Sempre foi ela

Isabela de Freitas é o nome dessa baixinha que faz minha cabeça girar, literalmente, toda vez que passa por mim. É algo meio involuntário e, como respirar, quando percebo já estou olhando pra bunda dela cheio de tesão, me controlando pra prestar atenção em qualquer outra coisa. Sabe o pior? Somos amigos desde sempre, crescemos juntos e a vi se tornar esse mulherão de hoje. Porra, ela é maravilhosa e nem tem noção do tanto que me perturba! Tem sido, a cada dia, mais difícil continuar apenas um amigo. Meu corpo já age por conta própria toda vez que sinto o seu perfume. Basta ela passar por perto para o vacilão acordar, o volume dentro da cueca aumentar e então me forço a lembrar do ritual de acasalamento do louva-a-deus, com a fêmea devorando a cabeça do macho depois do acasalamento - uma cena horrível para qualquer macho, não importa a espécie - e torcer que isso vá esfriar o fogo dentro da minha calça. É muito complicado esconder meu tesão quando estamos conversando, se ficamos de frente não paro de olhar para aqueles seios redondos; se ficamos lado a lado e ela joga seus longos cabelos negros por cima do ombro, sem perceber já estou pirando naquele simples ato de virar o pescoço. O resultado, toda vez que estou com ela, é o mesmo: uma puta dor nas bolas! Sério, eu mereço o Oscar de melhor ator por conseguir disfarçar tão bem!

Não pense você que é apenas aquele corpo cheio de curvas maravilhosas e seios fartos que me pira. Eu sei que, muitas vezes, sou bem cafajeste. Cansei de falar coisas românticas para a garota da vez, só para levá-la pra cama e no outro dia nem lembrar do nome da criatura. Mas com ela eu me sinto diferente e para você não me achar um escroto completo, já vou dizendo que não me sinto atraído somente por aquele corpão maravilhoso. Isabela de Freitas, a Isa, tem um cérebro que me fascina. Sim! Essa mulher é a única que consegue me acompanhar nas mais loucas conversas e ainda tem a capacidade de me deixar sem argumentos em diversos assuntos que sou especialista! Fico entusiasmado com nossas conversas, quando falamos sobre como a DC é melhor que a Marvel, ou quando entramos na eterna argumentação de que a trilogia do Mochileiro das Galáxias é superestimada. Ela chegou ao cúmulo de me convencer a ler (e a gostar de) todos os livros da saga de Harry Potter! Isa é a mulher mais inteligente, analítica e estrategista que conheço. Tô parecendo um bobo apaixonado falando essas coisas, não é? O pior é que essa é a mais pura verdade!

Voltando ao tema inicial, tem muito tempo que amo minha melhor amiga e tenho pensado em várias maneiras de revelar isso a ela, sem muito sucesso até então. Tudo indica que o universo conspira ao meu favor e hoje é o dia ideal para colocar meus planos em prática. Primeiro dia da primavera, aquele calorzinho agradável. Tarde perfeita para curtir um pôr do sol na praia num lugar estratégico.

Pego o celular e digito o número que já sei de cor e salteado. Meu coração acelera antes mesmo de ouvir a voz aveludada que atende o telefone no terceiro toque.

- Oi Gus, tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

- Oi gata! Aconteceu sim.

- Qual a garota da vez que não te deixa em paz? - responde fingindo aborrecimento.

Eu gostaria de dizer que a única garota que não sai dos meus pensamentos, dia e noite, é ela, mas me controlo e com uma risada sarcástica respondo algo que odeia ouvir só para soltar aquele grunhido que me mata de tesão.

- Tem várias! Posso te passar a lista pra você resolver o problema pra mim?

- Argh! Fala logo o que você quer que eu estou ocupada!

- Gata, relaxa. A única mulher que me tira do sério é você...

- Ok, garanhão! O que quer comigo num sábado a tarde?

- Te fazer um convite.

- Olha só! Agora eu fiquei interessada.

- Que tal irmos até a orla comer uma tapioca e assistir o pôr do sol? A tarde está maravilhosa e pedindo para ser curtida, não acha?

- Quem é você e o que fez com o meu amigo Gustavo?

- Diga logo que vai e deixa de ser chata! - Respondo sorrindo e sabendo que estou agindo estranho com ela. Estou sorrindo, mas é de nervoso. Não posso estragar nossa amizade. Não quero estragar o que temos! - Só quero curtir uma tarde linda de primavera ao lado de minha melhor amiga, relaxando e sentindo a maresia na cara.

- Gus, tem certeza que está tudo bem? Tô começando a ficar preocupada.

