Capítulo 18 - Posso dormir aqui?
Arrastada no turbilhão de planos de Mikoto, Hinata teve alguns minutos de fôlego quando a matriarca Uchiha aceitou aguardar que se trocassem primeiro, informando sorridente que os esperaria na sala. E não havia dúvida de que não seria só ela os esperando lá.
Deu graças quando Sasuke rumou para o quarto, embora ainda tremesse por dentro. Terminou de se vestir e desceu devagar as escadas, protelando o inevitável. A reação de Mikoto foi positiva, provavelmente por achar que finalmente o filho deixaria a vida boêmia, mas temia pelos demais Uchiha.
O que diriam? O que ela deveria dizer? Bem... Agora não havia muito que fazer após a revelação de Sasuke.
Pensara muito nos motivos de Sasuke para mentir para a própria mãe, compreendia a decisão dele de dizer que estavam juntos — realmente a pouca roupa e o beijo dificultavam uma desculpa melhor —, mas afirmar que pretendiam se casar era ir longe demais. Principalmente levanto em conta a empolgação da mãe dele acerca do tema casamento.
Esfregando uma mão na outra para aplacar o nervosismo, entrou na sala não se surpreendendo em ver toda a família Uchiha esperando-a, tampouco se espantou pelas taças e o champanhe apesar do horário. Porém, foi com choque de gelar os ossos que pousou os olhos em seu pai e Hanabi. Estavam de costas para ela, mas não havia dúvida do motivo de estarem ali.
Mordendo o lábio inferior, encolheu-se e virou-se para retornar, pensando na melhor maneira de escapar sem ser percebida quando Sasuke a chamou. Voltou-se encontrando os olhos negros cravados nela, andando em sua direção, não lhe deixando nenhuma escapatória daquele confronto, pois todos seguiam o olhar dele, observando-a com expressões diversas.
A de seu pai era indecifrável, mas Hinata tinha certeza que seja qual fosse, o desgosto dele com ela duplicaria quando outro "noivado" fosse rompido. Por isso foi inevitável não encarar Sasuke com irritação conforme ele se aproximava. Se estivessem sozinhos lhe diria umas verdades. Ele merecia uma reprimenda, merecia...
Todos os pensamentos coerentes e raivosos escorreram como água entre os dedos quando Sasuke segurou seu rosto com ambas às mãos, o inclinou para trás e cobriu seus lábios com os dele. Todos os pensamentos tumultuosos evaporaram. A tensão, o medo e a dúvida desapareceram sobre o efeito do beijo brando e carinhoso.
Quando suas bocas se separaram Hinata soltou um resmungo, os sentidos crepitando por cada poro diante do intenso fogo negro que a fitava. O encantamento se quebrou com palmas eufóricas, levando a Hyuuga a retornar à sala com os familiares de ambos, o tremor da paixão sumindo frente ao pânico.
Ficou imóvel temendo que suas pernas cedessem sobre o peso do corpo. Quis fugir, mas Sasuke circulou sua cintura com m braço, prendendo-a junto a ele, guiando-a para perto dos demais. Todos pareciam preparados para aquela ocasião. Em questão de segundos, Hinata se viu sendo abraçada pelos Uchiha e sua irmã, com desejos de boa sorte, felicidade e piadas de que eles sabiam que eles terminariam juntos.
No meio da euforia, Hinata só conseguiu encarar Sasuke em choque, tentando passar pelo olhar todo o seu desespero com a situação absurda que ele criara, mas, sustentando um sorriso de canto, Sasuke parecia se divertir com seu sofrimento.
Mal sentiu quando foi arrastada até o sofá de frente para o ocupado por seu pai. Assim como ela, ele não parecia à vontade com o anúncio do noivado e demonstrou isso ao recomeçar a tortura.
— Hinata deve voltar para casa — ele impôs deixando-a desconfortável com o rumo da conversa. — Estando noivos, não é certo morarem juntos.
— Discordo — Sasuke retrucou entrelaçando seus dedos aos dela. O sorriso desaparecera de seus lábios. — Amo sua filha e garanto que estará segura comigo.
Hinata o encarou em choque. Até onde Sasuke queria levar aquela farsa?
— Pretende mantê-la como sua governanta? — Hiashi inquiriu com desconfiança. — Pagar para ela fazer o serviço da casa, mesmo sendo sua futura esposa?
— Embora não veja problema em ela ser minha funcionaria, quando ela quiser, contrato alguém para cuidar da nossa casa sob as ordens dela. — Ele continuava a enfrentar Hiashi, determinado a fazer valer sua vontade mesmo que com mentiras.
— Hiashi, deixe-os curtirem o noivado juntos! — intrometeu-se Mikoto fazendo o Hyuuga calar-se e, com visível desagrado, ajeitar-se empertigado no sofá. — De qualquer forma, creio que será um noivado curto — o olhar esperançoso fixo no filho.
— Gostaria que fosse em novembro, mas é Hinata quem decide.
Hinata respirou fundo. Era óbvio que dessa vez ele não ditaria uma data, que lançaria a responsabilidade sobre ela. Assim, quando Mikoto cobrasse o casamento, seria fácil jogar a culpa do noivado fracassado sobre os ombros dela.
— Novembro é ótimo — entusiasmou-se Mikoto. — Ajudarei em tudo que precisarem.
— E daqui alguns meses ajudará no chá de bebê — Itachi acrescentou zombeteiro.
— É claro que ajudarei! — Mikoto rapidamente concordou fazendo a tensão de Hinata duplicar. — O que pensa que eu sou? Uma avó relapsa?
Quando não houvesse casamento, e obviamente netos, a alegria de Mikoto se transformaria em desgosto e revolta. A farsa estava indo longe demais, porém não tinha coragem de falar a verdade, ainda mais com o olhar de seu pai espreitando-a como se adivinhasse que havia algo errado naquela história.
— Calma, eles ainda nem casaram — Fugaku relembrou bem humorado.
— Mas já planejam bebês, não é?
Céus! Quanto mais Hinata escutava, mas chocada ficava, suando frio só em pensar o que aconteceria dali em diante. Por isso, apesar da pergunta ter sido dirigida para ela, continuou em silêncio.
— Ainda é cedo — Sasuke declarou e Hinata fungou, não contendo o pensamento de que se fosse Konan em seu lugar ele pensaria diferente. Com isso em mente foi com surpresa que o ouviu dizer com doçura: — Mas se Hinata quiser, jamais me negaria a ter uma combinação nossa. Torcendo para ser uma criança tão linda quanto à mãe.
