18 - A ETERNIDADE TEMPORAL

         Eleonor chega na faculdade com o corpo relaxado. Ela sente que dormiu muito bem. E logicamente quando dormimos bem, o dia nasce de outra forma... mais belo e sugestivo às coisas boas.

          O primeiro turno, o tempo passa com máxima leveza, realmente vem sendo um dia totalmente diferente dos outros dias.

Eleonor, depois que as duas aulas seguidas de Anatomia terminam, sente fome e segue para o "Bandejão", que é um restaurante "self service ", com comida saborosa e preços que cabem no bolso.

Quando menos espera, Eleonor vê Rafael sentado mais à frente, de costas para ela. Seu coração dispara.

"Será que ele não me viu ou está esperando alguém?"

É o primeiro pensamento que chega à sua cabeça.

Enquanto ela se pergunta se deve ou não sentar aonde Rafael está, uma menina senta de frente para ele.

Novamente, seu coração acelera. Mas, desta vez, com raiva de si mesmo. Porém, uma frase chega de imediato na sua cabeça.

Uma fresa sempre dita pela sua mãe:

"Nada é por acaso".

— Verdade! Se uma coisa tiver que acontecer, vai acontecer.

— O que vai acontecer?

Eleonor toma um susto! A cerca de meio segundo atrás Rafael estava sentado há duas ou três fileiras a frente dela e agora se encontrava bem ali, em pé, diante dela, segurando sua bandeja com comida.

— Está esperando alguém? Posso sentar?

— Não! Quero dizer, sim! — Rafael abre um sorriso pela confusão das palavras que Eleonor está fazendo. — Meu Deus... recomeçando... Não estou esperando ninguém e sim, pode sentar.

— Ufa! Ainda bem que foi essa sequência! Meu coração morto de saudade iria explodir de tristeza.

Rafael senta e se instaura um breve silêncio. O rapaz, quebrando o gelo, diz:

— Você está diferente hoje.

— Como assim, diferente?

— Seu semblante está mais leve.

— Ontem dormir super bem.

Rafael abre um leve sorriso no canto da boca.

— Deixe de ser presunçoso! Não teve nada a ver com suas mensagens! - Risos - Eu me sentir guardada, zelada, cuidada, enquanto dormia. Foi de uma paz tremenda.

— Olha, desculpa se te incomodei nesse seu momento. Foi mal.

— Rafael, eu não sou uma mulher de muitos amigos. Tenho pouquíssimos. Você já viu algum comigo? Pois é. Sempre ando sozinha. E é lógico que queria ter muitos amigos, porém, sempre é muito complicado.

Rafael, coloca a bandeja com sua comida para o lado, debruça os braços sobre a mesa fazendo um "X" e diz:

— Ontem a noite você me disse a mesma coisa. Entendo seu receio, mas, eu não sou igual a todo mundo.

Eleonor olha bem dentro dos olhos de Rafael e não encontra nenhum vestígio que ele esteja falando aquilo, somente por falar.

— Eu não acredito em almas gêmeas, mas acredito que no amor à primeira vista. Eu acredito que possa amar uma pessoa para sempre, apenas tendo-a visto uma única vez. Eleonor, eu também acredito na eternidade temporal do amor.

— Rafael, tem uma coisa que preciso te falar.

— Manda. Sei que precisa ser dito, mas, não importa, tudo que falei anteriormente aconteceu comigo quando te vi pela primeira vez.

POW!

Por essa, assim? Na lata? Eleonor não esperava.

— Eu sou uma mulher trans.

Rafael estende as palmas das suas mãos para cima, pedindo o aconchego das mãos de Eleonor, que atende o pedido.

— Eu te amo. Quando vi você pela primeira vez, disse a mim mesmo que havia achado a mulher da minha vida. Eleonor, você é a mulher dessa e de tantas outras vidas que puderem existir.

Acariciando as costas das mãos de Eleonor, Rafael olha para ela e pergunta:

— Posso te beijar?

Com o coração disparado e acenando um "sim" com a cabeça, Eleonor espera o encontro dos lábios de Rafael.

O tempo parou ali para eles e os dois se beijam como se fossem eternos amantes, desplugados de uma vida passada e reencontrada nesta atual.

— Tem uma coisa que preciso te dizer. — Fala Rafael com um leve sorriso no rosto. — Eu menti pra você... eu acredito em almas gêmeas.

        Eleonor abre o sorriso mais lindo que uma pessoa apaixonada pode dar.

        Gentilmente, Rafael faz um afago no rosto de Eleonor, para beija-la novamente.

Eleonor, espera que o dia volte a demorar a passar.

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