O Segredo de Jackson Parker

oito meses antes de Madeline Stuart morrer

Quando Jackson Parker nasceu, fogos de artifício soaram do lado de fora do hospital, com todas as pessoas comemorando o ano novo. Sua mãe, Angelina, gostava de dizer que aquilo era apenas mais uma demonstração do quão especial o filho seria. Dizia que ele estava destinado a grandes atos e que era melhor o mundo se preparar. O mais novo integrante da família Parker iria conquistar o mundo. Com esse pensamento, Angelina criou o filho como um príncipe. E o resultado não foi um dos melhores. Jackson cresceu fazendo o que queria. Aos dez anos de idade ganhou um carro, apesar de não poder dirigir, aos doze foi presenteado com uma casa de praia e aos quatorze conheceu Anastásia, e foi frustrante descobrir que não podia ganhá-la com dinheiro.

Nunca desista, o pai aconselhou, os Parker nunca aceitam um não. Então, ele passou dois anos fazendo tudo e mais um pouco para ter a garota dos seus sonhos, até que ela cedesse. Aos dezesseis fingiu ser virgem para que a namorada finalmente fizesse sexo com ele.

Aos 18 ingressou em Highmore, cursando economia. Não gostava, então pagava outras pessoas para fazer as suas provas e trabalhos. As únicas coisas que Jackson gostava de fazer era: jogar futebol, gastar dinheiro e foder com a namorada (não necessariamente nessa ordem). Com o tempo, percebeu que um "eu te amo" era tudo que precisava dizer para ter Anastásia na palma da mão. Não que não a amasse, na verdade, amava tanto que odiava sequer ver outro cara perto dela. Descobriu, então, que bastava uma surra bem dada e os outros abutres ficavam bem longe dela. Não sabia o poder de bater em alguém até fazer pela primeira vez. Henry alguma coisa, era o nome do rapaz, trabalhava em um Starbucks e deu café de graça para Anastásia, Jackson o esperou depois do expediente e lhe deu uma surra atrás de um beco. A polícia se envolveu, mas após receber uma boa dose de suborno o caso foi arquivado. Parker nunca mais viu o garoto de novo, e os rumores da briga foram o suficiente para torná-lo uma lenda entre os amigos.

Apesar disso, ninguém ousava dizer a Anastásia que seu namorado era um espancador de primeira categoria. Ela não precisava saber. E aquela dinâmica funcionava bem, até aquele belíssimo dia. Na primeira semana da volta às aulas.

Jackson estava na frente da casa da namorada, esperando para levá-la à faculdade. Uma música tocava na rádio, que ele sabia que ela gostava de ouvir no caminho, após alguns minutos, Anastásia surgiu, pulando no banco do passageiro e lhe dando um beijo.

— Você parece feliz — comentou o rapaz. — Achei que ainda ia estar meio abalada, com todo o negócio da empregada ladra.

— Estou aliviada que nos livramos dela.

— Meu pai ficou furioso. Ela veio até a sua casa para roubar você! Parece que ela tem um filho doente, sei lá. Nem me dei ao trabalho de ouvir o que ela dizia na delegacia.

— Eu confiei nela — lamentou Anastásia, abaixando a cabeça.

— Esse é o seu problema, você é inocente demais.

Ela concordou em silêncio.

Quando chegaram na faculdade, Jackson estacionou ao lado de um conversível vermelho, o carro de Dallas. Ela e Madeline estavam sentadas no capô do carro, Anastásia correu até às amigas e cochichou algo no ouvido da prima. Parker suspirou e foi até a namorada.

— Jackson! — sorriu Dallas. Ela usava um batom vermelho que a deixava muito vulgar na opinião dele. — Seu pai convidou minha família para o tal jantar beneficente.

— Vai ser um saco. 

— Amor — brigou Anastásia. — É caridade! Minha mãe e eu adoramos ir nesses eventos.

— Carne nova no pedaço — murmurou Madeline, olhando para algo atrás deles.

Não algo, alguém. Um jovem, de uns 18 anos, pedalava na sua bicicleta à procura de uma vaga. Quando passou por eles, seus olhos se prenderam em Anastásia e ele bateu na traseira de um carro. As pessoas riram, vendo-o cair no chão, Dallas e Madeline riram tão alto que até Jackson não conseguiu se segurar. Bem feito, é isso que acontece quando cobiçam a minha mulher. O garoto se levantou, envergonhado, e voltou a pedalar.

— Bem, isso foi gratificante — disse Madeline, dando um suspiro feliz. 

— Temos que ir — murmurou Anastásia, perto do ouvido do namorado. — Vamos, amor?

Ela ofereceu um sorriso malicioso para Jackson, enquanto corria para dentro da universidade, e ele foi atrás. Adorava se divertir com ela no armário de vassouras, antes que as aulas começassem.

🔪🔪🔪

Uma semana após esse acontecimento, Jackson esperava Anastásia no carro para levá-la para a faculdade, como sempre. O casal tinha uma rotina bem estabelecida há alguns anos. Naquele dia a namorada estava demorando mais que o habitual, o que era estranho, pois sempre foi mais recatada na hora de se vestir. Era isso que ele mais amava nela, não usava batons escuros ou blusas decotadas demais, no entanto, se surpreendeu ao vê-la naquela manhã. Usava um tanto a mais de maquiagem e o cabelo estava solto pelos ombros, a saia plissada era curta e extremamente rosa, destacando bem suas pernas bronzeadas. 

— Você está mais arrumada que o normal.

