O Segredo de Anastásia Stanford
oito meses antes de Madeline Stuart morrer
A igreja estava belíssima.
Era um domingo à tarde e a família Stanford estava assistindo a missa, sempre foram religiosos, católicos, e devotos a igreja. Anastásia rezou, como a boa moça que era, pedindo para que o ano fosse maravilhoso e seu namoro prosperasse, e então foram embora. Era naquela igreja que planejava se casar com Jackson, já sabia qual vestido usaria, quem seriam as madrinhas, onde seria a lua de mel e quantos filhos teria. Não era incrível ter toda a sua vida planejada? Era como se todo o peso fosse tirado do seu ombro, e ela podia apenas viver o presente, já que o futuro já estava garantido.
A família Stanford entrou na limusine e atravessaram Manhattan, evitando passar pelos bairros pobres e feios. Finalmente, o carro parou em frente a casa dos Parker, e Anastásia desceu se despedindo dos pais. Arrumou a saia xadrez que usava e tocou o interfone, até que o segurança abriu e a deixou entrar. Já era conhecida por todos os empregados, namorava Jackson desde os dezesseis anos, e nunca se separaram, algumas brigas, óbvio, mas nada que os separasse. Quando entrou na mansão, viu o namorado comendo cereal na ilha da cozinha e caminhou até ele, os saltos altos fazendo eco no chão de mármore.
— Oi, amor.
— Oi, gata — Jackson tirou os olhos do celular e a encarou: — Qual é a da roupa de colegial católica?
Anastásia riu e pulou para se sentar na ilha, moveu as pernas desnudas e as cruzou com classe.
— Eu sou católica, seu bobinho.
Jackson riu, olhando com deboche.
— Amor, você me mata de rir.
— Você devia ir à igreja — disse Anastásia, levantando uma perna e passando a ponta do seu louboutin vermelho no braço dele. — Para retirar as suas impurezas.
— Eu teria que me livrar de você — ele respondeu, beijando-lhe o calcanhar.
— Você não suportaria ficar sem mim.
Jackson se levantou e a puxou pelas pernas, encaixando seu quadril entre as coxas dela.
— Tem razão. Eu não conseguiria.
— Eu te amo — sussurrou Anastásia, mais porque se Jackson era seu futuro deveria amá-lo, do que por qualquer outra coisa.
Ele sorriu, a beijando intensamente, aproveitando que estavam sozinhos na cozinha. Jackson percorreu as mãos pelo corpo da namorada, já conhecia cada centímetro de pele dela, e tirou sua blusa.
— Espere! — pediu Anastásia, olhando para os lados. — E se alguém ver?
— Não tem ninguém em casa. E você sabe que os empregados não ficam no mesmo cômodo que eu.
— Tem certeza?
— É óbvio que tenho.
Sorrindo, os dois voltaram a se beijar. A calcinha preta de renda escorregou pelas pernas longas e lisas da loira, caindo no chão. Jackson nem mesmo colocou camisinha antes de entrar dentro dela. Sem se importar, Anastásia gemia descontroladamente em cima da ilha da cozinha, agarrando o cabelo do namorado e lhe segurando com os pés para que fosse mais rápido.
— Eu te amo — gemeu Jackson, chegando ao clímax. — Porra, eu te amo.
Para Anastásia, ouvir aquilo era melhor que qualquer orgasmo.
🔪🔪🔪
Anastásia Stanford estava no quarto do namorado, mexendo no celular, e balançando as pernas no ar. Aparentemente, Dallas estava saindo com um carinha novo, mas não era um cara qualquer, era o filho de Ronald White, dono da rede de clubes White. Uma vez, para conseguir entrar na boate, Aspen e Jackson tiveram que desembolsar uma nota preta, sem contar o quanto gastaram lá dentro com champagne e regalias. Fazia muito sentido que Dallas namorasse alguém que tinha um império tão grande quanto o seu. Alguém bateu na porta e em seguida a abriu, era a empregada, a mais nova, talvez com seus trinta anos. Anastásia se levantou, sem entender o que a mulher poderia querer ali, o quarto estava praticamente brilhando de limpo.
