O lado bom da vida. - Parte 1
Eu não deveria ficar desse jeito, deveria? Está bem, ela era o amor da minha vida, mas eu devia ficar assim mesmo? Eu deveria estar no meio da rua segurando as lágrimas porque nem dentro da minha casa respeitam meu luto? O que está acontecendo comigo?
Quando percebi, estava na frente da livraria da Susan e encarava os diversos lançamentos que estavam expostos lá. Entrei no estabelecimento e vi que havia um grupo de jovens surtando por sair mais uma continuação de uma saga qualquer. Aproximei-me do balcão e Susan me cumprimentou com um sorriso simpático em seus lábios cobertos de gloss. Tentei sorri de volta, mas acredito que tenha sido sem sucesso já que ela desfez o sorriso.
— Tudo bem, Ben? — Ela perguntou.
— Tudo, Susan — Eu passei as mãos pelo meu rosto — Estou apenas cansado, entende? Trabalho e mais trabalho... — menti.
— Ok, tem algum pedido específico? — Ela sorriu levemente colocando uma mecha de seu cabelo –agora, loiro - atrás da orelha.
— O lado bom da vida de Matthew Quick, na verdade.
— Hm, essa é uma leitura um pouco deprimente, não parece do tipo que você ler... É alguma indicação?
— É... — Sorri fraco — Foi uma amiga que me recomendou.
"Presta atenção, Ben, todo mundo devia ler o lado bom da vida. Isso sim é um bom livro!" as palavras de Olívia vieram em minha mente como um flash. Engoli o seco já sentindo as lágrimas voltarem.
— Aqui está Benjamim. Novinho pra você. — Susan me entregou o livro. — São dezoito dólares.
Peguei minha carteira e entreguei o dinheiro para ela. Acho que murmurei algum agradecimento, já que ela acenou para mim enquanto eu ia embora.
Na capa daquele livro, pude ver a foto de Bradley Cooper e Jennifer Lawrence e no meio algo com as imagens de um quadro com estratégias de futebol americano com diversas frases. Uma delas me chamou mais atenção: Quando a vida te oferece um momento com esse, é um pecado não agarrá-lo.
Sorri. Era isso que eu pensava quando reencontrei Liv; lembrei-me o que me motivou a pensar assim.
No dia do meu casamento com Jéssica, eu passei quase a tarde toda nervoso. Estava com medo de que algo desse errado ou que Jéssica não quisesse mais casar comigo; então liguei pra Liv. Meu plano era ir até o aeroporto e buscá-la assim poderia ser acalmado com ela. Alias, tenho que dizer, não há pessoa que consiga ser tão boa em dá conselhos como Olívia foi, por mais que ela não sabia o que fazer de sua vida, ela sabia o que fazer nas dos outros. Estranho? Sim, mas eu gostava disso nela.
Pensei que conversar com ela antes do casamento poderia me deixar menos nervoso e até mais relaxado; até que nenhuma das minhas ligações foram atendidas. Eu contei 15 chamadas e 12 mensagens. Eu já estava ficando uma pilha de nervos em pensar que talvez ela tivesse sido roubada ou tivesse sofrido um acidente. Tinha certeza que havia enviado o convite com as senhas, cheguei até a cogitar a possibilidade dela trazer o Jace.
Eu fiquei o dia todo com o celular na mão conferindo a caixa de mensagens ou vê se tinha algum recado na caixa postal. Até que quando eu ia entregar meu celular ao meu pai para que eu colocasse a gravata recebi uma mensagem.