Hinata notou que novamente ele jogava a responsabilidade sobre ela, mesmo assim não conseguiu deixar de imaginar uma criança deles. Era tão fácil fantasiar com uma ou duas crianças de cabelos negros e olhos claros correndo para os braços deles...
Logo afastou tal pensamento. Além do fato de que crianças precisavam de pais que se amam, sabia que Sasuke jamais desejaria um filho dela. Se fosse outra pessoa... Seus olhos observaram Konan com inveja. Ela tinha uma família unida, um bebê a caminho, um marido devotado... e o amor de Sasuke.
Sua atenção foi desviada ao sentir o celular do Uchiha vibrar no bolso. O olhou e tentou libertar os dedos imaginando que atenderia, mas Sasuke ignorou a ligação e, no lugar de soltar sua mão, a puxou para o próprio colo esfregando-a entre as dele, aquecendo-a e passando uma sensação reconfortante.
Esse gesto só aumentou seu receio de cair na mesma ilusão que os demais naquela sala.
~*S2*~
Caminhavam lado a lado até o carro de Sasuke, ele mexendo no celular e Hinata no mesmo silêncio pesado adotado ao se "comunicada" de seu noivado.
Esperara um momento em que estariam longe de todos os parentes, da alegria delirante da mãe dele e do desprazer indisfarçável de seu pai. Pensou que teria uma oportunidade quando entraram no carro Sasuke colocou o celular de lado, mas, antes que Hinata cobrasse uma explicação sobre o que acontecera após Mikoto flagra-los, uma nova notificação fez o Uchiha estender a mão para o aparelho.
O viu franzir o cenho e soltar um resmungo, os dedos digitando rapidamente antes de voltar a coloca-lo de lado e dar a partida. Percebeu que algo o desagradara, causando movimentos bruscos e o semblante carregado enquanto retirava o carro da garagem da mansão. Não querendo causar um incidente na estrada, decidiu esperar quando estivessem em um local seguro.
Era bom nenhum dos dois ser muito de falar, a música que Sasuke colocou preencheu o ambiente durante as horas que tinham pela frente. Ao finalmente entrarem no apartamento, Hinata não conteve a indignação:
— Você não podia ter dito que estávamos juntos.
De costas para a Hyuuga, Sasuke carregou as sacolas com seus presentes até o centro da sala.
— Estamos juntos, portanto, não vejo motivos para não dizer — disse com tranquilidade pousando as sacolas na mesinha, antes de encara-la com hostilidade. — E imaginei que dizer que estamos noivos é mais agradável que contar que fodemos várias vezes para você aprender como roubar o Naruto da Sakura.
No passado a agressividade na voz de Sasuke a faria recuar, manter distância, no entanto, não tinha mais receio do mau humor dele, sabia que era algo que ele utilizava para escapar do confronto. Ele lhe ensinara que se queria fazer valer sua vontade tinha que se impor e era isso que faria.
— Você gerou esperanças vãs no coração da sua mãe! Ela já planeja casamento, netos e tudo que você abomina — recordou, considerando inacreditável Sasuke não prever a empolgação de Mikoto.
— Nunca abominei nada disso! — ele negou para descrença da Hyuuga.
— E todas as vezes que falou mal sobre casamento? — desafiou, pontuando com irritação: — De como é loucura se prender a alguém, ter bebês remelentos e tantos outros comentários depreciativos do tipo?
Em vez de responder, Sasuke revidou com rispidez:
— Confesse, sua única preocupação é que Naruto descubra que está dormindo comigo.
— Isso não é verdade! — defendeu-se não compreendendo como a situação se voltara contra ela.
— Não? Então, porque quer esconder nossa relação? — ele questionou adotando uma posição de combate, os braços cruzados e o olhar agudo fixo nela.
Hinata tinha muitas respostas, porém nenhuma parecia adequada. Expor seus sentimentos e dúvidas jamais seria uma opção. Decidiu por percorrer o caminho seguro.
— Não quero magoar Mikoto.
— Minha mãe ficou feliz com a notícia — ele indicou não aceitando a justificativa.
— Essa alegria acabará quando terminarmos — soltou em um murmúrio, a garganta entalada com todas as dúvidas e medos contidos.
Sasuke se aproximou, apoiando o queixo de Hinata em sua mão.
— É só não terminarmos. Simples assim. — argumentou gentil deslizando o polegar lentamente pelo polpudo lábio inferior.
Seria tão fácil se entregar à fantasia criada por Sasuke... Até o dia que outra mulher aparecesse, ele a trocasse sem pestanejar e ela tivesse que, novamente, amargar o olhar de piedade das pessoas ao seu redor.
— Sabemos que não há amor suficiente para manter essa relação — disse em um fio de voz, a declaração direcionada mais a ela do que para ele. Era doloroso, porém necessário lembrar-se desse fato.
— Amor? — Sasuke soltou seu rosto. — Você só pensa nesse maldito sentimento?! — vociferou irritado, completando sem pensar:— Havia tanto amor entre você e o Naruto que na primeira oportunidade ele te chutou e engravidou outra.
Sem ação frente ao ataque inesperado, Hinata fitou o Uchiha em choque. Observando a Hyuuga apertar os lábios com força e a umidade empoçar os olhos claros, Sasuke percebeu com arrependimento que fora longe demais.
— Hinata... — Tentou se aproximar, mas ela o repeliu estendendo uma mão em um sinal de pare.
— Você está certo. O amor que me unia ao Naruto não foi suficiente para mantê-lo ao meu lado. — O encarou com ressentimento. — Assim como o que sentimos um pelo outro não vai te manter fiel a mim. Não preciso ser vidente para saber que em poucos meses, talvez dias, você vai me trocar pelo primeiro rabo de saia que aparecer.
Hinata se virou e começou a andar em direção ao próprio quarto, mas a voz gélida do Uchiha a fez cessar os passos.
— Não tenho como mudar as coisas que fiz, mas não pode me condenar por algo que acha que acontecerá.
Hinata abriu as mãos, percebendo naquele momento que as apertara com tamanha força que marcara a palma com suas unhas. Estava cansada de represar seus sentimentos, de conter as palavras para não feri-lo quando Sasuke não pensava duas vezes antes de magoa-la repetidamente.
— Tenho certeza que acontecera, porque você não esquece a Konan — disse encarando-o a espera da admissão dos sentimentos dele pela cunhada.