— Ei, coisinha. O que você quer aqui?
Sem dizer uma palavra a mulher se aproximou e mostrou a tela do celular, de repente, e alto demais, começou um vídeo de Anastásia e Jackson transando na ilha da cozinha. A garota arregalou os olhos e tentou segurar o telefone, mas a empregada foi mais rápida e o guardou junto ao peito.
— Por que você filmou isso, sua psicopata! — gritou ela, sentindo o mundo girar sob seus pés. — Eu vou mandar demitir você!
— Primeiro, meu nome é Adele — respondeu a mulher, com um sotaque forte. — E segundo, eu quero quinhentos mil dólares.
Anastásia riu, com lágrimas de raiva nos olhos esverdeados.
— Enlouqueceu? Você não passa de uma imigrante nojenta! Sabe com quem está lidando?
— Sim, eu sei bem. Eu vejo você e seu namoradinho, fazendo sexo e gastando dinheiro o tempo inteiro. Eu conheço você e a sua reputação que, aliás, não é nada do que você realmente é.
O estômago da garota estava embrulhado. Um vídeo seu, tendo relações sexuais, em um lugar que não era um quarto fechado! Iria destruir todos os anos que gastou para criar a reputação perfeita.
— Se você não apagar isso...
— Vou apagar quando receber meus quinhentos mil dólares.
— É muito dinheiro! Eu não tenho essa quantia em mãos.
— Ora — sorriu Adele —, então acho que o mundo irá saber quem você é de verdade!
— Espera! — gritou Anastásia, se levantando da cama. — Vá até a minha casa amanhã, eu te darei o dinheiro e você vai apagar esse vídeo.
— Agora você entendeu, senõrita.
— Vai realmente apagar o vídeo, não é?
— Posso ser pobre, mas não sou mentirosa. Eu preciso desse dinheiro, para a minha família, não estou querendo prejudicar ninguém.
Anastásia quase riu. Em vez disso, assentiu com a cabeça e observou a mulher sair do quarto. Quando Adele saiu, desabou na cama, chorando sem parar.
🔪🔪🔪
Quando Anastásia Stanford entrou em sua mansão, viu uma limusine parada na entrada que não pertencia à sua família. Não se sentia pronta para conversar com ninguém, tinha passado a tarde toda pensando em como iria tirar 500 mil dólares de sua conta sem que seus pais desconfiassem. A mãe achava que ela ainda era virgem, o pai surtaria, o respeito que tinha de seus amigos e colegas de estudo iria pelos ares — ela era representante do grupo Escolhemos Esperar na universidade, pelo amor de Deus! Não tinha como sair ilesa daquela situação horrenda. Respirou fundo e se preparou para expulsar a visita, no entanto, assim que passou pela porta, reconheceu os cabelos loiros compridos e o casaco rosa felpudo. Sim! Era disso que eu precisava, pensou esperançosa.
— Madeline!
Correu até a prima e a abraçou com carinho. Sentindo os vários anéis que Mads usava lhe acariciando as costas.
— Dallas me largou para sair com o novo namoradinho — disse a Stuart, fazendo beicinho. — Pensei em irmos ao shopping, lá pode ser bem divertido...
— Madeline, você precisa me ajudar — cortou Anastásia.
— O que aconteceu?
Sem conseguir se conter, Anastásia caiu no choro, deixando a amiga alarmada. Madeline a segurou pelos ombros e a arrastou até a sala, sentando-se no sofá, e esperando que a garota se recuperasse.
— Anastásia, o que aconteceu?
— Eu... Eu estou sendo ameaçada.
— O que? Como? Por quem? — os olhos de Madeline brilhavam de curiosidade.