"Hey Ben, como vai o casamento? Espero que tudo esteja nos trinques! Não vou poder ir, de última hora apareceu um caso para resolver e, bem, é meu primeiro caso. Desculpa, mas é algo importante para mim. Sei que você vai estar lindo, porque qualquer homem fica bem de terno ahahahahaha Mas, sério, desejo parabéns pra você e Jéssica e espero que tenham uma vida feliz juntos. Ah, e não esqueça de dizer a ela o quão bonita de noiva ela vai estar hein? Tenho certeza que ela está maravilhosa!! Até algum dia Benjamim.
xxLiv"
Eu me senti decepcionado e aliviado ao mesmo tempo. Por mais que eu quisesse Liv me apoiando antes do meu casamento, saber que ela não teria sofrido um acidente ou algo do tipo já era uma boa coisa. A única coisa que eu fiquei desconfortável foi o fato de ter deixado o de vir pra resolver o seu primeiro caso. O primeiro caso que já tinha tido há três semanas, como ela me relatá-la, com muito sucesso. Ela já havia tido o primeiro caso há semanas. Liv estava mentindo. Liv estava mentindo para mim. Eu odeio quando mentem pra mim.
Foi daí que decidi esquecer um pouco a amizade de Liv. Foi uma atitude idiota, eu sei, mas optei seguir minha vida em frente com Jéssica, afinal, era ela a minha esposa e a única que merecia minha atenção naquele momento. O que era "Até algum dia" se tornou semanas, meses e chegou a ser anos. Simplesmente paramos de nos falar. Não a culpo, assim como também não me culpo, estávamos ocupados demais vivendo nossas vidas.
Por mais que não nos falássemos, ela sempre me mandava um presente no dia do meu aniversário no endereço da minha empresa — uma produtora musical — e ficava todo bobo a pensar que ela ainda lembrava-se de mim. Eu sentia falta dela, mas nunca ia admiti. Acho que Olívia também pensava assim, já que eu também enviava flores de uma florista da Pensilvânia para ela todo dia do seu aniversário. Era meio que uma brincadeira minha porque ela sempre dizia que não gostava de ganhar flores "O que eu vou fazer isso? São flores mortas. Quero um presente útil!" e sempre imaginava ela olhando aquelas flores e rindo enquanto balançava a cabeça.
Anos se passaram e cada vez mais fui percebendo que casar-me com Jéssica não foi uma boa escolha. Jéssica se tornou briguenta, perdia a paciência facilmente e gritava coisas horríveis para mim, nada que eu fazia para ajudá-la com as coisas em casa a satisfazia e toda vez que eu tentava lhe dá carinho ela se mostrava relutante. Várias vezes tentei fazer um programa diferente para que o romance entre nós voltasse, mas ela conseguia estragar com seu mal humor. Odiava quando ela via meu esforço para fazer algo diferente e relaxante para nós dois e ela apenas reclamava.
Confesso, sou bastante imaturo. Sei que errei em muitas coisas, mas também acertei em outras tantas. Tentei fazer com que o nosso relacionamento desse certo, mas ela não ajudava. Aos poucos, o amor que pensava sentir por ela sumiu.
E então, depois de cinco anos, decidi nos separamos. Quando falei o que pensava para Jéssica e sobre a minha decisão, ela me olhou com o rosto assustado e me falou as palavras que poderiam mudar minha decisão.
— Mas... Mas... Logo agora que eu... — Ela caiu em lágrimas em cima do sofá — Eu pensei que agora que eu estava grávida...
— Grávida? — Olhei a ela com os olhos arregalados. — Por que você não me falou antes? Você devia me chamar para ir ao médico junto com você para...
— Ainda não tenho certeza, eu estava pensando em fazer um teste de farmácia e... — Ela olhou pros lados nervosamente. Ela fazia isso quando mentia. Ela estava mentindo pra mim mesmo sabendo o fato de eu odiar mentiras.
— Você não está realmente grávida, não é?
Ela engoliu o seco.
— Amor, eu não disse isso...
A encarei com a carranca e ela olhou para baixo não conseguindo mais completar a frase. Já tive minha resposta. Passei a mão no rosto e nos cabelos. Estava começando a ficar nervoso.
— Eu só não quero acabar com o meu casamento! — Ela gritou — E sim, talvez eu esteja grávida, mas e daí? Você seria um péssimo pai, você já é um péssimo marido!
Não lembro o que eu exatamente o que eu disse a ela, só sei que no outro dia fui buscar minhas coisas e me mudei para meu antigo apartamento.
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