No entanto ele pareceu surpreso.
— Esquecer a Konan? Do que me acusa agora?
— Sei que é apaixonado por ela.
— De onde tirou que estou apaixonado pela esposa do meu irmão? — perguntou claramente confuso.
— Você disse amar uma mulher comprometida...
— E achou que era a Konan por qual motivo?
— Você é gentil com ela...
Sasuke balançou a cabeça e soltou um riso seco.
— Ela é a esposa do meu irmão, porque infernos a trataria mal?
— Não precisa ser grosseiro comigo. — Hinata voltou a fechar os punhos com força.
— Não estou sendo, só não acredito que imaginou que eu estivesse desejando a mulher do Itachi. — A encarou com o cenho franzido de desconfiança. — E, pelo jeito, ainda acha.
— Olha, se a ama não é problema meu.
— Lógico que a amo — Hinata congelou e só soltou a respiração que nem percebera segurar quando Sasuke completou irritado —, de forma fraterna, como uma irmã, nada mais.
— A única foto no seu escritório é com ela — recordou.
— Você tirou essas conclusões por causa de uma foto? — Passou os dedos nervosamente pelo cabelo. — Mesmo tendo mais de uma pessoa no retrato?
— Parecia óbvio... que estava apaixonado pela Konan — murmurou com incerteza.
Sasuke soltou um palavrão e saiu pisando fundo.
— Espera Sasuke! — Pediu seguindo-o. — Não pode me deixar falando sozinha.
— Tanto posso que vou.
— Sasuke! — Agarrou o braço dele com força. — Por favor, só quero uma explicação.
— A foto não significa nada — disse sem olha-la. — Não sou do tipo que fica horas admirando um retrato, nem que deseja a mulher do próprio irmão e devia saber disso.
— Perdão, é que...
— Sabe qual é o seu problema Hinata? Você passou tempo demais ao lado do Naruto — sentenciou com amargura ao afastar a mão que o detinha. — Está cega e arranjando desculpas descabidas por ainda amar aquele imbecil de merda!
Sasuke se afastou e Hinata não soube o que fazer. O irritara, e muito. Tudo que ela mais queria era que ele a amasse, mas agora temia ter estragado qualquer chance.
~*S2*~
Sasuke passou o restante da tarde trabalhando no escritório do apartamento. A porta conectando o escritório a suíte não estava trancada, ele sequer a fechara, mas uma olhada para o semblante soturno do Uchiha quando o chamara para o almoço foi o suficiente para mantê-la bem longe.
Por tudo isso não se atreveu a chama-lo para jantar, ficando sozinha na grande mesa da sala de jantar, remexendo sua comida enquanto desejava que ele aparecesse, mesmo de cara fechada, e compartilhasse a refeição com ela.
Deu um sobressalto ao sentir o celular vibrar em seu bolso.
O retirou apressada e soltou um longo suspiro ao ver a imagem do primo preenchendo a tela. Era o que precisava para fechar o dia: um novo confronto. Por um instante pensou em ignorar, mas logo censurou-se e atendeu pronta para outra reprimenda que mostrou seus pequenos dedinhos logo após as saudações.
— Recebi uma ligação interessante da sua irmã. — Hinata fechou os olhos, antecipando o que ouviria e maldizendo a boca grande da caçula. — Diga que é uma brincadeira de mau gosto da Hanabi e que não está noiva do Sasuke.
O que deveria dizer? Não fazia ideia do que era na vida do Uchiha. Sua relação com ele era uma completa bagunça. Se soubesse que seu pedido desesperado terminaria daquela forma teria se conformado com o rompimento do seu noivado com Naruto.
Respirou fundo, massageando um ponto na cabeça que latejava. A quem queria enganar?
Não se arrependia de tudo que ocorrera após o pedido, lamentava ter confrontado Sasuke a cerca do amor dele por Konan. Estivera tão certa de que ela era a mulher que ele amava... Agora não tinha certeza de mais nada, nem do que aconteceria quando Sasuke saísse da prisão auto imposta só para ficar longe dela.
— Hinata? Está me ouvindo?
— Sim...
— Está bem?
— Estou tão confusa... — disse com voz embargada. — Nós brigamos...
— O que ele fez? Juro que o mato se ele te machucou.
— Estou bem... Só discutimos e agora... não sei como estamos...
— Eu te disse para sair desse lugar — Neji recordou, não ajudando em nada a melhorar o humor da prima. — Posso te buscar agora mesmo, para que não precise ficar nem mais um dia debaixo do mesmo teto que o Uchiha, e amanhã lhe arranjo um novo emprego.
De repente, ouviu um barulho esquisito na linha e a voz de Neji ficou distante, então a próxima coisa que escutou foi à voz de Tenten.
— O que aconteceu Hina?
— Estraguei tudo com o Sasuke.
— Amiga, me responda com sinceridade: Você o ama?
— Sim, mais do que podia imaginar... — murmurou secando as lágrimas que se formavam em seus olhos, abrindo o coração. — Mas não sei como ele se sente a meu respeito.
— Oh querida, esse homem é caidinho por você. Se ele ainda não disse que a ama talvez Neji tenha razão e ele seja um boçal. — Ouviu a voz distante de Neji dizendo algo indecifrável e Tenten afirmar distante do bocal: — Ainda acho que está errado e exagerando. — Então a voz dela voltou a ser próxima. — Conselho de uma pessoa que quase perdeu o homem que ama, procure o Sasuke e arranque dele a resposta para sua dúvida.
— Não é tão simples...
— Nada é simples no amor — Tenten retrucou amável. — Torço muito por vocês e quero concorrer à vaga de madrinha.
Hinata riu apesar da vontade de chorar se impondo e causando ardência em seu nariz e olhos. Tinha tanta vontade de contar toda a verdade sobre seu envolvimento com Sasuke, provavelmente o conselho seria diferente se Tenten soubesse como tudo começara.
Tenten devolveu o telefone para Neji impedindo-a de contar. O primo reiterou o convite antes de encerrar a ligação.
Recolocou o celular no bolso e preparou o jantar de Sasuke em uma bandeja. Mesmo irritado com ela era um absurdo passar fome só para evita-la. Levaria o jantar e buscaria coragem para seguir o conselho de Tenten.
Entrou no escritório e não o encontrou, pousou a bandeja na escrivaninha e estava prestes a procura-lo na suíte quando o som de uma nova notificação atraiu sua atenção para o celular de Sasuke. O aparelho vibrava perigosamente perto demais da beira do móvel.