- Tudo está maravilhosamente bem. Não posso querer curtir um fim de tarde ao lado de uma gata com quem gosto de passar o tempo?

- Se não fôssemos amigos desde sempre, diria que você está tentando me seduzir.

Ops!

- Devo considerar essa sua resposta como um sim?

- Tudo bem, mas você vai ter que vir me buscar em casa.

- Fechado! Passo aí às 15h.

- Mas isso é em menos de uma hora?!

- Te vira baixinha! Sei que consegue se arrumar rápido. Você fica linda de todo jeito.

- Ok! Estarei pronta às 16h! Xau.

Apesar do sorriso bobo em meu rosto, minhas mãos estão suadas e a ansiedade me pegou em cheio. Preciso fazer algo, então ligo o carro que havia parado no acostamento para fazer a ligação e sigo para a casa dela. Ligo o rádio e Send Me An Angel do Scorpions invade todo interior do meu Cobalt. A voz de Klaus Meine me acalma um pouco e canto junto com ele, batucando os polegares no volante, seguindo o ritmo da música.

Não demorei muito para chegar em frente à casa de Isabela, então procurei um lugar com sombra para estacionar e esperar dar o horário que combinamos. Pretendo me declarar hoje e toda a certeza que eu tinha de ser um bom plano minutos atrás, se esvaiu como água escorrendo entre meus dedos. Ah, foda-se! Não posso conviver mais com essa tortura todos os dias. Isa é o centro da minha vida. Tudo, absolutamente tudo converge para ela. Ela preenche meus pensamentos durante os dias e invade meus sonhos a noite. Já perdi as contas de quantas vezes sonhei que lambia aquele corpo que me atormenta e desperta meus instintos mais primitivos. Perdi as contas de quantas vezes acordei de madrugada, com o pau latejando e precisando bater uma punheta pra me acalmar. Já tentei tirar Isa da cabeça usando outras mulheres, me envergonho de dizer isso, mas é a verdade e como você já deve ter percebido não deu certo. A grande verdade é que até posso ficar sem a Isa como mulher, mas jamais conseguirei ficar sem a minha melhor amiga. Estou com um pouco de medo, mas dane-se, vou arriscar!

Olho para o relógio no painel e me espanto ao ver que já são 16h. Ligo o carro e fazendo uma pequena manobra, estaciono em frente ao portão dela, tocando de leve a buzina. Meu celular vibra e confiro a notificação em áudio no whatsapp.

- "Já estou indo, Gus. Só mais 5 minutinhos."

- "Vem logo, baixinha"- Isso saiu tudo errado da minha boca, essa ansiedade parece que vai consumir minha coragem de me declarar.

Sorrio olhando para a tela do aparelho, imaginando o beicinho que ela faz quando se irrita e a forma como solta a respiração pelo nariz, imitando um touro raivoso. Ela fica linda quando está irritada!

Escuto o barulho do portão abrindo e ao virar a cabeça para olhar na direção, meu pau fica duro na hora. Isa está com um vestido branco, na altura do joelho, de alcinhas, estampado com coisas vermelhas que parecem rosas, justo até a cintura e com a saia folgada. Acena para mim com um sorriso no rosto e vira de costas para passar a chave no portão. Pronto, é o suficiente pra eu não me aguentar e pegar no meu pau, duro como uma barra e espremido na minha cueca boxer preta. Pro meu azar (alguns diriam sorte) uma brisa sapeca mais forte, ergue o vestido me deixando no camarote da cena mais maravilhosa da minha vida: um belo par de coxas, grossas, e aquele bundão delicioso dentro de uma calcinha de renda vermelha. Isa solta um gritinho e baixa o vestido, tudo muito rápido, mas o suficiente para eu quase explodir. Já era! Agora estou com uma ereção impossível de esconder. Puta que pariu! Essa mulher definitivamente já me enlouqueceu. Antes que ela perceba o que está acontecendo, pego minha pasta do notebook e apoio sobre meu colo.

A baixinha entrou no carro como se nada tivesse acontecido, mas só eu consigo perceber quando aquelas bochechas ficam mais rosadas - de vergonha - do que o normal; me beija no rosto e com o semblante mais inocente de todos solta um suspiro, encostando-se na cadeira para colocar o cinto. Fiz a única coisa que não deveria ter feito naquele momento: olhar para ela. Ela não está usando sutiã. Porra, mais essa agora! Ligo o carro e pisando fundo no acelerador, sai cantando pneu. Preciso tirar o foco dela o mais depressa possível e o melhor a fazer é me concentrar na estrada.

- Nossa, pra que tanta pressa? Isso tudo é fome?