— Uma empregada da casa de Jackson nos filmou fazendo sexo — explicou ainda chorando. — E está me ameaçando.
— Está sendo ameaçada por uma empregada?
— Ela tem um vídeo, Madeline! Eu não posso correr o risco de ter uma sex tape vazada na internet, eu não sou a Kim Kardashian.
— Anastásia, olhe para mim — ordenou Madeline, franzindo os lábios. — Você se esqueceu do seu lugar na cadeia alimentar? Você é a porra de uma leoa, e essa empregadinha não passa de um antílope. Sabe o que vai fazer com ela?
Anastásia balançou a cabeça.
— Vai devorá-la! Nenhum serviçal de quinta tem o direito de te ameaçar ou te fazer sentir medo. Mostre a ela quem está no topo da cadeia alimentar de Nova Iorque.
— Como? — perguntou a garota, com um soluço.
— Você vai pensar em algo. É uma garota esperta, só precisa ser bem aconselhada.
Madeline lhe deu um sorriso afetuoso e deixou que a amiga deitasse em seu colo e chorasse pelo resto da tarde, enquanto colocava as dores para fora, na mente de Anastásia, um plano maluco se formou.
🔪🔪🔪
Na manhã seguinte, quando os pais de Anastásia saíram e a casa ficou quase vazia — com exceção dos empregados — o interfone tocou e Adele chegou. A loira tinha vestido sua melhor roupa e deixado uma mala com quinhentos mil dólares na mesa da sala de lazer do segundo andar. Queria mostrar, com sutileza, para sua ameaçadora, quem estava no topo. Pela janela, viu a mulher latina passar pelo jardim e entrar. Esperou, sentada em uma poltrona, que o segurança a trouxesse até a sala, quando uma leve batida soou na madeira da porta, ordenou para que entrassem.
— Sra. Stanford — cumprimentou Adele, aparentava estar ansiosa.
— Você. Está com seu celular?
— Sim. O dinheiro?
Anastásia andou até a mala e a abriu. Quando viu as notas verdes, Adele se aproximou, admirada.
— Conseguiu tudo isso, de um dia para o outro?
— Não é grande coisa — e era verdade, não era, a parte difícil seria explicar para o pai depois. Mas isso podia ser deixado para outra hora.
— Humpf — Adele a olhou com desprezo. — Vocês, ricos, não sabem o quanto são sortudos.
— O celular, por favor.
A empregada retirou o aparelho telemóvel de dentro da bolsa velha. Anastásia o segurou como se fosse uma bomba, e o analisou, era antigo, muito antigo, um dos primeiros smartphones que surgiram, a tela estava completamente arranhada e, provavelmente, a mulher não sabia como usar a nuvem. Se é que aquele celular tinha aquela opção. Procurou pelo vídeo na galeria e o apagou, era como se uma bigorna tivesse sido retirada do seu peito. Olhou para Adele, que ainda olhava admirada para a mala de dinheiro.
— Você fez cópias?
— Não, óbvio que não — murmurou a empregada, parecia ansiosa para ir embora, nem ao menos contou as notas. — Eu tenho que ir.
— Não minta para mim, se houver cópias disso...
— Não há mais nada! Já disse, não lhe desejo mal.
— Adeus, Adele — disse Anastásia, afastando-se. — Espero nunca mais ver seu rosto cínico outra vez.
A mulher não respondeu, apenas saiu segurando a mala. Anastásia soltou a respiração e caminhou até a janela, segurando o rádio que usava para se comunicar com o chefe da segurança, contendo a respiração acelerada, alertou que havia sido roubada. Após explicar a ele a situação, fitou pelo vidro da janela enquanto Adele era parada e a mala era retirada das suas mãos. Antílope burra, riu com satisfação. Jogou o telefone da empregada no chão e pisou em cima, destruindo-o por completo. No jardim, Adele chorava enquanto era algemada e levada embora. Madeline tinha razão, pensou Anastásia, eu sou a porra de uma leoa.
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