Hinata o pegou com medo que caísse e já o colocava perto do notebook quando o celular vibrou novamente e ela reparou que Sasuke deixara uma conversa aberta, a foto de uma mulher nua preenchia a penúltima mensagem.
Hinata gelou ao ler a mensagem abaixo da imagem.
Estou pronta pra encontra-lo. 18:28
Com o coração pulsando nos ouvidos e as mãos trêmulas, subiu a conversa com a mulher de nome Uzuki até o início daquele dia.
Estou na cidade. Podemos nos ver? 08:45
Comprei brinquedinhos novos. Louca para estreá-los com você. 9:14
Está em casa? Posso te encontrar ai. 10:03
Hinata fervia de raiva e ciúmes conforme descia a conversa e a mulher se oferecia descaradamente para Sasuke mensagem após mensagem, aguardando paciente — e talvez, ansiosamente — que ele lhe dessa carta branca para aparecer no apartamento.
Era óbvio que aquela mulher tivera algo com Sasuke e que, durante todo o tempo em que estivera sendo acuada pela declaração de Sasuke para os pais de ambos, ele estivera recebendo mensagens sensuais da outra.
Estou com uma pessoa. 10:43
O aperto em volta do aparelho se suavizou ao encontrar a resposta de Sasuke aos avanços atrevidos.
Não é um relacionamento aberto como os anteriores? Como o nosso? Não tenho problema em me juntar a vocês. 10:45
Eu tenho. Não irei te encontrar e não apareça aqui. 10:48
Depois disso a mulher continuara a enviar mensagens mesmo sem respostas e por fim vinha à foto e o convite explícito. Hinata não sabia se festejava por ele ter recusado encontrar a outra, ou enchia-se de insegurança. A última opção era mais forte.
Uzuki não tinha um grama de gordura no lugar errado, era sensual e extremamente linda. Embora não respondesse, Sasuke estivera lendo as mensagens, talvez até planejasse aceitar o convite e por isso deixara o escritório, para se arrumar e encontrar a outra.
Ouviu passos vindos da porta de ligação e nem bem Sasuke entrou no escritório, Hinata virou o celular com a foto para ele.
— Ela é bem atraente.
— Merda! — ele soltou entredentes, aproximando-se para pegar o celular. — Não incentivei isso.
— Você transou com ela — comentou. Sentindo uma angústia pungente no peito, abaixou os olhos para esconder a dor que a atravessava. — Vai encontra-la?
— Não a vejo há meses — ele falou segurando seu queixo e erguendo-o para fita-la nos olhos. — E nem pretendo.
— Quer um relacionamento aberto como o que você tinha com ela?
— Eu te apresentei como minha noiva para a minha família, me dê algum crédito — pediu exasperado.
— Só porque sua mãe nos flagrou...
— Não! Aconteceria cedo ou tarde — ele afirmou curvando-se para apoiar sua testa na dela. — Mal consigo manter as mãos longe de você.
— Isso é desejo sexual.
— Você quer mais do que isso de mim? — Afastou os fios escuros para detrás das orelhas, deslizando os dedos para acariciar a nuca feminina, depositando um beijo carinhoso na testa coberta pela franja.
A mente de Hinata gritava um sonoro sim, mas o orgulho passou por seus lábios.
— Só quero que saibamos o que esperar do outro.
— Não tenho interesse em outras mulheres e não existe a menor possibilidade de dividi-la com ninguém. — assegurou esfregando seu nariz no dela com suavidade. — Se desistir do Naruto, creio que temos chances.
— Sim... claro... — balbuciou presa no encantamento que sempre a envolvia quando estavam juntos.
— Faremos um bom casamento — ele assegurou embalando seu corpo junto ao dele. — Aceite, e prometo que farei o melhor para que tudo dê certo. Serei fiel e cuidarei de você.
Aquele era o momento perfeito para seguir o conselho de Tenten.
— Casamento é uma responsabilidade muito grande... Envolve muitos sentimentos... — lançou a espera que ele dissesse como se sentia a respeito dela, além do fato de deseja-la fisicamente.
— Eu te respeito e nos damos bem na cama e fora dela — sussurrou roçando seus lábios pela lateral da face corada, inalando a essência feminina com prazer. — Muitos casais se unem sem amor e vivem juntos por anos, alguns se apaixonam depois de casados.
O alerta soou alto e insistente: Resposta errada, resposta errada! Hinata o afastou, causando surpresa no Uchiha.
— Preciso de um tempo para pensar... De espaço... — disse temendo embarcar no plano dele e sofrer no futuro. Queria tanto aceitar, mas um enlace sem o amor dele parecia à fórmula para o fracasso. — Não consigo pensar com clareza quando me beija e toca.
Sasuke abaixou o olhar por um instante como se pensasse em algo e então voltou a fita-la.
— Quanto tempo? — perguntou comedido.
— Não sei ao certo... Talvez uma semana... — murmurou sentindo os olhos arderem e a garganta travar.
— Tenha o tempo que precisar. Não irei pressiona-la. — Ele se inclinou e depositou um selinho no topo da cabeça dela. — Como disse que não consegue pensar quando a toco, creio que é melhor dormimos separados até tomar sua decisão — Ele foi para a escrivaninha para voltar a trabalhar, deixando Hinata desnorteada com sua aceitação tão rápida. — Espero que pense com cuidado. Sem arrependimentos no futuro.
~*S2*~
Hinata não precisou de muito tempo para se arrepender amargamente.
Durante a semana que se seguiu, na parte da manhã eles continuavam seguindo a mesma rotina. Tomavam o café da manhã e iam à academia. Ele a continuava a trata-la com carinho na frente das outras pessoas, esforçando-se para não toca-la ou beija-la. À noite a diferença era maior. Jantavam, conversavam, porém seguiam em direções opostas na hora de dormir e em nenhum momento ele tentou fazê-la mudar de ideia.
Tinha vontade de dizer que não precisava mais de tempo, até fizera inúmeras tentativas de dar sua resposta, mas Sasuke a interrompia e dizia que precisavam esperar a semana se completar.
Mesmo assim, durante as duas visitas de Mikoto nenhum dos dois disse que o casamento não ocorreria. Sasuke até se mostrava interessado nos detalhes da cerimônia, sua atitude enchendo Hinata de esperança.