— Oh — ela piscou, inocentemente. — Você acha?

Jackson franziu a testa, mas resolveu não insistir no assunto.

— Minha mãe quer saber qual a cor do vestido que você vai usar no jantar beneficente, pra me comprar uma gravata igual.

— É rosa, eu te mando uma foto.

Assim que o carro estacionou, Anastásia pulou para fora e correu até a janela para beijar o namorado. Em seguida, disse:

— Não precisa me buscar hoje. Vou fazer um trabalho na casa de uns colegas.

— Tem certeza?

— Não se preocupe, amor — ela o beijou novamente. — Até hoje a noite, sim?

Mas para Jackson, o assunto não morreu ali. Passou o restante das aulas pensando quem eram os tais colegas de Anastásia. Ela quase nunca fazia trabalho na casa de amigos, principalmente por odiar casas que não tivessem mais de dez quartos, porém, não teve muito tempo para refletir sobre o assunto, o treino de futebol foi mais pesado que o habitual. A temporada de jogos estava chegando, e o treinador queria o time na sua melhor forma. Sendo assim, Jackson gastou as próximas horas correndo, derrubando jogadores e gritando palavrões, jogar futebol era uma ótima maneira de extravasar sua raiva. Quando se afastou para tomar água, se deparou com Madeline e Dallas, usando suas saias curtas de líder de torcida e balançando os pompons para os garotos. Jackson deu um sorriso falso para elas e jogou água gelada no rosto.

— Alguém está nervoso — sussurrou Dallas, alto o bastante para que ele ouvisse.

— Sim, olhe as veias no pescoço dele.

— Garotas — ele chamou — o que vocês querem?

— Você pensa tão mal de nós, Parker — brincou Madeline. — Fico ofendida!

— Oh — gritou Dallas, abrindo um largo sorriso. — Roman está aqui, tchauzinho!

A ruiva saiu correndo, em direção a um garoto que a esperava do outro lado do campo. Madeline sorriu e se levantou, olhando para Jackson como uma cobra olha para sua presa.

— Está nervoso por causa da Anastásia?

— Do que você está falando?

— Sobre ela estar saindo com aquele retardado que caiu de bicicleta — disse Mads, rodeando o corpo de Jackson. — Ezra, o nome dele, eu acho.

— Você não sabe o que está dizendo. Ana foi fazer um trabalho na casa de uns colegas.

— É mesmo? — a loira sussurrou no ouvido dele. — Então, por que não pega o celular e pergunta a ela?

Jackson se virou, segurando o pulso de Madeline.

— Eu confio nela.

— Claro que sim. Afinal, por qual razão ela mentiria a você?

Madeline moveu o braço para se soltar e deu um sorriso cheio de dentes antes de ir embora.

🔪🔪🔪

Jackson seguiu o uber de Anastásia até o Brooklyn. Enojado com aquela situação, esmurrou o volante do carro várias vezes, vendo a namorada entrar num prédio velho e decadente. Vagabunda! Ele passou pelas portas enferrujadas, dando uma nota de cem para o porteiro levá-lo até o apartamento de Ezra, sem ser mencionado. Gente pobre se vende por qualquer merreca, pensou Jackson, subindo as escadas do prédio. Se Anastásia estivesse o traindo, não saberia o que fazer, mas ela não sairia impune. Não. Quando chegou na porta do apartamento, não bateu, em vez disso chutou a madeira velha, que cedeu rapidamente. Lá dentro, em meio a livros jogados no chão e caixas de pizza vazias espalhadas, estava Ezra e Anastásia. 

O garoto estava com as mãos no rosto dela, muito próximo de beijá-la.

— Que porra é essa?

— Jackson! — gritou Anastásia, assustada. — O que você está fazendo?

— Cara, você quebrou a minha porta — disse Ezra, boquiaberto. 

Está zombando de mim? Parker indagou-se irritado, sua visão estava borrada pela raiva.

— Você estava com as mãos na minha namorada!

— Cara, ela veio porque quis. 

— Eu vou te matar!

— Jackson — Anastásia se colocou entre os dois — não estava acontecendo nada. Vamos embora!

— Ele ia beijar você — Jackson exasperou. — Você ia me trair, Ana. Por que?

Um olhar de dor cruzou o rosto da garota, e por um instante, Jackson vacilou, mas então a raiva voltou com tudo. Ele empurrou Anastásia para longe e foi até Ezra, lhe dando um soco no rosto. O rapaz caiu no chão imediatamente, e Jackson continuou o socando, e socando, até sangue começar a sujar suas roupas e os nós dos seus dedos, não importava que estivesse se machucando no processo. Anastásia observava em silêncio, enquanto o namorado espancava o garoto à sua frente. Quando finalmente parou, a mão estava coberta de sangue e Ezra desmaiado. Jackson se levantou, encarando o corpo caído no chão, e então sentiu as mãos de Anastásia se espalhando pelo seu peito. 

Ela ficou nas pontas do pé e mordeu o lóbulo da orelha dele, fazendo-o se virar de repente, assustado.

— O que está fazendo?

— Isso foi tão romântico.

Anastásia o beijou com fervor, sujando a sola dos sapatos caros com o sangue que escorria pelo chão. Jackson a pegou no colo, jogando-a na cama, e tirando sua blusa, os seus dedos mancham a pele dela, deixando rastros vermelhos de sangue — dele e de Ezra — por todo o seu corpo. Fizeram sexo ali mesmo ao lado do rapaz inconsciente, sangrando e desfigurado.


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