com óculos de armação que cobriam seu olhos. As lentes eram de todas as cores. Embora as com tons lilás eram as mais comuns.
Eu deixei de contar quantos óculos escuros ele tinha, depois do primeiro ano naquela mansão.
Como estava contando, era uma beleza exótica que encantava homens e principalmente as mulheres. Elas se apertavam durante os bailes de máscaras para vê-lo.
O homem era a elegância em pessoa.
No terceiro ano que estava lá, me foi permitido participar como garçom num dos bailes. Eu só servia champanhe na entrada. Esse era meu único trabalho. O convidado chegava e enchia a taça pela metade.
Em um desses dias, eu fui pegar mais champanhes para servir os convidados que chegavam quando vi a mais linda criatura dessa terra.
Ela estava linda usando um vestido preto. Seus cabelos loiros estavam presos para trás. Seus olhos... meu Deus... que olhos eram aqueles. Pareciam dois caramelos de tão amarelos.
Eu a amei assim que a vi. Minhas mãos soaram, meu coração entrou em descompasso e minhas pernas fraquejaram.
A saliva transbordou de minha boca e caiu no chão sem querer.
Eu estava absorto. Hipnotizado. Perplexo e desorientado.
Nunca uma coisa daquelas havia acontecido comigo, e pode ter certeza que eu vi muitas mulheres lindas, mas, Sophie foi a única que me derrubou.
Eu acredito que passei muito tempo parado na entrada que descia para adega do patrão, olhando para Sophie, e fui percebido por ela e quando vi que ela me olhava de volta, pisei em falso e despenquei escada a baixo.
Felizmente não quebrei nada. Digo, não me quebrei. Foram 3 lances de escadas de madeiras rumo à escuridão da adega.
Lá em baixo, eu vi um vulto. Seus olhos acenderam e apagaram. Eu tive medo, mas, logo passou porque escutei aquela doce voz chamando pelo meu nome.
Sophie, sabia meu nome. Como poderia ser isso? Eu nunca havia falado com ela ou mesmo a tinha visto.
Ela sorrindo me estendeu a mão. E perguntou se estava bem. Eu acanhado, respondi que sim. Limpei minha roupa, olhei para onde havia visto aqueles olhos, mas, a escuridão cobria tudo.
Quando olho para cima, aqueles olhos amarelos me recebem de uma forma que nunca imaginei que alguém me poderia olhar daquele jeito.
E eu amei aquele olhar.
Eu amei aquela mulher com uma força que me faria conquistar o mundo para ela.
Ela sorria de lado. Era um charme diferente. E seu acanhamento me fez seu protetor. Eu mataria por ela.
Desculpa usar as forças dessas palavras, mas, eu espero que um dia você ame alguém como eu a amei e fui amado.
Sophie, me amou sem reservas ou pudor.
Naquela noite, eu sabia que estaria ligado aquela alma por toda uma eternidade. As eras poderiam girar suas rodas dos tempos, mas eu a encontraria. Não sabia como isso seria possível, mas, eu tinha certeza que a morte não nos separaria por muito tempo.
Eu espero que você seja amado como eu fui.
Certo dia, depois de uma dessas festas ou bailes com máscaras, um dos mordomos chegou na cozinha sem eu perceber e me perguntou o quanto amava a Sophie... porquê era notório como nos amávamos... e ele já havia amado uma mulher com aquela intensidade que ele via em mim.
Eu o respondi que a amava mais que amava a mim mesmo, que a amava mais do que qualquer divindade que pudesse existir. Eu a amava acima de qualquer deus ou deusa.
O homem olhou para mim, seus olhos não me eram estranhos, mas, eu tinha certeza que nunca tinha o visto... deveria ser um empregado novo... mas, o que ele disse marcou-me naquele dia.
"Ame-a como se não houvesse amanhã, porque os dias passam como a relva da manhã, e os fios dos anos são impiedosos com a vida."
Ele ainda me disse que faria muito gosto de ser padrinho, percebi que se emocionou, creio que até chorou, mas, sumiu para a festa sem que eu percebesse quando se dera seu desaparecimento.
Eu segui o conselho daquele desconhecido.
Nós nos amamos como se não houvesse amanhã.
Sophie, me deu esperança que poderia existir bondade num mundo perverso.
Meu Pai, como ainda dói escrever isso. Como me é dolorido o que vou te contar.
Só não desista de mim, depois que te contar o que tenho para falar.
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