Quando a sexta-feira chegou, teve uma nova oportunidade de dar sua resposta. Dias antes, Sasuke fora convidado para um jantar beneficente e ele lhe pediu para que o acompanhasse, até a presenteou com um vestido deslumbrante de seda lilás.
Precisara de alguns ajustes, principalmente na área dos quadris, do decote em V e no comprimento, mas agora estava perfeito, valorizando suas curvas, até o receio que tivera com a fenda que cortava a saia pregueada abaixo do joelho direito desaparecera. Era um sonho de vestido.
Prendeu os fios em um coque baixo com mechas torcidas, ajeitando a franja e alguns fios soltos de cada lado do rosto. A maquiagem era discreta, com destaque em seus olhos. Colocava os pequenos brincos em forma de flor quando Sasuke bateu na porta. Permitiu sua passagem, olhando a reação dele pelo espelho.
— Devia se ver no espelho do closet — sugeriu, pois o que ela usava só a pegava da cintura para cima. — Está linda — elogiou admirando-a dos pés a cabeça.
Com o rosto acalorado, Hinata sorriu para Sasuke através da imagem refletida. Ele estava sofisticado e tentador de camisa social branca, gravata borboleta preta combinando com a calça e o paletó fechado um botão, um smoking completo feito sob medida.
Concentrada em admirá-lo, só notou o quanto estavam perto quando Sasuke espalmou uma mão em suas costas expostas pelo decote profundo, causando um tremor elétrico por seu corpo todo.
— Isso me lembra de quando a vi exatamente em frente a esse espelho vestida de noiva — ele disse deslizando os dedos devagar pela pele nua. Hinata suspirou o coração palpitando e o calor se expandindo a partir da mão masculina. Era bom sentir o toque dele novamente. — Nunca desejei uma mulher tanto quanto naquele dia. Eu queria toca-la, beija-la até que suplicasse para fazê-la minha. — Ele beijou a junção do ombro com o pescoço e Hinata soltou um pequeno gemido de deleite. — Esse desejo nunca me abandona.
Hinata girou o corpo, ficando de frente para Uchiha, erguendo-se na ponta dos pés e subindo as mãos para mergulhar os dedos nos fios macios, atraindo-o pela nuca.
— Não preciso de mais tempo para dar minha resposta — murmurou fitando-o profundamente.
— Espere... — Sasuke tentou afastar as mãos que o prendiam, mas Hinata o segurou com firmeza cansada de ser interrompida.
— Não! Tenho certeza absoluta que jamais me arrependerei da minha decisão. — O cortou com determinação. Sorrindo ao perceber que sua atitude o espantara. — Quero ser sua esposa.
Os lábios de Sasuke se curvaram em um sorriso curto, então algo pareceu tomar seus pensamentos tornando sua expressão contida.
— Quer dizer que posso apresentá-la como minha noiva hoje?
Hinata sorriu com doçura, impressionada por, pela primeira vez, ver Sasuke Uchiha demonstrar insegurança. Assentiu devagar, apreciando o sorriso de canto que tornava ainda mais bela a face de seu amado.
— Até o dia em que me tornar sua esposa, querido. — brincou depositando um beijo suave na boca masculina.
Sasuke ergueu sua mão direita e com os olhos presos nos dela pousou os lábios brevemente sobre a aliança que ela carregava.
— Contarei os minutos, meu amor.
~*S2*~
De braços dados com Sasuke, Hinata atravessou as grandes portas de madeira que levavam a um salão amplo, luxuoso e repleto de homens e mulheres elegantes. Ao fundo uma mulher cantava uma música clássica com acompanhamento instrumental. Teria se sentido deslocada naquele ambiente caso não estivesse com um orgulhoso noivo ao lado.
Por onde caminhavam atraiam olhares dos mais variados tipos, do de curiosidade aos de inveja, e Sasuke fazia questão de apresentá-la como sua noiva o que a deixava transbordando em sorrisos a cada novo voto de felicidade.
Um funcionário do evento vestido de preto os guiou até a mesa reservada a Yoshiaki, já ocupada pelo sócio dele, Gaara Sabaku, a irmã mais velha do ruivo, Temari e uma mulher de longo cabelo loiro que os observou se aproximarem com um sorriso malicioso, causando um rubor de reconhecimento na Hyuuga.
— Está muito linda Hinata! — Temari comentou após cumprimentá-la, belíssima em um vestido cinza, os lábios vermelhos destacando a pele clara e o cabelo loiro preso em um coque lateral.
— Obrigada! Você também está maravilhosa. — Agradeceu acanhada, ocupando a cadeira que Sasuke lhe puxou, ao lado da Sabaku.
Nunca tivera intimidade com a irmã mais velha de Gaara, simpatizava com a discreta designer, mas também tinha um pouco de receio, em parte pelo que escondia do ocorrido com o ex-marido dela.
De smoking com direito a colete e o cabelo, normalmente rebelde, penteado de lado com gel, Gaara foi cordial e a apresentou a noiva, a loira de vestido vermelho com decote profundo. No entanto, Hinata sabia seu nome, seria impossível esquecer-se de Ino Yamanaka.
— Prazer em revê-la, Hinata. — A loira deu uma piscadela divertida.
— Digo o mesmo, Ino. — Hinata a respondeu, sorrindo timidamente.
— Vocês já se conhecem? — questionou Gaara com surpresa.
— A ajudei a escolher roupas novas — explicou a jovem sem acrescentar que fora a pedido de Mikoto, no lugar disso recordou: — Você estava desanimada com o fim de um relacionamento. — Os olhos azuis se moveram para o Uchiha. — Suponho que a situação melhorou.
Hinata assentiu e Sasuke aproveitou a chance para comunicar o noivado. Distraída com os parabéns de Temari e Ino, a jovem não reparou na troca de olhares entre o Uchiha e o sócio.
— Que notícia maravilhosa! Então... Já estrearam meu presentinho? — Ino perguntou fazendo o rosto e o colo de Hinata tingir-se de vermelho e quase engasgar com a água que tomara.
Sasuke demorou um instante para compreender, surpreendendo todos ao rir alto. Então fora Ino quem dera o ilustríssimo vibrador em forma de patinho rosa.
— Minha noiva achou fofo demais para usar, mas demos um jeito — assegurou com o sorriso desavergonhado.
— Sasuke! — Hinata ralhou ainda mais envergonhada.
Sem inibição o Uchiha se inclinou cobrindo a boca dela com a sua em um beijo. Logo, os lábios conectados se moviam num sorriso.