- Sim. Muita fome. Estou desesperado de fome, a ponto de comer uma pessoa. - Respondo sem desviar os olhos da pista.

- Meu Deus, Gustavo. Que exagero! - Ela gargalhou e eu sorri junto.

- Ainda bem que você não atrasou, baixinha. Tenho planos para nós hoje.

- É mesmo? E posso saber que planos são esses?

- Por enquanto você só precisa saber que vamos comer tapioca.

- Quanto mistério! Te conheço e tenho certeza que o senhor esconde algo. Só espero que seja bom o suficiente para compensar essa sua agonia em me tirar de casa.

- Não estou escondendo nada. - Minto minhas reais intenções. Não posso perder a amizade dela por nada nesse mundo. - Pode desativar o modo Sherlock Holmes que não conseguirá arrancar nada de mim antes da hora.

- Uhum, sei...

Isabela deu um beliscão em minha coxa e mostrou a língua, fazendo meu pau (que tinha acalmado um pouco) voltar a latejar e travar uma luta ferrenha, digna de final de MMA, com o tecido de minha calça jeans. Ainda bem que tive a brilhante ideia de manter a pasta sobre as pernas ou estaria em maus lençóis agora. Para evitar novas perguntas, aumentei o volume do rádio e Scorpions voltou a tocar.

- Ah! Eu amo essa música! - Isa bate palmas enquanto sorri e desatina a cantar No One Like you sem fazer ideia de que o refrão é tudo o que quero dizer a ela há tempos. - Vamos cantor de chuveiro, cante junto comigo.

Sem tirar os olhos da estrada começamos a cantar juntos. Até que formamos uma bela dupla.

- There's no one like you (Não há ninguém como você). I can't wait for the nights with you (Eu não posso esperar pelas noites com você). I imagine the things we'll do (Eu imagino as coisas que nós faremos). I just wanna be loved by you (Eu só queria ser amado por você).

Olho pra ela de canto de olho e a vejo sorrindo. Esse sorriso é capaz de iluminar meus dias e minhas noites. Continuamos nesse "trio" musical até chegar na orla que deixa tudo calmo aqui nas minhas partes baixas. A criança voltou a dormir. Encontrei um local para estacionar próximo à barraca de tapioca e procurei um canto mais reservado para sentar. Poucos minutos depois uma garçonete se aproxima e nos entrega os cardápios. A moça fica aguardando os pedidos batendo a caneta no bloco de papel e me encarando com um sorriso. Retribuo o sorriso e me ajeito de forma desleixada na cadeira, esticando as pernas e colocando o braço esquerdo acima da minha cabeça, permitindo que ela tenha uma melhor visão. Sim, estou me exibindo. Isa olha para a atendente de cima abaixo, balançando a cabeça de um lado para o outro, com um sorrisinho no canto da boca.

- O que você vai querer, Isa?

- Tapioca de queijo coalho com coco e uma coca.

- Nem sei porque pergunto. Você sempre come a mesma coisa!

- Pergunta porque tem a esperança de um dia eu mudar meu pedido e acabar comendo alguma dessas misturas bizarras que você faz. Você é meio nojento às vezes, credo!

- Você é muito fresca!

Fico com dó da moça esperando o fim de nossa pequena discussão e faço nossos pedidos. Escolho uma tapioca de carne seca com queijo coalho e peço para acrescentar doce de leite, banana e pimenta; para beber, uma coca também. Na real queria uma cerveja pra tirar um pouco do meu medo, mas estou dirigindo e não posso vacilar.

Apesar de ser um sábado a tarde, a praia está vazia. A areia branca misturada ao barulho das ondas é como um chamariz e o lugar perfeito para esticar as pernas, observar o sol e relaxar, esperando a noite cheia de estrelas. Terminamos de comer e permanecemos um pouco de tempo conversando sentados à mesa, apreciando o vai e vem das ondas. Faltam poucos minutos para anoitecer.

- Isa, vamos andar um pouco na praia. Quero achar um lugar melhor pra curtirmos o pôr do sol.

Eu já havia escolhido o lugar em que ficaríamos. Uma parte bem deserta na praia, protegida por coqueiros, com um barco abandonado na areia e ao lado uma rocha enorme, impedindo olhares curiosos. Um verdadeiro paraíso para quem está com segundas intenções, que como eu com certeza estava.

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Eu sei, não precisa me xingar... É maldade interromper a sua leitura aqui. Ficou curioso e quer saber o que vai acontecer nessa praia? Corre lá na Amazon e adquira o seu exemplar: https://amzn.to/2RCLQnI (gratuito para quem usa o Kindle Unlimited).

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