— Noiva?
Não foi a pergunta que fez Sasuke encerrar o beijo, e sim a voz irritante de quem perguntara. Torceu para ser fruto de sua imaginação, um reconhecimento desagradável criado por sua mente. No entanto ao olhar para o casal parado ao lado da mesa que ocupava, todo seu corpo gelou e seu olhar recaiu sobre a Hyuuga, cujos orbes claros estavam fixos no ventre dilatado da mulher de cabelo rosado.
Observou com descrença um funcionário do evento indicar as três cadeiras que restavam na mesa, que só naquele momento reparara a existência. Ficou tentado a questionar, mas antes que o fizesse Gaara se antecipou levantando para puxar o assento para Sakura.
Com seu ridículo paletó branco com detalhes pretos, Naruto olhou abobalhado o gesto do Sabaku, sentando ao lado da mãe do filho dele claramente sem graça.
— Sakura, não sabia que viria ao mesmo evento que eu — Ino falou alheia ao clima tenso na mesa.
— Naruto me convidou hoje — a rósea respondeu, voltando-se para a Hyuuga com empolgação. — Hinata é bom te ver novamente.
A Haruno também não pareceu notar que os homens estavam dominados por graus diferentes de constrangimento. Sasuke aguardou a reação de Hinata a presença do casal, temendo o que aconteceria e as consequências para o relacionamento deles. Espantosamente a morena reagiu bem diferente da última vez que elas tinham ficado frente a frente.
— É bom te ver também.
E era verdade. Hinata não guardava nenhum rancor. Perdoara a traição de Naruto, devia o mesmo para Sakura, que claramente não sabia quem ela fora na vida do Uzumaki, ou fingia não saber.
— Está de quantos meses? — perguntou para ter certeza e por um pouco de curiosidade.
— Quatro — ela respondeu deslizando as mãos pelo ventre coberto pelo longo vestido vinho de renda.
Não precisava fazer contas para saber que Naruto a traíra no começo do noivado. Mesmo sem o ressentimento, não conteve o olhar atravessado para o Uzumaki, notando que o tema da conversa o incomodava.
Sentiu a mão de Sasuke apertar a sua, transmitindo força, carinho, cumplicidade e tantas outras vibrações que nunca recebera antes. O fitou agradecida, retribuindo o aperto, querendo emitir que estava no controle de suas emoções. Não faria nada parecido com meses atrás, não choraria ou surtaria, não tinha motivos para isso.
— Vocês nos dariam licença por um instante? — Gaara pediu com o olhar no sócio, levantando-se mesmo sem aguardar a concordância do Uchiha. — Podemos conversar por um instante, Sasuke? Em particular.
O Uchiha olhou de Hinata para Naruto, pesando suas opções. Apesar de não querer deixar a noiva perto do ex., acabou decidindo acompanhar o Sabaku, prometendo após um beijo demorado que retornaria o mais breve possível. Com Sakura ao lado, Naruto não tentaria nenhuma aproximação.
— Estão noivos mesmo? — Sakura perguntou quando perderam os dois de vista. Hinata confirmou e mostrou com orgulho seu anel de noivado. — Juro, nunca imaginei Sasuke Uchiha casando.
— Pois imaginei isso no momento em que a conheci — Ino soltou com uma expressão perspicaz. — O pouco que sei sobre ele e o padrão das ficantes do Uchiha motivaram minhas suspeitas.
— Padrão? — questionou Naruto como despertado de um choque.
— Mikoto costumava falar de uma menina que Sasuke idolatrava na infância. Também via fotos dele em revistas, sempre acompanhado de uma mulher de cabelo longo escuro e olhos claros — A Yamanaka explicou para Naruto. — Quando vi a Hinata e descobri que ela crescera na mansão tudo fez sentido. Logo imaginei qual era a intenção da Uchiha em coloca-los debaixo do mesmo teto. Era tão óbvio!
— Óbvio? — Naruto balbuciou desnorteado.
O interesse do loiro fez Sakura encara-lo com desconfiança, mas o Uzumaki não notou, estava ocupado demais relembrando uma noite a quatro meses atrás. Naruto assustou as quatro mulheres ao se erguer bruscamente, movendo a cabeça de um lado para o outro a procura do Uchiha até encontra-lo conversando com Gaara próximo a cozinha.
Estava prestes a ir ao encontro deles quando um homem de cabelos grisalhos todo de preto se aproximou da mesa.
~*S2*~
Assim que chegaram em um ponto isolado da festa, Gaara colocou para fora o que o preocupava desde que Sakura e Naruto ocuparam seus lugares na mesma mesa que eles:
— Tem algo muito errado com essa festa — Seus olhos aquamarine esquadrilhavam o salão. — Conheço algumas das pessoas aqui, mas não são necessariamente pessoas caridosas, sequer fecharia um contrato com algumas dela.
Sasuke também percebera isso, mas preferira priorizar sua companhia.
Tinham aceitado o convite em comum acordo por ver benefícios no evento, tanto pela causa – ajudar mulheres vítimas de violência -, quanto pela chance de falar com possíveis clientes que compartilhavam a mesma preocupação.
No entanto, logo ao chegar reconheceu diversos rostos conhecidos por problemas judiciais ou cochichos a meia voz, nenhum positivo. Julgara ser a conhecida hipocrisia coabitando o lugar.
— O mais bizarro é a presença do Naruto com a Sakura — Gaara comentou observando o grupo deles a distância. — Ser convidado para o mesmo evento seria normal, mas ocupar a mesma mesa... Tem algo muito estranho aqui. — Fixou o olhar no Uchiha ao acrescentar mordaz: — Ainda mais com você desfilando com a ex. dele, a mulher que você o incentivou a trair. Por que isso não me surpreende, hein?
— Isso de novo? — Sasuke resmungou na defensiva. — O imbecil do Uzumaki traiu a Hinata porque quis. Eu não o empurrei para a cama da Sakura e nem escondi as camisinhas.
— Tinha percebido que estava ocorrendo algo entre vocês, mas o noivado me surpreendeu — Gaara assumiu. — Agora me pergunto se seríamos sócios se eu tivesse tomado a atitude do Naruto e conquistado a Hinata. Ela me atraia quando éramos mais jovens e continua muito bonita.
— Ela é minha noiva. — Sasuke alertou imediatamente vendo vermelho.
— Pela sua reação não seriamos — o ruivo zombou reparando os punhos cerrados do moreno. — O que torna esse casual encontro ainda mais nocivo.
Sasuke assentiu, entendendo a desconfiança e receio do Sabaku.
— Faz alguma ideia de quem mandou os convites?
Gaara não sabia a resposta, mas não precisou se questionar muito. Ao retornar o olhar para a mesa reservada viu um homem magro e de cabelos grisalhos aproximar-se pelas costas de Temari. Empalideceu um palavrão escoado por seus lábios ao mesmo tempo em que suas pernas se apressaram em direção à irmã.
A reação inesperada do sócio causou estranheza no Uchiha, até ele perceber a pessoa que colocava as mãos repugnantes nos ombros de Temari. Foi a sua vez de soltar um xingamento e voltar a passos largos e empurrões para a noiva, se arrependendo amargamente da distância que colocaram entre eles e os demais.
~*S2*~
Hinata demorou a reparar no homem que se aproximou de Naruto e ao fazê-lo estranhou encontrar a pessoa que julgara ser difícil rever, ainda mais em um ambiente totalmente diferente das outras vezes.
Toneri ostentava o mesmo sorriso esquisito de dias antes, todo de preto como um dos funcionários do evento e acompanhado pela cachorra de pelagem branca, os olhos azuis percorrendo devagar o rosto de cada ocupante da mesa.
— Boa noite senhor e senhoras! — Ele os cumprimentou com falsa gentileza. — É um prazer tê-los aqui essa noite.
— Você... Nós já nos vimos antes — disse Naruto estreitando os olhos.
— Tivemos uma conversa interessante num bar, após seu encontro com ela. — disse Toneri Otsutsuki voltando-se para Hinata, tornando-a o centro das atenções. — Reataram o noivado? — Antes que Hinata ou Naruto pudessem responder, Toneri pousou o olhar em Sakura, soltando um teatral: — Você também está aqui? Todos se entenderam, afinal? — Voltou a olhar benevolente para Hinata: — Não se engane. Naruto estava realmente chateado por magoar vocês duas ao dar ouvidos aos conselhos para traí-la.
— Está louco, por acaso? — perguntou Ino afastando uma grossa mecha de lisos fios dourados para detrás da orelha. — Não está falando coisa com coisa, rapaz.
Assim como a loira, e as outras duas mulheres que as acompanhavam, Hinata não entendeu de todo a declaração de Toneri. De alguma forma ele sabia sobre ela, Naruto e Sakura, mas o que queria dizer com "conselhos para trai-la"?
O fato de seu perseguidor conhecer Naruto deixou Hinata desnorteada, tudo que saia da boca dele só fazia a confusão aumentar, porém mais surpresas estavam reservadas.
— Que prazer recebê-la na minha festa, querida!
Gelo líquido percorreu a espinha de Hinata, paralisando cada nervo, músculo e membro de seu corpo. Os olhos arregalados de puro horror procurando a fonte da voz que assombrava seus pesadelos, até encontrar o homem atrás de Temari, de smoking todo branco, às mãos cujas lembranças lhe causavam asco pousadas nos ombros da ex. esposa.
A Sabaku também não parecia à vontade com a presença inusitada e mostrou isso ao afastar o toque de Hidan Masaki, levantar e colocar a cadeira entre eles.
— O que diabos você faz aqui? — perguntou visivelmente nervosa.
— Já disse, benzinho... — Hidan respondeu com um sorriso desprezível —, planejei o evento.
— Sério, Hidan? Pelas vítimas de violência? — Temari soltou um riso amargo, sua expressão espantando as outras mulheres a esbravejar descontrolada. — E qual vai ser a atração principal, uma apresentação de quebra costelas? Oh, não! Um sermão de como a culpa é da mulher e quão arrependido e apaixonado esta, com direito a malditas flores que mal se enxerga através dos olhos doloridos e inchados.
— Espere e verá, Temari. — Um sorriso cruel se desenhou nos lábios dele.
Espantada, Hinata observou a Sabaku recolher sua bolsa e tentar sair, lançando o objeto metalizado na cara de Hidan quando tentou segurá-la. Teria batido muito mais se Toneri não houvesse se colocado entre eles.
As pessoas das mesas ao redor começaram a soltar seus murmúrios e reprimendas, com olhos atentos gravando cada pedacinho da cena que se desenrolava.
— Sentia falta dessa sua versão intempestiva e batalhadora, Temari — Hidan comentou esfregando a mancha avermelhada em seu rosto, sem abandonar o sorriso perverso. — Fico duro só de lembrar o quão selvagem nós podemos ser.
— Se me tocar novamente, eu o mato! — ela ameaçou com os olhos carregados de lágrimas. Hinata percebeu que não eram de tristeza e sim de dor e raiva. — De uma vez por todas, Hidan: mesmo que fosse o último homem no universo, eu não voltaria para você.
Sasuke e Gaara chegaram naquele momento. O Sabaku envolveu a cintura da irmã em um abraço. Imitando Temari, Hinata, Ino e Sakura recolheram suas bolsas e levantaram, ficando do lado dos Sabaku, prontos para ir embora.
— Calma, calma! Não se apressem antes da hora — Hidan pediu. — O verdadeiro motivo de tê-los reunidos, não é você Temari — explicou lançando a Hinata um olhar que a fez tremer e procurar abrigo nos braços de Sasuke —, é ela. Está lindíssima Hyuuga, começo a compreender o Uchiha.
— Vamos embora! — Sasuke incentivou o grupo esfregando a mão no braço da Hyuuga para tranquiliza-la.
— Espere um pouco aí, meu amigo...
— Não somos amigos e jamais seremos — o moreno bradou.
— Oh, não diga isso! — Hidan disse divertindo-se com o caos que causava. — Seria uma pena partirem antes de a Hinata nos contar como é se relacionar com o Uchiha, sabendo que ele mandou Naruto foder outra.
As palavras ferinas de Hidan fizeram Hinata encarar Sasuke, percebendo que ele apertava os lábios em uma linha fina.
— Você deve ser a mulher escolhida — ouviu Hidan perguntar, provavelmente a Sakura. — Foi esperto usar o golpe da barriga, minha cara.
— Olhe bem como fala com a minha amiga! — Ino alertou exaltada.
— Claro que são amigas, golpistas só andam em bando — Hidan escarneceu enfurecendo a Yamanaka que o xingava sem se preocupar com a plateia.
Ino teve a intenção de se atracar com Hidan, mas foi segurada por Gaara e Temari. Todos continuavam olhando e especulando a situação toda, alguns até sacavam os celulares para documentar o barraco com intenção de lançar nas mídias sociais na primeira oportunidade.
No entanto, Hinata não se importava com a discussão, com as pessoas observando, nem o pavor de Hidan a atingia mais; seus olhos estavam cravados no rosto de Sasuke. As palavras do Masaki faziam eco às de Toneri, mas não queria acreditar em tal absurdo, não podia acreditar.
— Sasuke, o que ele disse é verdade?
O Uchiha respirou fundo.
— Não foi bem assim...
— É verdade?
Hinata se soltou afoita dos braços dele, seu movimento brusco atraindo a atenção de Hidan de volta a eles. Todo o sofrimento que passara desde que Naruto confessara a traição rodou em sua mente. Assim como revivia todos os conselhos e apoio do Uchiha para mudar e reconquistar o Uzumaki. Negava-se a aceitar que ele contribuíra para sua dor, que fora tão mesquinho e desalmado ao ponto de jogar Naruto nos braços de Sakura enquanto insinuava que a culpa era dela, que seu modo de agir causara o deslize do ex. noivo.
— Ah, você não sabia? — lamentou o grisalho com fingido pesar. — Pergunte ao Uzumaki se tem dúvida.
— É verdade? — repetiu com a voz embargada, procurando com o olhar desesperado a resposta nos olhos azuis de Naruto. Ele os desviou com constrangimento, seu silêncio sendo mais eloquente que qualquer palavra.
— Oh, benzinho, ele só quis um pouco de sexo — Hidan comentou cruel. — Uma empregadinha gostosa e fácil como você é a vítima perfeita
Reagindo furiosamente Sasuke desferiu um golpe no queixo de Hidan e teria dado muitos outros se Hinata não tivesse corrido em direção à saída. A seguiu, conseguindo alcança-la do lado de fora prestes a descer as escadas. Segurou-lhe pelo braço para conte-la.
— Tire suas mãos imundas de cima de mim! — ela exigiu com o rosto transtornado sacudindo o braço preso pelos dedos masculinos.
— Hinata, espere... Vamos conversar primeiro.
— Me largue! Esse tempo todo você me enganou, me fez achar... — O encarou com ódio. — Não temos nada a falar.
Sasuke ouviu os passos a suas costas, sabia que havia muitas pessoas observando-os, mas pouco se importava com os olhares a sua volta, precisava reparar o estrago que Hidan causara.
— Temos muito para falar — ele retrucou decidido a fazê-la escuta-lo. — Meu amor, lembre-se dos dias e noites que passamos juntos...
— Era só sexo e não sou seu amor, não sou nada sua.
— Não! Com você é especial. Me sinto completo e sei que se sente da mesma forma.
— Nunca senti nada, era só sexo — Hinata repetiu com frieza.
— Não era só sexo, porra! — Gritou. Fechou os olhos e conteve a raiva. Gritar não adiantaria. — Hinata, sei que está zangada, mas me escute...
No lugar de escutar ela o atingiu com um golpe certeiro no rosto. A surpresa o fez solta-la.
— Te odeio e nunca mais quero te ver.
Ela voltou a correr pelas escadas, dando sinal para o primeiro táxi que apareceu antes que Sasuke tivesse tempo de reagir.
— Não se preocupe, Uchiha... Mulheres como elas existem aos montes, amigo — zombou Hidan aparecendo do seu lado. — E você sabe muito bem como encontra-las, não é?
Sasuke avançou na direção dele, mas o cachorro branco se colocou entre eles, uma fileira de dentes pontiagudos obrigando o Uchiha a manter distância.
— Agora precisa de animais para defendê-lo, Masaki? — desafiou causando um acesso de riso em Hidan.
— Meu segurança tem essa fêmea sobre controle, muito diferente de você com a cadela Hyuuga.
— Não abuse da sorte, mesmo com seu lacaio do lado — Sasuke grunhiu entredentes. — Juro que arrebentarei essa sua cara até não sobrar nenhum dente nesse sorrisinho cretino.
— Não prometa o que não pode cumprir Uchiha. — Hidan desdenhou ficando atrás de Toneri e de sua cachorra Kaguya.
Sasuke queria agarrar Hidan. Mesmo que isso lhe causasse uma mordida do cachorro valeria a pena.
— Chega de confusão, Sasuke. — Temari pediu segurando-o pelo pulso fechado. — Não compensa.
— Escute-a, Uchiha. Ela sabe que sou mais poderoso que vocês. Você foi o primeiro, mas juro que cada um de vocês me pagará até eu ter o que quero — prometeu tocando o lugar que a Sabaku o ferira o olhar firme nela. — É só questão de tempo — finalizou retornando ao salão.
— Ignore-o — Temari insistiu habituada as ameaças do ex-marido.
— Melhor ir atrás da Hinata — Gaara aconselhou.
— É exatamente o que eu farei.
Escutando o conselho dos amigos, Sasuke procurou o serviço de vallet para buscar seu carro e dirigiu o mais rápido que lhe era permitido de volta para casa. Minutos mais tarde chegava ao apartamento, procurando a Hyuuga de cômodo em cômodo.
— Hinata!
Para seu desespero logo ficou claro que ela não estava em casa. Não levará nada, nenhuma roupa ou pertence particular, levando-o a uma conclusão preocupante. Para tirar a dúvida ligou para a portaria, sua suspeita de que não retornara ao apartamento se confirmando.
Enfiou os dedos no cabelo com aflição, bagunçando os fios negros. Hinata estava magoada, sentindo-se traída, qual seria a primeira opção para se esconder dele?
~*S2*~
Com os olhos formigando e o rosto molhado, Hinata parou na frente da porta e apertou a campainha. Pensara muito depois que saíra correndo do evento beneficente, rodando a esmo até se decidir. O taxista, um senhor que mostrara simpatia diante do seu choro, aguentara sua fala incoerente até ela indicar um destino final.
Pesando os prós e contras em meio à desordem em sua cabeça, do que fazer, para onde ir, em que pessoas confiar, acabou fornecendo o endereço em que seria menos julgada por sua burrice.
Pagou a corrida no cartão, acrescentando um valor extra para compensar a paciência do motorista. Então acabou em pé na frente daquela porta, aguardando com ansiedade ela ser aberta.
As lágrimas em seus olhos continuavam a verter cruelmente quando por fim foi atendida e pediu com voz embargada:
— Posso dormir aqui?
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